Todos os problemas do mercado de trabalho afetam mais negras e negros

Mesmo quando ocorrem movimentos econômicos que estimulam a geração de vagas de trabalho, como a retomada das atividades produtivas e de serviços após o fim da emergência de saúde por causa da pandemia de covid-19, as condições dos trabalhadores não melhoram no Brasil, e pior, são agravadas quando se consideram questões raciais. É o que mostra o estudo A persistente desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho, feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a propósito do Dia da Consciência Negra de 2022, celebrado em 20 de novembro. Ao comparar os dados do segundo trimestre de 2019 com o de 2022, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e considerando “a perspectiva de crescimento de cerca de 2,5%” neste último ano, o Dieese observa que “houve elevação da informalidade, da subocupação e queda dos rendimentos, efeitos sentidos mais intensamente pelo homem e pela mulher negra”. Desocupação Um dos itens a comprovar essa constatação é a desocupação. A taxa de quem não conseguia atividade remunerada, sempre considerada no segundo semestre de cada ano mencionado, cresceu de modo acentuado na pandemia: passou de 12,1%, em 2019, a 13,6%, no ano seguinte, e depois a 14,2%, em 2021. Com a normalização da situação sanitária e consequente retomada das atividades econômicas, como era de se esperar, essa taxa caiu para 9,3%, em 2022. No entanto, a retomada da produção e a redução do desemprego mantiveram as marcas da discriminação racial no país. O estudo do Dieese denuncia que “são visíveis as dificuldades que as mulheres negras enfrentam no mercado de trabalho”, uma vez que “elas vivenciavam taxa de desocupação de 13,9%”, no segundo trimestre deste ano, enquanto esse índice era de 8,9% para mulheres não negras e de 6,1% para homens não negros e de 8,7% para homens negros. Subutilização Situação similar se verifica entre os subocupados por insuficiência de horas, pessoas que precisam e gostariam de trabalhar mais horas, porém não encontram oportunidades. No período analisado do ano de 2022, 6,7% da população total ocupada procurava mais atividades para incrementar sua renda, enquanto a taxa para a trabalhadora negra saltava para 10%. A do trabalhador negro se encontrava na média, em 6,5%, porém muito acima da do homem não negro, que ficou em 4%. A subutilização da força de trabalho, que aos desocupados e subocupados soma os trabalhadores em desalento (que precisam trabalhar, mas perderam esperança de conseguir uma colocação) e aqueles que estão buscando trabalho, mas estão indisponíveis para iniciar no momento, ficou em 21,2% no segundo trimestre de 2022, menor que os 29,3% de 2020, momento em que a quarentena por causa da pandemia estava em vigor. Entre as mulheres negras, porém a taxa era de assustadores 31,5%, depois de ter batido os 41,6% durante a pandemia, bastante acima dos 20,6% das mulheres não negras. Entre os homens negros era de 19,7% e entre os não negros, de 13%. Renda A queda nos rendimentos, em média de 4,8%, afetou os trabalhadores de todos os segmentos da população. Os dados estatísticos mostram que os trabalhadores não negros tiveram perda maior, de 7,6% para as mulheres e 5,4% para os homens, enquanto os trabalhadores negros perderam 3,6% e as trabalhadoras negras, 0,8%. Entretanto, o estudo do Dieese constata que esse fenômeno, que em um olhar superficial pode parecer que privilegiou profissionais negros e negras, na verdade “se deveu a efeito estatístico perverso: enquanto os trabalhadores que ganhavam mais foram atuar em home office, aqueles com menor remuneração perderam as ocupações”. Nesse processo, “as mulheres negras, que, em geral, recebem os menores rendimentos, foram as mais penalizadas e ficaram sem renda durante o período mais intenso de isolamento social”. O estudo do Dieese constata que os rendimentos médios, no segundo semestre deste ano, “também comprovam a desigualdade de remuneração por raça/cor”. Nesse período, a remuneração média do trabalhador negro no Brasil foi de R$ 2.142 e a da trabalhadora negra, de R$ 1.715, enquanto a do trabalhador não negro alcançou R$ 3.708 e a da trabalhadora não negra, R$ 2.774. Assim, em média, o profissional negro recebeu 58,8% e a profissional negra, 46,3% do que o homem branco. Conforme o estudo, essa situação decorre de processo estrutural que “é constante nos dados do mercado de trabalho e precisa ser modificada a partir de políticas públicas e sensibilização da sociedade”. Ainda segundo a instituição, é necessário “sensibilizar a sociedade em relação à discriminação existente no mercado de trabalho, que penaliza parcela expressiva de brasileiros”. Para o secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, “os números do mercado de trabalho mostram que o racismo não está presente apenas nas ruas e nos ambientes de convivência das pessoas, mas na estrutura econômica do país, e de modo descarado”. O secretário entende que “esse é um mal que não afeta apenas os mais de 50% da população que são afrodescendentes, mas degenera toda a sociedade brasileira, e o enfrentamento a esse crime é dever de todo cidadão”.
