CMN aprova mudanças e aumenta pressão para reduzir Selic

Em reunião na última quinta-feira (29), o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu uma meta de inflação de 3% em 2026 e a mudança no período de cálculo para alcançá-la. O período do sistema de avaliação passa a ser contínuo, permitindo que o BC persiga a meta determinada para a inflação acumulada em 24 meses. As decisões já eram esperadas. A segunda, que valerá somente a partir de 2025, foi levada ao conselho pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, um dos três membros do colegiado, ao lado da ministra do Planejamento, Simone Tebet, e do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. “O que se fazia, antes no Brasil, era abrir mão da meta para cumprir o ano-calendário. Agora o que você faz é o contrário”, disse o ministro Haddad ao anunciar as decisões do encontro. Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Gustavo Cavarzan, o novo sistema permite ao BC um horizonte maior de tempo para atingir a meta de inflação. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, explicou que, com a Selic em 13,75%, descontado o custo da inflação, o Brasil segue com o maior nível de juro real do mundo, em torno de 9,4%, o que afeta negativamente a economia e a geração de emprego. “A Selic num patamar alto aumenta a dívida pública do governo com os juros pagos com os títulos da dívida pública, dinheiro que poderia ser utilizado para expandir infraestrutura e para ser investido em saúde e educação. Os juros altos também prejudicam as famílias, porque o crédito e o financiamento ficam mais caros. Famílias endividadas consomem menos. Pouco consumo reduz a produção, porque as empresas não estão vendendo. Se as empresas não estão vendendo e estão com estoques parados, elas demitem. Consequentemente, a renda circulando cai e a economia não avança”, afirmou Juvandia. Meta inalcançável O próprio argumento do BC de que o Brasil só terá juros menores quando a inflação estiver no centro da meta vem recebendo críticas, por estar deslocado da realidade econômica do país. As atuais metas de inflação brasileira para 2023, 2024, 2025 e, agora, 2026, são de 3,25% para este ano e 3% para os demais – sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto, para mais ou para menos. O índice de referência para definição das metas utilizado oficialmente no país é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE. O economista do Dieese destaca que o Brasil apresenta há meses condições econômicas que permitem um processo de redução da Selic. “Temos um cenário com mercado de trabalho pouco aquecido, ainda há um grande contingente de desempregados, subutilizados, precarizados, com renda baixa, o que significa que não temos um cenário de excesso de consumo. O cenário na realidade é de uma população muito endividada que, justamente por conta dos juros elevados, gasta uma parcela cada vez maior de sua renda para pagar dívidas não sobrando recursos para consumir”, disse Cavarzan. Segundo o economista, apesar do desempenho acima do esperado no primeiro trimestre do ano em função do agronegócio, a atividade econômica brasileira segue estagnada. “A inflação em si caminha firmemente para um processo de redução brusca com os principais fatores que levaram a elevação dos preços no ano passado (como choque na taxa de câmbio, guerra da Ucrania, política de preços da Petrobras e safras agrícolas ruins) sob controle. Sendo assim não existe razão econômica que justifique a manutenção dos atuais patamares de juros no país”, concluiu. Entenda O Conselho Monetário Nacional (CMN) é órgão superior do Sistema Financeiro Nacional (SFN), responsável pela formulação das políticas monetárias e de crédito. O colegiado é composto pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad (presidente), ministra do Planejamento, Simone Tebet, e presidente do BC, Roberto Campos Neto. Cada um com direito a um voto. O CMN se reúne uma vez por mês. Tradicionalmente nas reuniões de junho são definidas as metas de inflação. No encontro desta quinta-feira (29), o colegiado estabeleceu a meta de inflação de 3% para 2026 e manteve as metas atuais para 2023 (3,25%), 2024 (3%) e 2025 (3%). O colegiado aprovou ainda, por