Mercantil bate novo recorde com lucro de R$ 270,6 milhões em nove meses

O lucro líquido contábil do Banco Mercantil do Brasil atingiu R$ 270,6 milhões nos nove primeiros meses de 2023. É o segundo recorde consecutivo da instituição, que registrou o lucro líquido de R$ 102,247 milhões, só no terceiro trimestre. O valor é 2% superior ao do segundo trimestre do ano. Em relação ao mesmo período de 2022, o crescimento foi de 99,8%. Naquele ano, o lucro acumulado do banco ficou em R$ 135,4 milhões. O resultado está sendo creditado ao aumento da base de clientes, que cresceu 34% em 12 meses e 6% em relação ao trimestre anterior, chegando a 7,7 milhões. Marco Aurélio Alves, coordenador nacional da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Mercantil e funcionário do banco, afirmou que os sindicatos estão atentos e atuando pelos direitos dos trabalhadores. “Cobramos que funcionárias e funcionários do Banco Mercantil sejam, de fato, valorizados pelo seu trabalho”, garantiu. Segundo seu relatório, o Mercantil terminou o terceiro trimestre deste ano, com 2.958 funcionários e abertura de 133 postos de trabalho em doze meses. Quanto às unidades de atendimento, foram fechadas 29 agências, restando apenas duas unidades. O número de postos de atendimento (PA) cresceu em 32 unidades, num total de 296 PA.
Correção do FGTS deve voltar à pauta do Supremo nesta quarta-feira (8)

A correção das contas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) deve voltar a ser julgada, nesta quarta-feira (8), pelo Supremo Tribunal Federal. A pauta é sobre a legalidade do uso da Taxa Referencial (TR) para corrigir as contas. O julgamento foi suspenso em abril deste ano, quando o ministro Nunes Marques pediu vista. Existem dois votos a favor da inconstitucionalidade do uso da TR, sob o argumento de que a correção não deve ser inferior à poupança, e nenhum contra, por enquanto. A Advocacia-Geral da União (AGU) pede o fim da ação. Segundo a AGU, a mudança poderá provocar aumento de juros nos empréstimos para financiamento da casa própria e aporte da União em cerca de R$ 5 bilhões para o fundo. O partido Solidariedade, que protocolou a ação em 2014, argumenta que a correção pela TR tem rendimento próximo de zero ao ano, o que prejudica os trabalhadores. Atualmente, as contas têm correção de 3% ao ano, o acréscimo de distribuição de lucros do fundo, além da correção da TR. O FGTS foi criado em 1966 como forma de proteção financeira contra o desemprego. Ele funciona como uma poupança compulsória. Caso o trabalhador seja dispensado, sem justa causa, recebe o saldo do FGTS, acrescido de multa de 40%. *Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fórum pela Visibilidade Negra terá transmissão por Facebook e YouTube em tempo real

Com a presença de especialistas militantes da luta antirracismo, será realizado em Porto Alegre, o VII Fórum Nacional pela Visibilidade Negra, nos dias 10 e 11 de novembro. Quem não conseguiu se inscrever poderá acompanhar todos os debates pelo Facebook e pelo YouTube, em tempo real, através das páginas do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região. Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), explicou que o número de interessados superou as expectativas, e por isso, houve a decisão de transmitir ao vivo o encontro, já que muitos não conseguiram fazer a inscrição. Durante o encontro, serão debatidos temas como a conjuntura histórica das relações de trabalho e raciais no Brasil, a participação dos negros e negras no mercado de trabalho, o empoderamento da mulher negra no trabalho e na vida e políticas de inclusão de negras e negros no mercado de trabalho. Segundo Almir, “os palestrantes são de notório saber nas políticas antirracistas, cada um dentro de sua área”. O secretário acredita que os debates serão de grande densidade sobre temas fundamentais para a luta contra a discriminação no sistema financeiro e no Brasil.
Formação da Contraf-CUT reúne dirigentes sindicais em aula sobre redes sociais e ferramentas digitais