Sindicato dos Bancários e UFF-VR lançam projeto sobre acompanhamento do adoecimento mental na categoria

Iniciativa envolve universitários extensionistas do curso de Psicologia e visa à produção de conhecimento e dados estatísticos que viabilizem traçar ações de acolhimento aos já adoecidos e possam prevenir o surgimento de novos casos. O Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense e o campus da Universidade Federal Fluminense em Volta Redonda (UFF-VR), por meio da Extensão do Curso de Psicologia, lançaram nesta quarta-feira (23) o projeto Saúde Mental no Trabalho Bancário, uma parceria para o desenvolvimento de estudos da saúde mental da categoria da região no contexto do ambiente de trabalho. Com a iniciativa, a entidade sindical pretende desenvolver uma política de atenção à saúde de forma eficaz para os casos de adoecimento de origem psicossomática e, principalmente, traçar ações que evitem e previnam os avanços dessas doenças provocadas pela pressão dos bancos e o acúmulo de exigências, entre eles o cumprimento de metas cada vez mais insuportáveis. No evento, que ocorreu no auditório da UFF-VR, o diretor presidente do Sindicato, Júlio Cunha, ressaltou que o número de associados à entidade gira em torno de 1.100 bancários e que, atualmente, de acordo com informações do cadastro do Sindicato, pelo menos 120 deles estão afastados pelo INSS devido às doenças psicológicas e psiquiatras. Mas esse número é muito maior. “Hoje, as ações do Sindicato são baseadas em indicadores “oficiosos”. Nós queremos ter dados que nos permitam o mapeamento fidedigno do quantitativo de trabalhadores bancários doentes, afastados de suas funções pelo INSS, daqueles que continuam na ativa e usam medicamentos tarjas pretas e ainda daqueles que se encontram na fase de negação da doença”, afirma. Júlio ainda destaca a importância do projeto no levantamento de dados reais. “A produção desses dados vão referenciar as nossas ações, não somente da perspectiva do acolhimento, mas também da orientação trabalhista e do tratamento, que precisa ser mais humanizado. Na nossa concepção, esses trabalhadores precisam sentir que não estão sozinhos, ter espaços coletivos, tampouco se culpabilizarem pela situação que estão vivenciando. O Sindicato acredita que desta maneira será possível produzir ações mais contundentes de apoio e acompanhamento da categoria, visando inclusive, a prevenção ao suicídio, prática que tem aumentado expressivamente nos últimos anos entre os bancários. É absurdo a gente pensar em uma instituição bancária, que se consolida como uma indústria tão sofisticada do ponto de vista tecnológico, mas que deixa as pessoas nesse estado deplorável de saúde por conta do trabalho e suas imposições”, concluiu Júlio Cunha. O diretor do departamento de Saúde do coletivo de trabalhadores, Miguel Pereira, afirmou que a reforma trabalhista, a reestruturação dos bancos públicos e as demissões em massa nos bancos privados agravaram a situação. “Mesmo com lucros nas alturas, a ameaça de demissão é constante que somadas ao cumprimento de metas e outras exigências são angustiantes na rotina dos bancários. Situação agravada muitas vezes pelo assédio moral. Para se ter ideia da gravidade da situação, os afastamentos por conta dos transtornos psiquiátricos já superaram as doenças osteomusculares (LER/DORT) que por muitos anos foram campeãs de incidência entre a categoria”, completou. A expectativa do coordenador do curso, Ricardo Pena, é que os dados consolidados pelos universitários extensionistas possibilitem mudanças estruturais na rotina bancária. “Uma das funções da universidade pública é estar aberta ao público e produzir novos saberes. Especificamente, nesta proposta