Banco do Brasil: lucro tem queda de 53,5% no primeiro trimestre do ano

O lucro líquido ajustado do Banco do Brasil registrou R$ 3,431 bilhões, uma queda de 53,5% em relação ao mesmo período de 2025. Em comparação ao trimestre anterior, a queda foi de 40,2%.

Segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), houve forte queda no desempenho do banco neste início do ano.

Para Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), o resultado reforça a necessidade de debate sobre a estratégia do banco e seus impactos sobre trabalhadores e clientes.

Também houve recuo (9,4 pontos percentuais em 12 meses) no patrimônio líquido (RPSL) ajustado anualizado, que ficou em 7,3%.

Segundo o relatório do banco, o desempenho foi impactado pelos seguintes fatores:

  • aumento de 85,8% no custo do crédito, que totalizou R$ 18,9 bilhões, ainda refletindo problemas de inadimplência na carteira do agronegócio;
  • redução das despesas de captação, associada a menores volumes de LCA e ao efeito calendário (três dias úteis a menos);
  • crescimento de 5,5% nas despesas administrativas, influenciado pelo reajuste salarial de 2025 e investimentos em tecnologia e cibersegurança.

Em relação ao crédito, houve crescimento na carteira de crédito expandida, que chegou a R$ 1,306 trilhão, com crescimento de 2,2% em 12 meses e 0,7% no trimestre.

No agronegócio, as operações vinculadas ao programa BB Regulariza Agro alcançaram R$ 37,9 bilhões, com expansão de 68% no trimestre.

As chamadas “perdas esperadas” – antigas provisões para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) – cresceram 46,6% em 12 meses, somando R$ 16,8 bilhões.

Em contrapartida, o índice de inadimplência superior a 90 dias chegou a 5,05%, alta de 1,42 ponto percentual em um ano.

A base de clientes cresceu em 1 milhão de pessoas e chegou a 83 milhões em março de 2026. Apesar disso, o banco continua reduzindo sua estrutura.

No final do trimestre, o BB contava com 84.619 funcionários, depois de fechar 1.498 postos de trabalho em 12 meses (-1,7%); reduzir 587 empregos apenas no trimestre (-0,7%); encerrar 56 agências tradicionais e 113 postos de atendimento em um ano; abrir apenas uma agência digital e especializada.

De acordo com o movimento sindical, os dados reforçam a preocupação com o impacto das reestruturações sobre o atendimento à sociedade e as condições de trabalho nas unidades do banco.

*Fonte: Contraf-CUT

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