Caixa comunica contratação de 800 aprovados em concurso de 2014

A Caixa Econômica Federal enviou comunicado à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), informando que vai contratar 800 aprovados no concurso de 2014. O comunicado foi feito na noite desta terça-feira (23). A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, lembrou que a recomposição do quadro é uma reivindicação antiga. “As empregadas e os empregados estão sobrecarregados. Há anos cobramos a recomposição do quadro de pessoal e, na nossa última reunião de negociação, ocorrida na sexta-feira (19), reiteramos a urgência do atendimento de nossa reivindicação, numa tentativa de sanar o problema de sobrecarga e dos costumeiros problemas de saúde que ela causa aos empregados. Além disso, com um quadro de trabalho maior, podemos atender melhor à população”, disse. Segundo o último balanço da Caixa,o banco encerrou o 1º trimestre de 2023 com 86.741 empregados, 109 a menos em um ano. Mas, além da queda no número de trabalhadores, houve aumento de aproximadamente cinco milhões de novos clientes no período, elevando, desta forma, o número de clientes a serem atendidos para 1.744 por empregado. Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, é preciso aumentar o teto de empregados. “Mais do que uma excelente notícia, a contratação de 800 aprovados no concurso é uma conquista do movimento. Com certeza ajuda a aliviar a sobrecarga. Mas é insuficiente para recompor o quadro de pessoal, que vem sendo reduzido no decorrer dos anos. Estas 800 contratações são bem-vindas, mas é preciso aumentar o teto de empregados e contratar mais”, afirmou Takemoto. Em 2014, quando o concurso foi realizado, a Caixa contava com 101.484 empregados. Considerando os números do balanço do primeiro trimestre de 2023, são 14.743 postos de trabalho a menos. *Fonte: Contraf-CUT
Caixa: empregados pedem o fim da cultura do assédio

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) se reuniu com o novo vice-presidente de Pessoas (Vipes) da Caixa Econômica Federal, Sergio Mendonça, na última sexta-feira (19). Os empregados cobraram o fim da cultura de assédio no banco. O diretor de Pessoas, Daniel de Castro Borges, e dirigentes da Diretoria de Integridade também participaram da reunião. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, lembrou que é preciso respeito. “A Caixa é um banco público e sua principal característica é o atendimento de beneficiários de programas sociais do governo e clientes de baixa e média renda, não tem sentido a cultura organizacional atual, que reconhece apenas quem comercializa produtos e marginaliza quem cumpre o papel social do banco. É preciso tratar o banco, empregados e clientes com respeito. A Caixa é o que é, por causa da atuação de todos os empregados, não só daqueles que se enquadram no perfil mais comercial adotado no último período”, ressaltou Rafael. Eliana Brasil, diretora executiva da Contraf-CUT, observou que o empregado da Caixa está hoje numa rotina de competição interna em um nível que não permite que ele enxergue mais o papel social do banco. “Essa estratégia não tem dado resultado positivo. Os empregados estão em situação precária de saúde, o lucro não aumentou e perdemos mercado, com clientes buscando pela concorrência”, disse Eliana. Perfil de vendas A CEE defendeu que as empregadas e os empregados não podem ser punidos pelo fato de clientes cancelarem produtos da cesta de serviços, sendo que a própria Caixa manda mensagem para estes clientes, orientando a solicitarem o cancelamento quando este não se enquadra em seu perfil, outro exemplo de punição dada pela Caixa é quando o cliente aceita um cartão, mas não o ativa após 90 dias. Nestes casos a Caixa tem impedido a participação dos trabalhadores nos Processos de Seleção Interna (PSI) e feito ameaças para intimidar os bancários da rede de agências. Os representantes dos empregados foram unânimes em condenar o Programa de Qualidade de Vendas (PQV), classificado como inaceitável, por não resolver a questão de uma possível venda malfeita, alegada pela Caixa. “Os empregados não fazem venda forçada pra nenhum cliente por iniciativa própria. O problema que tem que ser resolvido é o que motiva as vendas forçadas: As metas abusivas impostas pelo banco. É preciso acabar com a