Comissão Trilateral debate digitalização financeira durante Fórum Internacional

O Fórum Sindical Internacional, que foi realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo, promoveu a 2ª Reunião da Comissão Trilateral para a Digitalização Financeira, na tarde da última sexta-feira (27). A reunião começou com a apresentação da técnica da Subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Cátia Uehara, mostrando que entre 2013 e 2023 foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos, só no Brasil. Também entre 1994 e 2021, houve queda da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro, na ordem de 80% para 44%. Também a sindicalização no ramo financeiro brasileiro caiu, entre 2022 e 2019. A queda foi de 45,5% para 19,5%. Segundo Cátia, muito dessa redução é atribuída à digitalização dos processos bancários. A técnica explicou que os modelos de trabalho em que as plataformas digitais obtêm o máximo de lucro com a mão de obra, sem que haja qualquer vínculo empregatício – uberização ou plataformização -, foram criados para precarizar o trabalho bancário. “Apesar de se apresentarem como mais flexíveis e darem mais liberdade aos trabalhadores, as empresas detentoras dos aplicativos devem ser responsabilizadas em termos de relações de trabalho no campo do direito trabalhista”, ressaltou a técnica. De acordo com a explicação de Cátia, a relação de subordinação empregado-empregador, se dá através da gestão dos algoritmos, definida pela empresa-plataforma. A falta de regulação da atuação dessas empresas tem produzido relações de trabalho precarizadas, tem resultado em subtributação (tributação reduzida) dessas empresas-plataforma, com destaque para a seguridade social, com custos que são financiados pela sociedade/Estado sem a contrapartida da empresa. Tecnologia e trabalho Os assessores técnicos da Asociación de Bancarios del Uruguay (AEBU), Aníbal Peluff e Soledad Giudice, discorreram sobre os efeitos no trabalho e nas relações trabalhistas da incorporação de tecnologia no sistema financeiro. Segundo Peluff, o setor financeiro tem condições especiais que o tornam um dos setores pioneiros na incorporação de tecnologia e automação de processos. “O que se oferece é um serviço que pode ser praticamente digitalizado na sua totalidade. O outro fator é o humano onde as pessoas estão com a sua capacidade de resolver problemas, de ter empatia, de ser criativas, ou de dar confiança, precisamente é um setor onde a confiança é o mais importante”. Já Soledad Giudice afirmou que a negociação coletiva é importante para definir o uso de algoritmos, a definição de sistemas e metas de avaliação de desempenho, assim como a abordagem dos impactos diretos nas condições de trabalho e programas de saúde. Ele ressaltou que as formas de organização sindical precisam ser repensadas, com uso das novas tecnologias para o fortalecimento da comunicação com os trabalhadores, mas também em termos de estrutura, ampliando a pluralidade e adaptando o movimento às transformações do mercado de trabalho no setor. “Precisamos nos reinventar”, disse Soledad.