unanimidade, um pedido do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que muda o período de cálculo para alcançar as metas de inflação: deixa de ser ano-calendário, ou seja, fixada para o período de janeiro a dezembro de cada ano, e passa a ser contínua, permitindo que o BC persiga a meta determinada para a inflação acumulada em 24 meses. O sistema de avaliação contínua é utilizado em quase todo o mundo, incluindo os bancos centrais dos Estados Unidos (FED), dos países da União Europeia e do Reino Unido, e passará a valer no Brasil somente em 2025. Com a mudança no sistema de avaliação, o BC ganha mais flexibilidade para perseguir o nível determinado para a inflação, aumentando a pressão sobre a entidade para que comece a reduzir a taxa básica de juros (Selic), hoje em 13,75%, que faz com que o país continue ocupando o primeiro lugar no ranking de países com a maior taxa de juros reais. *Fonte: Contraf-CUT
Bancários traçam planejamento de ações para diversidades

A Comissão de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência (CGROS) da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) realizou um encontro para traçar o planejamento de atuação neste período. Dirigentes da Confederação e representantes de federações filiadas, integrantes do coletivo nacional participaram do encontro que foi realizado na última quinta-feira (29).. “Este é o primeiro passo, com vistas à criação dos coletivos nas federações, e, em breve, caminharemos para desdobramentos de atuação, com seminários e encontros mais amplos, levantando todas as demandas pertinentes ao debate da CGROS”, afirmou o secretário de Políticas Sociais da Contraf-CUT, Elias Jordão. O secretário ressaltou que os bancários, com protagonismo no movimento sindical brasileiro, têm importante papel a exercer no que diz respeito às políticas sociais. Para ele, a retomada efetiva do CGROS é importante neste momento, pois, após a pandemia, a Campanha Nacional da categoria e a eleição de 2022, alguns temas precisam de atenção mais assertiva do movimento sindical. Bianca Garbelini, secretária da Juventude, também falou sobre a importância do tema. “A Contraf-CUT está sempre na vanguarda desse debate, e no momento vemos a necessidade da organização do coletivo LGBTQIAP+, como está ocorrendo na CUT, onde o coletivo está já bastante estruturado. Assim, as reivindicações para essa comunidade podem ser bem sistematizadas e isso aumenta a força da categoria nas mesas de negociações com os bancos”, afirmou. Rosalina Amorim, diretora da Contraf-CUT, lembrou que “a CGROS tem a tradição de ser muito dinâmica, em especial nas mesas de negociação com a Fenaban, e esta retomada permite fortalecer os debates, com a participação das federações e dos sindicatos, que sentem essa necessidade para desenvolver seus trabalhos e para sua organização. Isso é muito importante especialmente para segmentos como PcDs, mulheres e LGBTQIAP+.” Distorções no emprego Durante o encontro, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentou um estudo que mostra as distorções no emprego da categoria, decorrentes de discriminação a vários segmentos, como comunidade LGBTQIAP+, pessoas com deficiência (PcD), mulheres e trabalhadores negros e negras, entre outros. A economista da subseção na Contraf-CUT do Dieese, Vívian Machado, mostrou problemas que afetam, por exemplo, que as mulheres, que recebem menos que os homens, são as maiores vítimas do endividamento familiar e sofrem forte violência. Segundo o estudo, “no 1º semestre de 2022, a cada 6 horas, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil.” A remuneração média, com dados de 2021, revela também resultados da discriminação no emprego bancário. Enquanto um homem branco recebia R$ 11.831, o salário médio de uma mulher preta ficou em R$ 8.018. O mesmo se observa em cargos de liderança, preenchidos em 40,8% por homens brancos, em 7,4% por mulheres pardas e em apenas 1,1% por mulheres pretas. Com relação a trabalhadores e trabalhadoras com deficiência, os números revelam que a inclusão é outra pauta que deve receber atenção do movimento sindical. Embora o percentual de bancários com deficiência tenha subido de 2,4%, em 2012, para 3,7% em 2021, o índice ainda