de cooperação com o Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense, nosso intuito é contribuir com a consolidação de dados frente à nova ordem mundial para a criação de um mundo mais humanizado”. A chefe do Departamento de Psicologia, Priscila Alves, explicou que os trabalhos serão produzidos com fundamentação em pesquisas, estudos teóricos e construções coerentes. “Para os nossos alunos, este trabalho será muito importante, já que vamos começar do zero, mostrar como se constrói esses saberes consistentes na busca pela saúde. Vale destacar que, muitas vezes essas doenças são invisíveis e acabam desqualificadas no mundo do trabalho”. A pesquisa denominada “Atenção à saúde mental do trabalhador bancário do Sul Fluminense” será coordenada pelos professores Dra. Maria Elisa Siqueira Borges, que é ex-bancária, e o Dr. Fernando Faleiros de Oliveira, e tem o objetivo de produzir e consolidar dados e estatísticas sobre a situação da saúde mental desse grupo de trabalhadores; construir e efetivar ações que identifiquem prováveis causas e soluções e possibilitar que o trabalho não seja causa de sofrimento, adoecimentos e mortes; articular com outros atores e órgãos públicos, no sentido de construir relações de trabalho mais justas e saudáveis. O inventário sobre o trabalho de risco e adoecimento (INTRA) avaliará o contexto da realização da atividade bancária (organização do trabalho; condições de trabalho; relações socioprofissionais); o custo humano do trabalho (físico, cognitivo e afetivo); os danos relacionados ao trabalho (físico, sociais e psicológicos); além dos indicadores de prazer e sofrimento no trabalho (realização profissional; liberdade de expressão; falta de reconhecimento; falta de liberdade de expressão. físicos; danos psicológicos). A intervenção será definida após a análise dos dados, mas algumas ações já foram elencadas, como plantão psicológico e grupos de escuta. Indicadores sobre as doenças psicossomáticas Por enquanto, são precárias as estatísticas reais sobre o número de bancários adoecidos e afastados de função em decorrência das doenças psicológicas e/ou psiquiátricas. Os indicadores, segundo Miguel Pereira, são baseados na suspensão dos descontos da mensalidade sindical. “Os bancos não emitem CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para esses adoecimentos, portanto a nossa referência em relação ao banco privado é a suspensão da mensalidade sindical. O mesmo não ocorre com os bancos públicos, pois eles continuam gerando a folha de pagamento e nem essa informação obtemos de pronto. E se o bancário não nos contata, não temos essa informação. Outro detalhe é que esses dados se referem apenas aos bancários sindicalizados. Isso não quer dizer que outros profissionais não estejam doentes. E como essas doenças são psicológicas e/ou psiquiátricas as pessoas vão até o seu limite. Ao suspeitarem do problema passam pela fase da negação. Não, eu tomo um remedinho aqui e vou dando conta, eu vou conseguir, eu vou superar. Até que chegam no ápice do limite, surtam ou
Empregados voltam a pedir descentralização no atendimento do Saúde Caixa

O Grupo de Trabalho (GT) Saúde Caixa, composto por representantes do banco e dos empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal, se reuniu na quarta-feira (23) para debater sobre questões específicas do plano de saúde. Durante a campanha salarial, a Comissão Executiva de Empregados (CEE) da Caixa) já havia cobrado a descentralização do atendimento e o retorno das estruturas de Gestão de Pessoas (Gipes) nos estados. “Vamos insistir sempre na descentralização do atendimento do Saúde Caixa e em ter informações detalhadas sobre as microrregiões. A gente recebe muita demanda e