Fórum promove workshop sobre mensagem digital

O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira realizou, em seu último dia, o Wokshop “A digitalização e a mensagem sindical”. O encontro aconteceu na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), uma das organizadoras do evento, em São Paulo. A palestra: “Ferramentas modernas para contactar com os trabalhadores, APPs e redes sociais”, ministrada por Catalina Beltran, da Associação Colombiana de Empregados Bancários (ACEB), abriu o evento. Ela ressaltou que “através das redes sociais a gente conseguiu ajudar outros trabalhadores que queriam entrar no movimento sindical, mas não sabiam como”. Os desafios para as organizações sindicais nas redes sociais foi o tema escolhido pelos representantes da agência de conversação pública do Uruguai, Doble ele. A diretora de Comunicação da agência, Laura Modernell, explicou que antigamente o problema era como passar as informações. “Agora é o que passar e por qual meio, com foco na pessoa que te ouve”, disse. Já Fernando Calleros Piriz, sócio fundador da Doble ele, lembrou a necessidade das entidades sindicais acompanharem o ritmo atual. “As pessoas têm uma grande necessidade de informação e a comunicação dos sindicatos precisa acompanhar. Aumentar a quantidade de tempo nas redes e os tipos de informações disponibilizados”, destacou, acrescentando que é necessário estar preparado para as críticas. A diretora da Friedrich Ebert Stiftung (FES) na Argentina, Mónica Sladogna, falou sobre digitalização e futuro do trabalho. A FES é uma fundação social-democrata alemã com mais de 35 anos de presença no país, comprometida com a democracia e a justiça social. Segundo ela, é necessário a profissionalização da comunicação. “A gente precisa seguir a demanda de qualificação profissional nesta área, como vamos acompanhar os trabalhadores ininterruptamente, 24 horas por dia, se não tivermos profissionais suficientes ou treinados para isso?”, completou. “Mensagem do sindicato na comunicação moderna. Estratégias para alcançar os jovens trabalhadores” foi tema abordado por Henrique Guilherme Batista, da equipe de Comunicação da Contraf-CUT. Ele explicou que, na Contraf-CUT, todas as campanhas são pensadas com estratégias para todas as regiões do Brasil e, principalmente, para atingir todos os públicos, independente da idade. “A forma que encontramos de tentar atingir os jovens e também o público mais velho nas redes sociais é por meio da educação. Criando vídeos explicativos e cursos que ensinam a conhecer cada rede e a utilizar ferramentas e aplicativos. Nosso próximo passo é um seminário de comunicação, para comunicadores de todo Brasil e convidados internacional”, afirmou. Ana Muga, da Confederação de Trabalhadores Bancários do Chile (CSTBA) falou sobre “A mensagem sindical comprometida com as lutas sociopolíticas”. Para ela, o fortalecimento da organização dos trabalhadores são o único jeito de alcançar as transformações exigidas no país. Pablo Andrade, secretario de Finanzas da Associação dos Bancários do Uruguai (AEBU), abordou a questão da otimização da comunicação digital. “Nós temos que conhecer as especificidades das redes, para saber onde nos aprofundar mais”, disse. Homenagem Para finalizar o evento, a O evento terminou com uma homenagem a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, foi homenageada. Bancária do Santander, Rita iniciou sua carreira no Banespa, participando ativamente da luta contra a sua privatização. Dirigente sindical desde 1997, na diretoria executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região esteve à frente das secretarias de Saúde e Condições de Trabalho; Organização e Suporte Administrativo; Finanças; e de Estudos Sócio-econômicos. Também foi coordenadora da mesa de negociações com o Santander por 12 anos, coordenadora da Rede Sindical Santander para a UNI Américas por 10 anos, e presidenta da UNI Finanças por oito anos.

Renovação de acordo internacional é pedida por trabalhadores do Banco do Brasil

A renovação do Acordo Marco Global foi pedida, na última sexta-feira (27), por representantes dos trabalhadores do Banco do Brasil. Celebrado pela primeira vez em 2011, por intermédio da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o acordo garante os direitos fundamentais previstos nas declarações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), inclusive o de livre organização sindical, a todos os bancários do BB nas Américas. Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), afirmou que foi o primeiro encontro do gênero, feito por uma multinacional brasileira, na ocasião. Como explicou Gustavo Tabatinga, secretário-geral da Contraf-CUT, o acordo foi válido até 2021, mas devido à pandemia e necessidades da categoria, não foi possível renovar o convênio, naquele momento. “Hoje nós manifestamos formalmente ao representante do Banco do Brasil nosso desejo de renová-lo e, ainda, ampliá-lo às subsidiárias internacionais do Banco do Brasil, que são o Banco da Patagonia, na Argentina, e o Banco do Brasil Américas, que fica nos Estados Unidos”, Ressaltou Gustavo. O documento pede, ainda, o reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva; eliminação de todas as formas de trabalho forçado e obrigatório; abolição efetiva do trabalho infantil; e eliminação de discriminação em matéria de emprego e ocupação. Sérgio Garzon Torres, que representa os trabalhadores argentinos na Patagônia, falou sobre os avanços que o acordo traz: “A violência institucional sobre os trabalhadores pode ser coibida com o reconhecimento das boas práticas de gestão de pessoas que defendemos e estão neste acordo”. A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, ressaltou que o Banco do Brasil só tem a ganhar, uma vez que boas práticas de gestão, reconhecimento do direito à sindicalização e defesa dos direitos humanos no mundo laboral “agrega valor à empresa”. Márcio Monzane, secretário regional da UNI Américas, responsável pela entrega do documento ao representante do BB, explicou que “o novo acordo estabelece processos mais avançados, do ponto de vista de relacionamento entre o movimento sindical e as empresas”. Monzane lembrou que a UNI Américas é a representação regional da UNI Sindicato Global, entidade à qual a Contraf-CUT é filiada e que representa mais de 22 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em 160 países de todos os continentes. O gerente executivo da Diretoria de Gestão da Cultura e de Pessoas da instituição, Fabrizio Bordalo Calixto, porta-voz do BB no encontro,  recebeu o documento e garantiu que será encaminhado internamente.

