VA e VR dos empregados serão da Caixa Cartões

A Caixa Econômica Federal assinou, nesta segunda-feira (31), um contrato para que a Caixa Cartões forneça os Vales Alimentação e Refeição para todos os beneficiários empregados, aposentados e pensionistas do banco. “A mudança ocorre após muitas reclamações de empregados de algumas regiões, que têm enormes dificuldades para utilizar o Verocard e o Greencard, por exemplo”, explicou o dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro. “A própria vice-presidente de Gestão Coorporativa (Vicop), Dani Calazans, reconheceu que os empregados, ‘pela primeira vez, terão a oportunidade de utilizar o benefício com a marca Caixa em uma ampla rede de aceitação’”, completou. O banco informou que a substituição dos antigos cartões ocorrerá de maneira escalonada. A partir de dezembro os beneficiários residentes no Centro-Oeste, Norte e Sudeste do país (exceto São Paulo) passarão a receber os novos cartões. A troca nas demais regiões começa em fevereiro de 2023.

Caixa pretende reduzir representatividade dos empregados na Funcef

Os diretores da Fundação dos Economiários Federais (Funcef) eleitos pelo movimento ‘Juntos – A Funcef é dos Participantes’, revelam que a representatividade dos participantes da Fundação está sendo alvo de ataques sistemáticos, de forma a reduzir o poder dos legítimos donos do patrimônio, o que pode afetar direitos que os empregados conquistaram ao longo de décadas de luta. Atualmente, as decisões são tomadas por três diretores indicados pelo governo e dois eleitos pelos empregados, restringindo a representatividade dos participantes e impondo a vontade do governo. Segundo os representantes dos participantes, é possível aos indicados a utilização da vantagem temporária, superveniente do Estatuto, como método desequilibrado para o tratamento de questões sensíveis, sem considerar o ponto dos participantes. De acordo com o diretor de Benefícios, Jair Pedro Ferreira, entre as ameaças colocadas está a retirada de atribuições e áreas dos participantes na gestão da Fundação. “Isso se dá através da modificação das estruturas organizacionais e de cláusulas previdenciárias para retê-las sob controle único e centralizado, podendo torná-las prejudiciais aos participantes e favorável à agenda da patrocinadora”, explicou. Para o movimento, é evidente o uso da prática antidemocrática para esconder temas sensíveis, em votações que já se sabe o resultado, sem chance de desempate e nas quais não tem sido necessário nem a utilização do “voto de qualidade” que desgastaria os indicados. Em face destes acontecimentos, os representantes dos participantes reiteram a defesa da democracia e dos participantes e estão estudando, no interesse coletivo, respostas firmes que possam restituir o debate democrático e garantir a defesa dos direitos. Fonte: Fenae, com edições da Contraf-CUT

Santander: demissões e outros problemas já começaram na SX Tools

O Santander mal concluiu a terceirização dos bancários para a SX Tools, e já começaram as demissões na empresa intermediadora de mão de obra do banco. Pelo menos sete dispensas foram registradas na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. A SX Tools é a empresa terceirizada para a qual o Santander transferiu bancários da área de manufatura, e que estavam lotados em sua maioria no Radar Santander. Com a mudança, os empregados perderam os direitos e conquistas da categoria bancária – uma das mais fortes e organizadas do país –, como a PLR e a jornada de seis horas. “Os bancários acabaram de ser terceirizados com perda de direitos, e as demissões já passaram a ser promovidas em menos de um mês. Isto sem contar os outros problemas relatados pelos trabalhadores”, diz Susana Malu Córdoba, dirigente sindical e bancária do Santander. Ainda trabalham cerca de 300 bancários no prédio da SX Tools, mas eles foram surpreendidos, no dia 3 de outubro, com a reconfiguração do layout do local. Todas as menções ao Santander foram retiradas do local. Agora os bancários remanescentes no prédio não sabem ser serão demitidos ou terceirizados. Aumento reduzido de salário em caso de promoção Outra situação que vem trazendo insatisfação para esses bancários recentemente terceirizados é que aqueles que forem promovidos de assistente para analista terão aumento salarial de apenas 20% – quando pertenciam a categoria bancária, este aumento era de 55%. “O banco, em resposta às diversas atividades que o Sindicato vem promovendo contra a terceirização, decidiu impedir o acesso dos diretores sindicais aos locais de trabalho. Reforçamos, no entanto, que nosso compromisso com a categoria é permanente e que esses trabalhadores não estão sozinhos. O Sindicato continuará protestando contra as terceirizações e demissões.”, afirma Susana. Terceirização X eleição Maranho lembra que o enfretamento do processo de terceirização no Brasil passa pela ação sindical, mas também está diretamente ligado à eleição presidencial do dia 30 de outubro. O dirigente ressalta que o Santander está ampliando a terceirização ancorado na reforma trabalhista e na legalização da terceirização irrestrita de todas as atividades de uma empresa, ambas aprovadas após o golpe de 2016. “São mudanças profundas nas relações de trabalho que foram colocadas em prática após a mudança de governo, e vendidas como a solução para a geração de empregos, o que se mostrou uma falácia, já que mesmo depois de cinco anos das mudanças, ainda existem mais de 10 milhões de desempregados, e os que foram contratados estão em empregos com direitos e salários reduzidos”, afirma Alberto.