Dezenas de dirigentes da Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro (Federa-RJ) participaram de mais uma etapa do curso de Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramos Financeiro (Contraf-CUT). A aula foi realizada de forma online na última terça-feira (01). O tema foi redes sociais e outras ferramentas de luta. O secretário de Formação da Contraf-CUT, Rafael Zanon, falou sobre o objetivo do curso. “O nosso programa de formação tem atividades presenciais e digitais, em busca de abranger a sistematização do conhecimento nas diversas estratégias e ferramentas de luta de importância para a classe trabalhadora”, afirmou Rafael Zanon. Já a secretária de Comunicação da Contraf-CUT, Elaine Cutis, a reciclagem é muito importante. “A comunicação muda sempre e numa velocidade muito rápida. Por isso, é fundamental que estejamos fazendo uma reciclagem constantemente para que todo o movimento sindical esteja alinhado. Neste processo formativo, além de ensinar, também aprendemos e criamos oportunidades para que essa troca aconteça de forma permanente”, ressaltou. Diretora de Mulheres da Federa, Paula Rodrigues afirmou que cada etapa é importante e chama atenção para uma realidade. “O foco foi em desenvolver os dirigentes para divulgar e potencializar as redes sociais a nosso favor, sempre de forma leve e consciente”, explicou. O diretor de Formação da Federa-RJ, Luiz Otávio, afirmou que o curso abordou desde a história do surgimento das redes, até as mais utilizadas no momento atual. “Inclusive, mostrou como utilizar as ferramentas de comunicação de forma estratégica e a importância da ética em WhatsApp e Telegram para criar uma rede de contatos ativa”, afirmou Luiz Otávio. Para a diretora da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer do Sindicato dos Bancários de Petrópolis, Aline Nicolau, o curso foi muito proveitoso e contou que replica algumas campanhas com o Twitter (X). Ela elogiou a aula do professor e sugeriu que o próximo seja presencial por ser um assunto importante. A diretora Erika Lanhas, do Sindicato dos Bancários de Niterói e Regiões, revelou que tem gostado muito do curso. “A aula de ontem contribuiu para um melhor entendimento e conhecimento das redes sociais. Ferramenta indispensável para o nosso trabalho como dirigente”, comentou Erika.
Feriado de Finados: agências bancárias não funcionam nesta quinta (02), mas terão atendimento normal sexta-feira (03)

Nesta quinta-feira (02), Dia de Finados, as agências bancárias ficarão fechadas, sem atendimento presencial ao público. O funcionamento voltará ao normal na sexta-feira, 03 de novembro. Vale lembrar que os tributos já vêm com datas ajustadas ao calendário de feriados nacionais, estaduais e municipais. Se isto não ocorrer, as contas de consumo (água, energia, telefone, etc.) e carnês com vencimento em 02/11 poderão ser pagos na sexta-feira (03), sem qualquer acréscimo. Já os boletos bancários de clientes cadastrados como sacados eletrônicos podem ser pagos pelo DDA (Débito Direto Autorizado). De acordo com a Febraban, no sábado (04) e no domingo (05) as áreas de autoatendimento estarão disponíveis para transferências e pagamento de contas. Os meios eletrônicos são uma alternativa prática e segura, oferecendo praticamente a totalidade das transações financeiras do sistema bancário. Também são alternativas o uso de internet banking, mobile banking e caixas eletrônicos para pagamento de contas, checagem de saldo e extrato e transferências, além do banco por telefone.
Comissão Trilateral debate digitalização financeira durante Fórum Internacional

