Ministra anuncia campanha para reforçar ações contra a violência e por igualdade de gênero durante encontro com sindicalistas

A ministra da Mulher, Cida Gonçalves, anunciou a campanha por respeito, que será lançada pela pasta no início de agosto, para reforçar as ações contra a violência e por igualdade de gênero. O anúncio foi feito na última segunda-feira (24), durante encontro com sindicalistas, que contou com a participação de mais de 500 mulheres. “Nós podemos fazer 5.700 casas da mulher brasileira, mas nós não vamos dar conta [de resolver a violência de gênero], porque não vamos enfrentar a raiz do problema que é o ódio colocado contra as mulheres, um ódio que tem nos matado e nos violentado”, afirmou a ministra, referindo-se ao programa de atendimento humanizado e especializado chamado Casa da Mulher Brasileira, que o governo está ampliando para alcançar todas as regiões do país. Cida Gonçalves convidou as participantes a utilizarem ativamente as redes sociais. “É esse ódio [socialmente presente no país] que determina que você tem que ser rainha do lar, ou que você tem que ser a mulher bonita, a bela, recatada e do lar. É esse mesmo ódio que determina uma série de coisas que leva à misoginia. (…) Então, nós vamos invadir as redes sociais, pra dizer que nós merecemos respeito. As redes sociais são mais um espaço para ser usado para [firmar] o empoderamento das mulheres”, prosseguiu a ministra. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, avaliou que o encontro reafirma a mudança de postura do Estado brasileiro, em relação à desigualdade de gênero. Por outro lado, apontou que apesar de hoje haver um governo progressista atuando no poder do país, as mulheres estão enfrentando novos ataques nos espaços de poder. “Neste momento, deputadas estão sofrendo perseguição política na Câmara, justamente por ocuparem cargos de liderança. Por isso nós estamos aqui somando vozes ao movimento ‘elas ficam’, em apoio às parlamentares e a todas as trabalhadoras, que batalham todos os dias pela vida, pela comida e por suas famílias”, pontuou Juvandia. Convenção 190 e equidade salarial A secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes, falou sobre a ratificação da Convenção 190 (C190) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do combate à violência e ao assédio no mundo laboral. “Em março, o governo entregou o pedido pela ratificação da C190 ao Congresso, onde a convenção tramita atualmente. Então, o país está muito próximo de dar esse importante passo, que significará um avanço sem precedente na luta contra todo o tipo de assédio”, explicou. Fernanda destacou ainda a importância da recente vitória para as mulheres, com a sansão do projeto de Lei 1.085, que muda a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para assegurar a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre os gêneros. “A inovação que essa lei traz é o estabelecimento da obrigatoriedade da equiparação, a ser verificada por meio documental, ampliando as formas de fiscalização e multa. Neste sentido, os sindicatos terão papel fundamental no processo de acompanhamento e fiscalização, ao lado do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho”, concluiu Fernanda. *Fonte: Contraf-CUT

CEE se reúne com representantes da Caixa para debater assédio moral e Plano de Funções Gratificadas (PFG) nesta quinta-feira (27)

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e representantes do banco têm encontro marcado nesta quinta-feira (27), em Brasília. A reunião tem o objetivo de dar continuidade às negociações sobre questões que afetam o dia a dia de trabalho nas unidades da Caixa. Na pauta estão, entre outros temas, o assédio moral, com cobrança abusiva de metas, e o Plano de Funções Gratificadas (PFG). A reunião será presencial, a partir das 16h30. “Temos muitas pautas represadas e precisamos avançar em melhorias efetivas. O Conquiste tem piorado e cada vez mais com metas desumanas, isso reflete em mais adoecimento dos colegas, que já estão estafados”, disse a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Fabiana Uehara Proscholdt. Segundo Fabiana, também é importante debater outros temas, como carreira, teletrabalho e acessibilidade. “Ou seja, assuntos para negociarmos é o que mais temos”, completou a coordenadora. *Fonte: Contraf-CUT