Fórum: depoimentos mostram que Santander é antissindical

Os impactos da digitalização no banco Santander mereceram atenção especial no Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira, realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo. O tema foi debatido durante toda a tarde de quinta-feira (26) e a manhã de sexta-feira (27) e trabalhadores do Brasil, Paraguai, Chile, Uruguai, Argentina e da Espanha, matriz do banco, concluíram que todos sofrem com os mesmos problemas. Para Wanessa de Queiroz, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander no Brasil, as práticas antissindicais atingem dirigentes de toda a América. “Por isso, nós reforçamos o compromisso da Rede Sindical Internacional do Banco Santander de atuar por melhores condições de trabalho, com foco nas negociações coletivas, para garantir os direitos dos trabalhadores do Santander em todo o mundo”, afirmou  COE. A secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo e funcionária do Santander, Lucimara Malaquias, concordou com Wanessa e ressaltou que o maior problema é a terceirização. Representante da La Bancária, da Argentina, Amalia Castro afirmou que a principal dificuldade no país é o teletrabalho. “Os trabalhadores que estão neste modelo sabem que têm direitos, mas não conseguem colocar em prática. Eles sabem que têm de parar em alguma hora, mas não conseguem. Os companheiros que se desconectam continuam trabalhando no celular. Eles querem aumentar seus salários e precisam atingir metas, para isso, trabalham aos finais de semana e feriados”, ressaltou. Sonia Lezama, do Conselho do Setor Financeiro Privado da Associação dos Bancários do Uruguai (AEBU), acredita que encontros como este servem para reunir trabalhadores do Santander de vários países para pensarem estratégias e conhecerem as políticas trabalhistas do banco. Raquel Vicente Acero, da União Geral dos Trabalhadores (UGT) da Espanha, disse que a retirada de direitos e de empregos também é prática comum do Santander na Espanha. “Nós precisamos nos interrelacionar, trocar opiniões, pois os problemas são comuns e o futuro nós sabemos. Agora devemos nos antecipar aos problemas da digitalização e apoiar os trabalhadores. Por isso é tão importante eventos como esse”, concluiu Raquel.  

Funcionários fazem manifestações em defesa do Saúde Caixa nesta segunda (30)

