Empregados da Caixa reivindicam protocolos contra a Covid-19

Durante o Fórum de Condições de Trabalho, dirigentes sindicais cobraram menos metas e melhores condições de trabalho para a proteção da vida dos trabalhadores e da população Aperfeiçoar os protocolos de saúde e segurança na Caixa contra a Covid-19, oferecer melhores condições de trabalho aos empregados e proteger a vida de toda a população. Foram essas as principais reivindicações dos dirigentes do movimento sindical aos representantes da Gestão de Pessoas (Gipes) durante a reunião do Fórum Condições de Trabalho. O encontro on-line, aconteceu nessa quinta-feira (17), e definiu pontos de discussão para que o banco público amplie os cuidados com os empregados das unidades. Os trabalhadores também cobraram uma mesa específica para debater o Saúde Caixa. Segundo a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e secretária da Cultura da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fabiana Uehara Proscholdt, algumas lacunas do protocolo da Caixa acabam dificultando o entendimento dos gestores. “Por mais que estejam escritos, não temos protocolos claros executados na Caixa. A informação não está chegando às agências e, mesmo quando chega, não está sendo cumprida. Isso é o mínimo que deveria ser feito. Quanto mais claro ficar as regras, mais fácil será para o gestor ter respaldo e embasamento para tomar decisões. O motivo da reunião também foi rever os protocolos atuais e tentar avançar em itens que hoje não atendem as demandas das unidades”, explicou. Outro ponto de debate foram as metas cobradas pela Caixa. Além de deixarem os empregados sobrecarregados e adoecidos, as cobranças têm atingido diretamente o cumprimento dos protocolos. “A nossa avaliação é que as metas são desumanas e por conta disso tem todo o descumprimento de protocolos porque as pessoas querem cumprir aquilo que está sendo estipulado, até para manteres suas funções. As pessoas querem se sentir valorizadas e cuidadas pela empresa. O que ouvimos é que os empregados estão em segundo lugar e em primeiro estão em metas”, afirmou a coordenadora da CEE. O problema com o cumprimento dos protocolos da Caixa foi pauta na reunião do Comando Nacional dos Bancários com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A falha foi apontada pela ampla maioria dos presidentes de sindicatos, segundo apontou Antonio Firmino (Fetec-PR). Neste Fórum, a direção da Caixa está se mostrando preocupada em ouvir as reivindicações dos trabalhadores e construir melhores condições de trabalho para todos. A gestão do banco informou ainda que está comprando máscaras PFF 2. A ação está em fase de compra e deve atingir não apenas os empregados maiores de 60 anos, conforme a portaria interministerial n° 14, mas todos os empregados. Os dirigentes do movimento sindical solicitaram que a Caixa viabilize as respostas para a próxima reunião do Fórum, que foi agendada para a próxima quinta-feira (24), das 14h30 às 16h. Confira outras reinvindicações feitas no Fórum Condições de Trabalho: Prorrogação das certificações CPA 10 e CPA 20. Por conta da pandemia, muitos empregados estão com problemas em remarcar a prova na Ambima. Segundo a Caixa, a área responsável já está em tratativas com a Associação. Clareza e efetividade quanto as higienizações das unidades. Suspensão das metas do Conquiste ou metas mais razoáveis. Fechamento de unidade quando na impossibilidade de atendimento e/ou possibilidade da Caixa fazer uma comunicação para informar a população que a agência está em contingenciamento com atendimento apenas de serviços essenciais. Redução do horário de atendimento das agências à população. A mudança possibilitaria o empregado focar em outras atribuições. Considerando o piloto do atendimento do interaxa nas agências digitais referente a região norte, importante acompanhamento para não sobrecarregar mais estes empregados. Avaliar a questão dos credenciamentos e descredenciamento dos médicos no Saúde Caixa. Suspensão das visitas externas durante a pandemia. Fonte: Fenae
Contraf-CUT é contra gestantes voltarem ao trabalho presencial durante pandemia

