Contraf-CUT manifesta apoio ao projeto com norma regulamentadora que previne transtornos mentais no trabalho

Mauro Salles e Jeferson Meira, o Jefão, secretários da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) da Saúde e de Relações de Trabalho, respectivamente, se reuniram com o relator do Projeto de Lei 3588/20, na tarde desta quarta-feira (23). O texto prevê que o governo deverá editar norma regulamentadora (NR) com medidas de prevenção e gestão de riscos no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores (riscos psicossociais). A proposta tem o objetivo de reduzir a incidência de distúrbios mentais relacionados ao trabalho, como estresse, depressão e esgotamento físico. As NRs, editadas pelo Ministério da Economia, são regras complementares à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Os dirigentes declararam apoio ao projeto, por entender a necessidade de avanços na legislação com normas de regulamentação diante do alto índice de casos de transtornos e dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Mauro Salles afirmou que é importante pautar e dar visibilidade aos riscos psicossociais a que os trabalhadores estão submetidos. “Combinamos com o relator a realização de audiência pública para aprofundar o debate deste importante tema. Nossa categoria, em especial, tem interesse neste assunto diante do alto nível de adoecimento psíquico e suicídios que tem relação com a gestão dos bancos com pressões absurdas por resultados”, destacou Mauro Salles. Para Jefão, a audiência pública é importante para “aprofundar o tema e apontar soluções à luz dos diversos estudos científicos e diante do aumento dos casos de transtornos e doenças psicossociais em âmbito do trabalho”. Ele explicou que é fundamental conhecer e debater o tema, apoiar o Projeto de Lei e encaminhar soluções. “Precisamos urgentemente avançar na legislação com normas bem definidas que possam inibir os inúmeros casos de transtornos mentais que assolam a classe trabalhadora”, afirmou. Fonte: Contraf-CUT
Contraf-CUT entrega reivindicações a Ministro da Previdência, que promete revisar trechos de portaria

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, durante reunião, se comprometeu com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) em revisar trechos da Portaria 38, que condiciona a possibilidade de concessão de auxílio-doença de natureza acidentária por análise documental, sem necessidade de perícia, à emissão do Comunicado de Acidente do Trabalho (CAT) somente pelo empregador. O encontro foi realizado em Brasília, nesta terça-feira (22). O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, entregou ao ministro um documento com reivindicações dos trabalhadores para agilizar os processos de concessão de benefícios e melhorar o atendimento dos que necessitam do INSS. “A lei 8.213/91 institui que as CATs podem ser emitidas pelo empregador, sindicato, médico, empregado e por autoridade pública. Portanto, a nova portaria instituir a aceitação apenas da CAT da empresa é uma discriminação sem sentido e vai contra a lei, prejudicando os trabalhadores”, afirmou Salles. A Portaria Conjunta MPS/INSS nº 38, que foi publicada em 21 de julho, regulamenta a dispensa de perícia médica e simplifica as regras para a concessão de auxílio-doença, agora chamado de benefício por incapacidade temporária, por meio de análise documental, o Atestmed. A medida integra o programa de enfrentamento à fila de benefícios previdenciários, determinado pelo presidente Lula. O ministro Carlos Lupi determinou que técnicos do Ministério se reunissem com a representação dos trabalhadores imediatamente após o encontro com ele. O objetivo foi debater com mais profundidade esse e outros encaminhamentos propostos a partir das reivindicações dos trabalhadores. Critério do NTEP Na reunião com os técnicos, além da questão da emissão de CATs conforme determina a lei, ficou definido o compromisso de uma análise profunda em relação à perícia médica pelo critério do Nexo Técnico Epidemiológico (NTEP), em que haja a obrigatoriedade da justificativa das negativas dos requerimentos. O NTEP estabelece relação de causa e efeito entre doença e trabalho. “No caso de bancários e de muitas outras categorias, o