Manifesto defende atual estatuto da Previ do Banco do Brasil

Manifesto em defesa do atual estatuto da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ) foi divulgado por funcionários do banco e associados da entidade. O texto afirma que o estatuto é um “exemplo para todo o sistema fechado de previdência complementar”. Entre os autores do texto estão o secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga, a Coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, Fernanda Lopes, o ex-presidente da Previ, Sérgio Rosa e ex-diretores e conselheiros da entidade, como Francisco Ferreira Alexandre e Marcel Barros. O manifesto ressalta que o estatuto da Previ, além de ser o primeiro a ser criado na previdência complementar brasileira, é referência para todo o sistema fechado, sendo um dos poucos “a garantir aos associados o direito de eleger seus representantes na Diretoria Executiva”, e com “uma governança muito mais avançada do que o que é exigido na própria legislação”. Logo no início do texto, os autores explicam que tem circulado em espaços de associados propostas de alterações no estatuto da Previ. Por isso, “para contribuir com o debate com os associados, apresentamos a seguinte manifestação para que cada um possa fazer suas próprias reflexões.” Leia o manifesto na íntegra Fonte: Contraf-CUT

FGTS vai distribuir R$ 12,7 bilhões para contas dos trabalhadores

Em reunião, nesta terça-feira (25), em Brasília, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço aprovou a distribuição de R$ 12,7 bilhões entre os trabalhadores que têm contas vinculadas ao FGTS. O valor representa 99% do lucro do ano passado e será distribuído a 70 milhões de contas individuais vinculadas até 31 de dezembro de 2022. Com o resultado os trabalhadores e trabalhadoras conseguiram um ganho real, ao deixar o dinheiro no Fundo, de 1,3% já descontada a inflação. Esse rendimento é composto pela TR, juros de 3% e a distribuição do resultado do ano, referentes a 2022. De acordo com o balanço apresentado na reunião do Conselho Curador, nesta terça (25), no ano passado, as receitas do Fundo somaram R$ 49,7 bi. Já as despesas chegaram a pouco mais de R$ 36,9 bi. De acordo com a Lei nº 13.466, de 2017, têm direito a parte desta quantia os trabalhadores que tinham saldo em contas vinculadas do fundo em 31 de dezembro de 2022. A partilha será proporcional ao saldo de cada conta vinculada e deverá ser operacionalizada pela Caixa até 31 de agosto deste ano. A distribuição de resultado do FGTS tem o objetivo de elevar a rentabilidade das contas vinculadas do trabalhador. O valor referente à distribuição dos resultados passa a compor o saldo da conta vinculada e só pode ser sacado nas situações previstas em lei, como nos casos de rescisão sem justa causa, saque-aniversário, aposentadoria, aquisição da casa própria e outros. Fonte: Agência Brasil e CUT Nacional

Em seminário nacional, representantes dos empregados defendem melhorias e fortalecimento para o Saúde Caixa