precisa saber o que acontece além dos grandes centros”, destacou coordenador do GT Saúde Caixa, Rafael de Castro, que é diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Segundo informações apresentadas pela Caixa, os maiores impactos financeiros do plano em 2022, em comparação com 2021, são referentes ao atendimento em pronto-socorro, com aumento de mais de 36% e medicamentos quimioterápicos – um crescimento de mais de 28%. Já em referência ao volume de atendimento, os maiores crescimentos foram em pronto-socorro –acima de 62%– e internações –mais de 19% de aumento. Para a dirigente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, Lilian Minchin, o aumento do número de atendimentos em pronto-socorro reflete a carência de rede credenciada e/ou a demora em se conseguir atendimento na rede. “As pessoas precisam de atendimento e acabam recorrendo ao pronto-socorro porque não encontram especialistas na rede credenciada”, observou. Para o dirigente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Sérgio Amorim, a demora no agendamento em consultórios é outro motivo. “O que aumenta muito o número de atendimentos em pronto-socorro é a falta de uma rede credenciada para consultas eletivas, além do prazo de agendamento nos consultórios. Há especialistas que demoram 60 dias para atender. Isso leva as pessoas a buscarem o pronto-socorro”, avaliou. As sessões de psicoterapia também tiveram aumento de quase 21% nos custos. Sobre este recorte, Rafael de Castro solicitou informações mais detalhadas. “São números que atestam a pesquisa da Fenae sobre o adoecimento mental dos empregados por conta de assédio e pressão no local de trabalho”, afirmou o dirigente. “Outro aspecto é que, nesse sentido, o banco delega o tratamento ao próprio empregado, onerando mais o plano, sem eliminar a causa dos transtornos”, observou. Na próxima reunião, com data a ser definida, o banco deve apresentar o relatório atuarial de 2022 e as projeções atuariais que vão definir as negociações de 2023. O acordo atual tem validade até 31 de agosto do próximo ano. Fonte: Fenae, com edições da Contraf-CUT.
Bradesco atende reivindicação da COE e lança campanha contra covid-19

Depois da reivindicação da Comissão de Organização dos Empregados (COE), o Bradesco inicia, nesta quarta-feira (23), nova campanha de prevenção contra a covid-19. O aumento nas internações de adultos e crianças e o crescimento de exames positivos para a doença já indicavam mais um recrudescimento da pandemia neste ano. Essa impressão é confirmada pela taxa de transmissão (Rt) do vírus, que disparou em novembro e atingiu os mesmos patamares alcançados entre maio e junho, quando ocorreu a última onda de contágios. Até o dia 7 de dezembro o banco fará ações explicando a importância dos cuidados e da prevenção. “A pandemia não acabou. Nós temos que nos cuidar. Por isso, cobramos do banco que nos ajude a conscientizar os trabalhadores e os clientes”, afirmou a coordenadora da COE do Bradesco, Magaly Fagundes. Protocolo de covid A COE cobrou ainda o reforço dos novos protocolos da covid-19 entre os funcionários, que foram alterados com o avanço das vacinações. “Os cuidados devem ser redobrados, pois as atividades dos bancários são sempre em contato com muitas pessoas”. Magaly orienta, ainda, que “todos sigam os protocolos de saúde, conforme a orientação de especialistas, mesmo sem a obrigação legal que vigorou até alguns meses atrás, pois esse é o único caminho para proteger a si mesmo, a família e a sociedade como um todo”. Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico e, se testar positivo, entrar em contato com o Lig viva bem. A partir do teste, ficar afastado por sete dias. A agência será higienizada.
