Enfrentamento do adoecimento mental na categoria bancária pelo Sindicato foi o tema da 3ª “live”

Dando sequência às comemorações do dia 10 de outubro – Dia Mundial em Comemoração da Saúde Mental, o Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense realizou sua 3ª live, com a participação virtual do convidado Plínio Pavão.

Plínio é empregado aposentado da Caixa, ex-diretor de Saúde do Trabalhador da ContrafCut, foi assessor da Cut Nacional para esse tema, sendo o coordenador, por muito tempo pelas negociações com os banqueiros e governo federal, que resultaram nas conquistas que atualmente temos na nossa Convenção Coletiva, diversas Normas Regulamentadoras e na legislação em geral, dentre elas a criação do NTEP – Nexo Técnico Epidemiológico, em 2006. 

Se nos idos dos anos 90 e 2000 o grande problema de saúde dos bancários foram as chamadas Ler/Dorts – doenças osteomusculares, à partir de 2010 as doenças psicossomáticas passaram a dominar as estatísticas, e atualmente a Síndrome de Burnout, caracterizada pelo completo esgotamento emocional e físico, é a maior causa de afastamento do trabalho dos bancários, sendo que a categoria é a segunda, nesse tipo de afastamento junto ao INSS, ficando atrás somente dos servidores públicos.

Plínio fez questão de abordar de modo abrangente todas as questões. A começar pelo próprio conceito de saúde definido pela OMS – Organização Mundial da Saúde, que a define como sendo o bem-estar geral, físico, emocional, financeiro e social, e não apenas a ausência de doenças.

Da mesma forma a importância de aplicarmos os conceitos mais adequados que dispomos, como por exemplo de Saúde do Trabalhador, em sua definição, que contempla os conhecimentos das diversas áreas e disciplinas como Medicina Social, Saúde Pública, Saúde Coletiva, Clínica Médica, Medicina do Trabalho, Sociologia, Epidemiologia Social, Engenharia, Psicologia, etc., aliada aos saberes e interações dos próprios trabalhadores. Em contraposição aos chamados conceitos hegemônicos, que são aqueles tecnicistas, que buscam individualizar e responsabilizar a conduta individual dos trabalhadores e reduzir sua extensão.

Essa contraposição é fundamental, porque reflete os conflitos inerentes as relações ideológicas próprias entre capital e trabalho.

Mas todos sabemos e os dados epidemiológicos disponíveis comprovam que esse nível de adoecimento é resultado das relações assimétricas de poder nos ambientes de trabalho, da exploração da força de trabalho na busca de lucros e resultados e dos conflitos que permeiam as relações de trabalho. No caso dos bancários essas questões se traduzem pelo aumento do assédio moral, das cobranças pelo atingimento de metas cada vez mais abusivas, pela falta de condições adequadas para esse trabalho e de seus efeitos, que provocam continuadamente na vida pessoal e profissional dos bancários, cujas preocupações não acabam ao se desligar o computador na agência no fim da jornada.

Outra importante abordagem feita foi sobre a vasta legislação que o Brasil possui. Desde a Constituição Federal, que determina a saúde como um direito de todos e dever do Estado, a lei de criação do SUS, com a previsão de uma série de questões importantes para a Saúde do Trabalhador, a lei 8.213 (direitos previdenciários), e outras legislações e normas que preveem ações epidemiológicas preventivas, CIPAS, o papel e a responsabilização das empresas, possibilidades de atuação e intervenções sindical na busca de ambientes de trabalho saudáveis.

Ou seja, não é por falta de legislações que garantam ambientes de trabalho mais salubres que isso não ocorre. É em sua maior parte pela negligência do empregador, do Estado e em razão do desconhecimento e exigência do respeito às normas pelos próprios trabalhadores, que as empresas aproveitam para aumentar a exploração e maximizar seus lucros, aos custos da saúde de seus trabalhadores, que depois são descartados como um simples “bagaço de uma laranja”.

“A manutenção da saúde dos trabalhadores é o eixo principal para a atuação dos Sindicatos”, avaliou Plínio Pavão. Até porque todos os demais aspectos da vida profissional, pessoal e social dos bancários estão vinculados a esse respeito.

Por isso que um dos consensos desses debates é a necessidade de ampliar a divulgação e o conhecimento desses direitos. E outra iniciativa, à partir dessa popularização de conhecimentos, é resgatar a solidariedade dentre os bancários, e a noção da importância da coletividade para enfrentar esses problemas e buscar as soluções. Construindo novas   reivindicações a serem levadas à Mesa de Negociação com os banqueiros, aos governos no âmbito de suas competências, mobilizações em torno dessas pautas e principalmente uma atuação de resistência para impedir que o assédio moral prospere nos ambientes de trabalho. Ou seja, toda essa luta e enfoque da problemática tem que ser coletiva.

Mas enquanto isso precisamos cuidar e assistir aos já adoecidos. Seja no estabelecimento das chamadas Clínicas do Trabalho, nos Sindicatos que tiverem essa condição, com atendimento psicológico adequado, individual e coletivo, para a escuta e acolhimento, intensificar a emissão das CAT’s – Comunicação de Acidente de Trabalho, para assegurar o tratamento e direitos adequados e/ou responsabilizar aos bancos nos casos de recusas ou omissões nas suas obrigações legais.

Em razão das dimensões e repercussões desses tipos de acometimentos, responsáveis por inúmeras tentativas de suicídios, inclusive, levaram o Sindicato dos Bancários a realizar essa série de 3 lives (dias 13 – Dra. Ana Luiza Gimenez – Psicóloga, 14 – Dra. Anne Mejias – Advogada e 19/10 – Plínio Pavão – Dirigente e assessor sindical, que podem ser acessadas nas redes sociais do @Bancariosul) como a intensificação de um trabalho mais intenso e específico nessa área da promoção da saúde do trabalhador, para que os bancários e bancárias tenham a convicção de que não estão sós nessa luta.

Acesse a live na íntegra em nosso canal: Youtube

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