Experiências brasileiras podem contribuir com a luta mundial dos trabalhadores

A delegação com mais de 30 representantes da UNI Global Union, da Progressive International e da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), que ficou no Brasil de quinta-feira (27) a domingo (30) para acompanhar as eleições para a Presidência da República, levarão para seus países experiências luta e resistência dos trabalhadores contra cortes de seus direitos trabalhistas e sociais decorrentes de políticas neoliberais executadas por um governo de inspiração fascista, mas também de organização e solidariedade com a população mais empobrecida. Esta é opinião da secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rita Berlofa, que também é presidenta da UNI Finanças Mundial. “Foi uma experiência extremamente rica porque eles puderam ver qual é o resultado da falta de prioridade às políticas públicas, com congelamento e corte de recursos para as áreas da saúde, educação e habitação, por exemplo, tudo em nome de uma ideologia que prega o estado mínimo e não há qualquer compromisso com a classe trabalhadora e a população mais pobre”, avaliou a dirigente da Contraf-CUT. “Muitos deles já tinham vindo ao Brasil, mas agora eles puderam ver que aumentou muito a quantidade de pessoas morando nas ruas, sem emprego e nem o que comer”, completou. Exemplos de luta, resistência e solidariedade Mas, para Rita, além de ver de perto os estragos causados na sociedade brasileira pelo governo Bolsonaro, as reuniões com movimentos populares, visitas às comunidades, acampamentos e escolas de formação possibilitaram que eles pudessem, também ver que é possível se contrapor a estas políticas quando existe organização, resistência e solidariedade entre os trabalhadores. “Propiciamos a eles o contato com a organização e o trabalho realizado por grandes entidades do movimento sindical e social no Brasil que podem ajudar na reflexão e ampliação da organização para a luta internacional dos trabalhadores contra a expansão do pensamento fascista no mundo”, disse Rita. “Precisamos denunciar para o mundo os estragos causados pela política neoliberal e fascista e também as experiências de luta e organização contra este tipo de política. Mostrar que, como aconteceu no Brasil, é preciso vencê-la, mesmo diante das notícias falsas que eles espalham até que muita gente acredite nas mentiras espalhadas”, completou. Leia também:>>>>> Lula é eleito presidente pela terceira vez>>>>> Delegação internacional de sindicalistas visita a CUT>>>>> Sindicalistas internacionais debatem sobre a realidade da periferia>>>>> Assédio eleitoral preocupa movimento sindical Para a secretária de Políticas Sociais da CSA, Jordania Ureña, as eleições no Brasil são extremamente importantes porque é preciso barrar o crescimento acelerado do fascismo em todo o mundo. “Muitas coisas dependem das eleições brasileiras, como a solidariedade internacional entre os movimentos sociais e sindicais”, disse. “Além disso, percebemos que o povo brasileiro está sedento por democracia, que é o que povo precisa. Vimos constantes violações das estruturas e golpes à própria democracia, que demorou tanto para que muitos de nossos povos a construíssem e, em um piscar de olhos, podemos perdê-la”, disse. Ela defende que toda a classe trabalhadora se una em prol desse processo histórico que o Brasil vive. “Esta vitória do Lula representa um elo importante no andamento dessa luta contra o ódio, contra o fascismo, contra a misoginia, contra a violência, que são promovidos pelos governos fascistas. Viemos ao Brasil porque acreditamos na unidade dos povos”, concluiu.