Secretária da mulher classifica como inamissível projeto aprovado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (16) “Defender que a grávida fique em casa durante a pandemia é não só defender a vida da trabalhadora como também defender a vida que ela está gestando. É inadmissível que a mulher grávida, que fica tão sensível a uma série de aspectos, tenha a sua vida colocada em risco”, lamentou Elaine Cutis, secretária da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ao comentar a aprovação projeto que muda regras sobre o trabalho de gestantes durante a pandemia, prevendo sua volta ao presencial, aprovado pela Câmara dos Deputados, na quarta-feira (17). Para Elaine, o projeto não é só completamente equivocado, como também fora de hora. “Estamos num momento de aumento no número de mortes pela Covid-19 e todas as suas variantes. O próprio Comando Nacional dos Bancários negocia a continuidade do home office para preservar a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores”. Na votação de quarta, o plenário da casa rejeitou emenda do Senado ao Projeto de Lei (PL) 2058/21, de autoria do deputado Tiago Dimas (Solidariedade-TO), que muda a Lei 14.151/21. Essa alteração garantiu o afastamento da gestante do trabalho presencial com remuneração integral durante a emergência de saúde pública do novo coronavírus. Agora, exceto se o empregador optar por manter a trabalhadora em teletrabalho com a remuneração integral, a gestante deverá retornar à atividade presencial. O projeto que permite a volta ao trabalho presencial de gestantes foi criticado por diversos parlamentares. A bancária Erika Kokay (PT-DF) foi contrária ao PL, juntamente com outras deputadas de oposição que tentaram obstruir a votação nesta quarta-feira. “Em vez de defender as mulheres, é um projeto misógino, contra as mulheres. Nem aquelas com comorbidades estarão protegidas”, afirmou Kokay. Perpétua Almeida (PCdoB-AC) também criticou e questionou o fato de parlamentares permanecerem trabalhando remotamente, e as gestantes, não. “Fomos até a madrugada de hoje defendendo a Lei das Grávidas, que até aqui salvou muitas mulheres e seus bebês, ao garantir o afastamento delas do trabalho presencial nestes tempos de pandemia. Infelizmente, deputados e deputadas, sob orientação do governo Bolsonaro, derrubaram trechos importantes da lei. É sempre assim: quando a maldade é muito grande, vota-se na calada da noite, madrugada adentro”, criticou ela. O contraponto ao projeto que permite o retorno presencial de gestantes também foi endossado pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP), que chamou a aprovação de “negacionismo da Câmara”. “Com o apoio de negacionistas, a Câmara aprovou ontem um PL que retira o direito das gestantes ao teletrabalho, mesmo neste momento crítico da pandemia. Os mesmo que se dizem ‘defensores da vida’ colocam em risco mulheres que ainda não estão com o esquema vacinal completo”, disse em seu Twitter. Fonte: Contraf-CUT, com informações da Rede Brasil Atual.
CEE/Caixa reivindica proteção pros empregados

Na pauta, a discussão de protocolos mais rigorosos de prevenção contra a Covid-19 e também da influenza A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) enviou um ofício, na tarde desta sexta-feira (7), para a vice-presidenta de Estratégia e Pessoas da Caixa, Magda Lucia Dias Cardoso de Carvalho, para reivindicar a marcação de uma reunião. Na pauta, a discussão de novos protocolos mais rigorosos de prevenção contra a Covid-19 e também da influenz. Além de reforçar a ampla divulgação e aplicação dos protocolos vigentes. “É alarmante o aumento do índice de contaminação pelo coronavírus, além da nova variante da influenza. Neste contexto, recebemos muitas denúncias de contaminação ou suspeita de contaminação de empregados e colaboradores por todo o Brasil, além do descaso de gestores quanto ao cumprimento dos protocolos vigentes”, afirmou Fabiana Uehara Proscholdt, coordenadora da CEE/Caixa e secretária da Cultura da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). “Todo a população está exausta de usar máscaras, higienizar as mãos, entre outros cuidados. Isso não é diferente entre os empregados e empregadas da Caixa. Entretanto, é papel do banco a fiscalização e o cumprimento dos protocolos, com vistas a promoção da saúde e de atuação de prevenção”, completou ACCE/Caixa reivindica ainda a ampliação do home office, colocação imediata de todos os empregados com suspeita e casos confirmados de Covid-19 em quarentena, aplicação de testes nos demais empregados das unidades em que houve suspeita ou confirmação de casos de infecção por Covid-19 e fornecimento de EPIs, como máscaras e álcool em gel para unidades, com urgência. “Em visitas às unidades e contatos com os colegas, recebemos relatos de que há falta de álcool em gel em diversas unidades e, que, apesar de o AD013 prever a compra de máscaras e álcool com recursos do pronto-pagamento, esta verba tem sido reduzida para valores pré-pandemia”, finalizou Fabiana.
