Santander impõe terceirização do setor de investimentos que reduz direitos e salários

Em reunião com a representação dos funcionários, na quarta-feira (1º), o Santander admitiu que está terceirizando seu setor de investimentos, o Quarteirão de Investimentos. Segundo o banco, os trabalhadores serão “convidados” a aderir ao processo e, caso aceitem, serão demitidos sem justa causa e recontratados pela Corretora de Valores (empresa do grupo), nesse primeiro momento, pelo regime CLT. O movimento sindical questionou, mas o banco não informou qual seria o salário, a PLR e os direitos dos bancários na corretora. Segundo a representante do Santander, haverá conversas com cada trabalhador sobre essas questões. Aqueles que não aceitarem se demitir para ser recontratados pela Corretora de Valores deverão procurar outra vaga no banco, de acordo com sua qualificação. Em até 60 dias este processo deve ser finalizado. A representação sindical dos trabalhadores orienta os funcionários do Santander a não pedir demissão. Intermediação fraudulenta de mão de obra Para o funcionário do Santander e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb/SP), André Camorozano, os salários, Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR) e demais direitos desses trabalhadores serão reduzidos. Mas, para ele, o banco está “vendendo” a mudança como “modernidade”. “A propaganda que o banco faz é que os trabalhadores serão ‘sócios’ da empresa e que esse novo modelo de negócio trará vantagens para eles e para os clientes. Isso é uma afronta à inteligência dos trabalhadores! Porque sabemos que o banco está fazendo isso justamente para reduzir salários e direitos”, criticou. Ao lembrar que existem 12 milhões de desempregados no Brasil, a também funcionária e dirigente do Seeb/SP, Vera Marchioni, disse que o Santander se vale dessa situação e dos ataques sofridos pela classe trabalhadora nos governos Temer e Bolsonaro para impor prejuízos a seus funcionários. “Eles continuarão fazendo as mesmas tarefas de antes, mas com remuneração menor e menos direitos. O que o Santander chama de ‘sociedade’, nós chamamos de intermediação fraudulenta de mão de obra”, observou. Mobilização e luta Vera criticou a completa falta de transparência do banco nesse processo e a ausência de qualquer negociação com o movimento sindical. “Mais uma vez o banco pratica um processo de terceirização vertical: transferindo setores inteiros para empresas do grupo, como fez com os trabalhadores de tecnologia que foram para a F1RST, do call center para a SX Negócios e do microcrédito para a Prospera”, disse. “Vamos lutar pela representação de todos os trabalhadores que o Santander está retirando da categoria bancária. Chamamos todos eles para se juntar a esta luta!” Fonte: Contraf-CUT, com Seeb/SP