Santander muda administradora do SBPrev

O banco Santander, sem comunicar as entidades de representação dos trabalhadores, mudou a administradora do plano de previdência SBPrev de seus funcionários. Até o dia 30 de novembro, os participantes precisam fazer a portabilidade para a nova administradora, caso perderão o plano. Em comunicado enviado somente aos participantes do SBPrev, o Santander informou a administradora passa a ser a Santander Seguros e Previdência. “O movimento sindical, mais uma vez, precisa cobrar transparência e a maior divulgação de medidas que o banco toma de forma unilateral, sem comunicar a representação dos trabalhadores”, observou a diretora executiva da Federação dos Bancários da CUT do Estado de São Paulo (Fetec-CUT/SP), Wanessa de Queiroz Paixão. “É um desrespeito total às entidades de representação. Temos que sempre estar atentos para que nenhum trabalhador tenha prejuízos”, completou a dirigente, ao lembrar que o banco tem tocado um processo de terceirização de setores inteiros, numa tentativa de aumentar ainda mais seus lucros, com a redução de direitos e de salários e a mudança de representação sindical. “O banco diz que desde o início do mês os participantes do plano foram comunicados, mas, para nós, a informação chegou somente agora, quando um dos participantes nos consultou sobre a mudança. Aí, o tempo fica curto para divulgarmos a informação aos participantes de que eles precisam fazer a portabilidade”, lamentou a conselheira fiscal eleita da SantandePrevi e representante da Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos Bancários (Feeb) de Mato Grosso do Sul e São Paulo, Patrícia Bassanin, lembrando que o SBPrev é o único plano de previdência dos funcionários do banco aberto para novas adesões. Importância do plano Patrícia também lembra que o plano de previdência dos funcionários é um direito que precisa ser valorizado pelos trabalhadores, pois a cada contribuição do participante o banco faz uma contribuição em valor semelhante. “Em alguns casos, dependendo do salário do funcionário e até o limite estabelecido, a contribuição do banco é no mesmo valor feito pelo participante do plano, o que significa que o montante investido, e que será resgatado com correção posteriormente, será o dobro do aplicado pelo funcionário”, explicou a conselheira fiscal eleita pelos funcionários para representá-los na SantanderPrevi. Segundo o Santander, não há nenhuma mudança em relação ao plano e o seu regulamento. O que muda é somente a administração. “Não muda nada, mas é preocupante, porque é o próprio participante que tem que fazer a portabilidade e se ele não fizer e indicar quem são os beneficiários, os investimentos e outras informações, perde o plano e aí, depois, terá que fazer uma nova adesão, só que com a data zerada, sem carregar o tempo de plano”, observou Patrícia. Para fazer a portabilidade Até o dia 30/11, o participante deve acessar o Portal de Previdência Corporativa para fazer a inscrição com portabilidade e indicar seus beneficiários. Após a conclusão, receberá o certificado por e-mail confirmando a inscrição. Caso não faça, o benefício será encerrado a partir de janeiro. Se perder o prazo, será necessário contratar um novo plano, recomeçando o tempo de contribuição. Em casos de dúvidas, o participante deve ligar para (11) 3012-3456, opção 8.