Empregadas e empregados da Caixa Econômica Federal participam, nesta segunda (30), de manifestações em agências e departamentos administrativos do banco por todo o país. O movimento é devido ao impasse nas negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do Saúde Caixa, cujo prazo termina em dezembro. Nas redes sociais também haverá manifestações, principalmente das 11h às 12h, horário em que está marcado um tuitaço com a hashtag #QueremosSaúdeCaixa . A orientação é para que todos que participem das manifestações usem roupas brancas, façam fotos e vídeos para postar as imagens nas redes sociais, usando a hashtag acima e marcando a Contraf-CUT (@Contraf_CUT) e a Caixa (@Caixa). A escolha do dia 30 é uma referência ao histórico 30 de outubro de 1985, quando praticamente 100% dos empregados da Caixa paralisaram as atividades, reivindicando jornada de seis horas e direito à sindicalização. Segundo a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) e do Grupo de Trabalho que discute soluções para o plano de saúde, Fabiana Uehara Proscholdt, as negociações para renovação do acordo começaram em junho. Mas a Caixa vem endurecendo as negociações e não se posiciona quanto à exclusão do teto de custeio do plano pelo banco, definido no estatuto da Caixa em 6,5% da folha de pagamentos. “Pior do que isso, o banco não apresenta propostas para o Saúde Caixa e se nega a negociar outras pautas enquanto não há acerto para o acordo do plano de saúde. Além disso, o banco apresentou projeções para o futuro do plano com pressões para o estabelecimento da cobrança por faixa etária”, criticou Fabiana. Para a coordenadora, “isso é um ataque aos princípios da solidariedade e ao pacto intergeracional do Saúde Caixa, que foi criado de forma que todos possam ter acesso ao plano, desde o início da carreira até à aposentadoria. A cobrança por faixa etária transforma o Saúde Caixa em mais um plano de mercado, inacessível aos empregados com mais idade e aos aposentados”. Sem qualquer tipo de negociação com os empregados e sua representação sindical, em 2017, a Caixa alterou seu Estatuto Social, impondo um teto de custeio que limita os gastos da empresa com a saúde dos seus empregados em até 6,5% da folha de pagamento. Entretanto, o ACT específico do Saúde Caixa define que o banco deve ficar com os 70% dos custos do plano de saúde. O teto de 6,5%, imposto pelo Estatuto, limita os gastos da Caixa e a impede de cumprir o modelo de custeio 70/30 (70% de responsabilidade do banco e 30% dos empregados) definido no ACT. Com isso, as despesas excedentes são transferidas para os empregados. Essa despesa vinha sendo coberta pelo fundo de reserva do plano, o que não poderá ser feito mais. As projeções realizadas pela Caixa apontam que o aumento médio das mensalidades dos empregados seria de 85% em 2023 e 107% em 2024. Desta forma, voltam as pressões para que a Caixa adote a cobrança por faixa etária, que foi implementada nas demais estatais por força da CGPAR 23. Só que a cobrança por faixa etária não resolve o problema da redução da participação da Caixa no custeio. Seu efeito seria a quebra dos princípios da solidariedade e do pacto intergeracional, instituídos desde a criação do plano para garantir o direito ao plano de saúde para as empregadas e empregados da ativa e aposentados. O Saúde Caixa foi concebido como uma política de assistência à saúde. Não é apenas um plano. Sua sustentabilidade passa pelo aumento da participação da Caixa no custeio e pela manutenção de seus princípios de solidariedade e do pacto intergeracional, para que se torne economicamente sustentável e financeiramente viável aos empregados.

Fórum: movimento sindical precisa estar forte para defender direitos dos trabalhadores