38º Conecef e 33º CNFBB acontecem na próxima semana

Bancários e bancárias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil se reúnem de quarta-feira (8) a sexta-feira (10) para debaterem sobre as questões que afetam seu dia a dia de trabalho e definirem suas pautas específicas de reivindicações, que serão negociadas com os respectivos bancos durante a Campanha Nacional da categoria. O encontro será realizado de forma híbrida, com participação no local, em São Paulo, e de forma remota, por uma plataforma eletrônica de videoconferência e de votação. No 38º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), os debates girarão em torno de quatro eixos distintos: 1. Defesa dos bancos e empresas públicas; Defesa da Caixa 100% Pública; 2. Saúde e condições de trabalho, incluindo o plano de saúde dos empregados (Saúde Caixa); e Fundo de Previdência dos empregados (Funcef); 3. Manutenção dos direitos atuais e conquistas de novos; Mais contratações; 4. Organização sindical e defesa da democracia. “São quatro eixos de discussões que englobam não apenas as questões que estão no dia a dia dos empregados, vão além e entram em temas que estão na ordem do dia de toda a sociedade”, disse a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt. “Já é cultural no movimento sindical bancário debater e apresentar soluções para as pautas da categoria e também para pautas sociais. Trata-se de nosso perfil de sindicato cidadão”, completou. No 33° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), além de tratar de melhores condições de trabalho e mais dignidade para funcionários do Banco do Brasil, os temas tratarão sobre a importância do banco público para o desenvolvimento regional e para o incentivo à agricultura familiar como forma de combate à fome e redução dos custos dos alimentos, além do papel específico do Banco do Brasil na construção do Brasil que a gente quer. No último dia do encontro ainda serão debatidos temas ligados à desigualdade de gênero e de raça no trabalho, inclusive de remuneração, além do acesso ao trabalho e à renda pela juventude. “É impressionante o que este governo vem fazendo com os funcionários e com o Banco do Brasil de forma específica e com todos os bancos e demais empresas públicas de forma geral. Demonizam os funcionários e promovem uma verdadeira desestruturação das empresas para poder vendê-las a troco de bananas, sem dar o devido valor e importância ao que elas representam para o país”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. “Sem os bancos públicos praticamente não haveria investimentos na agricultura, na habitação, em infraestrutura, no desenvolvimento regional. O país estaria em uma situação ainda pior que eles conseguiram deixar”, completou. Encontros de banco privados Os funcionários do Bradesco, Itaú e Santander também realizam seus encontros nacionais na próxima semana. Além de debaterem questões gerais, que envolvem toda a categoria, também debaterão pautas específicas para contribuírem com a elaboração da minuta de reivindicações dos bancários, que será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), após a definição da Conferência Nacional dos Bancários, que será realizada de 10 a 12 de junho, e a aprovação pelas assembleias que serão realizadas pelos sindicatos de bancários de todo o país. Cuidados com a covid-19 Todas as delegadas e todos os delegados que forem participar presencialmente deverão apresentar comprovação de vacinação contra a covid-19 (passaporte vacinal) no ato do credenciamento. Também deverão apresentar o comprovante de teste negativo, do tipo antígeno, contra a covid-19, realizado em até 3 (três) dias antes do credenciamento.

COE Santander negocia compensação de horas negativas

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu com o banco, na quarta-feira (1), para negociar a compensação do banco do horas negativas, que foram acumuladas durante o período mais intenso da pandemia de covid-19, em especial pelos trabalhadores que possuem alguma doença que pode ser agravada em caso de contágio pelo sars-cov-2 (novo coronavírus). “O banco apresentou uma proposta com prazo bastante extenso de compensação, o que poderia significar o aumento de jornada expressivo para estes trabalhadores durante um longo período”, informou a coordenadora da COE Santander, Lucimara Malaquias. “Este aumento de jornada pode causar adoecimento ou a piora das sequelas já existentes. Por isso, fizemos uma contraproposta de um prazo menor com anistia maior das horas pendentes”, completou. Abatimento de horas de formação A representação sindical dos trabalhadores também propôs que o banco utilize as horas que o trabalhador estiver em cursos, treinamentos, formações e outros momentos de capacitação para abater as horas negativas. “Nossa proposta é que a cada hora em curso sejam abatidas duas horas do saldo de horas negativas”, disse Lucimara. O banco vai analisar a proposta do movimento sindical e trará uma resposta na próxima reunião de negociação, que será realizada na terça-feira (7), a partir das 11 horas. “Vamos lutar pela redução deste banco de horas, que foi gerado em decorrência de afastamento por uma questão de saúde pública. Os trabalhadores não podem ser responsabilizados por terem que se afastar”, disse Lucimara. Veja abaixo vídeo com as explicações de Lucimara sobre a reunião.