Espanha revoga reforma trabalhista, uma das inspirações de Temer

Mudanças devem servir de exemplo para o Brasil, que também sofre com as mudanças na legislação Uma das inspirações da reforma trabalhista feita no Brasil em 2017, sob o governo de Michel Temer, a reforma trabalhista da Espanha é revogada dez anos depois de sua aprovação. A mudança faz parte de negociação que envolveu empresas, sindicatos e partidos que compõem a coalização que dá suporte ao Partido Socialista Espanhol (Psoe). Lá como aqui, o pretexto de baratear as contratações para se criarem mais empregos fracassou. Isso porque, a principal consequência foi a precarização do trabalho e a criação de vagas mal remuneradas, com menos direitos e condições ruins de trabalho. Depois de aprovado pelo conselho de ministros na última terça-feira de 2021 (28), o projeto foi convertido em “real decreto-lei” – uma espécie de medida provisória, que coloca as regras em vigor até que sejam ratificadas pelo Legislativo. Essa nova reforma trabalhista na Espanha, agora com objetivo de resgatar direitos, é parte do acordo entre o partido do governo e o Podemos, partido mais à esquerda. O acordo ajudou a formar a maioria necessária ao Psoe para indicar o primeiro-ministro Pedro Sánchez, após a eleição de abril de 2019. Brasil deve seguir o exemplo Economista e professor da Unicamp, Marcio Pochmann defende que as semelhanças entre o caso europeu e o brasileiro deveriam levar a uma revisão similar em nosso País. Em entrevista ao portal Reconta Aí, o economista explica que a reforma de 2012 se baseou na “flexibilização [e retirada de direitos] na contratação e na demissão”. “No início da década passada, em 2012, um governo de direita na Espanha adotou medidas que aprofundaram da receita neoliberal para o mundo do trabalho. Nove anos depois, essas medidas não concretizaram a promessa de geração de empregos e melhora na qualidade das ocupações, pelo contrário”, sustenta Pochmann. Quatro anos depois, seria o Brasil a adotar medidas semelhantes: “A reforma trabalhista imediatamente introduzida no governo Temer seguiu o mesmo rumo daquela realizada em 2012 na Espanha”. Se as medidas foram parecidas, os resultados também – “funestos e no mesmo sentido”, qualifica Pochmann. Se na Espanha o desemprego, principalmente entre jovens, não foi resolvido, no Brasil vivemos “sete anos seguidos sem crescimento econômico”. Ao mesmo tempo, no País “aumenta o número de ricos sem aumentar a riqueza”. “Isso só é possível por um processo brutal de transferência de renda, resultado de reformas neoliberais que enfraquecem o poder dos trabalhadores, permitindo que o patronato possa capturar parcelas significativas da renda que anteriormente estavam asseguradas ao trabalho”, explica. Em 2014, o custo do trabalho no Brasil representava 36% do custo do trabalho nos EUA. Em 2019, a comparação já havia baixado para 25%. Para Pochmann, esse é mais um dado para qualificar a reforma trabalhista como “falácia”. “O novo governo espanhol [de centro-esquerda] certamente fez uma avaliação dos resultados. E chegou à conclusão de que as medidas eram incorretas. Além de não gerarem empregos, reduziram a renda da classe trabalhadora, reduzindo o consumo”, aponta. Segundo o economista, o principal entrave para reverter medidas que retiraram direitos no Brasil reside justamente em questões mais relativas à política do que a econômicas. “A reversão das chamadas reformas trabalhistas são um componente mais de natureza política do que econômica. Em um quadro em que há dificuldades de expansão da atividade econômica e, portanto, de manter elevada taxa de lucro, surge o argumento ideológico [a favor da retirada de direitos]. Me parece um argumento de natureza política”, finaliza. Mobilização dos Trabalhadores é fundamental O vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Vinicius Assumpção, afirma que o papel da classe trabalhadora neste processo de reconstrução da economia, com a volta da geração de empregos dignos é fundamental. “Nós precisamos nos unir numa corrente única de mobilização em toda a qualquer tentativa de retirada de direitos. Precisamos frear este processo imediatamente e só a força dos trabalhadores é capaz disso.” Para ele, este ano é a grande oportunidade de mudança. “Nós teremos as eleições e nesta hora temos de escolher candidatos que atuem em prol da classe trabalhadora e não pela retirada de direitos e empregos, com o consequente crescimento da desigualdade social. Temos que construir uma grande bancada no Congresso Nacional que tenha compromisso com a retornada do crescimento econômico através da geração de