critério do NTEP teria que ser o mais ultilizado e não é o mais utilizado”, explicou o secretário de Saúde da Contraf-CUT. Para viabilizar a demanda por via documental, foi cobrada a necessidade urgente de melhoria do sistema do INSS, tendo em vista que a ideia debatida prevê que se crie um mecanismo – uma espécie de “amarra” – que impeça a concessão do benefício como não acidentário sem que haja uma justificativa bem fundamentada para isso. O Ministério se comprometeu a analisar. Na previsão, no acidente de trabalho pela análise documental, apesar de ainda não estar disponível, não será utilizado o NTEP. Por isso, é importante que os trabalhadores fiquem atentos e continuem agendando a perícia presencial, pois não está claro como será este processo. Na reunião, foi informado ainda pelos técnicos que haverá a atualização da lista das doenças ocupacionais, com foco nas doenças mentais e comportamentais, o que será de grande importância para a categoria bancária. Os bancários avaliaram como positivo o resultado do encontro. “Abrimos um canal de diálogo com o Ministério para acompanhar os compromissos assumidos e propor medidas para melhorar o atendimento aos trabalhadores”, comemorou Mauro Salles. *Fonte: Contraf-CUT
Caixa anuncia que pagará PLR no dia 20 de setembro

A Caixa Econômica Federal anunciou que pagará a Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) no dia 20 de setembro. A medida atende reivindicação da representação dos empregados. A informação é da presidenta da Caixa, Rita Serrano, que divulgou um vídeo no dia 17 de agosto, onde além do anúncio, agradece o empenho dos empregados para obtenção dos resultados divulgados naquele mesmo dia, com o balanço do semestre. “Antes que vocês me perguntem, a PLR será paga no dia 20 de setembro, porque o acordo coletivo com os sindicatos já foi firmado”, ressaltou a presidenta da Caixa no vídeo. A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, falou sobre o pagamento e o anúncio da presidenta. “É importante este anúncio da antecipação da PLR e também o reconhecimento do empenho dos trabalhadores. Por isso, enviamos, nesta terça-feira (22), um ofício ao banco, solicitando que a PLR Social a ser paga no dia 20 de setembro seja vinculada, exclusivamente ao desempenho dos empregados nos indicadores sociais”, disse a coordenadora. O ofício, enviado ao banco pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), diz que “tal medida assumida demonstrará a valorização do corpo funcional e destacará o importante papel social da própria Caixa”. A conquista da PLR Social paga aos empregados da Caixa é resultado da Campanha Nacional dos Bancários de 2010. É uma forma de valorizar os trabalhadores pelo desempenho relacionado a programas sociais do governo federal, operacionalizados pelo banco público. *Fonte: Contraf-CUT
Levantamento da Febraban aponta que bancos já renegociaram R$ 9,5 bi em dívidas no Desenrola

De acordo com um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cerca de R$ 9,5 bilhões em dívidas foram negociados em um mês do Programa Desenrola. O valor refere-se ao período de 17 de julho a 18 de agosto. Foram 1,5 milhão de dívidas negociadas, alcançando 1,1 milhão de clientes. A adesão ao programa continua até 31 de dezembro. Esse levantamento refere-se à Faixa 2, na qual os débitos bancários são negociados diretamente com a instituição financeira em condições especiais, incluindo as dívidas bancárias dos clientes que tenham renda mensal superior a dois salários mínimos e menor que R$ 20 mil e que não estejam incluídos no Cadastro Único do Governo Federal. No mesmo período, cerca de 6 milhões de clientes que tinham dívidas bancárias de até R$ 100 tiveram as anotações negativas retiradas, ou seja, desnegativaram. Esse balanço não inclui baixas de registros de credores não bancários, apenas de instituições financeiras. O prazo para a desnegativação acabou em 27 de julho. O Banco do Brasil (BB) informou, na última semana, que as empresas ligadas à instituição renegociaram R$ 5,4 bilhões no primeiro mês do programa. Desse total, mais de R$ 850 milhões correspondem à Faixa 2; R$ 4,1 bilhões dizem respeito às renegociações especiais oferecidas pelo próprio banco e R$ 377 milhões foram renegociados por meio da empresa Ativos S.A, subsidiária do banco. Já a Caixa Econômica Federal registrou R$ 1,5 bilhão em dívidas renegociadas no Desenrola. Segundo balanço divulgado na quarta-feira (16), o banco regularizou mais de 88 mil contratos de 70 mil clientes. Segundo a instituição financeira, 92% das propostas foram renegociadas à vista. Os principais tipos de dívidas regularizadas são em operações de cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC). *Fonte: Agência Brasil