Decisão do STF contra ultratividade prejudica campanhas salariais dos trabalhadores

O Supremo Tribunal Federal (STF) votou contra a manutenção do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) vencidos até que os novos sejam celebrados entre patrão e empregados. O mecanismo, chamado de ultratividade, garantia que cláusulas trabalhistas continuassem valendo até que a nova negociação fosse concluída. Com a decisão, tomada na última sexta-feira (27), podem ser suspensas as conquistas de diversas categorias, relacionadas a condições de trabalho, reajustes, piso, jornada, vale-refeição, vale-alimentação, vale-transporte e plano de saúde, entre outros benefícios. “A ultratividade é uma ferramenta importante para a negociação. Sem ela, os trabalhadores ficam com a corda no pescoço e os bancos e o empresariado de uma forma geral podem jogar com a possibilidade de perda imediata de direitos para forçá-los a aceitarem acordos desfavoráveis” observou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários. “Não vamos aceitar que os bancos se utilizem deste tipo pressão na nossa campanha”, completou. Mudança de postura Antes, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia julgado que as conquistas em convenções ou acordos poderiam ser mantidas até que a nova negociação fosse concluída. A atual decisão do STF foi tomada no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 323, ajuizada pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). O voto do relator Gilmar Mendes foi seguido pelos ministros Luiz Fux (presidente da Corte), Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Nunes Marques, André Mendonça e pela ministra Cármen Lúcia. Para o advogado Ricardo Carneiro, a decisão “demandará forte mobilização dos trabalhadores em torno dos seus sindicatos, pela defesa dos seus acordos e convenções coletivas, muitas delas, inclusive, históricas e de âmbito nacional, como a dos bancários”. A data base dos bancários é 1º de setembro. Os acordos que ultrapassarem essa data poderão sofrer com o fim da ultratividade. Temer + Bolsonaro Ainda que a ultratividade nunca tenha existido na prática, era comum nas proximidades da data-base os sindicatos acionarem a Justiça, enquanto não havia o julgamento do novo acordo, solicitando a manutenção dos direitos. Desde a reforma trabalhista de Michel Temer (MDB-SP), em 2017, porém, a ultratividade foi totalmente vetada. Em 2020, o Congresso Nacional incluiu na Medida Provisória 936, sobre Programa de Manutenção do Emprego e Renda, que os ACTs poderiam ser prorrogados enquanto não ocorresse novo acordo. No entanto, Jair Bolsonaro (PL) vetou esse item da MP.

Financiários aprovam minuta de reivindicações

Financiários e financiárias de todo o Brasil aprovaram a pauta de reivindicações da categoria para a Campanha Nacional 2022, em assembleias online, realizadas até a última segunda-feira (30). As prioridades dos trabalhadores foram levantadas pela Consulta Nacional, realizada até a última sexta-feira (27), pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e demais entidades de representação sindical. As respostas da consulta foram compiladas e somadas aos pontos que foram debatidos e aprovados em encontro remoto do Coletivo de Financiários, realizado por plataforma eletrônica, no dia 18 de maio, para dar encaminhamento ao início da Campanha Salarial dos Financiários. “A regulamentação do teletrabalho é uma das prioridades da campanha nesse ano, além de temas relacionados às consequências da pandemia pelo covid-19″, revelou o coordenador do Coletivo dos Financiários da Contraf-CUT, Jair Alves. “A categoria precisa estar unida para que a gente consiga manter os direitos já estabelecidos na CCT e mostrar força para buscarmos novas conquistas, como a regulamentação do teletrabalho”, afirmou o coordenador do coletivo dos financiários. Outro destaque da pauta de reivindicações é a proposta de reajuste dos salários, benefícios e demais cláusulas econômicas, com o INPC + 5% de aumento real. Com a aprovação, a minuta foi entregue à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) e os trabalhadores aguardam retorno do calendário para agendamento das reuniões de negociações para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para o período de 1º de junho de 2022 a 31 de maio de 2024. “A categoria precisa estar unida para que a gente consiga manter os direitos já estabelecidos na CCT e mostrar força para buscarmos novas conquistas, como a regulamentação do teletrabalho”, completou o coordenador do coletivo dos financiários.