cultura do assédio, das cobranças pra bater meta a qualquer custo. O que o banco precisa fazer é oferecer condições de trabalho e treinamentos adequados aos empregados, precisa, urgentemente, contratar novos empregados para aliviar a sobrecarga dos colegas”, afirmou a coordenadora da CEE, Fabiana Uehara Proscholdt. Para os representantes dos trabalhadores, os problemas registrados nas agências e outras unidades da Caixa seguem na linha de retrocesso desenfreado da gestão anterior. “Para a reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, a medida de gestão mais emergencial é o respeito e a valorização do corpo funcional do banco. A gestão tem que, de fato, ser humanizada. Precisamos debater sobre assédio moral e sexual em um grupo específico para encontrar soluções para os problemas”, ressaltou a coordenadora da CEE, que cobrou um calendário de negociações, com cronograma de debates para que as reivindicações da categoria avancem. Volta da Vipes A recriação da Vipes, que havia sido extinta no primeiro semestre de 2021, ainda sob a gestão de Pedro Guimarães, foi classificada como um fato de importância simbólica e histórica, uma vez que ocorreu a partir de uma reivindicação dos empregados. “O movimento sindical bancário sempre defendeu a necessidade de uma área específica de gestão de pessoas, considerada imprescindível não só para o processo de reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, mas também para o cuidado com os seus trabalhadores”, destacou Fabiana Uehara Proscholdt. A representação dos empregados reivindicou ainda os seguintes itens: fim do teto de gasto do Saúde Caixa, bem como a melhoria do plano; valorização da Universidade Caixa com volta dos cursos presenciais; processos seletivos internos transparentes, democráticos e abertos a todos; home-office com cumprimento efetivo da legislação sendo prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 6 anos (art. 75-F CLT); jornada reduzida para os pais de filhos PCDs (analogia a Lei nº 8.112/90); rediscussão do PCS, ESU; retorno das Gipes, bem como áreas de apoio aos empregados (descentralização – com uma por estado); fim das funções por minuto, com efetivação dos empregados que executam hoje essas atividades; fim do banco de horas negativo e dotação orçamentária necessária para as horas extras; reparações aos empregados perseguidos na gestão anterior. Fonte: Contraf-CUT
Impactos da digitalização sobre trabalhadores do sistema financeiro é tema de encontro de sindicalistas

Encontro promovido pela Uni Américas Finanças, em Buenos Aires, na Argentina, reuniu dirigentes de sindicatos de trabalhadores do ramo financeiro da Argentina, Uruguai e Brasil. Durante o evento, foram debatidas questões sobre os impactos da digitalização no sistema financeiro sobre a classe trabalhadora. O encontro ocorreu nos dias 15 e 16 de maio. O vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Vinícius Assumpção, falou sobre a importância do debate internacional em torno dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do ramo financeiro. “Estamos observando um movimento acelerado, a partir da digitalização do sistema financeiro, de pulverização desses trabalhadores em diversas categorias, sem os direitos conquistados. Então, mais do que nunca, precisamos buscar, coletivamente, ações para combater os impactos negativos sobre o mercado de trabalho. Afinal, o que afeta os trabalhadores do setor no Brasil, também afeta na Argentina, Uruguai e demais países. A velocidade é grande nas transformações e o sistema age globalmente. Por isso, a importância de agirmos da mesma forma, globalmente”, analisou. Durante explanação sobre Digitalização, Uber Financeiro e Plataformização, a economista Catia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez um alerta sobre como as tecnologias atuais podem afetar os empregos. “Ao contrário das revoluções industriais anteriores, que tiveram impacto muito notadamente em empregos de baixa qualificação, as tecnologias do momento atual têm capacidade potencial para afetar também empregos de alta qualificação, como advogados, médicos e bancários, por exemplo”, ressaltou a economista. Para o secretário de Formação da Contraf-CUT, Rafael Zanon, que participou da mesma mesa de debates, o grau de difusão setorial das novas tecnologias