O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira, em seu segundo dia, concluiu que é preciso fortalecer o movimento sindical para enfrentar as mudanças no mundo do trabalho provocadas pela digitalização. O fórum, que reúne representantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Paraguai e Peru, está sendo realizado em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), e termina neste sábado (28). De acordo com a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e ex-presidenta da UNI Finanças Global, Rita Berlofa, “o processo de digitalização no sistema financeiro está reduzindo os empregos de qualidade, ampliando a terceirização de vagas e, com isso, reduzindo salários em todos esses países.” Sergio Garcion Torres, representante da Argentina, de La Bancária Sociedad de Empleados de Banco, disse que em seu país, há dez anos, um trabalhador bancário administrava, em média, 360 contas. Hoje em dia, cada trabalhador bancário administra cerca de 1.390 contas. “Essa mudança ocasionou uma transferência de recursos não para os trabalhadores, que passaram a cuidar de mais clientes, mas para o setor empresarial”, explicou Garcion. Já a secretária General do Sindicato Único Nacional de Trabajadores de Nacional Financiera (SUNTNAFIN) do México, Jocabeth Galindo Diego, destacou a necessidade de ampliar o diálogo com os jovens. “O que vemos são os aposentados lutando contra a retirada de direitos, mas não vemos os jovens. E isso acontece porque os jovens já entram no banco com todos os direitos e, por isso, no sabem o quanto foi preciso lutar para conquistá-los”, afirmou Jocabeth. A importância da formação sindical também foi ressaltada durante o fórum, como método para reforçar na sociedade a conscientização sobre a importância dos movimentos trabalhistas na defesa e garantia de direitos. E também como uma maneira de aumentar o ingresso de sindicalizados nas entidades. A representante da Contraf-CUT explicou que a classe trabalhadora “não pode aceitar que a digitalização do sistema financeiro tenha, como consequências, o fim do emprego de qualidade, como assistimos em todo o mundo. “Por isso, eventos como este fórum internacional são muito importantes porque, nesta troca, somos capazes de articular nossa luta em âmbito local e mundial. Entre as medidas que defendemos, estão redução da jornada de trabalho, fortalecimento dos sindicatos e valorização dos acordos coletivos. Não teremos um mundo melhor e mais seguro para todos e todas, sem essas mudanças”, concluiu Rita Berlofa. *Foto: Seeb/SP

Senado realiza audiência pública sobre adoecimento dos bancários

A pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), foi realizada uma audiência pública pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, nesta quinta-feira (26), sobre as condições as condições de trabalho nos bancos e os índices de adoecimento dos bancários. A solicitação foi feita à senadora Augusta Brito e a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira ressaltou a importância de ter uma mulher conduzindo o trabalho. “Nos sentimos representadas. Somos 52% da população brasileira e no parlamento temos uma presença pequena ainda. Nós esperamos que essa realidade mude e que, de fato, todos os espaços representem o que é a sociedade brasileira”, afirmou Juvandia. A senadora explicou que o debate foi importante para a construção de ações de combate à violência contra as mulheres. Ela lamentou que algumas pautas sempre prejudiquem as mulheres. “Ela [a mulher] é sempre julgada, em qualquer espaço que seja, e percebi que também entre os bancários isso acontece. Como ela se veste, como pinta o cabelo, se faze a unha, se fala alto, se fala baixo, como se comporta. Esse julgamento sobre nós, mulheres, e a nossa participação, seja em qual espaço for, é um fator que adoece, por ser uma grande violência contra nós”, afirmou. Juvandia falou também sobre a importância de debater o tema no Senado e lembrou que os trabalhadores do ramo financeiro têm uma mesa única de negociação para debater a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que é complementada por reuniões temáticas para acompanhar a evolução dos problemas de saúde na categoria. Já o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, disse que a audiência é importante também pela falta de visibilidade do tema. “É um tema que não tem a visibilidade necessária, não só na nossa categoria, mas em toda a sociedade. Acidente de trabalho e doenças ocupacionais não têm a visibilidade necessária e mata mais do que outras doenças”, ressaltou. Assédio A diretora de Políticas Sociais da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Rachel de Araújo Weber, apresentou uma pesquisa mostrando o agravamento da situação de saúde dos empregados da Caixa, entre 2018 e 2022. Pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, lembrou que “para muitos segmentos sociais, os bancários podem parecer trabalhadores privilegiados, na comparação com outros, que enfrentam perigos e insalubridade tradicionais. No entanto, estudos mostram que os trabalhadores do banco, ao longo dos últimos mais de 30 anos, são vítimas diretas de sistemas econômico-financeiros onipresentes em nossa sociedade, que também penalizam a maioria dos segmentos sociais”. Para a procuradora do Trabalho Cirlene Luiza Zimmermann, representante da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Ministério Público do Trabalho (MPT), “a saúde dos trabalhadores dessa categoria é algo que nos tem preocupado muito, especialmente num cenário em que o setor é ainda caracterizado com um grau de risco 1, mesmo sendo o oitavo setor com o maior número de afastamento acidentários pelo INSS”. Também presente à audiência, a auditora-Fiscal do Trabalho Odete Reis, representante do Ministério do Trabalho e Emprego, disse que, até o ano passado, nunca tinha visto um programa de saúde e segurança do trabalho que abordasse fatores de risco psicossociais. “Por isso, precisamos chamar atenção para o assédio moral organizacional, que é a forma de gestão adotada pela empresa, pautada por cobrança de metas abusivas e aspectos que geram adoecimento dos trabalhadores”, disse. Já Luciene de Aguiar Dias, coordenadora-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde, lamentou a falta de eficácia do método de trabalho para o controle de notificações de doenças dos trabalhadores nos últimos anos. “Para debater a questão do adoecimento dos trabalhadores do setor bancário, demanda uma abordagem muito maior do que a abordagem atual. Também é preciso fazer o reconhecimento de que a saúde no trabalho é um direito humano”, afirmou.