empregos, aumento da renda e mais direitos”, completou. Empregos temporários O principal objetivo da nova reforma espanhola é acabar com o abuso de contratações temporárias, que hoje responde por mais de um quarto das ocupações no país. A ideia é estimular a contratação por prazo indeterminado, que dá mais segurança aos trabalhadores e, portanto, à economia. Além disso, a nova regra extingue a chamada contratação “por obra ou serviço”, equivalente ao “trabalho intermitente” da reforma de Temer. Os prazos de contratações temporárias passam a ser limitados a seis meses, podendo chegar a um ano, caso haja autorização em negociação coletiva. Em situações temporariamente previstas – como datas festivas ou atividades agrícolas – o período máximo é de 90 dias. Outro aspecto importante da nova lei é o de tentar coibir as terceirizações. Com isso, trabalhadores contratados por meio de empresas de terceirização terão obrigatoriamente de receber salários iguais aos dos empregados diretos. Por exemplo, no setor financeiro, um terceirizado deverá receber conforme a convenção coletiva firmada entre bancos e os sindicatos de bancários. O decreto-lei proíbe ainda demissões de funcionários por motivos econômicos e institui de forma permanente o Expediente de Regulação do Trabalho Temporário. A medida foi criada durante a pandemia para evitar que trabalhadores percam o salário e o emprego devido à suspensão da atividade nas suas empresas. A reforma espanhola pretende reequilibrar os parâmetros de negociação coletiva, revogando a limitação de ultratividade – a perda de vigência de um acordo coletivo quando expira seu prazo de validade. A medida dificultava as negociações entre empresas e sindicatos. E agora, então, o novo texto estende a vigência dos acordos coletivos, até a conclusão de nova negociação.
Cassi e BB terceirizam atendimento à saúde mental

Contrato com plataforma de atendimento psicológico on-line não teve consulta do movimento sindical e abre discussão sobre sigilo de dados A parceria entre o Banco do Brasil, Cassi e a Vittude, desenvolvedora de ferramentas de inteligência artificial e atendimento psicológico on-line, preocupa as entidades sindicais e de defesa das trabalhadoras e trabalhadores do BB. “Sempre defendemos a ampliação da oferta de atendimento psicológico na Cassi, mas essa decisão de terceirizar o atendimento, de modo on-line e, ainda, sem dialogar com o movimento sindical, nos deixou em alerta”, pontuou João Fukunaga, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). “A parceria sequer foi apresentada ou discutida com as equipes técnicas da Cassi, o que representa risco para a evolução do modelo baseado na Atenção Integral. Foi uma iniciativa do Banco do Brasil que, depois, envolveu a Cassi. Os dirigentes da Cassi acabaram se submetendo, mais uma vez, às decisões do BB, aceitando a contratação sem uma discussão ampla com os próprios associados”, observou Fernanda Carisio, ex-presidenta do conselho deliberativo da Cassi. “Mais uma vez a Cassi está vendendo os associados, principalmente, os da ativa, ao permitir acesso aos dados de pacientes adoecidos. É muito triste ver a diretoria eleita da Cassi fazendo esse papel escuso”, lamentou ainda João Fukunaga. Na divulgação da parceria, o BB e a Cassi afirmaram que o acordo com a Vittude faz parte do pilar Apoio Psicológico do Programa Saúde Mental, “que está sendo bem recebido por todos os funcionários”. Entretanto, Fukunaga contestou essa informação, uma vez que a contratação da Vittude foi realizada por debaixo dos panos, colocando em risco a proposta original do Programa Saúde Mental: “Essa decisão de terceirizar um serviço que já existe na Cassi não foi dialogada com os associados. Sempre cobramos a ampliação do atendimento psicológico nas mesas de negociação, mas com a interveniência da Cassi neste processo. Agora, quais são os riscos de arquivamento e compartilhamento de informações pessoais das trabalhadoras e dos trabalhadores, em se tratando de uma empresa terceirizada e que tem um contrato 100% pago pelo banco?”, questionou o coordenador da CEBB. “A questão dos dados é séria, ainda mais se considerarmos que não houve discussão com as equipes técnicas da própria Cassi. É provável que exista um termo de confidencialidade assinado pelas partes, isso é, pelo BB e a terceirizada, mas isso, por si só, não garante a preservação das informações de saúde dos associados”, analisou Fernanda. Programa Saúde Mental O Programa Saúde Mental (PSM) da Cassi tem mais de 20 anos. “Começou com a criação de portas de entrada para a saúde mental, a partir de estruturas locais montadas nas unidades