também consiste em elemento novo a ser considerado. “Se antes o trabalhador que atuava em determinado setor específico impactado pela inovação tecnológica tinha a possibilidade de buscar emprego em outro setor de atividade econômica, hoje esse caminho parece mais difícil na medida em que muitos setores estão passando por processos de transformação intensa”, disse. Também foram realizadas palestras sobre o que foi discutido na primeira reunião tripartite na Organização Mundial do Trabalho (OIT) a respeito do impacto da digitalização do sistema financeiro; os desafios dos sindicatos na reestruturação financeira; e caminhos para lidar com a disruptura financeira. Esses temas foram apresentados por representantes da Asociación de Bancarios del Uruguay (AEBU) e da La Bancária – Sociedad de Empregados de Banco da Argentina. “É importante parabenizar a Uni Américas Finanças por promover um debate tão importante para a classe trabalhadora, notadamente do setor financeiro, que tem sido extremamente impactada por esses processos de digitalização. Estamos assistindo, nestes últimos anos, o fechamento de postos de trabalho e de agências, num movimento acelerado. Então, é cada vez mais importante fazer debates para encontrarmos soluções para essas novas faces da empregabilidade, para reduzir o impacto da digitalização no setor de finanças”, observou a presidenta da UNI Finanças Mundial, Rita Berlofa, que também é secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT. Só no Brasil, foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos, entre 2013 e 2023. Num período um pouco mais longo, entre 1994 e 2021, o peso da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro do país caiu de 80% para 44%. E, entre 2022 e 2019, a sindicalização no ramo financeiro brasileiro sofreu queda de 45,5% para 19,5%. Esses foram alguns dados apresentados no encontro. “A digitalização, ou seja, as inovações tecnológicas todas não podem acontecer somente para impactar a classe trabalhadora, rendendo lucros para os acionistas. Por isso temos cobrado a responsabilidade dos bancos na manutenção dos empregos. Para isso, nada melhor do que a redução da jornada de trabalho, não apenas para garantir os atuais empregos, mas também para que os bancos e as empresas do ramo financeiro cumpram seu papel social”, destacou Rita. Uberização A “uberização”, modelo de trabalho onde as plataformas digitais obtêm o máximo de lucro com a mão de obra sem que haja qualquer vínculo empregatício, também foi abordada na mesa de debates sobre Digitalização, Uber Financeiro e Plataformização. “Nós mostramos que, apesar de se apresentarem como mais flexíveis e darem mais liberdade aos trabalhadores, as empresas detentoras dos aplicativos devem ser responsabilizadas em termos de relações de trabalho no campo do direito trabalhista”, destacou Zanon. Os palestrantes observaram, ainda, que a relação de subordinação empregado-empregador se dá por meio da gestão dos algoritmos, justamente definida pela empresa-plataforma. “A gestão algorítmica estabelece uma relação de subordinação dos trabalhadores e trabalhadoras: regras e ritmo de trabalhos, jornadas, bonificação etc. A falta de regulação da atuação dessas empresas tem produzido relações de trabalho precarizadas, tem resultado em subtributação [tributação reduzida] dessas empresas-plataforma, com destaque para a seguridade social, com custos que são financiados pela sociedade/Estado sem a contrapartida da empresa”, ressaltou Cátia Uehara. Os expositores brasileiros destacaram que, no Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criou um grupo de trabalho, tendo como premissa inicial as Convenções Internacionais do Trabalho, para debater propostas de regulamentação dos serviços das plataformas e garantia de direitos aos trabalhadores. Também lembraram que o Ministério do Trabalho e Emprego do governo Lula criou um grupo de trabalho tripartite, com prazo máximo de 300 dias, para discutir o assunto. “A premissa inicial da proposta da CUT é que as empresas-plataforma precisam de uma regulação adequada, de acordo com a atividade econômica que de fato realizam. Essa regulação adequada permite, além da cobrança da tributação pertinente ao risco da atividade e às demais externalidades sociais e econômicas por ela causadas, o cumprimento do arcabouço trabalhista já definido para determinada atividade”, concluiu a economista do Dieese. *Fonte: Contraf-CUT