BB: banco apresenta powerpoint ao invés de proposta para ampliar teletrabalho

Aconteceu na manhã desta segunda (21) a primeira mesa de negociação entre a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e o banco. O tema foi Teletrabalho, cumprindo compromisso assumido entre as partes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2022-2024. “Há uma demanda grande dos trabalhadores das áreas meio, especialmente dos escritórios, para terem direito ao home office, mas o que recebemos do banco foi uma apresentação em powerpoint que mantém muito limitado o acesso ao trabalho remoto”, avaliou Fernanda Lopes, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) na CEBB. Segundo o banco, apesar de 17.509 dos funcionários terem permissão para o home office, somente 9.849 estão exercendo essa modalidade, sendo que a grande maioria em apenas dois dias por semana, ou seja, menos de 50% dos dias úteis e, portanto, sem o direito de receber a ajuda de custo conquistada no novo ACT. O banco também admitiu que apenas os funcionários da área de tecnologia da informação (TI) são liberados para exercer 100% das atividades em home office, pois tem interesse em “reter talentos”. Por outro lado, ao ser questionado porque trabalhadores que sofrem com alguma comorbidade não estão conseguindo acessar esse direito, a resposta da empresa foi que “o TRI [trabalho remoto institucional] não tem como objetivo cuidar da saúde”. Apesar de reconhecer as leis 14.442/2022 e 14.457/2022, que concedem o direito de home office para pais, mães e tutores com crianças de até 4 anos e de até 6 anos ou com deficiência (independentemente da idade), o banco pontuou que só está liberando o trabalho remoto nas unidades que foram habilitadas pelos diretores responsáveis. “Do jeito que foi colocado pelo banco, fica a cargo, como eles dizem, ‘de cada unidade estratégica’ decidir se vai ter ou não home office. Ou seja, não existe uma orientação geral”, ponderou Fernanda Lopes, lembrando que a área de Varejo tem grande demanda por teletrabalho, mas é onde os gestores responsáveis não fizeram nenhum tipo de sinalização para implementar o modelo. “Não sei se foi por um ato falho, mas o que o banco nos respondeu é que está priorizando critérios internos em detrimento da legislação”, destacou ainda Getúlio Maciel, representante da Fetec-CUT/SP na CEBB. Rogério Tavares, representante da Fetrafi/MG na CEBB, reforçou a preocupação apresentando o caso de uma funcionária com deficiência que está com a cadeira de rodas elétrica quebrada e, há quatro semanas, solicita permissão para exercer trabalho remoto. “Ninguém conhece melhor a demanda dos funcionários do que o movimento sindical. O ideal seria a direção do banco ouvir o funcionário, escutar o interesse dos trabalhadores. Mas o que foi colocado na mesa é apenas o interesse da empresa, tanto é que admitiu que permite 100% de teletrabalho à área de TI para não perder talentos”, arrematou. “O que acontece hoje na área de TI é o que gostaríamos que fosse implementado em todo o banco”, destacou Fernanda Lopes. “Nossa avaliação é que a gestão do banco sofre com influência do governo atual que, como já observamos em matérias anteriores da Contraf, não tem interesse de melhorar a qualidade de vida dos funcionários”, disse ainda, lembrando que nos últimos anos os sindicatos registraram aumento de denúncias de assédio moral de funcionários do BB para alcançar metas.