Federa-RJ leva palestra sobre ramo financeiro ao Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense

A Federa-RJ realizou uma palestra sobre ramo financeiro, nesta quarta-feira (25), na sede do Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense. Os dirigentes sindicais que não puderam comparecer ao sindicato, participaram de forma online. Dividida em módulos, a palestra foi apresentada pelo secretário executivo do Ramo Financeiro da Federa-RJ, Carlos Arthur (Boné), e por Millena Alves, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), da subseção da Federação. Segundo o secretário executivo e de Formação da Federa-RJ, Luiz Otávio, o objetivo é iniciar o debate em todos os sindicatos da base da Federação e levar conteúdo para aperfeiçoar ações e debates sobre como melhor atuar na construção do ramo financeiro. “Com isso, acreditamos que vamos conseguir maior representatividade para lutar pelos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou. O presidente do Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense e vice da Federa-RJ, Júlio Cunha, agradeceu e reconheceu a importância do debate.

Santander: balanço aponta lucro de R$ 7,2 bilhões em nove meses

De acordo com o balanço do terceiro trimestre, o Santander alcançou lucro líquido recorrente de R$ 7,2 bilhões nos nove primeiros meses deste ano.  Houve queda de 36% em relação ao mesmo período de 2022, e crescimento de 18,2% no trimestre. O lucro líquido recorrente no terceiro trimestre foi de R$ 2,7 bilhões, frente aos R$ 2,3 bilhões do trimestre anterior. A apuração pelo lucro líquido recorrente exclui efeitos extraordinários. O balanço aponta ainda que a rentabilidade (retorno sobre o patrimônio do banco – ROE) foi de 13,1%, o que representou uma baixa de 7,4 pontos percentuais (p.p.) em 12 meses. No Brasil, até setembro de 2023, o lucro do banco representou 17,5% do lucro global, que foi de € 8,143 bilhões, com alta de 11,3% em 12 meses. Segundo a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Wanessa de Queiroz, o lucro poderia ter sido maior. “A primeira observação é que o banco teve um lucro altíssimo de R$ 7,2 bilhões em nove meses. E esse lucro poderia ser ainda maior, mas o banco, mesmo com uma taxa de inadimplência de apenas 3% e em queda, optou por aumentar a provisão para créditos de liquidação duvidosa, a chamada PDD. E isso impacta negativamente no resultado”, explicou Wanessa. Quanto à criação de empregos, Wanessa criticou o balanço. Segundo dados apresentados pelo Santander, a holding encerrou o terceiro trimestre com 55.739 empregados, 4.525 postos de trabalho a mais do que tinha no final de setembro de 2022 e 568 a mais do que tinha em julho deste ano. Wanessa explicou que estes números são referentes ao grupo Santander, “incluindo bancários que trabalham nas outras empresas do grupo, que o banco insiste em falar que não são bancários. Mas, na hora do balanço, para dizer que está criando novas vagas, estes trabalhadores são incluídos no total. O banco deveria divulgar quem ele considera bancário separado de quem ele não considera bancário”. “Estes trabalhadores são precarizados e a Justiça vem dando decisões contra as terceirizações ilegais promovidas pelo Santander”, observou a coordenadora. Tudo pelo lucro A secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rita Berlofa, que também é bancária do Santander, lamenta que o banco continue demitindo os trabalhadores, apesar o lucro altíssimo. “Não podemos aceitar que o Santander coloque sua ganância por lucros cada vez maiores em prejuízo dos trabalhadores, que estão sobrecarregados e adoecidos devido à cobrança abusiva de metas inatingíveis que são impostas pelo banco”, disse Rita. A dirigente ressaltou que os avanços tecnológicos não podem ser usados apenas em benefício do banco, precisam também favorecer os trabalhadores e a sociedade. “Precisa haver uma contrapartida social das empresas, e neste caso do Santander, para a manutenção do emprego e da economia. A solução passa pela redução da jornada de trabalho, pela semana de quatro dias, enfim, o trabalhador e a sociedade também têm que usufruir dos benefícios dos avanços tecnológicos. Eles não podem ser apropriados apenas pelos donos do capital”, afirmou. Segundo Rita, “o Santander, ao invés de melhorar as condições de trabalho e valorizar seus funcionários, caminha no sentido contrário. Demite seus funcionários e os recontrata de forma terceirizada em outras empresas de sua holding, para poder pagar salários menores e reduzir os direitos que são garantidos pela CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) da categoria bancária”. Veja, abaixo, a tabela do Santander, referente ao terceiro trimestre de 2023:

Digitalização financeira: fórum destaca importância dos movimentos sindicais para superar desafios

O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira teve início, nesta quarta-feira (25), com um debate sobre os desafios impostos pela transformação digital no sistema financeiro para o trabalho em todos os países. A conclusão da mesa de abertura é que a articulação dos movimentos sindicais nunca foi tão fundamental para superar tais desafios. Marcio Monzane, secretário regional da Uni Américas, disse que “a transformação tecnológica no mundo está atingindo todos os setores, não apenas o financeiro, causando uma movimentação acelerada no trabalho, em termos de regulamentação”. Para ele, o resultado é o aumento do desemprego, uma vez que a tecnologia otimiza funções, reduzindo vagas, além de surgirem novas formas de contratações como as condições do Microempreendedor Individual (MEI) e/ou de contratados no modelo pessoa jurídica (PJ). Revolução tecnológica Para a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, essas transformações estão ligadas à revolução tecnológica. “Especificamente para a nossa categoria, setor financeiro, onde a área de TI (Tecnologia da Informação) cresceu muito, diminuíram as vagas nos bancos para algumas funções como, por exemplo, na função de caixa, que era a base da pirâmide. Então, hoje você tem basicamente nas agências as pessoas que fazem a orientação, que são chamados de gerentes: gerentes de investimentos, gerentes de conta, gerentes de negócio, enfim. Essa é uma mudança, inclusive, que mexe nos planos de cargos e salários da trabalhadora e do trabalhador bancário”, afirmou Juvandia. A dirigente também falou sobre o aumento da atuação de empresas como bancos no sistema financeiro, sem que sejam formalmente bancos. Ela citou o Nubank e o Mercado Livre. O primeiro “usa o nome de banco, mas na sua regulamentação não está formalizado como banco.” “A mesma coisa acontece com o Mercado Livre, que é uma plataforma de intermediação de vendas, mas que tem agora o Mercado Pago, com transações de um banco”, observou Juvandia, acrescentando que o debate sobre regulamentação do sistema financeiro é fundamental. O fórum está acontecendo em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), uma das organizadoras junto com a UNI Américas Finanças, da Fundação Friedrich Ebert Stiftung e da Sask. O evento será encerrado neste sábado (28). Participaram ainda da mesa de abertura Guilhermo Maffeo, diretor Regional Uni Américas Finanças, como mediador, além de Neiva Ribeiro, recém-eleita para a direção executiva da CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e Patricia Salazar Parra, secretária-geral do Sinecrediscotia (Sindicato Nacional de Empleados de Crediscotia Financiera S.A.), do Peru.