Terceiro módulo do Curso de Vigilância e Atenção à Saúde do Trabalhador abordará legislação do SUS nesta quarta-feira (23)

O Curso de Vigilância e Atenção à Saúde do Trabalhador terá seu terceiro módulo nesta quarta-feira (23), a partir das 15 horas, em formato eletrônico, via aplicativo de videoconferência Zoom. O curso é organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). O evento contará a participação de Luciana Barretto, do escritório LBS Advogadas e Advogados, mestranda no Instituto de Economia da Unicamp, que fará uma abordagem sobre o arcabouço jurídico para vigilância em saúde do trabalhador e da trabalhadora. Os temas serão concentrados na legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), nas normas regulamentadoras das leis trabalhistas e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária. O secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, afirmou que “em seu conjunto, o curso tem como objetivo capacitar os profissionais para atuar na promoção da saúde e segurança no trabalho, para a melhoria das condições laborais e proteção dos direitos dos trabalhadores. De acordo com o dirigente, “as aulas de especialistas experientes fornecem conhecimentos fundamentais para os trabalhadores enfrentarem os desafios que existem em suas atividades laboratoriais”. Mauro ressalta a importância do curso, “neste momento em que cresce o número de adoecimentos relacionados ao trabalho, principalmente adoecimento psíquico”. Para o secretário de Formação da Contraf-CUT, Rafael Zanon, “o curso reafirma o compromisso do movimento sindical bancário de promover a proteção da saúde e dos trabalhadores e de fortalecer a luta por melhores condições de trabalho”. “Houve grande participação de dirigentes nos dois módulos anteriores, e isso mostra a importância do programa para sistematizar o conhecimento e aprimorar as ferramentas para a atuação das entidades sindicais no setor”, ressaltou Zanon. Módulos anteriores O curso começou em 28 de junho, em modo presencial, no auditório da Contraf-CUT, em São Paulo, com a médica e pesquisadora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, Maria Maeno, que conduziu reflexões sobre vigilância em saúde do trabalhador. A segunda aula, no dia seguinte, foi sobre saúde no contexto do trabalho bancário, com o psicólogo André Guerra, doutor e mestre em Psicologia Social e Institucional, com reflexão sobre os desafios enfrentados pelos trabalhadores no ambiente bancário e a importância da saúde física e mental nesse contexto. O segundo módulo aconteceu em 19 de julho, no formato online. A aula da advogada Leonor Poço, assessora jurídica do Sindicato dos Bancários de São Paulo, concentrou-se nos aspectos jurídicos relacionados à saúde e condições de trabalho na CCT da categoria bancária, nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) e nas Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). *Fonte: Contraf-CUT
Levantamento do Dieese mostra baixa de 450 funcionários na Caixa no primeiro semestre

Levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) apontou uma baixa de 450 funcionários da Caixa Econômica Federal no primeiro semestre de 2023. Desse total, 350 foram pedidos de demissão. O estudo foi pedido pela Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa) e os dados têm base no Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Segundo a Fenae, a Caixa tem 86.473 funcionários e 151,5 milhões de clientes. São 1.751 clientes para cada empregado – a maioria em setores administrativos. Ainda segundo o levantamento, a Caixa tem um déficit de 14 mil vagas de emprego, o que segundo o presidente da entidade, Sergio Takemoto, resulta em aumento de trabalhadores pressionados, sobrecarregados, assediados para