Cassi. Esse modelo está evoluindo para trabalhar com Linhas de Cuidado, organizadas para atender aos problemas mais prevalentes entre os funcionários do Banco”, conta Fernanda Carisio, questionando em seguida: Por que não investir num programa maduro e consistente, operado pelos profissionais da própria CASSI?.” O PSM não nasceu por acaso, mas de uma necessidade cada vez maior de atender a demanda de trabalhadores e trabalhadoras do BB. Um estudo recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), abordado no texto “Suicídios na categoria reforçam necessidade de medidas protetivas”, revelou que, entre 2012 e 2017, os bancos foram responsáveis por 15% dos afastamentos por causas mentais entre todos os setores de atividade econômica. Quando se trata de depressão, a proporção no período aumentou para 16%. O levantamento apontou ainda que, de 2009 a 2013, houve uma elevação de 70,5% dos casos de Transtorno Mental entre os bancários, contra 19,4% nas demais categorias. Fernanda explicou que as CliniCassi estão equipadas com profissionais preparados para a condução das ações em Saúde, incluindo psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, além de psiquiatras nas CliniCassi de maior porte. “As ações de Saúde das CliniCassi são baseadas na Atenção Primária e contam com o suporte de parceiros especializados na rede de prestadores de serviços que atuam dando prosseguimento aos tratamentos do paciente”, completou. Atualmente, no Plano Associados da Cassi existe a cobrança de coparticipação equivalente a 40% no valor das consultas. “Nas mesas de negociação temos pedido, reiteradamente, que o banco arque integralmente com os custos dos atendimentos psicológicos em caso de adoecimento mental decorrente do trabalho”, destacou Fukunaga. “É curioso que o banco que oferece, agora, atendimento psicológico gratuito, on-line, por uma terceirizada, é o mesmo que prejudica a saúde dos trabalhadores impondo metas diárias, mesmo diante da pandemia, em uma situação na qual várias agências estão desfalcadas”, observou. Outro dado abordado no artigo “Suicídios na categoria reforçam necessidade de medidas protetivas”, publicado aqui no site da Contraf-CUT, e que reforça a crítica de Fukunaga contra o BB, é que as condições precárias de trabalho, somadas ao baixo poder de decisão sobre as tarefas, aumentam em 77% a possibilidade de o trabalhador cair em depressão. A conclusão é da pesquisadora Llorens Serrano, da Universidade Autônoma de Barcelona e do Instituto Sindical de Trabalho, Ambiente e Saúde (ISTAS), após metarrevisão de 72 estudos mundiais, produzidos nos últimos dez anos.
Enfrentamento do adoecimento mental na categoria bancária pelo Sindicato foi o tema da 3ª “live”

Dando sequência às comemorações do dia 10 de outubro – Dia Mundial em Comemoração da Saúde Mental, o Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense realizou sua 3ª live, com a participação virtual do convidado Plínio Pavão. Plínio é empregado aposentado da Caixa, ex-diretor de Saúde do Trabalhador da ContrafCut, foi assessor da Cut Nacional para esse tema, sendo o coordenador, por muito tempo pelas negociações com os banqueiros e governo federal, que resultaram nas conquistas que atualmente temos na nossa Convenção Coletiva, diversas Normas Regulamentadoras e na legislação em geral, dentre elas a criação do NTEP – Nexo Técnico Epidemiológico, em 2006. Se nos idos dos anos 90 e 2000 o grande problema de saúde dos bancários foram as chamadas Ler/Dorts – doenças osteomusculares, à partir de 2010 as doenças psicossomáticas passaram a dominar as estatísticas, e atualmente a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo completo esgotamento emocional e físico, é a maior causa de afastamento do trabalho dos bancários, sendo que a categoria é a segunda, nesse tipo de afastamento junto ao INSS, ficando atrás somente dos servidores públicos. Plínio fez questão de abordar de modo abrangente todas as questões. A começar pelo próprio conceito de saúde definido pela OMS – Organização Mundial da Saúde, que a define como sendo o bem-estar geral, físico, emocional, financeiro e social, e não apenas a ausência de doenças. Da mesma forma a importância de aplicarmos os conceitos mais adequados que dispomos, como por exemplo de Saúde do Trabalhador, em sua definição, que contempla os conhecimentos das diversas áreas e disciplinas como Medicina Social, Saúde Pública, Saúde Coletiva, Clínica Médica, Medicina do Trabalho, Sociologia, Epidemiologia Social, Engenharia, Psicologia, etc., aliada aos saberes e interações dos próprios trabalhadores. Em contraposição aos chamados conceitos