Santander não vai abonar horas não trabalhadas em jogos do Brasil

Na contramão dos demais bancos que atuam no país, o Santander confirmou, nesta segunda-feira (21), que as horas não trabalhadas durante os jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo devem ser compensadas. No dia 8 de novembro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e demais entidades de representação dos empregados que fazem parte do Comando Nacional dos Bancários havia enviado um ofício ao banco solicitando o abono das horas não trabalhadas. Na semana anterior o banco havia comunicado que não abonaria as horas. A confirmação de que as horas não serão abonadas ocorreu nesta segunda-feira, em reunião no comitê do banco. O Santander disse ter avaliado a solicitação do movimento sindical, mas que manterá a exigência de compensação das horas. “É um momento de descontração da população brasileira. A reivindicação do abono das horas não trabalhadas é totalmente possível de ser atendida por um banco que lucra tanto aqui no país com a força de trabalho dos seus empregados”, lamentou a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Lucimara Malaquias. “Nenhum banco vai exigir a compensação, com exceção do Santander, que prega tanto a flexibilidade e a modernização da jornada de trabalho, porém só quando interessa ao banco, que nunca abre mão de absolutamente nada quando é de interesse dos trabalhadores, que repudiam esta decisão que reforça o jeitinho Santander de atuar no país: retrógrado, inflexível, com visão e ações exploratórias e sem nenhum respeito pelos trabalhadores e pelo país do qual obtém tanto lucro”, completou Lucimara. A funcionária da Santander e secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, lembra que a decisão de compensar as horas não trabalhadas é rechaçada pelos trabalhadores, que demonstram grande insatisfação com o fato. “Ao manter esta decisão, o banco perde uma grande oportunidade de dialogar com os interesses dos trabalhadores e de estimular um ambiente mais integrativo e salutar no espaço de trabalho”, disse. “Assistir aos jogos precisa ser um momento de lazer e não de preocupação sobre como conciliar agenda pessoal com a compensação das horas”, completou. O horário especial de atendimento ao público nas agências, nos dias de jogos da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo, foi estabelecido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) levando em conta questões como a segurança das agências e de transporte de valores e a Resolução nº 4.880, de 23 de dezembro de 2020, do Conselho Monetário Nacional, que autoriza as instituições financeiras a estabelecer o horário de atendimento ao público em suas dependências. Veja abaixo o horário de expediente bancário nos dias de jogos da seleção brasileira: Nos jogos com horário previsto às 12h Nos Estados com horário igual ao horário de Brasília, o atendimento ao público será das 9h às 11h e das 15h30 às 16h30. Nos Estados com diferença de 1h em relação ao horário de Brasília, o atendimento ao público será das 8h às 10h e das 14h30 às 15h30. Nos Estados com diferença de 2h em relação ao horário de Brasília: das 7h às 9h e das 13h30 às 14h30. Nas agências em Fernando de Noronha (1h antes do horário de Brasília): das 8h às 12h. Nos jogos com horário previsto às 13h Estados com horário igual ao horário de Brasília: das 8h30 às 11h30. Estados com diferença de 1h em relação ao horário de Brasília: das 7h30 às 10h30. Estados com diferença de 2h em relação ao horário de Brasília: das 7h às 9h30. Nos Jogos com horário previsto às 16h Estados com horário igual ao horário de Brasília: das 9h às 14h Estados com diferença de 1h em relação ao horário de Brasília: das 8h às 13h Estados com diferença de 2h em relação ao horário de Brasília: das 7h às 12h.
Convocação Assembleia: previsão orçamentária 2023
Santander credita 13ª cesta alimentação no dia 30 de novembro

O Santander irá realizar o crédito da 13ª cesta alimentação no dia 30 de novembro, data limite determinada pela CCT dos bancários, junto com o pagamento dos salários. Já a segunda parcela do 13° salário será paga em dezembro, em data que ainda será confirmada. A 13ª cesta alimentação é uma conquista da Campanha Nacional dos Bancários de 2015. Corresponde a mais um valor ao ano de vale alimentação. Em 2022, o valor a ser creditado como 13ª cesta alimentação já inclui o reajuste de 10%, conquistado pela categoria na Campanha Nacional dos Bancários 2022. Com isso, os bancários devem receber R$ 799,38 a título de 13ª cesta alimentação.