é considerado baixo. Nesse ano, dos 442,5 mil bancários, apenas 16,3 mil eram PcDs. Para a secretária da Mulher da Contraf-CUT, Fernanda Lopes, “outra questão a ser levada em conta é que as PcDs, além de serem contratadas, devem ser valorizadas pelos bancos e não ficarem jogadas num canto do setor onde trabalham, fazendo um trabalho secundário”. O secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, ressaltou que as pesquisas são importantes porque sistematizam os dados que mostram o cenário e suas distorções, e assim permitem a elaboração de políticas públicas e municiam o movimento sindical para suas lutas e negociações. *Fonte: Contraf-CUT
Movimento sindical lança campanha contra fechamento de agências

Bancários e bancárias realizaram um Dia Nacional de Luta por todo o país, com o lançamento da campanha #BancoParaTodos. O objetivo é unificar ações e mobilizações dos funcionários de todos os bancos contra o fechamento de agências bancárias, que vêm acontecendo em diversas localidades. O secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Gustavo Tabatinga Jr. falou sobre a campanha. “Nós queremos concentrar para potencializar os esforços das entidades sindicais a fim de pressionar as empresas a reverem tais posturas”, afirmou. As comissões nacionais de empresa, de bancos privados e de bancos públicos, têm levado às mesas de negociações a prioridade da luta contra o fechamento de unidades, no varejo e em áreas administrativas, e a consequente preservação de postos de trabalho. Essas têm sido pautas permanentes em todas as instâncias do movimento sindical em contraposição à prática dos bancos, que insistem na redução de custos através dos cortes na folha de pagamento de salários e na redução de estruturas operacionais. “A partir de agora, nós vamos lutar de forma unificada contra esses e outros tantos problemas comuns a toda a categoria”, completou Tabatinga. Adriana Nalesso, presidenta da Federa-RJ, percorreu algumas agências e conversou com os bancários sobre o movimento. “A nossa meta é garantir direitos, garantir empregos, é garantir conquistas. Nesse sentido quero convidar vcs a conhecerem a Convenção Coletiva. Lá, tem um arcabouço de direitos que a categoria bancária conquistou, não é benevolência. Nós temos salário maior que o mercado, tíquete maior que o mercado, PLR. Tudo isso foi conquista do seu sindicato”, ressaltou Adriana. *Fonte: Contraf-CUT e Federa-RJ
Bancários lançam campanha #BancoParaTodos nesta quarta-feira(28)

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) lança, nesta quarta-feira (28), a campanha #BancoParaTodos para denunciar os problemas provocados pelo fechamento de agências bancárias em diversas cidades do país. A partir das 11h, haverá um tuitaço com a hashtag #BancoParaTodos. Gustavo Tabatinga Jr., secretário-geral da Contraf-CUT, afirma que a justificativa dos bancos de que a maioria dos serviços agora é realizada por plataformas digitais não pode ser usada como desculpa para privar a população de um atendimento presencial acessível e eficiente. “Durante a pandemia, testemunhamos longas filas em agências bancárias, o que evidenciou a necessidade de atendimento presencial para grande parte da população. No entanto, os bancos continuam fechando agências, principalmente em cidades afastadas dos grandes centros financeiros e em bairros periféricos das grandes cidades”, informa Tabatinga. Segundo levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 42% dos municípios brasileiros não possuem nenhuma agência bancária. E, em 7% dessas cidades, não há qualquer tipo de atendimento bancário. “Essa realidade prejudica os clientes, que ficam sem acesso ao atendimento presencial, e sobrecarrega os funcionários das unidades que permanecem abertas”, afirma Tabatinga. O Brasil, atualmente, conta com 7.216 agências em todo o país, o menor número desde 2007, quando o Banco Central começou a registrar esses dados. E a situação está se agravando, pois somente em 2022 foram fechadas 428 unidades. “Os efeitos do fechamento de agências são imediatos: a população enfrenta dificuldades para encontrar agências próximas, muitas vezes precisando se deslocar para outras cidades. Além disso, as filas nas agências restantes