
A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com a direção do banco, nesta quarta-feira (13), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo. O objetivo foi debater os impactos do fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga enfrentada pelos bancários.
Segundo os trabalhadores, a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes. De acordo com os relatos, regiões antes atendidas por várias unidades passaram a contar com apenas uma agência, concentrando milhares de clientes, ampliando filas e elevando a pressão sobre os empregados.
Ana Marta Lima, coordenadora da COE Santander, ressaltou que há impactos diretos também nas avaliações de desempenho.
“Mesmo quando o atendimento é adequado, as longas filas influenciam negativamente o NPS — indicador utilizado pelo banco para medir a satisfação do cliente — contribuindo para o adoecimento da categoria, que já registra índice de afastamentos pelo INSS três vezes superior à média nacional”, afirmou a coordenadora.
Demonstrações financeiras do Santander mostram o fechamento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, 63 unidades foram fechadas.
Desde 2019, o banco encerrou 2018 postos de atendimento, sendo 1460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados do banco.
Durante o encontro, os sindicatos alertaram para uma mudança estrutural no sistema financeiro: entre 2016 e 2025, o país perdeu 7593 agências bancárias (-34%), enquanto cooperativas de crédito ampliaram presença ao ocupar espaços deixados pelos grandes bancos.
“Isso mostra que os clientes ainda querem atendimento presencial”, afirmou a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa.
Também foi destaque na reunião o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior. Rita Berlofa fez um alerta:
“Insistimos para que esses acordos sejam anulados e não voltem a existir, pois contrariam o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que prevê a não utilização da lei que permite acordos individuais. Hoje o banco descumpre esse compromisso e, no futuro, qual outro deixará de cumprir? Isso gera muita insegurança para todos os trabalhadores.”
Em relação ao documento, Ana Marta reforçou a orientação da COE de que os trabalhadores não devem assinar o termo e devem denunciar ao sindicato qualquer tipo de pressão.
*Fonte: Contraf-CUT