Fim da função por minuto ainda é alvo de análise na Caixa

Representantes da Caixa Econômica Federal e dos empregados se reuniram para debater as questões específicas dos trabalhadores que exercem as funções de caixas, tesoureiros e avaliadores de penhor. Um dos pontos fundamentais do debate foi o fato de o banco estar analisando o fim da designação das funções por minuto. A reunião aconteceu na tarde desta quinta-feira (18). A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, avaliou a reunião positivamente. “A reunião foi boa. O banco tem se mostrado mais aberto ao debate e já atendeu algumas das demandas que colocamos, como o acesso direto das estações financeiras à intranet e o ajuste dos gaveteiros de numerários. Além disso, o banco está analisando o fim da função por minuto, mas disse que depende de uma reorganização da gestão, pois a medida gera impactos financeiros”, afirmou a coordenadora. Já o empregado da Caixa e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, falou da importância de manter a mobilização. “Apesar de maior abertura no debate, ainda não há solução. Então, precisamos nos manter mobilizados. Enquanto não for decidido, precisamos manter a pressão”, ressaltou Rafael. Gaveta de numerários O problema das gavetas de numerários, que “engole” cédulas e causa diferença de caixa, que foi um dos pontos cobrados em reuniões anteriores, será resolvido. O banco definiu que será feito ajuste em unidades-piloto e que os representantes dos empregados poderão participar indicando quais serão estas unidades. Outra reclamação, que diz respeito aos caixas, foi sobre aos scanners que substituíram os leitores de código de barras. “Eles simplesmente não funcionam. Os caixas não o utilizam e acabam digitando o código de barras, o que torna o atendimento mais trabalhoso e lento”, disse o caixa Lucas Fonseca da Cunha, representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio Grande do Sul (Fetrafi/RS). O caixa e representante da Federação dos Bancários do Estado do Rio de Janeiro (Federa/RJ), Léo Lima, também criticou a substituição dos leitores de código de barras.. “Não sei por qual motivo tiraram os leitores de código de barras. Não existe necessidade de scanner no caixa. Colocaram uma carreta para fazer uma coisa que é melhor de ser feita com um carro popular”, comparou Léo. Segundo representantes do banco, a substituição foi feita atendendo demanda de gestores e os equipamentos foram instalados há menos de dois anos. “Já estamos falando faz algum tempo para que, antes de serem comprados novos equipamentos, que os usuários sejam ouvidos e que sejam feitos testes para aprovação das máquinas. São os empregados que podem falar melhor sobre as ferramentas que utilizam no seu dia a dia de trabalho”, disse a coordenadora da CEE. Tesoureiros Outro questionamento feito ao banco foi sobre uma possível redução da jornada de tesoureiros, de oito para seis horas, com orientação para que não sejam autorizadas horas-extras para estes profissionais. Segundo o banco, não existe nenhuma orientação neste sentido e que é preciso analisar casos específicos. Avaliadores de penhor O banco já implementou algumas das demandas dos avaliadores de penhor, como a habilitação, nos próximos dias, do SISAG para autenticar guias de penhor de valores superiores a 10 mil reais. A demanda foi apresentada na reunião passada. Também serão debatidas, em reunião técnica específica, problemas de sistemas utilizados pelos empregados que desempenham a função. Os trabalhadores vão indicar seus representantes para participar da reunião do grupo, que é parte deste mesmo GT de funções específicas. Mudança de mobiliário A adaptação de agências para pessoas com deficiência (PCDs) também foi debatida na reunião. O banco informou que serão aplicados R$ 115 milhões para mudança de mobiliário de 500 a 600 agências e que a adaptação para PCDs levará em conta a exigência de legislações municipais. Serão mesas e cadeiras autorreguláveis, para que o próprio colega regule da forma como ficar melhor para ele. Não foram considerados apoio para os pés. “É importante esta mudança de mobiliário, já considerando as especificidades de cada