O Fórum Sindical Internacional, que foi realizado na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo, promoveu a 2ª Reunião da Comissão Trilateral para a Digitalização Financeira, na tarde da última sexta-feira (27). A reunião começou com a apresentação da técnica da Subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Cátia Uehara, mostrando que entre 2013 e 2023 foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos, só no Brasil. Também entre 1994 e 2021, houve queda da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro, na ordem de 80% para 44%. Também a sindicalização no ramo financeiro brasileiro caiu, entre 2022 e 2019. A queda foi de 45,5% para 19,5%. Segundo Cátia, muito dessa redução é atribuída à digitalização dos processos bancários. A técnica explicou que os modelos de trabalho em que as plataformas digitais obtêm o máximo de lucro com a mão de obra, sem que haja qualquer vínculo empregatício – uberização ou plataformização -, foram criados para precarizar o trabalho bancário. “Apesar de se apresentarem como mais flexíveis e darem mais liberdade aos trabalhadores, as empresas detentoras dos aplicativos devem ser responsabilizadas em termos de relações de trabalho no campo do direito trabalhista”, ressaltou a técnica. De acordo com a explicação de Cátia, a relação de subordinação empregado-empregador, se dá através da gestão dos algoritmos, definida pela empresa-plataforma. A falta de regulação da atuação dessas empresas tem produzido relações de trabalho precarizadas, tem resultado em subtributação (tributação reduzida) dessas empresas-plataforma, com destaque para a seguridade social, com custos que são financiados pela sociedade/Estado sem a contrapartida da empresa. Tecnologia e trabalho Os assessores técnicos da Asociación de Bancarios del Uruguay (AEBU), Aníbal Peluff e Soledad Giudice, discorreram sobre os efeitos no trabalho e nas relações trabalhistas da incorporação de tecnologia no sistema financeiro. Segundo Peluff, o setor financeiro tem condições especiais que o tornam um dos setores pioneiros na incorporação de tecnologia e automação de processos. “O que se oferece é um serviço que pode ser praticamente digitalizado na sua totalidade. O outro fator é o humano onde as pessoas estão com a sua capacidade de resolver problemas, de ter empatia, de ser criativas, ou de dar confiança, precisamente é um setor onde a confiança é o mais importante”. Já Soledad Giudice afirmou que a negociação coletiva é importante para definir o uso de algoritmos, a definição de sistemas e metas de avaliação de desempenho, assim como a abordagem dos impactos diretos nas condições de trabalho e programas de saúde. Ele ressaltou que as formas de organização sindical precisam ser repensadas, com uso das novas tecnologias para o fortalecimento da comunicação com os trabalhadores, mas também em termos de estrutura, ampliando a pluralidade e adaptando o movimento às transformações do mercado de trabalho no setor. “Precisamos nos reinventar”, disse Soledad.
Fórum promove workshop sobre mensagem digital
O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira realizou, em seu último dia, o Wokshop “A digitalização e a mensagem sindical”. O encontro aconteceu na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), uma das organizadoras do evento, em São Paulo. A palestra: “Ferramentas modernas para contactar com os trabalhadores, APPs e redes sociais”, ministrada por Catalina Beltran, da Associação Colombiana de Empregados Bancários (ACEB), abriu o evento. Ela ressaltou que “através das redes sociais a gente conseguiu ajudar outros trabalhadores que queriam entrar no movimento sindical, mas não sabiam como”. Os desafios para as organizações sindicais nas redes sociais foi o tema escolhido pelos representantes da agência de conversação pública do Uruguai, Doble ele. A diretora de Comunicação da agência, Laura Modernell, explicou que antigamente o problema era como passar as informações. “Agora é o que passar e por qual meio, com foco na pessoa que te ouve”, disse. Já Fernando Calleros Piriz, sócio fundador da Doble ele, lembrou a necessidade das entidades sindicais acompanharem o ritmo atual. “As pessoas têm uma grande necessidade de informação e a comunicação dos sindicatos precisa acompanhar. Aumentar a quantidade de tempo nas redes e os tipos de informações disponibilizados”, destacou, acrescentando que é necessário estar preparado para as críticas. A diretora da Friedrich Ebert Stiftung (FES) na Argentina, Mónica Sladogna, falou sobre digitalização e futuro do trabalho. A FES é uma fundação social-democrata alemã com mais de 35 anos de presença no país, comprometida com a democracia e a justiça social. Segundo ela, é necessário a profissionalização da comunicação. “A gente precisa seguir a demanda de qualificação profissional nesta área, como vamos acompanhar os trabalhadores ininterruptamente, 24 horas por dia, se não tivermos profissionais suficientes ou treinados para isso?”, completou. “Mensagem do sindicato na comunicação moderna. Estratégias para alcançar os jovens trabalhadores” foi tema abordado por Henrique Guilherme Batista, da equipe de Comunicação da Contraf-CUT. Ele explicou que, na Contraf-CUT, todas as campanhas são pensadas com estratégias para todas as regiões do Brasil e, principalmente, para atingir todos os públicos, independente da idade. “A forma que encontramos de tentar atingir os jovens e também o público mais velho nas redes sociais é por meio da educação. Criando vídeos explicativos e cursos que ensinam a conhecer cada rede e a utilizar ferramentas e aplicativos. Nosso próximo passo é um seminário de comunicação, para comunicadores de todo Brasil e convidados internacional”, afirmou. Ana Muga, da Confederação de Trabalhadores Bancários do Chile (CSTBA) falou sobre “A mensagem sindical comprometida com as lutas sociopolíticas”. Para ela, o fortalecimento da organização dos trabalhadores são o único jeito de alcançar as transformações exigidas no país. Pablo Andrade, secretario de Finanzas da Associação dos Bancários do Uruguai (AEBU), abordou a questão da otimização da comunicação digital. “Nós temos que conhecer as especificidades das redes, para saber onde nos aprofundar mais”, disse. Homenagem Para finalizar o evento, a O evento terminou com uma homenagem a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, foi homenageada. Bancária do Santander, Rita iniciou sua carreira no Banespa, participando ativamente da luta contra a sua privatização. Dirigente sindical desde 1997, na diretoria executiva do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região esteve à frente das secretarias de Saúde e Condições de Trabalho; Organização e Suporte Administrativo; Finanças; e de Estudos Sócio-econômicos. Também foi coordenadora da mesa de negociações com o Santander por 12 anos, coordenadora da Rede Sindical Santander para a UNI Américas por 10 anos, e presidenta da UNI Finanças por oito anos.
Fórum: movimento sindical precisa estar forte para defender direitos dos trabalhadores