alcançarem metas e “mais doentes”. “Na prática, essa falta atinge diretamente a qualidade do atendimento à população. Os empregados vêm fazendo um exímio trabalho, mas é humanamente impossível atender tantos clientes”, afirmou Takemoto. Segundo reportagem do Poder 360, em outra pesquisa do Dieese, dados mostram que 5 mil vagas foram fechadas no 1º semestre de 2023, sendo o setor bancário e financeiro um dos mais afetados: foram 3.385 vagas a menos no setor bancário nos primeiros 6 meses de 2023 e 2.629 em 12 meses. A área administrativa e atendimento ao público tiveram baixas de 1.329 e de 199 respectivamente de janeiro a junho deste ano. Fonte: Poder 360
Bancárias e bancários podem pedir ‘folga assiduidade’ até 31 de agosto

Bancárias e bancários de todo país podem definir, em comum acordo com o gestor de sua unidade, o dia de sua folga assiduidade. O prazo termina dia 31 de agosto próximo. O direito ao descanso foi conquistado em 2013 e está previsto na cláusula 24 da Convenção Coletiva de Trabalho, sendo mais uma vitória das lutas da categoria e do movimento sindical. Pode usufruir do dia de descanso, todo funcionário e funcionária com pelo menos um ano de vínculo empregatício. Vale lembrar que o empregado não pode ter falta injustificada no período de 1/9/2021 a 31/8/2022. A folga não pode ser convertida em dinheiro, não adquire caráter cumulativo e não poderá ser utilizada para compensar faltas ao serviço. O banco que já concede folgas ao empregado, como “faltas abonadas”, “abono assiduidade” ou “folga de aniversário” fica desobrigado do cumprimento da cláusula. Na Caixa Econômica Federal, por exemplo, devido aos cinco dias de APIP (Ausência Permitida para tratar de Interesse Particular), também não há concessão da folga assiduidade.
Denúncias de assédio sexual aumentaram no Brasil, informa Ministério Público do Trabalho

O Ministério Público do Trabalho recebeu 831 denúncias de assédio sexual em todo o país, de janeiro a julho deste ano. No ano passado, foram 393 denúncias no mesmo período. Os casos envolvendo assédio moral e sexual somaram 8.458 (janeiro a julho), o que representa quase a mesma quantidade do total de denúncias de todo o ano de 2022. Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), falou sobre a importância das vítimas não se calarem. “É fundamental que as vítimas rompam a barreira do silêncio e denunciem, a exemplo do que aconteceu na Caixa Econômica Federal. Assédio sexual é crime e não podemos ser coniventes com a impunidade. As representações dos empregados da Caixa têm cobrado a punição dos responsáveis e medidas de prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual no banco”, destacou. As denúncias de assédio sexual e moral contra Pedro Guimarães, então presidente da Caixa, completaram um ano em 28 de junho passado. Segundo as vítimas, ele praticava as agressões desde o primeiro ano de sua gestão, em 2019. As bancárias da Caixa, que trabalharam em equipes diretamente ligadas ao gabinete de Guimarães, relataram toques em partes íntimas sem consentimento, além de falas, abordagens e convites inconvenientes e desrespeitosos. Os casos de assédio teriam ocorrido durante atividades do programa Caixa Mais Brasil, realizadas em várias cidades do país. A diretora de Políticas Sociais da Fenae, Rachel Weber afirma que “a força dessas mulheres nos mostrou que não devemos nos calar, nos silenciar diante de situações de assédio.” Na Campanha Nacional Unificada 2022 , foram incluídas seis novas cláusulas (80 a 85) na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que preveem importantes medidas a serem tomadas pelos empregadores. As cláusulas definem, por exemplo, que os bancos devem orientar funcionários e funcionárias sobre os tipos de assédio sexual e sobre as condutas a serem adotadas diante destas situações. Também preveem a disponibilização de canal de denúncias que garanta a confidencialidade da vítima, medidas de apoio, como a possibilidade de realocação para outra dependência, e o acompanhamento da aplicação do acordo pela Comissão Bipartite de Diversidade. A Lei 14.540/2023, publicada em abril deste ano, institui o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual e demais Crimes contra a Dignidade Sexual e à Violência Sexual no âmbito da administração pública, direta e indireta, federal, estadual, distrital e municipal. De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho, o número de novas ações de assédio moral e sexual no país também aumentou este ano. Já são mais de 26 mil novos processos nos tribunais brasileiros. No mesmo período do ano passado foram pouco mais de 20 mil. O TST registra, por dia, uma média de 220 novos processos de assédio moral e sexual. *Fonte: Fenae