colega, mas, num momento em que estamos buscando trabalhar com uma gestão mais humanizada, seria interessante que, independentemente da legislação municipal, a Caixa tivesse um olhar atento para estes colegas que já sofrem em seu dia a dia na sociedade”, ponderou Rafael de Castro. Outras demandas Os trabalhadores também pediram para que a Caixa aprimore a ata das reuniões, de modo que facilite o cumprimento das reivindicações atendidas e permita o acompanhamento do que está sendo realizado. Outra reivindicação foi para que as reuniões do GT sejam realizadas em menor período de tempo, sem que haja intervalo de um mês entre os encontros. Também pediram para que a Caixa resgate as atribuições previstas no RH183 e compare com o que os empregados vêm fazendo na prática, para que eles não executem tarefas que não sejam de suas responsabilidades, com a intenção acabar com os desvios de funções. *Fonte: Contraf-CUT
Estudo do Dieese aponta saldo negativo de emprego em setor bancário pelo sexto mês consecutivo

Dados de levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), apontam que o setor bancário eliminou postos de trabalho pelo sexto mês consecutivo. Somente no mês de março deste ano, foram extintas 1.474 vagas – o maior número desde novembro de 2020, quando mais de 2 mil vagas foram fechadas em consequência da pandemia de Covid-19. No primeiro trimestre de 2023, os bancos eliminaram 2.662 vagas na categoria. No mesmo período do ano passado, ocorreu a abertura de 3.160 vagas. Excluindo a categoria bancária, em sentido contrário, o ramo financeiro apresentou saldo positivo em março, com abertura de 925 postos de trabalho – número 68,5% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Nos últimos 12 meses, foram criados 28,5 mil postos de trabalho, uma média de criação de 2,3 mil postos por mês. As atividades financeiras que mais criaram postos em março foram: crédito cooperativo (831 vagas); holdings de instituições não-financeiras (351); e outras sociedades de participação, exceto holdings (92). Movimentação por áreas Para melhor compreensão da movimentação de emprego por áreas, a partir da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o Dieese separou a categoria pelas seguintes áreas específicas: administração e afins, atendimento ao público, tecnologia da informação; e bancária/financeira. Em todas, observou-se saldo negativo para o mês de março e para o primeiro trimestre de 2023. O setor que mais eliminou vagas foi área bancária/financeira, com variação negativa de 2.092 postos de trabalho nos primeiros três meses do ano, e 1.165 em março. O agrupamento área administrativa e afins eliminou no trimestre 478 vagas. O setor de tecnologia da informação, também apresentou queda das contratações, com saldo negativo de 94 vagas. Segundo o Dieese, isso “sugere o esgotamento das contratações ou mesmo o agravamento das terceirizações”. O único saldo positivo no agrupamento foi o classificado como “demais”, com 147 novos postos de trabalho. Considerado o período de 12 meses, o saldo negativo de empregos no setor bancário foi de 3.166 vagas. Em todas as atividades bancárias ocorreu saldo negativo no primeiro trimestre de 2023 e no mês de março. No documento, o Dieese ressalta que, no resultado de março para o setor bancário, ocorreu elevado número de demissões, “39,5% superior à média de desligamentos do ano de 2022, e baixo número de contratações, 16,5% inferior à média de admissões do ano de 2022”. Faixa etária, sexo e remuneração média No recorte de gênero, o saldo foi negativo tanto entre homens quanto entre mulheres. No entanto, o número de admissões entre os homens foi 11,7% superior em relação ao de mulheres. Enquanto os desligamentos foi 6,1% superior entre os homens em relação às mulheres. Em relação à faixa etária, foi observado saldo positivo apenas nas faixas até 24 anos, com ampliação de 269 vagas. Para as demais faixas, a partir de 25 anos, o fechamento foi de 1.743 vagas. A remuneração média também sofreu movimentação para baixo. O salário médio do bancário admitido em março foi de R$ 6.728,48, enquanto o valor médio do grupo de desligados foi de R$ 8.063,40. Logo, o salário médio do admitido correspondeu a 83,44% do desligado. Falta responsabilidade do setor O secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Walcir