Encerrada primeira fase da campanha dos bancários, mas consulta pode ser respondida até 03/06

Bancários de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Centro Norte do país e Santa Catarina realizaram neste final de semana (de quinta-feira, 26, a domingo, 29) conferências locais para debater sobre questões que afetam o dia a dia de trabalho das bancárias e bancários. Os funcionários que atuam no Rio de Janeiro e representados pela Federa.RJ realizaram sua conferência entre os dias 20 e 21 de maio, em Campos dos Goytacazes. As resoluções serão somadas às das demais conferências e encontros específicos e aos resultados que serão compilados a partir da Consulta Nacional, que está sendo respondida em todo o país até a próxima sexta-feira, 3 de junho. Encontros nacionais Após as conferências, serão realizados os encontros dos trabalhadores de bancos públicos e bancos privados, que levantam pontos e reivindicações específicas de cada instituição. “Nossa campanha é construída em conjunto. Por meio da Consulta Nacional, cada bancária e cada bancário pode participar da definição das nossas prioridades e, tanto as conferências estaduais e regionais, quanto os encontros específicos de trabalhadores de bancos públicos e bancos privados são momentos fundamentais para que os resultados reflitam os reais anseios de toda a categoria”, disse a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira. Para participar da Consulta Nacional, basta clicar neste link: https://consultacn2022-bancarios.votabem.com.br/ O processo de definição das prioridades da Campanha Nacional dos Bancários se encerra com a Conferência Nacional, que será realizada nos dias 10 a 12 de junho, em São Paulo. ENCONTROS NACIONAIS DE TRABALHADORES DE BANCOS PÚBLICOS E DE BANCOS PRIVADOS 14º CNEBASA 27 e 28/05/2022   Encontro Nacional dos Funcionários do BMB 26/05/2022   28º CNFBNB 03 e 04/06/2022   Encontro Nacional dos Funcionários do Banco Bradesco 09/06/2022   Encontro Nacional dos Funcionários do Banco Santander 09/06/2022   Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú-Unibanco 09/06/2022   38º CONECEF 08, 09 e 10/06/2022   33º CNFBB 08, 09 e 10/06/2022   BNDES A definir

Casos de covid-19 voltam a crescer e cuidados devem ser mantidos

Nos últimos dias, a covid-19 voltou a ser a principal causa de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país. O número de casos e de internações por sua causa tem aumentado em todas as regiões, conforme o Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sobre as SRAGs, do dia 26. Até o momento, a covid-19 já matou mais de 666 mil brasileiros. Segundo a Fiocruz, a tendência de alta é observada desde a semana de 24 a 30 de abril, um período longo que indica nova onda da pandemia. A instituição alerta que os dados mostram também que a contaminação deve continuar subindo, e por isso todos devem acentuar os cuidados para evitar a transmissão do coronavírus, antes mesmo que as autoridades editem decretos mudando as regras de prevenção. Por conta desse quadro, vários municípios voltaram a recomendar o uso de máscara em locais fechados, como escolas, comércio e locais de trabalho. Para o secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles, “as bancárias e bancários devem ficar atentos e cumprir todos os protocolos orientados por especialistas, pois em seu trabalho estão sempre em contato com grande número de pessoas”. Mauro lembra que “essa é a melhor forma de proteger a si mesmo, a própria família e a sociedade como um todo”. Cuidados Conheça e siga as principais orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para se defender do coronavírus: Mantenha distância de outras pessoas de pelo menos 1 metro. Evite aglomerações. Use máscara, especialmente em locais fechados. Troque o equipamento sempre que ele ficar úmido. Prefira locais abertos e ventilados. Abra uma janela se estiver em local fechado. Limpe as mãos com frequência, com sabão e água ou álcool em gel. Mantenha-se em dia com a vacina. Até o momento, todos adultos devem ter tomado a primeira dose de reforço. Cubra o nariz e a boca com o braço dobrado ou um lenço ao tossir ou espirrar. Evite tocar superfícies de locais públicos. Limpe superfícies com frequência. Fique em casa se você sentir indisposição. Procure atendimento médico se tiver febre, tosse e dificuldade para respirar. Se possível, ligue antes para a unidade de saúde e peça orientações antecipadas. Mantenha-se informado sobre a situação em sua localidade.