Lucro do Santander no terceiro trimestre de 2022 acende alerta

O Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 11,211 bilhões nos nove primeiros meses de 2021, queda de 10,1% em relação ao mesmo período de 2021. No trimestre encerrado em setembro, o banco espanhol lucrou R$ 3,122 bilhões, queda de 23,5% em relação aos três meses anteriores. O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) do banco ficou em 19%, com decréscimo de 2,5 pontos percentuais em doze meses. O lucro obtido na unidade brasileira do banco representou 27,7% do lucro global que foi de € 7.316 bilhões, alta de 14,7% em doze meses e 3% no trimestre. A holding encerrou o terceiro trimestre de 2022 com 51.214 empregados, com abertura de 1.609 postos de trabalho em doze meses (no trimestre, foram fechados 835 postos de trabalho). Foram fechadas 307 agências e 104 PABs em relação a setembro de 2021. Alerta O resultado do Santander no terceiro trimestre de 2022 acende pontos de alerta, como a redução do lucro e o fechamento de agências e PABs; e chama atenção o número superavitário de contratações. “Em um primeiro momento a geração de empregos sempre é positiva. No entanto, mais do que analisar os números precisamos fazer uma avaliação à luz dos fatos. O Santander vem intensificando a terceirização desde 2020. Estima-se que ao menos nove mil bancários já foram transferidos para outras categorias. Soma-se a isto a quantidade de agências fechadas no país. É assombroso projetar que o Santander pretender ser um banco sem bancários.” Lucimara Malaquias, diretora executiva do Sindicato e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados do Santander Aumento da PDD O Índice de Inadimplência Total superior a 90 dias, incluindo Pessoa Física e Pessoa Jurídica, ficou em 3%, com alta de 0,6 ponto percentual em comparação aos nove primeiros meses de 2021. Já as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) aumentaram 52,2%, totalizando R$ 17,4 bilhões. “A inovação é tornar os trabalhadores sócios dos riscos, isso mesmo, haja vista a inadimplência subindo e a PDD nas nuvens. O banco quer que os trabalhadores assumam os riscos de suas carteiras, a exemplo do que já ocorre na corretora de investimentos, mas o Santander continua remetendo o lucro para a Espanha e garantindo-o aos acionistas”, denuncia Lucimara. Em teleconferência, o banco afirmou que o aumento da inadimplência é devido ao varejo e a empresas pequenas. “Muito provavelmente essa deterioração é devido a atual crise econômica e social que reduziu a renda da população e o crescimento. Esse mesmo ´desgoverno´ aposta ainda em congelar aposentadorias e pensões caso seja reeleito, o que poderá gerar ainda mais retração econômica”, afirma Lucimara. Serviços e tarifas são quase o dobro da folha de pagamento As receitas com prestação de serviços e renda das tarifas bancárias decresceu 1% em doze meses, totalizando R$ 14,2 bilhões. As despesas de pessoal mais PLR aumentaram 10% no período, somando R$ 7,4 bilhões. Assim, em setembro de 2022, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 191,74% (ou seja, as receitas de prestação de serviços e tarifas cobriram quase duas vezes a folha de pagamento do banco). “Embora o balanço apresente uma redução na cobrança de juros e tarifas, a redução é irrisória frente ao volume arrecadado neste item, principalmente porque boa parte do mercado já não cobra tarifas pela cesta de serviços básicos, mas o Santander insiste em cobrar, inclusive de funcionários. Mais uma contradição no banco que vende redução de direitos como ‘inovação’”, finaliza Lucimara.