Previtale falou sobre a situação e criticou o comportamento dos bancos. “Os bancos continuam eliminando postos um momento em que, apesar de leve melhora no mercado de trabalho, o país continua com altos índices de desemprego. Temos que lembrar que o sistema financeiro continua obtendo altos lucros no país. E aqui entra também a nossa crítica ao Banco Central com manutenção da Selic em 13,75% – a mais alta do mundo, uma vez que também influencia na cobrança dos juros das operações de crédito dos bancos no Brasil”, observa o secretário. Ele lembra que só o Bradesco cortou mais de 2 mil empregos no primeiro trimestre de 2023. “Mesmo na alta lucratividade, cada vez mais o sistema financeiro vai diminuindo o número de empregados”, completou Walcir. Segundo a Pesquisa de Juros da Associação Nacional de Executivos (Anefac), em janeiro, pessoas físicas pagavam em média no Brasil juros de 124% ao ano em operações de crédito. Já as pessoas jurídicas, 61% ao ano. “Os números do Caged, que apontam para uma mudança estrutural no mercado de trabalho bancário, com o fechamento de postos de trabalho, de agências, mudança do perfil salarial para baixo e menos mulheres no setor bancário, apenas confirmam que o sistema financeiro não está cumprindo a sua obrigação com o país, conforme o artigo 192 da Constituição, que prevê a responsabilidade desse setor na promoção do desenvolvimento equilibrado do Brasil e em servir aos interesses da coletividade. Historicamente, o movimento sindical sempre ressaltou essa responsabilidade do setor financeiro, e continuaremos lutando contra o fechamento de agências e pela abertura de unidades em muitos lugares onde, sabemos, não há nenhum tipo de atendimento bancário à população. Na propaganda, os bancos colocam números maravilhosos, mas na prática a gente assiste uma alteração no perfil do mercado de trabalho que compromete o futuro do país”, destacou ainda Walcir. Os dados completos estão na Pesquisa do Emprego Bancário – Número 22 – Maio/2023, elaborada pelo Dieese. *Fonte: Contraf-CUT
Após cobranças, Caixa vai negociar mudanças no Programa de Qualidade de Vendas (PQV) com representantes dos empregados

A Caixa Econômica Federal convocou uma reunião para esta sexta-feira (19), a partir das 14h, com representantes dos empregados. Após as cobranças, o banco vai negociar as mudanças no Programa de Qualidade de Vendas (PQV. O programa apresentado pela Caixa aumenta as punições para as empregadas e empregados que não cumprirem as metas estabelecidas. Rafael de Castro, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e empregado da Caixa, ressalta que “as empregadas e empregados não podem ser penalizados pelo fato de clientes cancelarem produtos seguindo orientação enviada pela própria Caixa.” Eliana Brasil, diretora-executiva da Contraf-CUT, lembra ainda da importância da gestão humanizada pelo banco. “Não há motivo para proibir os trabalhadores de participarem de Processos de Seleção Interna (PSI) e muito menos usar de ameaças de encaminhar para a corregedoria, como sugere a proposta do PQV apresentada pela Caixa”, poderá Eliana. A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, espera ter uma solução na reunião de sexta-feira. “Sabemos que existe uma boa vontade da nova gestão para não haver qualquer prejuízo aos trabalhadores, e esperamos que, na reunião de sexta-feira, sejam sanados os problemas nesse PQV transitório”, disse Fabiana. *Fonte: Contraf-CUT
Programa de Qualidade de Vendas (PQV) aumenta punições para trabalhadores da Caixa

Na última segunda-feira (15), foram apresentadas pela Caixa Econômica Federal mudanças no Programa de Qualidade de Vendas (PQV). Segundo os funcionários da instituição, as mudanças aumentam as punições para as empregadas e empregados, que não cumprirem as metas estabelecidas. “Recebemos reclamações de empregados que acham injusta a penalização por clientes cancelarem produtos da cesta de serviços, sendo que a própria Caixa manda mensagem para eles, os orientando a solicitarem o cancelamento quando o produto não se enquadrar em seu perfil. Recebemos e-mails hoje dizendo que quem não tiver 90 pontos no PQV pode, entre outras sanções, ser proibido de participar de Processos de Seleção Interna (PSI) e ser encaminhado para a corregedoria”, afirmou o empregado