O debate sobre a situação do plano de saúde da categoria marcou o seminário nacional, realizado no último sábado, com representantes dos empregados da Caixa Econômica Federal. O encontro aconteceu de forma virtual, com painéis para subsidiar as discussões. As propostas aprovadas durante seminários regionais realizados em todo o país serão consolidadas e nortearão as negociações para renovação do Acordo Coletivo específico sobre o Saúde Caixa, que deve ocorrer em agosto. “Nosso plano é uma das maiores conquistas dos trabalhadores. Este seminário é importante para o embate que teremos para renovação do acordo do Saúde Caixa. Desde o golpe de 2016, o plano de saúde vem sofrendo sucessivos ataques e nesse momento os empregados precisam estar conscientes sobre a importância de manter o modelo de custeio 70/30 e a qualidade do plano. A Caixa e o governo precisam entender que os gastos com Saúde Caixa não são despesas, são investimentos em saúde e bem-estar”, destacou Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae). A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt, disse que o seminário serve para aprofundar as questões relativas ao plano de saúde. “Estamos debatendo a construção do acordo não só para o custeio, mas para a qualidade do plano de saúde. Nos últimos anos o Saúde Caixa passou por sucateamento. Precisamos fazer um grande trabalho de reconstrução do plano, com qualidade, que seja viável para todos os trabalhadores e sustentável”, ressaltou Fabiana. Princípios O Saúde Caixa foi criado tendo como base os princípios da solidariedade, do pacto intergeracional e do mutualismo. Estes princípios garantem que cada empregado pague de acordo com sua capacidade contributiva, que nenhum deles seja excluído devido sua idade, tendo sido criado um subsídio cruzado entre as faixas etárias, para que todos contribuam para o mútuo, garantindo o acesso aos serviços de saúde a todos que necessitarem. Uma limitação de 6,5% da folha de pagamento para gasto da Caixa com o plano de saúde dos empregados, implantada a partir de 2017, impede a manutenção do modelo de custeio 70/30 e das premissas de mutualismo, solidariedade e pacto intergeracional. A justificativa do banco foi de que precisava aumentar as provisões atuariais para evidenciar os compromissos futuros da empresa com o chamado “benefício pós-emprego” (que, para os empregados da Caixa são, principalmente, a Funcef e o Saúde Caixa). Sucateamento As representações dos trabalhadores enfatizaram que a partir de 2016, o Saúde Caixa e demais planos de saúde das estatais foram alvo de uma política de sucateamento e de retirada de direitos nos governos Temer e Bolsonaro. Fim do teto e transparência A projeção atuarial do banco prevê um déficit de R$ 355 milhões de reais. Com isso as projeções da empresa apontam para um aumento nas mensalidades dos titulares, que passariam para 6,46% em 2024 e 7,25% em 2025, e dos dependentes para 0,74% e 0,83%, respectivamente, caso a restrição seja mantida. Segundo dados apresentados pela Caixa, o formato de custeio apresenta déficit desde 2016 e tem projeção de agravo em 2023. Atualmente, por conta da limitação imposta no estatuto, o banco arca com 57% dos custos do Saúde Caixa, com tendência de redução desse percentual. O médico e assessor de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e da Fenae, Albucacis de Castro Pereira, reforçou a preocupação sobre o futuro do plano de saúde, caso o limite de 6,5% seja mantido. “É um limitador dos recursos, que tenta fazer com que o banco invista bem menos que os 70% previstos no modelo de custeio, fazendo com que o empregado da Caixa tenha de custear essa diferença, além de custear parte da administração, sem ter ingerência sobre a gestão do Saúde Caixa”, disse. Outra questão levantada por Albucacis é a transparência dos dados sobre a utilização do plano de saúde pelos usuários, “para que se possa fazer avaliação atuarial adequada, pormenorizada e anonimizada”. Fonte: Contraf-CUT e Fenae

Levantamento do Dieese aponta índice recorde de acidentes de trabalho na Caixa em 2022

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez um levantamento, a pedido da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), que aponta um aumento histórico no número de afastamentos por acidente de trabalho na Caixa em 2022. A informação foi publicada na Folha de São Paulo, na coluna de Mônica Bergamo, no último domingo (23). O levantamento mostra que foram afastados 524 empregados – o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2012, com 426 afastamentos. Segundo a publicação, uma parcela significativa desses afastamentos está relacionada a problemas de saúde mental, representando 75% dos casos de acidentes de trabalho em 2022. O índice acendeu um alerta na Fenae, já que em 2012, os afastamentos causados por questões psicológicas representavam apenas 39,4% dos casos, segundo observou o jornal. Ainda segundo a reportagem, os afastamentos por transtornos mentais dos empregados do banco público são mais expressivos do que em toda a categoria bancária, onde o percentual chegou a 57,1% no ano passado. Essa discrepância se torna mais evidente quando comparada ao mercado de trabalho em geral, que registrou um índice de 6,7%. Em entrevista ao jornal, o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, disse que a gestão de Pedro Guimarães é um dos fatores que contribuíram para o expressivo aumento de afastamentos por adoecimento mental. “A gestão de medo e assédio causou adoecimento e sofrimento entre os empregados”, afirmou Takemoto. Para Takemoto, mesmo com a mudança positiva no clima organizacional com a nova gestão do banco, com maior abertura para discutir e melhorar as condições de trabalho, ainda há mudanças a serem feitas. “A cobrança por metas abusivas ainda é um ponto crítico no banco, causando o adoecimento psicológico aos empregados”, afirmou. Fonte: Contraf-CUT e Fenae