O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira, em seu segundo dia, concluiu que é preciso fortalecer o movimento sindical para enfrentar as mudanças no mundo do trabalho provocadas pela digitalização. O fórum, que reúne representantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, México, Paraguai e Peru, está sendo realizado em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), e termina neste sábado (28). De acordo com a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e ex-presidenta da UNI Finanças Global, Rita Berlofa, “o processo de digitalização no sistema financeiro está reduzindo os empregos de qualidade, ampliando a terceirização de vagas e, com isso, reduzindo salários em todos esses países.” Sergio Garcion Torres, representante da Argentina, de La Bancária Sociedad de Empleados de Banco, disse que em seu país, há dez anos, um trabalhador bancário administrava, em média, 360 contas. Hoje em dia, cada trabalhador bancário administra cerca de 1.390 contas. “Essa mudança ocasionou uma transferência de recursos não para os trabalhadores, que passaram a cuidar de mais clientes, mas para o setor empresarial”, explicou Garcion. Já a secretária General do Sindicato Único Nacional de Trabajadores de Nacional Financiera (SUNTNAFIN) do México, Jocabeth Galindo Diego, destacou a necessidade de ampliar o diálogo com os jovens. “O que vemos são os aposentados lutando contra a retirada de direitos, mas não vemos os jovens. E isso acontece porque os jovens já entram no banco com todos os direitos e, por isso, no sabem o quanto foi preciso lutar para conquistá-los”, afirmou Jocabeth. A importância da formação sindical também foi ressaltada durante o fórum, como método para reforçar na sociedade a conscientização sobre a importância dos movimentos trabalhistas na defesa e garantia de direitos. E também como uma maneira de aumentar o ingresso de sindicalizados nas entidades. A representante da Contraf-CUT explicou que a classe trabalhadora “não pode aceitar que a digitalização do sistema financeiro tenha, como consequências, o fim do emprego de qualidade, como assistimos em todo o mundo. “Por isso, eventos como este fórum internacional são muito importantes porque, nesta troca, somos capazes de articular nossa luta em âmbito local e mundial. Entre as medidas que defendemos, estão redução da jornada de trabalho, fortalecimento dos sindicatos e valorização dos acordos coletivos. Não teremos um mundo melhor e mais seguro para todos e todas, sem essas mudanças”, concluiu Rita Berlofa. *Foto: Seeb/SP
Senado realiza audiência pública sobre adoecimento dos bancários

A pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), foi realizada uma audiência pública pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, nesta quinta-feira (26), sobre as condições as condições de trabalho nos bancos e os índices de adoecimento dos bancários. A solicitação foi feita à senadora Augusta Brito e a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira ressaltou a importância de ter uma mulher conduzindo o trabalho. “Nos sentimos representadas. Somos 52% da população brasileira e no parlamento temos uma presença pequena ainda. Nós esperamos que essa realidade mude e que, de fato, todos os espaços representem o que é a sociedade brasileira”, afirmou Juvandia. A senadora explicou que o debate foi importante para a construção de ações de combate à violência contra as mulheres. Ela lamentou que algumas pautas sempre prejudiquem as mulheres. “Ela [a mulher] é sempre julgada, em qualquer espaço que seja, e percebi que também entre os bancários isso acontece. Como ela se veste, como pinta o cabelo, se faze a unha, se fala alto, se fala baixo, como se comporta. Esse julgamento sobre nós, mulheres, e a nossa participação, seja em qual espaço for, é um fator que adoece, por ser uma grande violência contra nós”, afirmou. Juvandia falou também sobre a importância de debater o tema no Senado e lembrou que os trabalhadores do ramo financeiro têm uma mesa única de negociação para debater a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que é complementada por reuniões temáticas para acompanhar a evolução dos problemas de saúde na categoria. Já o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, disse que a audiência é importante também pela falta de visibilidade do tema. “É um tema que não tem a visibilidade necessária, não só na nossa categoria, mas em toda a sociedade. Acidente de trabalho e doenças ocupacionais não têm a visibilidade necessária e mata mais do que outras doenças”, ressaltou. Assédio A diretora de Políticas Sociais da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Rachel de Araújo Weber, apresentou uma pesquisa mostrando o agravamento da situação de saúde dos empregados da Caixa, entre 2018 e 2022. Pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, lembrou que “para muitos segmentos sociais, os bancários podem parecer trabalhadores privilegiados, na comparação com outros, que enfrentam perigos e insalubridade tradicionais. No entanto, estudos mostram que os trabalhadores do banco, ao longo dos últimos mais de 30 anos, são vítimas diretas de sistemas econômico-financeiros onipresentes em nossa sociedade, que também penalizam a maioria dos segmentos sociais”. Para a procuradora do Trabalho Cirlene Luiza Zimmermann, representante da Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat), do Ministério Público do Trabalho (MPT), “a saúde dos trabalhadores dessa categoria é algo que nos tem preocupado muito, especialmente num cenário em que o setor é ainda caracterizado com um grau de risco 1, mesmo sendo o oitavo setor com o maior número de afastamento acidentários pelo INSS”. Também presente à audiência, a auditora-Fiscal do Trabalho Odete Reis, representante do Ministério do Trabalho e Emprego, disse que, até o ano passado, nunca tinha visto um programa de saúde e segurança do trabalho que abordasse fatores de risco psicossociais. “Por isso, precisamos chamar atenção para o assédio moral organizacional, que é a forma de gestão adotada pela empresa, pautada por cobrança de metas abusivas e aspectos que geram adoecimento dos trabalhadores”, disse. Já Luciene de Aguiar Dias, coordenadora-geral de Vigilância em Saúde do Trabalhador do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde, lamentou a falta de eficácia do método de trabalho para o controle de notificações de doenças dos trabalhadores nos últimos anos. “Para debater a questão do adoecimento dos trabalhadores do setor bancário, demanda uma abordagem muito maior do que a abordagem atual. Também é preciso fazer o reconhecimento de que a saúde no trabalho é um direito humano”, afirmou.
Digitalização financeira: fórum destaca importância dos movimentos sindicais para superar desafios

O Fórum Sindical Internacional sobre a Digitalização Financeira teve início, nesta quarta-feira (25), com um debate sobre os desafios impostos pela transformação digital no sistema financeiro para o trabalho em todos os países. A conclusão da mesa de abertura é que a articulação dos movimentos sindicais nunca foi tão fundamental para superar tais desafios. Marcio Monzane, secretário regional da Uni Américas, disse que “a transformação tecnológica no mundo está atingindo todos os setores, não apenas o financeiro, causando uma movimentação acelerada no trabalho, em termos de regulamentação”. Para ele, o resultado é o aumento do desemprego, uma vez que a tecnologia otimiza funções, reduzindo vagas, além de surgirem novas formas de contratações como as condições do Microempreendedor Individual (MEI) e/ou de contratados no modelo pessoa jurídica (PJ). Revolução tecnológica Para a presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, essas transformações estão ligadas à revolução tecnológica. “Especificamente para a nossa categoria, setor financeiro, onde a área de TI (Tecnologia da Informação) cresceu muito, diminuíram as vagas nos bancos para algumas funções como, por exemplo, na função de caixa, que era a base da pirâmide. Então, hoje você tem basicamente nas agências as pessoas que fazem a orientação, que são chamados de gerentes: gerentes de investimentos, gerentes de conta, gerentes de negócio, enfim. Essa é uma mudança, inclusive, que mexe nos planos de cargos e salários da trabalhadora e do trabalhador bancário”, afirmou Juvandia. A dirigente também falou sobre o aumento da atuação de empresas como bancos no sistema financeiro, sem que sejam formalmente bancos. Ela citou o Nubank e o Mercado Livre. O primeiro “usa o nome de banco, mas na sua regulamentação não está formalizado como banco.” “A mesma coisa acontece com o Mercado Livre, que é uma plataforma de intermediação de vendas, mas que tem agora o Mercado Pago, com transações de um banco”, observou Juvandia, acrescentando que o debate sobre regulamentação do sistema financeiro é fundamental. O fórum está acontecendo em São Paulo, na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), uma das organizadoras junto com a UNI Américas Finanças, da Fundação Friedrich Ebert Stiftung e da Sask. O evento será encerrado neste sábado (28). Participaram ainda da mesa de abertura Guilhermo Maffeo, diretor Regional Uni Américas Finanças, como mediador, além de Neiva Ribeiro, recém-eleita para a direção executiva da CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e Patricia Salazar Parra, secretária-geral do Sinecrediscotia (Sindicato Nacional de Empleados de Crediscotia Financiera S.A.), do Peru.