Banco do Brasil tem lucro recorde de R$ 8,4 bi no 3º trimestre

O Banco do Brasil registrou lucro ajustado de R$ 8,360 bilhões no terceiro trimestre de 2022, aumento de 7,1% frente ao segundo trimestre deste ano e avanço de 62,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. O ganho ficou acima da projeção média de analistas consultados pelo Valor, de R$ 7,315 bilhões. Na contramão de Santander e Bradesco, que divulgaram resultados decepcionantes, o BB deve entregar números recordes na gestão de Fausto Ribeiro, que será substituído com a mudança de governo. A instituição revisou para cima suas estimativas para 2022. A projeção do BB para seu lucro líquido neste ano subiu da faixa de R$ 27 bilhões a R$ 30 bilhões para a de R$ 30,5 bilhões a R$ 32,5 bilhões. A estimativa para o crescimento da carteira de crédito passou de 12% a 16% para 15% a 17%, com a ajuda dos empréstimos a empresas. O banco também espera crescimentos mais fortes que o previsto na margem financeira e na receita de serviços. “Quando assumi a presidência do Banco do Brasil, nossa rentabilidade trimestral era inferior a 15% e muito nos orgulha entregar um retorno sobre patrimônio líquido de 21,8%, o que consolida um novo patamar de rentabilidade, dentre os melhores retornos alcançados em comparação aos pares privados”, disse Ribeiro em nota. “Os resultados que apresentamos se originam do bom desempenho da margem financeira bruta, da diversificação nas receitas com serviços, despesas sob controle e capital forte. Cada vez mais, utilizamos a inteligência de dados para subsidiar nossas decisões estratégicas.” A carteira de crédito ampliada do BB atingiu R$ 969,219 bilhões em setembro, alta de 5,4% no comparativo trimestral e de 19,0% em 12 meses. A carteira de pessoa física totalizava R$ 281,9 bilhões, com elevação de 2,7% no trimestre e de 10,9% em um ano. No segmento de pessoas jurídicas, o portfólio era de R$ 354,8 bilhões no fim do trimestre, com avanços de 5,3% e 20,2%, respectivamente. Em agro, a carteira somava R$ 286 bilhões, altas de 9,1% e 26,7%. Segundo o BB, a carteira de pessoa física foi influenciada pela performance positiva do crédito consignado (+8,3% em 12 meses), empréstimo pessoal (+22,6%) e cartão de crédito (+31,5%). Em pessoa jurídica, houve alta de capital de giro (+8,3%, títulos privados e garantias (+53,3%) e adiantamentos de contratos de câmbio e linhas de comércio exterior (+36,6%). De acordo com o banco, os desembolsos relacionados ao Pronampe, programa voltado a microempreendedores individuais e pequenas empresas, totalizaram R$ 10 bilhões. A margem financeira chegou a R$ 19,558 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 14,7% no trimestre e 25% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita financeira com operações de crédito teve alta de 10,2% em relação ao segundo trimestre e de 50,6% em relação ao terceiro trimestre do ano passado, para R$ 28,875 bilhões. Já o resultado de tesouraria totalizou R$ 10,155 bilhões, com alta de 36,3% no trimestre e de 95,1% em um ano. A inadimplência subiu para 2,34% em setembro, de 2% no fim de junho e 1,89% em setembro do ano passado. Em pessoa física, as operações em atraso subiram de forma relevante, chegando a 5,25%, ante 4,31% e 3,21%, respectivamente. Em pessoa jurídica, a inadimplência ficou em 1,47%, ante 1,25% e 1,53%. E, em agronegócio, 0,47%, ante 0,47% e 0,71%. O BB alegou que o avanço dos índices na pessoa física foi influenciado “pelo cenário macroeconômico e em linha com a estratégia de mudança de mix da carteira para linhas de melhor retorno ajustado ao risco”. As despesas de provisão para devedores duvidosos (PDD) atingiram R$ 4,517 bilhões, o que representa aumento de 53,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 15,1% na comparação com o intervalo de julho a setembro de 2021. As receitas de prestação de serviços somaram R$ 8,524 bilhões, aumento de 8,6% em relação ao trimestre anterior e de 14,6% em na comparação interanual. As despesas administrativas totalizaram R$ 8,405 bilhões, com aumentos de 1,2% e 6,2%, respectivamente. O retorno sobre patrimônio (mercado) ficou em 21,8%. Fonte: Jornal O Valor Econômico