Movimento sindical repudia pressão do Centrão para assumir controle da Caixa

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) publicou um texto, nesta segunda-feira (24), repudiando a pressão de parlamentares do Centrão para assumir o controle da instituição. O artigo defende a Caixa como banco público. Confira a íntegra do texto: A Caixa Econômica Federal tem papel central na realização e manutenção do processo de desenvolvimento econômico e regional do país. Por isso, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) observa com preocupação a retomada da pressão feita pelo chamado bloco Centrão, no Congresso, sobre o governo federal, para assumir o controle da instituição. Banco público é sinônimo de crédito mais acessível e com percentual justo para famílias e atividades que necessitam de expansão e que geram emprego e renda, e não de moeda de troca com grupos que sempre atuaram em sentido contrário, pela manutenção do coronelismo e da concentração de renda. Reforçamos nossa defesa da Caixa como banco público, que priorize a participação feminina em cargos liderança, como também de profissionais de carreira, conhecedores de sua estrutura e da sua missão, que é fomentar a inclusão social e o desenvolvimento do país, para que possamos deixar, definitivamente, no passado as consequências das práticas do velho poder político, que são o atraso econômico, as desigualdades regionais e a concentração de renda. Rechaçamos com veemência o ataque do Centrão aos cargos ocupados por mulheres. Chega de violência política, de violência doméstica, de salários menores e de invisibilidade. As mulheres representam metade da população brasileira, e exigimos que elas estejam em todos os espaços da sociedade brasileira, inclusive na construção e no exercício da política. Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Lei de cotas para PCDs completa 32 anos nesta segunda-feira (24)

A “Lei das Cotas para PCDs” (Lei 8.213/91) está completando 32 anos nesta segunda-feira (24). Ela determina que empresas com mais de 100 empregados devem destinar um percentual de suas vagas a pessoas com deficiência (PCDs) ou beneficiários reabilitados do INSS. Empresas com até 200 empregados devem ter em seus quadros pelo menos 2% de trabalhadores com deficiência; de 201 a 500 empregados, 3% de PCDs; de 501 a 1.000, 4%; e acima de 1.000, 5%. O descumprimento pode gerar multa, em valor que varia de acordo com a gravidade da infração. O secretário de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Elias Jordão considera que, “se por um lado essa lei foi um avanço, reconhecendo que as PCDs são capacitadas, podem e precisam ser inseridas no mercado de trabalho, por outro, as políticas e as práticas estão muito aquém do que este segmento necessita”. O secretário lembra que “o Brasil tem em torno de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, índice que representa quase 25% da população”. Elias observa também que “os dados são também bastante negativos quando se trata de acessibilidade e de condições de trabalho”. Ele ressalta que há muitas barreiras para as PCDs. “Não são apenas barreiras físicas de acessibilidade, mas além do baixo número de contratação, temos a baixa formação dos gestores, sem contar que alguns aspectos dos PCDs ainda são tabus como é o caso da neurodiversidade”, afirmou. Bancários O Comando Nacional dos Bancários deu especial atenção à questão na Campanha Nacional de 2022. Incluiu cursos de formação, conhecimento de Libras por pelo menos um funcionário por setor, promoção de acessibilidade universal, subsídio à aquisição de equipamentos (cadeiras de roda, muletas, prótese, bengala, óculos, aparelho auditivo, órteses) e a concessão de transporte especial e de financiamento de veículo a bancário e bancária com deficiência nas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho. “O movimento bancário tradicionalmente trabalha pela plena inclusão e integração de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência e contra qualquer forma de discriminação”, pontua Elias, reforçando que “também é dever de todo cidadão e de toda empresa contribuir para que o trabalho das PCDs seja exercido em condições dignas e com respeito às suas limitações ou recomendações médicas. Isso torna toda a sociedade mais humana”. Live da CUT A Central Única dos Trabalhadores (CUT) promove nesta segunda-feira (24), às 18h30, live para debater dificuldades, desafios e alternativas para ampliar a inclusão das PCDs no mercado de trabalho. O encontro também tratará da proposta desenvolvida pela CUT em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apresentada ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para que sindicatos possam ter acesso a informações e acompanhar o cumprimento da Lei de Cotas.  Para acompanhar a live, acesses os canais da CUT:Facebook – https://www.facebook.com/cutbrasilYouTube – https://www.youtube.com/watch?v=4E6va6UmbGE&ab_channel=CUTBrasil Fonte: Contrac-CUT e CUT Nacional