CEE volta a cobrar da Caixa soluções para problemas enfrentados por empregados

A negociação de soluções para os problemas enfrentados pelos empregados, em sua rotina de trabalho, voltou a ser a cobrada pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal. Fabiana Uehara Proscholdt, coordenadora da CEE, falou de alguns problemas, da falta de estrutura e do adoecimento dos empregados. “O banco continua com cobranças abusivas de metas, assim como com os inúmeros problemas de sistema e com sobrecarga de trabalho. Estes problemas se juntam a muitos outros para os quais já pedimos soluções faz tempo, e acabam adoecendo os colegas, que precisam se virar para atender os clientes e beneficiários de programas do governo, executados pela Caixa”, disse. A representação dos empregados considera que a mesa de negociações com a Caixa tem sido pouco efetiva. “Às vezes, esta mesa parece um monólogo. Não parece que estamos dialogando. Esse espaço teria que ser para construção, mas o que parece é que os representantes da Caixa anotam o que a gente fala apenas para rebater, não para entregar soluções aos problemas enfrentados pelos empregados”, criticou o representante da Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado do Rio de Janeiro (Federa-RJ), Rogério Campanate. Em reuniões passadas, os representantes dos empregados já haviam reclamado dessa falta de efetividade das mesas de negociações com a Caixa, que “se tornou um espaço de informes de medidas já tomadas pelo banco, sem sequer comunicar antecipadamente à representação dos trabalhadores”. Eliana Brasil, empregada da Caixa e secretária executiva da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), ressaltou que a Caixa precisa escutar os trabalhadores. “Os problemas são os mesmos em todo o país. A Caixa precisa escutar as reclamações que trazemos aqui como apontamentos do que precisa ser solucionado e apresentar soluções. Sabemos que existe muita coisa a ser arrumada, devido ao desmonte causado nos últimos quatro anos, mas temos que mostrar que esta é uma nova gestão”, afirmou Eliana. Problemas sistêmicos Os empregados, e também os clientes, sofrem com os constantes “incidentes” em sistemas da Caixa, que admitiu estar fazendo “ajustes de configurações e correções sistêmicas” nas funções de pagamento instantâneo (PIX), automação de produtos/serviços (Sisag), operações imobiliárias (Siopi), risco de crédito (Siric) e gerenciador de atendimento (SIPNL). “A Caixa admitiu problemas em cinco sistemas, mas eles existem de forma geral e atrapalham o atendimento e o cumprimento das metas impostas pelo banco”, observou Fabiana Uehara. “Temos problemas até no sistema que deveria detectar problemas nos sistemas”, ressaltou o dirigente da Contraf-CUT, Rafael de Castro, referindo-se às falhas no Sistema de Ocorrência e Alertas (Sinal). Reclamações recebidas pelos sindicatos dão conta de que o SSFGTS, Novonegocios, Siart, Siopi, Sifec, Ciweb ficaram inoperantes por dias seguidos, além de constantes “incidentes” no Siric, SIPNL, Sisag, SICTD, Cemoc, Sipon. “Sem falar nas contas de fundo automático, que amanheceram sem saldo”, acrescentou Fabiana. Metas A coordenadora da CEE observou que tanto os representantes do banco, quanto dos trabalhadores na mesa de negociações são empregados da Caixa. “Todo mundo aqui conhece a realidade do banco e sabe o que é preciso ser feito. Nós, do movimento sindical, defendemos os trabalhadores, mas conhecemos e defendemos a Caixa por sua importância para o país e também sabemos que ela precisa obter bons resultados. Mas, não podemos colocar o resultado financeiro acima da importância social do banco e, tampouco, deixar de pensar em formas de alcançá-los, sem adoecer nossos colegas, que precisam de sistemas que