Santander fechou 307 agências e 104 PABs em um ano

O banco Santander obteve lucro líquido gerencial de R$ 11,21 bilhões, nos nove primeiros meses deste ano, valor que representa queda de 10,1% em relação ao mesmo período de 2021 e de 23,5% no trimestre. A rentabilidade (retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado –ROE) ficou em 19%, com decréscimo de 2,5 pontos percentuais (p.p.) em doze meses. No terceiro trimestre, o lucro líquido da instituição no país alcançou R$ 3,12 bilhões, o que representa 27,7% do lucro global da instituição, que foi de € 7,316 bilhões, alta de 14,7% em doze meses e de 3% no trimestre. Nos três primeiros trimestres deste ano, o índice de inadimplência total superior a 90 dias, incluindo pessoa física e jurídica, ficou em 3%, com alta de 0,6 p.p. em comparação ao mesmo período de 2021. Já as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) aumentaram 52,2% e somaram R$ 17,4 bilhões. A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Lucimara Malaquias, relata que “em teleconferência, o banco afirmou que o aumento da inadimplência é devido ao varejo e a empresas pequenas”. No entanto, ela completa que, “muito provavelmente, essa deterioração ocorre devido à atual crise econômica e social que estamos vivendo e que reduziu a renda da população nos últimos anos”. As receitas com prestação de serviços e tarifas caiu 1% em doze meses, somando R$ 14,2 bilhões. Ainda assim, esse montante foi 191,74% superior aos R$ 7,4 bilhões de despesas com pessoal mais a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que aumentaram 10% no período. Assim, apenas as receitas secundárias cobriram quase duas vezes a folha de pagamento do banco. Lucimara observa ainda que “embora o balanço apresente uma redução em juros e tarifas, esse movimento é irrisório frente ao volume arrecadado, principalmente porque boa parte do mercado já não cobra tarifas pela cesta de serviços básicos. Mas, o Santander insiste em cobrar, inclusive de funcionários. Essa é mais uma contradição de um banco que vende redução de direitos como ‘inovação’, quando a inovação é tornar os trabalhadores sócios dos riscos, enquanto a inadimplência e a PDD vão para as nuvens e o lucro continua sendo remetido à Espanha e a acionistas”. Emprego bancário A holding encerrou o terceiro trimestre de 2022 com 51.214 empregados, com abertura de 1.609 vagas em doze meses. No trimestre, no entanto, foram fechados 835 postos de trabalho. Em relação a setembro de 2021, foram fechadas 307 agências e 104 PABs. Para a secretária de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rita Berlofa, “há pontos de alerta neste resultado, como a redução do lucro e o fechamento de agências e PABs. Apesar do número positivo de contratações, precisamos avaliar à luz dos fatos, pois a empresa vem intensificando a terceirização desde de 2020, e estima-se que ao menos 9 mil bancários já foram transferidos para outras categorias, o que é assustador, pois o Santander pretende ser um banco sem bancários”. Confira análise feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com base nos dados relatório apresentado pelo banco.

Trabalhadores do Itaú conquistam anistia total das horas negativas

Os trabalhadores que não conseguiram compensar as horas negativas até esta segunda-feira (31), terão o banco de horas anistiado completamente. A conquista foi negociada entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú e a direção do banco, em reunião realizada na última sexta-feira (28). O acordo de banco de horas negativas foi negociado para garantir os direitos dos trabalhadores que foram afastados ou colocados em regime de rodízio nas agências, por conta da pandemia de coronavírus. O acordo de compensação das horas negativas, assinado em fevereiro de 2021, previa que os bancários teriam um período de 18 meses, a partir do mês de março seguinte, com o limite de duas horas por dia, para compensar as horas que faltavam. Este acordo seria revisado a cada três meses, podendo ser prorrogado em mais seis meses, caso os trabalhadores não conseguissem zerar a dívida de horas. Para Jair Alves, coordenador da COE, foi um ótimo caminho para solucionar um problema tão grande e inesperado. “Este encerramento mostra como este acordo decisivo foi acertado, ao ser negociado num momento muito difícil para a classe trabalhadora e para todo o mundo.” Todos os membros do COE salientaram como a boa relação que construíram com o departamento do banco foi positiva para os trabalhadores. “Ainda temos muitos pontos pela frente para negociar, como o parcelamento de dívidas, PCR e teletrabalho”, concluiu Jair.