da Caixa e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro. No novo PQV da Caixa, as vendas de cartão de crédito, seguros e cesta de serviços são avaliadas por até 90 dias após a contratação. Se o cliente cancelar o serviço neste período, o empregado perde pontos no programa. A apuração dos resultados do primeiro semestre de 2023 será feita em dois momentos. O primeiro vai considerar o primeiro trimestre, já com a aplicação das novas faixas de resultados definidas; habilitação, ou desabilitação em campanhas; bonificação, ou punição em processo seletivo (PSI/Score). O segundo momento avaliará os resultados do segundo trimestre, considerando a incidência das novas faixas; início das consequências referentes às novas faixas com mensageria; acompanhamento do desempenho do empregado; avaliação das contestações em mais de uma instância; deflator no IQV decorrente da ausência de avaliação de contestação. A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, criticou as medidas. “Na gestão anterior, reclamávamos que o banco não apresentava as mudanças sem que houvesse negociação com os empregados e com as entidades de representação. Também reclamávamos que o banco utilizava programa de metas com ‘valores empresariais’, desconsiderando completamente o perfil social da Caixa. Esperávamos que esta nova gestão nos trouxesse algo diferente. Não é o que pudemos ver neste novo PQV. Ainda nesta terça-feira, vamos nos reunir com a representação dos empregados para definir como vamos tratar sobre este tema com o banco”, completou. A reunião da CEE está marcada para acontecer a partir das 18h, por plataforma eletrônica de videoconferência. *Fonte: Contraf-CUT
Relançada a Frente Parlamentar Mista para defender os bancos públicos

A recriação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos e o lançamento da Agenda Legislativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e de outras entidades sindicais do ramo financeiro reuniram, nesta terça-feira (16), entidades associativas e sindicais em cerimônia realizada no Congresso Nacional. O secretário de Relações do Trabalho e responsável da Contraf-CUT pelo acompanhamento da pauta legislativa de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, Jeferson Meira, o Jefão, falou sobre a importância da Frente. “Muito importante a recriação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos que, de forma institucional, poderá realizar conferências e audiências públicas envolvendo entes federativos, estaduais e municipais, assim como organizações da sociedade civil na perspectiva de produzir conteúdos que ajudem a direcionar as ações conjuntas na defesa e na manutenção dos bancos como entidades públicas de fomento ao desenvolvimento sustentável e inclusão social”, explicou Jefão. Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, a recriação da Frente é fundamental não apenas para aumentar a atuação das entidades sindicais junto aos parlamentares, para que entendam o papel dos bancos públicos no desenvolvimento do país, mas também para a manutenção dos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores bancários e do ramo financeiro. “Essa iniciativa é mais uma via de contato com deputados e senadores para promoção da Agenda Parlamentar da Contraf-CUT e da Fenae. É uma forma de mostrar ao Legislativo como as entidades sindicais e associativas atuam, assim como nosso papel político e social”, afirmou Takemoto. A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos é uma iniciativa da deputada Erika Kokay (PT-DF), mas é composta por deputados e senadores de diferentes partidos que entendem a importância e se propõem a articular estratégias para defender os bancos públicos de ataques dentro do Congresso Nacional. A parlamentar destacou, em diversos momentos, que “defender os bancos públicos é defender a soberania e o desenvolvimento do Brasil” e lembrou que os bancos públicos são instrumentos estratégicos para dinamizar a economia, a partir da concessão de crédito mais barato aos setores nos quais os bancos privados não têm interesse em atuar ou, quando atuam, com crédito a juros altos, drenando, desta forma, os recursos de famílias e empreendedores. *Fonte: Contraf-CUT
Lançamento da Frente Parlamentar em defesa dos bancos públicos será nesta terça (16)