funcionem, equipamentos de trabalho e mobiliário adequados e suporte da empresa. E que precisam de ambiente de trabalho sem assédio, nem cobrança abusiva de metas”, afirmou a coordenadora. Segundo Fabiana, apesar do perfil social da Caixa, os empregados são cobrados por metas em diversos “times de vendas”. “E, infelizmente, o banco não tem deixado que nossas reuniões tragam soluções para esse problema. Mudou a gestão e a equipe de negociação. Mas tudo continua como antes. Temos uma cláusula em nossa CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) que diz que os bancos precisam negociar as metas e as formas de seu acompanhamento. E, mesmo assim, o banco não negocia”, completou a coordenadora da CEE. Venda “complementar” Para Rafael de Castro, quando se fala em metas, a menina dos olhos da Caixa são as operações de crédito. Mas não apenas as operações de crédito propriamente ditas e sim as vendas de produtos que são atreladas à oferta de crédito. “No dia a dia das agências, o crédito é utilizado como isca para a venda de seguros, de cartões e outros produtos do portfólio do banco, que nem sempre são adequados, tampouco de interesse dos clientes”, criticou. Segundo Rafael de Castro, a Caixa precisa reconhecer que as metas não podem ser atingidas e que a forma como elas são impostas obrigam a venda casada, que é proibida no país. “Isso precisa acabar. A Caixa precisa resgatar a dignidade da população, sua prioridade não é vender seguro, ou título de capitalização. Esses produtos trazem rentabilidade para o banco? Trazem. A Caixa precisa atuar nesse mercado, mas sem perder o foco da sua missão, que é bancarizar o país, atender a população e ofertar crédito para o desenvolvimento do país”, disse o dirigente da Contraf-CUT. De acordo com Campanate, a Caixa alega que as metas dos produtos são para atender necessidades dos clientes. Na realidade, da forma como as metas são distribuídas, os empregados são obrigados a ‘empurrar’ produtos que os clientes não necessitam, para cumprir as metas. Não se pensa em ‘atender necessidades dos clientes. “Aliás, as metas atribuídas às unidades sequer refletem as necessidades financeiras da unidade, fazendo com que aquelas que atingem alta performance nos objetivos atribuídos, pela direção da empresa, apresentem prejuízos milionários. Isso também penaliza financeiramente empregados em ‘alta perfomance’, que cumprem os objetivos e tem a remuneração reduzida em razão da queda do porte da unidade”, ressaltou Campanate. Novo GDP Ao final da reunião, a coordenadora da CEE também cobrou negociação sobre o “Minha Trajetória”. “A Caixa disse que não usaria mais o GDP (antigo programa de Gestão de Desempenho de Pessoas, que foi extinto pela atual
Caixa renegocia R$ 1,5 bilhão em dívidas em um mês do Programa Desenrola

Com um mês de operação do Programa Desenrola, a Caixa Econômica Federal renegociou R$ 1,5 bilhão em dívidas. Neste período, o banco regularizou mais de 88 mil contratos de 70 mil clientes. A informação consta do balanço divulgado na noite desta quarta-feira (16). De acordo com a instituição financeira, 92% das propostas foram renegociadas à vista. Os principais tipos de dívidas regularizadas são em operações de cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC). O Desenrola tem o objetivo de reduzir o endividamento da população. O programa oferece desconto de até 90% nos débitos quitados à vista. Mas é possível parcelar a dívida em até 120 meses, com entrada e primeira parcela para 30 dias. A Caixa oferece condições especiais de renegociação, como incorporação, pagamento parcial e utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no caso de financiamentos imobiliários. Personalizadas para cada contrato, as condições podem ser verificadas no aplicativo Habitação Caixa Canais de atendimento Através do site Negociar Dívidas é possível verificar as condições oferecidas no Programa Desenrola e no programa próprio de renegociação da Caixa e os percentuais de descontos e os contratos contemplados. Outras informações sobre o Desenrola estão disponíveis no site do banco, nas agências bancárias e no telefone Alô Caixa, nos números 4004 0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais regiões). *Fonte: Agência Brasil