se tornam cada vez mais longas, uma vez que elas precisam atender clientes de todas as outras que foram fechadas. Essa realidade é prejudicial tanto para os clientes quanto para os funcionários, que ficam sobrecarregados”, lamenta o secretário. Com o fechamento das agências, muitos funcionários são demitidos. Esses profissionais perdem seus empregos e ficam sem condições de sustentar suas famílias. Além do impacto individual, essa situação afeta negativamente o comércio local, resultando em prejuízos para toda a sociedade. A campanha #BancoParaTodos tem como objetivo chamar a atenção para esses problemas e buscar soluções que garantam o acesso aos serviços bancários para toda a população brasileira, conforme determina a lei. “É fundamental que os bancos cumpram sua obrigação de fornecer atendimento adequado e acessível em todas as localidades necessárias”, conclui o secretário. *Fonte: Contraf-CUT
Dia Nacional de Luta dos bancários será nesta quarta-feira (28)

Nesta quarta-feira (28), bancários e bancárias de todo o país participam do Dia Nacional de Luta, em defesa do emprego e dos seus direitos. O objetivo da mobilização é denunciar à sociedade os problemas que a categoria sofre com o fechamento de postos de trabalho e consequentes demissões. Nas redes sociais, a mobilização incluirá ainda um tuitaço, a partir das 11h, com a hashtag #BancoParaTodos. A maioria das dispensas é consequência do fechamento de centenas de agências físicas no setor privado. Somente o Bradesco, que teve lucro superior a R$ 20 bilhões em 2022, cortou 1.276 postos de trabalho e fechou 93 agências e 174 unidades de negócios. No Itaú foram 240 agências físicas encerradas no ano passado e outras 103 no primeiro trimestre de 2023. Segundo dados apresentados durante o encontro promovido pela Uni Américas Finanças, que reuniu dirigentes de sindicatos de trabalhadores do ramo financeiro da Argentina, Uruguai e Brasil, em maio deste ano, só no Brasil, foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos, entre 2013 e 2023. Num período um pouco mais longo, entre 1994 e 2021, o peso da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro do país caiu de 80% para 44%.
COE do Mercantil se reúne para discutir programa próprio de PLR

A Comissão de Organização dos Empregados do Banco Mercantil do Brasil (COE/BMB) esteve reunida nesta segunda-feira (12). Na pauta, discussão e deliberações sobre a proposta de acordo próprio de PLR para 2023 e outros assuntos de interesse dos trabalhadores. Marco Aurélio Alves, funcionário do banco e coordenador da COE/BMB, falou sobre os temas da reunião. “Absurdamente, a meta de lucro anual, que era de R$ 250 milhões em 2022 passou para R$ 330 milhões em 2023, representando um aumento de 32%. Isso foge à realidade e, praticamente, impossibilita o atingimento da meta e recebimento de PLR pelos empregados. Não podemos aceitar mais essa arbitrariedade”, disse. A COE vai realizar pesquisa de clima entre os funcionários do Mercantil em todo o país, sobre a proposta de programa próprio. A próxima reunião da COE/BMB com a direção do Mercantil sobre o programa próprio de PLR 2023 ainda não data definida, mas deve ser realizada, preferencialmente, de forma híbrida e com a participação de representantes dos sindicatos, que possuam agências do Mercantil em suas respectivas bases territoriais. Fonte: Contraf-CUT
PIS/Cofins: plenário do STF vota a favor de que bancos paguem impostos sobre receitas

Por nove votos a um, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os bancos devem pagar PIS/Cofins sobre receitas financeiras. A medida evita uma perda de receitas de R$ 115 bilhões para o governo, segundo estimativa da Receita Federal. Os processos sobre o tema tinham como parte o banco Santander e a Sita, uma corretora de câmbio e outros investimentos. Mas o Supremo deu status de repercussão geral. Dessa forma, o entendimento final deverá ser aplicado a todas as instituições financeiras do país, entre bancos, corretoras e seguradoras, entre outras. Desde 2014, a legislação passou a deixar claro que a cobrança de PIS/Cofins sobre o faturamento dessas instituições também recai sobre as receitas financeiras, como juros e valorização cambial, por exemplo. Mas os bancos questionavam a incidência dessas contribuições federais entre os anos de 2009 e 2014, alegando que a lei sobre o assunto não era clara sobre o que constitui, de fato, o faturamento dessas empresas. O montante de R$ 115 bilhões calculado pela Receita Federal é referente às contribuições dos últimos cinco anos, que agora o governo fica autorizado a cobrar das instituições financeiras. Valores anteriores a isso já tiveram sua cobrança prescrita. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) apresentou, no processo, a estimativa de R$ 12 bilhões em impacto sobre o caixa das instituições financeiras. O valor tem como base disputas judiciais já em curso, envolvendo 12 bancos: Bank of America, BNP Paribas, Bradesco, BTG Pactual, Daycoval, GMAC, Itaú-Unibanco, Mercantil do Brasil e Santander. Segundo a Febraban, alguns bancos podem se livrar da cobrança, por terem aderido a programas de recuperação fiscal. Entre eles estão o Banco do Brasil, o Citibank e a Caixa Econômica Federal. Com este resultado, devem ser retomadas 65 ações judiciais que estavam paralisadas à espera da tese de repercussão geral sobre o assunto. Fonte: Agência Brasil
Segurança bancária: Grupo de Trabalho bipartite é instaurado

Representantes do Comando Nacional dos Bancários e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) deram continuidade à instalação do Grupo de Trabalho (GT) bipartite para avaliar os dados estatísticos e a possibilidade de acordo sobre a adoção de dispositivos de segurança bancária. A reunião ocorreu nesta segunda-feira (12). A constituição do GT está garantida na Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) dos bancários, sendo uma conquista da Campanha Nacional dos Bancários 2022. “O tema é bastante sensível e temos que debater com toda sinceridade e responsabilidade que o mesmo requer”, disse o coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Elias Hennemann Jordão. Mantendo a mesma postura apresentada durante a Campanha Nacional, a Fenaban afirmou que houve redução no número de assaltos a agências e postos bancários de 2000 a 2021. A entidade propôs que a representação dos trabalhadores se juntem aos bancos e atuem contra as normas estaduais e municipais de segurança, que exigem aparatos de segurança além dos previstos na Lei 7.102/1983, que regulamenta a segurança bancária. “Os casos reduziram justamente por causa dos sistemas de segurança, não há porque mexer em time que está ganhando”, disse Adelmo Andrade, representante da Federação Empregados em Estabelecimentos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb/BA-SE). Para Elias, a proposta da Fenaban é totalmente inoportuna. “Dada a conjuntura, existe uma preocupação com a retomada da violência. Por isso, entendemos que, se abrirmos mão de aparatos de segurança e de vigilantes neste momento, estaremos colocando em risco a categoria e os clientes. Acreditamos que temos que avançar na questão da segurança e não retroceder”, disse. Elias lembrou ainda que a retirada de portas de segurança e de vigilantes das agências bancárias desrespeita legislações específicas de estados e municípios e que existem várias decisões judiciais que condenam os bancos a pagarem multas pelo descumprimento das leis. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, ainda que em números relativos às transações via agências tenham perdido espaço, 48% delas são com movimentação financeira e que isso demonstra a importância de haver sistemas de segurança e vigilantes em qualquer tipo de agência bancária. Os dirigentes sindicais também ressaltaram as agressões que os trabalhadores vêm sofrendo nos últimos meses. “A sensação de insegurança não é só causada pelos assaltados, também acontecem inúmeros casos de ameaças e agressões físicas, mais uma comprovação da necessidade de vigilantes”, afirmou Nilton Damião Esperança, presidente da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Fetraf RJ/ES). *Fonte: Contraf-CUT
Nos últimos dez anos, digitalização acabou com 70 mil empregos e ajudou a fechar 5 mil agências bancárias