“Banco do Brasil não é do mercado, é do Brasil”

“Em seus pronunciamentos, o Fausto Ribeiro sempre diz que ‘o Banco do Brasil é do mercado e do Brasil’. Os acionistas sempre querem mais lucros. Isso significa redução de postos de trabalho e a consequente sobrecarga e adoecimento dos funcionários. Significa precarizar o atendimento aos clientes, não apenas com a redução dos funcionários, mas também com o fechamento de agências e o aumento das tarifas e taxas”, comentou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, sobre a distribuição de R$ 714,2 milhões de reais em juros sobre o capital próprio a título de remuneração antecipada aos acionistas da instituição, anunciado na manhã desta sexta-feira (27), em comunicado. O valor é relativo ao segundo trimestre de 2022 e será pago com base na posição acionária de 13 de junho. “A sociedade e os funcionários (e o Fausto é um funcionário) não podem se deixar enganar que ‘o mercado’ quer o bem do Banco do Brasil e da sociedade. Eles querem lucro cada vez maior, mesmo se for necessário sacrificar os funcionários e o povo”, completou. Fukunaga lembra ainda que já faz muitos anos que o banco apresenta resultados positivos. “O BB já passou pelas reestruturações necessárias para transformá-lo em uma instituição eficiente e lucrativa. As estruturações que vêm ocorrendo nos últimos três ou quatro anos são para saciar a sede de lucro dos acionistas minoritários e para preparar a instituição para a entrega do patrimônio público ao mercado, com uma possível privatização, ou perda de competitividade”, concluiu.