Assédio eleitoral preocupa movimento sindical

O movimento sindical internacional está em alerta devido ao aumento dos casos de assédio eleitoral no Brasil e enviou uma delegação com mais de 30 representantes da UNI Global Union, da Progressive International e da Central Sindical das Américas (CSA) para acompanhar as eleições para a Presidência da República no país. Um balanço do Ministério Público do Trabalho (MPT) aponta que houve um aumento de 670,3% das denúncias de assédio eleitoral no Brasil na comparação entre as eleições de 2018 (212 denúncias) com a deste ano (1.633 denúncias). “Coagir, ameaçar ou prometer benefícios para que os empregados votem em determinado candidato é assédio eleitoral. E esta prática se configura como crime em nosso país”, explicou a brasileira, presidenta da UNI Finanças Mundial, Rita Berlofa, que recepcionará a delegação internacional que estará no país a partir desta quinta-feira (27). A comitiva se reunirá com membros da Central Única dos Trabalhadores, de partidos políticos e do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), além de acompanhar o processo eleitoral até a apuração dos resultados das eleições. UNI Global Union Entidade sindical mundial que representa mais de 20 milhões de trabalhadores do setor serviços em 150 países. https://uniglobalunion.org/ Internacional Progressista Organização que reúne entidades e grupos de ativistas progressistas de todo o mundo. https://progressive.international/ Confederação Sindical das Américas (CSA) A Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA) congrega 48 organizações nacionais de 21 países, que representam a 55 milhões de trabalhadores. É a organização regional da Confederação Sindical Internacional (CSI). https://csa-csi.org/.

Desinformado: Fausto Ribeiro contradiz falas de Bolsonaro e Guedes sobre venda do BB

O presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, divulgou um vídeo institucional, nesta quarta-feira (26), na tentativa de afastar o temor de privatização do BB, alegando que não existe “qualquer tipo de fundamento” nas informações sobre o tema. Suas falas, entretanto, estão sendo rebatidas por um outro vídeo, divulgado nesta quinta (27), com declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do próprio presidente da República, que confirmam o plano de privatizar o banco e outras empresas públicas. O coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, aponta que, ao contrário do que Fausto afirma no vídeo institucional, os temores de venda do BB são bastante fundamentados: “A revista Veja, por exemplo, divulgou uma entrevista, recentemente, na qual o presidente e candidato à reeleição afirma que as privatizações serão potencializadas em um eventual segundo mandato“, ressalta. “Em maio de 2020, a mesma revista publicou uma matéria sobre uma reunião ministerial em que Guedes já cobrava a venda do BB. No mesmo encontro, Bolsonaro disse que o plano seria vender o BB em 2023“, lembrou Fukunaga. Desinformado? Diante do desencontro de informações, os funcionários do BB agora tentam entender porque Fausto Ribeiro divulga, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, um vídeo que contradiz os que hoje representam o controlador do banco público. “No vídeo, claramente, Fausto Ribeiro rebate as informações que estão sendo veiculadas entre os funcionários do BB. Acontece que, os bancários apenas repercutem declarações do atual governo, declarações públicas e que estão aí para todo mundo ver”, pontua Fernanda Lopes que é funcionária do BB e integra a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), como secretária da Mulher.