O setor financeiro mudou sua estrutura com a transformação digital nos últimos dez anos. O resultado é que foram fechadas 5.716 agências bancárias e eliminados cerca de 70 mil postos de trabalho. A informação foi publicada no jornal Estadão, com base nos dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Com a digitalização do setor bancário, os clientes realizam operações como abertura e fechamento de contas, consulta de saldo, transferências através de PIX, TED ou DOC, e até investimentos. Os aplicativos disponibilizados nos celulares assumiram as funções dos bancários, contribuindo para que os bancos reduzam cada vez mais o número de empregados. A pandemia também contribuiu para este novo panorama. Com o isolamento social, as pessoas, inclusive as idosas, foram obrigadas usar os aplicativos, ou seja, tiveram que se render à tecnologia para pagar contas e fazer operações que, antes, eram feitas presencialmente nos bancos. O reflexo na mão de obra do setor foi inevitável. Dados do Novo Caged (cadastro geral de empregados e desempregados, do Ministério do Trabalho), o volume de demissões em março ficou 39% acima da média mensal de 2022, quando o número de demissões chegou a 1.474. Já as contratações ficaram 16,5% abaixo da média mensal registrada no setor no período. Março foi o sexto mês consecutivo de cortes de postos de trabalho no setor bancário, aponta o cadastro. Ainda segundo a reportagem, só no primeiro trimestre deste ano, os bancos cortaram 2.662 vagas. O corte de pessoal nos grandes bancos chegou a 2.394, comparando os dados do primeiro trimestre de 2023 com igual período no ano passado. Apesar desses dados, a Federação Brasileira de bancos (Febraban) considera que o nível de emprego no setor tem se mantido estável. “No primeiro trimestre 2023 houve uma ligeira redução no nível de empregos no setor, de 0,6%, que é equivalente à expansão no nível de emprego que houve de 2021 para 2022, de 0,6%”, divulgou a entidade. Vagas em TI Com a transformação digital dos bancos e instituições financeiras, os novos postos de trabalho foram para profissionais de tecnologia da informação, como programadores, analistas e gerentes de produto.
Pesquisa do sindicato deve ser respondida até 26 de junho

O Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense está realizando uma pesquisa sobre “Doença Mental no Trabalho Bancário”. Um questionário está sendo entregue nas agências para ser respondido pelos bancários. O Sindicato pede que até o dia 26 de junho próximo todos sejam respondidos. A ação do sindicato, que conta também com a distribuição de folhetos explicativos, visa à conscientização dos profissionais para os riscos do adoecimento. Colocado em envelope lacrado, o questionário serve para coleta de informações básicas sobre a rotina de trabalho. É muito importante que os bancários respondam ao questionário. Não é necessário se identificar. Basta preencher e colocar no envelope lacrado. Todo o material será encaminhado ao Projeto de Saúde Mental no Trabalho Bancário, que é uma parceria entre o Sindicato e Universidade Federal Fluminense/Volta Redonda, onde os dados serão devidamente tabulados. O sindicato não tem acesso às respostas dos bancários. As informações serão tratadas com metodologia científica. Ao final desse trabalho será feita uma fotografia de todo o grupo para traçar um plano de trabalho efetivo. Estão previstas as etapas de extensão, estudo e pesquisa acadêmica, cujo objetivo é o trabalho bancário e suas repercussões na saúde dos trabalhadores. A pesquisa já foi entregue nos municípios de Barra Mansa, Volta Redonda, Itatiaia, Porto Real, Quatis e Pinheiral, Resende, Rio Claro, Piraí, Paracambi, Paulo de Frontin, Mendes, Vassouras, Barra do Piraí, Valença e Rio das Flores. Atualmente, cerca de 15% dos associados do Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense estão afastados pelo INSS para tratamento de saúde. Quase toda a sua totalidade está associada à Síndrome de Burnout, que é caracterizada pelo esgotamento emocional e, consequentemente, físico. Na sequência do trabalho será formado um procedimento chamado clínicas de trabalho, que serão espaços coletivos de escuta para que os bancários possam expor e exprimir seus sentimentos. O objetivo é diminuir a culpabilização das vítimas que ainda se martirizam por terem adoecido sem perceber que era o trabalho o agente causador.