Auditoria do Ministério do Trabalho aponta que Itaú usou PDV para desligar idosos e pessoas adoecidas

Operação realizada durante 18 meses por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontou que o Itaú Unibanco teria utilizado um programa de desligamento voluntário (PDV) para estimular e pressionar a demissão de bancários com idade avançada e, principalmente, com enfermidades, muitas vezes relacionadas a doenças ocupacionais. O caso foi divulgado pela Repórter Brasil.   Dos 1.501 funcionários que aderiram ao PDV no ano passado, 85% estavam afastados há pelo menos 30 dias por motivo de doença ou acidente, ou se encontravam em estabilidade provisória após tratamento médico. Já não seria o primeiro PDV em que o banco agiu de forma semelhante. Somados aos idosos, eles totalizavam 93,9% do público inscrito no PDV. De acordo com a reportagem, o relatório da operação afirma que trabalhadores com esses perfis, e que não se inscreveram no PDV, foram “assediados” com e-mails e mensagens de SMS para aderir ao programa. A fiscalização cruzou dados de bases oficiais do governo, como o eSocial, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), com informações de 132 mil empregados diretos do banco. Além disso, foram vistoriadas 53 agências em quatro estados – Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Paraíba. Também foram entrevistados 300 trabalhadores. Discriminação A fiscalização do MTE apontou ainda que a política de contratação do banco levou “à redução da igualdade de oportunidade no trabalho e de tratamento no emprego” para mulheres e negros. Segundo os auditores, isso prejudicou a ascensão profissional desses grupos, admitidos na empresa em cargos com salários mais baixos. A operação investigou os critérios usados pelo banco para a contratação e a promoção de profissionais, e confirmou a ausência de critérios transparentes e de um plano de carreira para os trabalhadores, o que teria prejudicado mulheres e pessoas negras. O impacto disso se refletiria na remuneração. Ao comparar o salário médio dos 132 mil funcionários do banco, por gênero e cor, a fiscalização identificou que mulheres recebem 25% a menos do que homens, e os negros ganham 27% menos do que os não negros. Em nota, o Itaú discorda dos critérios utilizados pela fiscalização e diz já ter apresentado defesa ao Ministério do Trabalho. A análise dos recursos vai determinar se a instituição será ou não multada.