hegemônicos, que são aqueles tecnicistas, que buscam individualizar e responsabilizar a conduta individual dos trabalhadores e reduzir sua extensão. Essa contraposição é fundamental, porque reflete os conflitos inerentes as relações ideológicas próprias entre capital e trabalho. Mas todos sabemos e os dados epidemiológicos disponíveis comprovam que esse nível de adoecimento é resultado das relações assimétricas de poder nos ambientes de trabalho, da exploração da força de trabalho na busca de lucros e resultados e dos conflitos que permeiam as relações de trabalho. No caso dos bancários essas questões se traduzem pelo aumento do assédio moral, das cobranças pelo atingimento de metas cada vez mais abusivas, pela falta de condições adequadas para esse trabalho e de seus efeitos, que provocam continuadamente na vida pessoal e profissional dos bancários, cujas preocupações não acabam ao se desligar o computador na agência no fim da jornada. Outra importante abordagem feita foi sobre a vasta legislação que o Brasil possui. Desde a Constituição Federal, que determina a saúde como um direito de todos e dever do Estado, a lei de criação do SUS, com a previsão de uma série de questões importantes para a Saúde do Trabalhador, a lei 8.213 (direitos previdenciários), e outras legislações e normas que preveem ações epidemiológicas preventivas, CIPAS, o papel e a responsabilização das empresas, possibilidades de atuação e intervenções sindical na busca de ambientes de trabalho saudáveis. Ou seja, não é por falta de legislações que garantam ambientes de trabalho mais salubres que isso não ocorre. É em sua maior parte pela negligência do empregador, do Estado e em razão do desconhecimento e exigência do respeito às normas pelos próprios trabalhadores, que as empresas aproveitam para aumentar a exploração e maximizar seus lucros, aos custos da saúde de seus trabalhadores, que depois são descartados como um simples “bagaço de uma laranja”. “A manutenção da saúde dos trabalhadores é o eixo principal para a atuação dos Sindicatos”, avaliou Plínio Pavão. Até porque todos os demais aspectos da vida profissional, pessoal e social dos bancários estão vinculados a esse respeito. Por isso que um dos consensos desses debates é a necessidade de ampliar a divulgação e o conhecimento desses direitos. E outra iniciativa, à partir dessa popularização de conhecimentos, é resgatar a solidariedade dentre os bancários, e a noção da importância da coletividade para enfrentar esses problemas e buscar as soluções. Construindo novas reivindicações a serem levadas à Mesa de Negociação com os banqueiros, aos governos no âmbito de suas competências, mobilizações em torno dessas pautas e principalmente uma atuação de resistência para impedir que o assédio moral prospere nos ambientes de trabalho. Ou seja, toda essa luta e enfoque da problemática tem que ser coletiva. Mas enquanto isso precisamos cuidar e assistir aos já adoecidos. Seja no estabelecimento das chamadas Clínicas do Trabalho, nos Sindicatos que tiverem essa condição, com atendimento psicológico adequado, individual e coletivo, para a escuta e acolhimento, intensificar a emissão das CAT’s – Comunicação de Acidente de Trabalho, para assegurar o tratamento e direitos adequados e/ou responsabilizar aos bancos nos casos de recusas ou omissões nas suas obrigações legais. Em razão das dimensões e repercussões desses tipos de acometimentos, responsáveis por inúmeras tentativas de suicídios, inclusive, levaram o Sindicato dos Bancários a realizar essa série de 3 lives (dias 13 – Dra. Ana Luiza Gimenez – Psicóloga, 14 – Dra. Anne Mejias – Advogada e 19/10 – Plínio Pavão – Dirigente e assessor sindical, que podem ser acessadas nas redes sociais do @Bancariosul) como a intensificação de um trabalho mais intenso e específico nessa área da promoção da saúde do trabalhador, para que os bancários e bancárias tenham a convicção de que não estão sós nessa luta. Acesse a live na íntegra em nosso canal: Youtube
Live sobre saúde mental, destaca direitos do trabalhador bancário e procedimentos junto ao INSS