Bancos fecham mais de mil agências em um ano e clientes reclamam de filas

Matéria publicada pelo portal UOL mostra a política de fechamento de agências bancárias praticadas pelos maiores bancos em operação no país e seus efeitos negativos para a população. Em um ano, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander fecharam 1.007 agências físicas. No Banco do Brasil e no Bradesco o fechamento veio acompanhado de demissão de profissionais, enquanto o Itaú e o Santander fizeram mais contratações durante o período. Qual foi o efeito para os clientes? O atendimento piorou? Clientes reclamam de demora Clientes relatam pegar mais fila nas agências, principalmente depois da pandemia. Em 2020, o Procon-SP registrou 24 reclamações, enquanto o número já chega em 69 em 2022 (de janeiro a maio). Vale lembrar que em 2020 e 2021 o acesso a bancos foi mais restrito, devido às medidas de isolamento adotadas para conter a pandemia. Um cliente do Bradesco em Amambai (MS), que não quis se identificar, diz que é comum pegar fila para ir ao banco e ficar esperando do lado de fora, sob o sol. Já aconteceu de a fila demorar quase três horas para andar. Em outras vezes, os clientes aguardam algum tempo, e funcionários da agência dizem que os problemas devem ser resolvidos pelo aplicativo. Uma cliente também do Bradesco, mas de São Paulo, e que também não se identificou, diz que as filas estão cada vez mais constantes e que normalmente existe apenas um funcionário trabalhando no caixa. Também percebeu que, depois do fechamento de outra unidade da região, sua agência ficou mais cheia. Limite de tempo para filas De acordo com o Idec, as instituições financeiras precisam disponibilizar senhas que mostrem o horário de chegada do consumidor. Não existe uma regra nacional sobre o tempo de fila, mas a maioria das cidades ou estados que possuem regras determinam um tempo máximo de fila de 15 a 30 minutos. Nas cidades que possuem a lei, os bancos podem ser notificados e até multados em caso de descumprimento. “Os bancos têm investido nessa automatização do atendimento e ao mesmo tempo estão reduzindo gastos com os atendimentos convencionais, que são feitos por pessoas. À medida que implementam chatbot [robôs que respondem às mensagens] e mobile banking, reduzem a estrutura física”, afirma Fabio Pasin, advogado e pesquisador do programa de serviços financeiros do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Atendimento online não é tão eficaz Se fechar agências, pode aumentar a eficiência dos bancos, também pode deixar a desejar no atendimento. “Muitas agências fecharam porque estavam coladas com outras e atendiam a mesma zona, a mesma população, e aí não faz sentido. Mas se eu fecho uma agência em uma região e o concorrente não fecha, abro espaço para ele tomar a clientela”, afirma Istvan Kasznar, professor da FGV/ Ebape (Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas). O problema é que um estudo do Idec mostra que o atendimento online não é tão eficaz quanto o esperado. “A tecnologia ainda não consegue resolver problemas mais complexos e graves. A expectativa do consumidor é que todo investimento em tecnologia que os bancos vendem como uma melhoria deveria se refletir em um aumento da qualidade do atendimento. O que vimos é que nesse período, com as mudanças estruturais de atendimento, os índices ficaram estáveis ou até diminuíram”, afirma Pasin. Número de reclamações que o Procon-SP recebeu sobre filas em bancos: 2018: 118 reclamações 2019: 112 reclamações 2020: 24 reclamações 2021: 71 reclamações 2022: 69 reclamações Consumidor vulnerável é prejudicado Os especialistas defendem que um dos problemas do fechamento das agências físicas é que consumidores mais vulneráveis podem ter o atendimento impactado. É o caso de idosos, que têm dificuldade de utilizar tecnologia, ou de pessoas sem acesso à internet. Kasznar afirma que o fechamento das agências tem dois aspectos contraditórios que precisam ser considerados. “Quanto maior a população que se atende sozinha com computador ou celular, menos será necessário dispor as agências. Os bancos passam a diminuir as estruturas para reduzir custos e para dar mais eficiência eletrônica. Por outro lado, fechar agências em locais com menor renda, onde a disponibilização tecnológica não é a mesma, pode levar ao esvaziamento econômico de municípios e ao empobrecimento de uma população”, afirma Kasznar. O que os bancos dizem sobre o fechamento de agências O Banco do Brasil diz que enquanto a rede própria foi reduzida, houve um aumento no número de unidades de atendimento especializado “demonstrando a estratégia de otimizar nossa plataforma de canais em busca de eficiência e de estruturas mais leves e, principalmente, sem reduzir a cobertura de atendimento do BB à comunidade”. O Itaú diz que o fechamento é consequência da mudança por demanda dos clientes e de sobreposições de unidades por estarem muito próximas. “O banco entende que o atendimento presencial é um diferencial competitivo importante e, desta forma, sua rede física continuará a ter o tamanho e os serviços que os clientes quiserem”, afirma em nota. O Santander afirma que está expandindo o número de lojas físicas pelo país, principalmente em cidades do interior. “A maior parte da redução no número de pontos de atendimento registrado no primeiro trimestre se deveu à consolidação de códigos de agências no Banco Central, e não ao fechamento de endereços. Para este ano, a previsão é que sejam inauguradas até 70 lojas Santander”, disse em nota. O Bradesco afirma que está mudando sua rede física de atendimento, impulsionado pelo crescimento da demanda dos clientes pelo atendimento digital e que parte das agências estão se transformando em unidades de consultoria de negócios. “Dentro desse processo de otimização, algumas agências passaram por uma adequação do seu tamanho físico e outras por uma fusão de unidades sobrepostas, como, por exemplo, aquelas localizadas a poucos metros uma da outra”, afirma em nota. Fonte: UOL

Demissões e fechamento de agências estão na pauta de reunião entre o COE e o Itaú

O Itaú voltou a fechar diversas agências em todo país gerando mais demissões. Essas demissões e os fechamentos serão tema de reunião que acontece na tarde desta sexta-feira (27/05) entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e representantes do banco. A COE irá questionar o alto índice de demissões que vem gerando sobrecarga de trabalho e adoecimento nos bancários que ficam nas demais agências. Além disso, com a pouca oferta de unidades, os próprios clientes ficam com atendimento precário ou até mesmo sem atendimento. “O fechamento e suas consequências não se justificam, já que o lucro em 2021 teve um salto de 45% em relação a 2020, segundo o balanço do Itaú, o que lhe garantiu um lucro de R$ 26,9 bilhões”, afirmou Jair Alves, coordenador da COE.