Empregados reivindicam a retirada de teto de 6,5% do Saúde Caixa

Durante reunião do Grupo de Trabalho do Saúde Caixa, na última sexta-feira (21), a representação dos empregados da Caixa Econômica Federal cobrou a retirada do teto de 6,5%, que limita o custeio do banco com benefícios de saúde do seu quadro de trabalho. O Grupo de Trabalho do Saúde Caixa é formado por representantes do banco e de entidades sindicais. “Não abrimos mão dos princípios do nosso plano de saúde. Mas, a manutenção do teto de 6,5% prejudica seu cumprimento, transforma o Saúde Caixa em um plano de mercado, que só pode ser mantido com a cobrança individual e por faixa etária. Expurga os idosos e inviabiliza a continuidade do plano para os jovens quando estes se aposentarem”, disse a coordenadora do GT e da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Fabiana Uehara Proscholdt. O Saúde Caixa tem por base os princípios da solidariedade, do pacto intergeracional e do mutualismo. Estes princípios garantem que cada empregado pague de acordo com sua capacidade contributiva, que nenhum deles seja excluído devido sua idade, tendo sido criado um subsídio cruzado entre as faixas etárias, para que todos contribuam para o mútuo, garantindo o acesso aos serviços de saúde a todos que necessitarem. Os relatórios divulgados pela Caixa mostram que, em 2021, quando o banco arcou com 70% das despesas do plano e os empregados tiveram uma participação de 33,29%, não houve déficit no Saúde Caixa. Mas, em 2022, com a participação da Caixa limitada pelo teto estatutário de 6,5% da folha, houve déficit. O teto de 6,5% da folha para o custeio do Saúde Caixa foi fixado em 2017, quando o banco era presidido por Gilberto Occhi, com a justificativa de que o banco precisava aumentar as provisões atuariais para evidenciar os compromissos futuros da empresa com o chamado “benefício pós-emprego” (que, para os empregados da Caixa são, principalmente, a Funcef e o Saúde Caixa). A medida foi tomada para atender exigência do Banco Central. “Estas provisões reduzem o patrimônio de referência do banco e impactam negativamente em sua capacidade de oferta de crédito, já que, pelo acordo de Basileia 3, o banco deve possuir um patrimônio de referência líquido de pelo menos 13% de sua carteira de crédito. A resolução do BC tinha o objetivo de mostrar aos acionistas de empresas com capital aberto eventos que reduzem a geração futura de caixa destas companhias, fazendo com que os investidores possuam mais informações para ‘precificar’ as ações da empresa. Mas a Caixa não possui ações listadas em bolsa. É uma empresa pública”, explicou o diretor da Fenae. Política de contratações Segundo os trabalhadores, o fechamento do plano para novas adesões, em 2018, e a política de redução de pessoal implementada pela Caixa entre 2016 e 2022, são responsáveis pelo aumento da idade média dos beneficiários, que aumentou de 24 anos em 2004, para 42 anos em 2022, segundo dados apresentado pelo banco, assim como pelo percentual daqueles que possuem mais de 59 anos, de 9,8% para 25,4% no mesmo período. Para o médico e assessor de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e da Fenae, Albucacis Castro Pereira, isso reduziu o número de contribuintes e aumentou a proporção daqueles que se beneficiam do pacto intergeracional.  “Se a Caixa continuar com essa mesma política de redução de pessoal, vai continuar aumentando a idade média do Saúde Caixa e comprometer ainda mais o pacto intergeracional”, afirmou. Sem justificativa Segundo a coordenadora da CEE, não há qualquer justificativa para a Caixa manter o teto estatutário de 6,5% da folha para o financiamento do Saúde Caixa. “Caso a direção do banco insista em mantê-lo, sua participação no custeio ficará, proporcionalmente, cada vez menor, e o restante precisará ser dividido entre os usuários, o que fará com que o custo do plano seja financeiramente inviável para muitos colegas”, ressaltou. Segundo dados apresentados pela Caixa durante a reunião, com a limitação imposta no estatuto, a Caixa arca atualmente com 57% dos custos do Saúde Caixa, com tendência de redução desse percentual. “A manutenção do teto significa que a Caixa assume que o Saúde Caixa não será mais parte da política de pessoal e passará a ser um mero ‘benefício’. Por isso, precisamos lutar pela mudança no estatuto e pela retirada deste teto”, ressaltou a coordenadora da CEE. Análise de números A representação dos empregados solicitou os dados primários do plano. “São informações fundamentais para fazermos nossa própria análise e cálculos e, se for o caso, validar as informações da Caixa”, disse a coordenadora do GT e da CEE. A Caixa disse que disponibilizará os dados, mas alertou sobre a necessidade de manutenção do sigilo, principalmente para evitar o uso pela concorrência. A próxima reunião do GT Saúde Caixa está agendada para o dia 3 de agosto. Além do custeio serão tratados outros aspectos do plano como cobertura e atendimento, entre outros. *Fonte: Contraf-CUT