Neste mês de outubro, onde celebramos no dia dez o Dia Mundial da Saúde mental, nosso Sindicato vem destacando a importância da prevenção e tratamento de problemas relacionados com a saúde mental dos bancários. O Bancariosul, através de uma série de lives, coloca em pauta essa discussão, que é de suma importância para todos nós. No dia 13/10, a live coordenada pelo, presidente Júlio Cunha, teve como palestrante a Dra. Ana Luíza, psicóloga, que discorreu sobre os principais transtornos e tratamento para recuperação de uma vida saudável. Ontem, 14/10, foi transmitida a segunda live, coordenada pelo diretor de saúde Miguel Pereira, onde a Dra. Anne Mejia, advogada previdenciária, falou sobre os direitos dos bancários e os procedimentos junto a empresa/INSS. Para se ter uma ideia da dimensão do acometimento destes transtornos mentais em nossa categoria, veja os dados abaixo: CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS – DADOS OFICIAIS AUXÍLIO DOENÇA 2019. 2020 213,2 mil 285,2 mil (+ 33,7%) APOSENTADORIAS POR INAVLIDEZ – PROBLEMAS MENTAIS 2019. 2020 241,9mil 291,3mil (+20,4%) Esse percentual superou e muito as concessões de benefícios decorrentes de doenças classificadas como osteomusculares – LER/DORT, que ficaram na segunda colocação desse ranking, com aumento de 28,8% entre 2019/2020. BANCÁRIOS Dados entre 2009 e 2017 apontam que o número total de bancários afastados por doenças crescera 30%. AUXILIO ACIDENTÁRIO/PREVIDENCIÁRIO 2009. 2017 13.297. 17.310 Pelo menos metade desses casos foram por transtornos mentais, que cresceram 61,5%no período, enquanto as enfermidades relacionadas aos esforços repetitivos tiveram um incremento de 13%. segundo dados do próprio INSS. Ainda segundo o Ministério Público do Trabalho – MPT, os bancos foram os responsáveis por 5% dos trabalhadores afastados por doenças entre 2012 e 2017, enquanto a categoria representava apenas 1% dos empregos no país. O que demonstra que o trabalho bancário tem relação direta com os níveis de adoecimento. Outro dado comparativo é que na população geral, 50% dos adoecimentos não são psíquicos ou do sistema músculo esquelético. Daí que a busca de soluções é obrigação de todos os atores envolvidos, mas principalmente aponta a urgência dos bancos em rever seu processo de organização e divisão do trabalho, e principalmente das formas de gestão. Porque os lucros não podem ser colocados acima da vida. Acesse a live na íntegra em nosso canal: Youtube
SAÚDE MENTAL DOS BANCÁRIOS

Sindicato realiza a primeira de uma série de 3 lives para tratar do assunto No dia 13 de outubro, Dra Ana Luiza Lima Gimenez, psicóloga clínica, abrilhantou a noite, com sua formação humanista nos brindando com informações muito importantes, para o Sindicato, que tem a preocupação com a necessidade de mudanças profundas nos cuidados mentais para a categoria, e para os bancários e bancárias que acompanharam a apresentação nas redes sociais (YouTube e Facebook). Logo de partida, Dra Ana Luíza nos alertou da importância de todos tratarmos do assunto, desmistificando e mudando o enfoque: cuidar da nossa saúde mental como um autocuidado, e não como adoecimentos. Isso porque nossa saúde é o resultado de um conjunto de fatores, que precisam caminhar simultaneamente que estão estruturados em quatro grandes pilares: saúde emocional, saúde física, saúde financeira e saúde sexual. Devemos estar sempre atentos aos primeiros sintomas e atuar preventivamente. E quando percebermos que as coisas estão ficando mais difíceis, fugindo do controle, falar sobre e buscar a ajuda profissional. As psicoterapias são locais de acolhimento, de apoio, fala, carinho e cuidados. E por isso não podem ser vistas com pré conceitos. Diversas são as sintomatologias que encontramos nos ambientes de trabalho, mas chama a atenção como no caso do trabalho bancário as ocorrências são muito mais altas. Ansiedade, depressão, exaustão ou estafa mental, síndrome do pânico, síndrome de Bornoult, etc, que se dividem numa série de outros sub sintomas: apreensão, medo, taquicardia, insônia, inquietação, dor de cabeça constante, incapacidade de se concentrar, falta de ar, tontura, formigamento, perda do apetite, compulsões, solidão, tristeza e isolamento social, apatia, etc. Indo numa escala de sintomas mais brandos até os mais graves, onde a pessoa chega num quadro de esgotamento completo, e num sentimento de vazio existencial, acarretando um colapso total. É justamente nessa fase que a ideia do suicídio surge como possibilidade para o “fim” de tamanho sofrimento. Nessa fase do se sentir vazio, surgem também diversas compulsões. Para tentar “encher” e “ocupar” emocionalmente, busca-se por mais comidas, drogas, álcool ou sexo. Tudo para se tentar momentaneamente alguma forma de compensação. ASSÉDIO MORAL – um capítulo importante a ser enfrentado O ASSÉDIO MORAL é uma violência no ambiente de trabalho. É um abuso, que busca diminuir, anular, excluir, ignorar o trabalho e a pessoa em determinado ambiente, o que causa sérios danos. E a forma como o trabalho bancário atualmente está organizado, baseado no atingimento de metas, cada vez mais abusivas no sentido da dificuldade de seu atingimento e a forma de gestão estruturalmente concebida para a cobrança desses resultados está na base da pirâmide do desencadeamento dessa verdadeira epidemia de doenças mentais na categoria, principalmente a Síndrome de Bornoult. As relações de trabalho gradativamente foram profundamente modificadas, e o meio ambiente de trabalho bancário se tornou altamente hostil e competitivo. Onde a amizade, o companheirismo, o apoio e a solidariedade foram substituídas pela disputa, cobranças e estabelecimentos dos rankings. Base para promoções e/ou demissões. Acesse a live na íntegra em nosso canal: Youtube
