
Representantes dos trabalhadores do Santander se reuniram em São Paulo, nesta sexta-feira (19), para o Encontro Nacional dos Funcionários do banco.
As 75 delegadas e delegados tiveram a missão de discutir os desafios da categoria, preparar a 28ª Conferência Nacional dos Bancários e consolidar as propostas que integrarão a minuta de reivindicações da Campanha Nacional 2026.
A conjuntura política, econômica e social e seus reflexos para a categoria bancária foi o tema dos debates da primeira mesa.
As técnicas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Rosângela Vieira e Paula Reisdorf participaram do encontro.
Os estudos apresentados por elas mostram que, mesmo em um cenário econômico de crescimento moderado e juros elevados, o banco tem mantido elevados níveis de rentabilidade ao mesmo tempo em que acelera a digitalização, fecha unidades físicas e reduz postos de trabalho.
De acordo com Rosângela Vieira, embora o Santander tenha registrado lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a estratégia adotada pela instituição está baseada em um modelo mais seletivo e automatizado, voltado aos clientes de alta renda e sustentado por uma forte redução de custos.
Rosângela observou que o Santander fechou, somente em 2025, 323 agências e 256 postos de atendimento, além de reduzir em 10% o número de empregados efetivos, enquanto ampliou em 11% o contingente de terceirizados.
A mudança estrutural ocorrida no grupo Santander ao longo da última década foi destaque na apresentação de Paula Reisdorf.
“Em 2015, cerca de 90% dos trabalhadores do grupo eram bancários. Hoje, essa proporção caiu para aproximadamente 50%. O banco criou ou adquiriu dezenas de empresas e deslocou uma parcela importante das atividades para estruturas com custos menores e direitos reduzidos”, explicou a técnica.
Ana Marta Lima, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, afirmou que o encontro reforçou a importância da construção coletiva das reivindicações e do fortalecimento da mobilização para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.
“Este encontro mostrou, mais uma vez, a capacidade de organização dos trabalhadores do Santander. Conseguimos construir uma pauta que dialoga com os desafios atuais da categoria, incorporando novas demandas relacionadas à saúde, defesa do emprego e às condições de trabalho. Agora, nosso compromisso é transformar essas reivindicações em avanços concretos na renovação do Acordo Coletivo, fortalecendo direitos e ampliando conquistas para todos os bancários”, concluiu a coordenadora.
A minuta específica de reivindicações dos trabalhadores do Santander será entregue ao banco na segunda-feira (22).
*Fonte: Contraf-CUT