Será lançada, nesta terça-feira (16), a Frente Mista em Defesa dos Bancos Públicos. O evento está marcado para 10h, em audiência pública, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília. Também será apresentada a agenda legislativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e de outras entidades sindicais do ramo financeiro. O secretário de Relações do Trabalho e responsável da Contraf-CUT pelo acompanhamento da pauta legislativa de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, Jeferson Meira, o Jefão, falou sobre a importância dos bancos públicos. “Os bancos públicos têm um papel muito importante para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos brasileiros. Eles atuam em pontos e questões fundamentais pelas quais os bancos privados não demonstram qualquer interesse, como o atendimento bancário em cidades e bairros considerados ‘não-rentáveis’ do ponto de vista financeiro, e no desenvolvimento regional. Juntamente com a Fenae e outras entidades do movimento sindical bancário, levaremos aos deputados e senadores os temas mais relevantes para a efetiva defesa do papel social dos bancos públicos ”, observou o representante da Contraf-CUT. A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos é uma iniciativa da deputado Erika Kokay (PT-DF), mas é composta por deputados e senadores de diferentes partidos que entendem a importância e se propõem a articular estratégias para defender os bancos públicos de ataques dentro do Congresso Nacional. “É fundamental contarmos com apoio dessa frente para fortalecer a luta dos trabalhadores por uma Caixa pública e social, além da manutenção dos direitos dos trabalhadores”, disse o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. Segundo levantamento da assessoria parlamentar da Fenae, tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado Federal mais de 90 projetos que impactam direta ou indiretamente, de forma positiva ou negativa, a Caixa Econômica e os serviços oferecidos a população nas suas diversas áreas como habitação, saneamento, infraestrutura urbana, educação, esporte, cultura, entre outras. “Estão inclusos também temas como governança nas estatais, fundos de pensão, jornada de trabalho, assédio no trabalho, saúde e previdência, abertura das agências bancárias, a participação nos lucros e resultados, dentre outros assuntos, que serão monitorados de forma constante e de uma atuação permanente da Fenae no Congresso Nacional”, informou Takemoto. *Fonte Contraf-CUT e Fenae
Lucro da Caixa soma R$ 1,9 bi no primeiro trimestre

O lucro líquido recorrente, que desconsidera efeitos extraordinários, da Caixa Econômica Federal foi de R$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre deste ano. O resultado mostra uma redução de 5,3% sobre o último período de 2022. Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a redução ficou em 23,9%. De acordo com informações do banco, a carteira de crédito total, com saldo superior a R$ 1 trilhão, apresentou crescimento de 16,6% em relação ao primeiro trimestre de 2022. Já o saldo da carteira de crédito imobiliário chegou a R$ 659,3 bilhões, registrando um crescimento de 14,4% em relação ao primeiro trimestre de 2022. A participação da Caixa no mercado no crédito imobiliário ficou em 66,5%. Quanto ao crédito consignado, o saldo alcançou R$ 103,2 bilhões, com crescimento de 20,4%. No agronegócio, o crédito apresentou crescimento de 18%, com saldo de R$ 8,1 bilhões. No caso dos financiamentos à infraestrutura, o saldo chegou a R$ 97,4 bilhões, com aumento de 5,7%. Inadimplência O índice de inadimplência ficou em 2,73% no primeiro trimestre deste ano, registrando aumento de 0,4 ponto percentual em 12 meses, “influenciado por um cliente específico do segmento de saneamento/infraestrutura”. “Desconsiderando o impacto desse cliente, o índice seria de 2,38%”, segundo informações do banco. Já o patrimônio líquido, diferença entre ativos e passivos, chegou a R$ 124,5 bilhões, com aumento de 5,4% em 12 meses. O Índice de Basileia ficou em 17,6%, superior em 6,1 pontos percentuais ao mínimo regulatório. Esse percentual indica a capacidade do banco de emprestar, considerando os recursos próprios e a ponderação de riscos de perdas. O índice é um conceito internacional definido pelo Comitê de Basileia. *Fonte: Agência Brasil