Imprensa divulga “relatório secreto” de assédio na Caixa

O Jornal Nacional, da TV Globo, veiculou, na terça-feira (25), uma reportagem sobre o relatório da corregedoria da Caixa Econômica Federal sobre as acusações contra Pedro Guimarães, ex-presidente do banco, e informa que existem fortes indícios de que houve realmente assédio moral e sexual. A reportagem informa que o relatório tem 500 páginas e divulgou trechos documento. Em um dos trechos divulgados pela TV Globo, a corregedoria da Caixa diz que “dos fatos relatados pelos entrevistados e depoentes, corroborados pelos demais elementos de prova, é possível afirmar que há indícios de práticas irregulares de índole sexual. E ao que tudo aponta, teriam sido praticadas de forma reiterada e se utilizando das mais variadas formas de expressão (física, gestual ou verbal) e valendo-se, inclusive, e em especial, da condição de presidente da empresa”. Em outro trecho, a corregedoria da Caixa diz que “os relatos expõem uma gestão pautada na cultura de medo, comunicação violenta, insegurança, manipulação, intransigência e permissão ao assédio.” Para o empregado da Caixa e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, o resultado já era esperado. “Pelo que vemos no dia das empregadas e empregados da Caixa e denúncias que recebemos, somado ao que já foi divulgado pela imprensa, já tínhamos noção do que haveria neste relatório. O problema é que, mais uma vez, tenha sido a imprensa que tenha divulgado a informação e não o próprio banco”, lamentou. Uso eleitoral da Caixa Para a também empregada da Caixa e diretora da Contraf-CUT, Eliana Brasil, o fato de o banco não divulgar o resultado da apuração feita pela corregedoria gera suspeitas sobre sua gestão. “É possível perceber que estão acobertando os crimes de assédio praticados pelo Pedro Guimarães na tentativa de se evitar prejuízos à imagem do candidato à reeleição do atual presidente da República, que tinha no ex-presidente da Caixa seu braço direito”, disse a diretora da Contraf-CUT, ao lembrar que Pedro Guimarães chegou a ser cogitado para ser o candidato à vice-presidência da República na chapa do atual presidente. “E é bom lembrar, que, dias atrás, Bolsonaro disse não ter visto nada contundente nas acusações contra Pedro Guimarães”, completou. A Contraf-CUT e a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) vêm cobrando, reiteradas vezes, que a Caixa divulgue o resultado das apurações feitas pela corregedoria interna e também pela consultoria independente contratada pelo banco para fazer uma apuração paralela. “Quando a Daniella (Marques) assumiu a presidência da Caixa, em meio ao turbilhão gerado pela divulgação pela imprensa das denúncias contra Pedro Guimarães, prometeu que a apuração seria rápida e que, se confirmadas as acusações, a punição seria rígida. Mas, já se passaram quase quatro meses e nada de divulgação dos resultados da apuração, que não apenas já está em poder da direção da Caixa, como também da imprensa”, disse Rafael de Castro. “É uma falta de compromisso e de respeito com os empregados e com toda a sociedade”, completou. Assédio sexual é crime! O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto, lembra que, no Brasil, o assédio sexual é crime, definido no artigo 216-A do Código Penal, que prevê a pena de detenção de um a dois anos. “Não se pode ‘passar a mão na cabeça’ somente porque se trata de um ex-presidente do banco. Se é culpado, deve responder na Justiça comum pelo que fez, uma vez que o assédio sexual é um crime com pena prevista no Código Penal”, disse. Entenda o caso Pedro Guimarães foi acusado de assédio sexual por várias empregadas da Caixa. A informação foi divulgada no dia 28 de junho de 2022 pelo site Metrópoles. Em poucos minutos a notícia ganhou repercussão nacional, em especial na Câmara dos Deputados, onde vários parlamentares pediram em plenário a demissão do executivo. Segundo a reportagem, no fim de 2021, um grupo de empregadas, ligadas ao gabinete da presidência da Caixa, rompeu o silêncio com uma denúncia, ao Ministério Público Federal (MPF), de assédios sexuais que vinham sofrendo. Desde então, o MPF toca as investigações em sigilo. Cinco das vítimas falaram à reportagem citada sob anonimato. Nos testemunhos, elas contam que foram abusadas com toques em partes íntimas sem consentimento, falas e abordagens inconvenientes e convites desrespeitosos, por parte do então presidente da entidade. A maior parte dos relatos está ligada a atividades do programa Caixa Mais Brasil, realizadas em todo o país. Pelo programa, desde 2019, ocorreram mais de 140 viagens, em que estavam Pedro Guimarães e equipe. Nesses eventos profissionais, todos ficavam no mesmo hotel, onde ocorriam os assédios. No dia 29 de junho, Pedro Guimarães entregou ao presidente da República, Jair Bolsonaro, seu pedido de demissão da presidência da Caixa.