10 DE OUTUBRO DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL

POR QUE PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO Segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Pela nossa Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. Até a nossa atual e combalida CLT prevê as responsabilidades das empresas na manutenção da integridade da saúde dos trabalhadores. E apesar de toda essas legislações protetivas o Brasil infelizmente é um dos campeões em número de acidentes, mortes e doenças relacionadas ao trabalho. As mudanças implementadas em todo mundo na organização do trabalho através da chamada reestruturação produtiva, com a introdução de novas tecnologias, novas formas de gestão de mão de obra, para aumentar a produtividade, teve como consequência a intensificação no ritmo, intensidade e controle do trabalho. Particularmente nos bancos, com essas “ferramentas” também houve alterações no modelo de negócios, sendo a venda de produtos e serviços financeiros se tornado a principal atividade, e o trabalho baseado no atingimento de metas, cada vez mais inexequíveis é a realidade. O assédio organizacional – práticas de gestão voltadas para a produtividade, abriu espaço para o assédio moral. Com ambientes de trabalho cada vez mais exigentes, competitivos, novas relações de trabalho aos poucos foram quebrando os laços de solidariedade e substituindo por um individualismo como forma de sobrevivência no cargo ou no emprego. Os ambientes de trabalho vão se tornando hostis, com muitas tarefas, cobranças e poucos trabalhadores para dar conta de tudo. Essa gestão fortemente baseada na planificação e cobrança por resultados inibem outras condições fundamentais à realização humana: a subjetividade e o sentido de realização profissional. Soma-se a isso tudo uma segmentação de clientes cada vez mais seletiva, uma profunda crise econômica, tornando praticamente impossível entregar o resultado cobrado. Não por falta de empenho ou dedicação pessoal. Ao contrário. Ainda existe uma verdadeira crise de identidade moral nos bancários, porque nesse cenário, se vêem obrigados a “vender” produtos que se tivessem escolha não o fariam. Aos poucos a angústia, tristeza, a fadiga, ansiedade e o estresse vão se instalando, sem se perceber. Fato é que nos últimos anos as doenças psicossomáticas já são maioria dos afastamentos do trabalho. A Síndrome de Burnout já é uma verdadeira Pandemia entre os bancários. Essa síndrome se caracteriza pelo esgotamento físico e emocional, necessitando o afastamento do posto de trabalho. Segundo a OMS a Bournout é um estresse crônico e já atinge em algum grau a maioria dos trabalhadores no mundo. Além do desconhecimento natural em reconhecer essas situações, os bancários receosos por perderem a função ou o próprio emprego protelam na busca do tratamento adequado. O que quando ocorre, os problemas já estão agravados. Temos visto ser comum também outros problemas decorrentes da não abordagem correta, que são decorrentes de automedicação, problemas trabalhistas e previdenciários ocasionados pelo desconhecimento dos direitos e legislações, prazos e procedimentos. A pandemia da Covid19, o isolamento social necessário, as novas modalidades como o teletrabalho-home office agravaram essas condições. O ano de 2020 bateu um novo recorde na concessão de auxílio doença e aposentadoria por invalidez devido a transtornos mentais, chegando a 576,6 mil afastamentos , segundo dados da Secretaria Especial da Previdência e Trabalho – uma alta de 26% em relação a 2019. Isso com toda a dificuldade que sabemos ter nos atendimentos no órgão previdenciário. Dados do INSS já apontam que hoje 63% dos novos afastamentos já são relacionados a esses problemas de saúde mental. Por isso que abordar essas questões são fundamentais. A busca do equilíbrio entre a vida e a realização do trabalho é cada vez mais imprescindível, e de interesse de toda sociedade. Essa discussão há muito já não é apenas transversal ou tangencial às condições e relações de trabalho. São vitais.