
O Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense participou, neste fim de semana (22 e 23/5), da 6ª Conferência Estadual da Federa-RJ.
Representando o sindicato na mesa de Saúde, o Prof. Dr. Fernando Faleiros apresentou o estudo sobre Saúde Mental dos Trabalhadores Bancários, realizado no Sul Fluminense em uma parceria entre o sindicato e a Universidade Federal Fluminense. A mesa também contou com a presença de Douglas Gil, diretor do sindicato.

O estudo traça um Raio-X do Trabalhador Bancário do Sul Fluminense, com uma amostra clínica de 658 profissionais, sendo 54,9% de mulheres, maioria entre 40 e 59 anos. Desse total, 91,8% possuem Ensino Superior.
Dentro deste universo, 49,2% já registraram ao menos um afastamento médico ao longo da carreira bancária. outro dado importante é que 36,9% de todos os afastamentos registrados foram motivados por transtornos psíquicos. O estudo mostra ainda que 19,6% da força de trabalho ativa possui, atualmente, um diagnóstico psiquiátrico estabelecido.

A conclusão é que o volume de transtornos mentais deixou de ser uma anomalia estatística para se tornar uma característica intrínseca do setor.
O estudo destaca, ainda, que o adoecimento é visto pelo sistema como sinal de fraqueza ou falta de comprometimento com as metas. Com isso, 36,9% dos trabalhadores já tiveram atestados médicos em mãos, mas escolheram não apresenta-los com medo de não ter apoio e sofre algum tipo de punição velada.

Segundo o estudo, oito em cada dez bancários trabalham em estado de esgotamento profissional grave ou crítico. A fadiga mental superou amplamente os danos físicos históricos da profissão.
Para enfrentar a situação, o estudo ressalta que é preciso quebrar o silêncio, debatendo a saúde mental em todos os locais de trabalho e desmantelando ativamente o estigma tóxico associado aos atestados médicos.

O estudo também conclui que ações paliativas de bem-estar não bastam, é preciso intervir de forma direta e incisiva nas condições e na organização mecânica do trabalho, revendo metas, pausas e ritmos.
Além disso, é necessário construir redes de confiança, desenvolvendo uma autêntica cultura organizacional que reflita verdadeiro comprometimento com a qualidade de vida. Um ambiente onde a gestão e as lideranças acolham o trabalhador vulnerável, em vez de puni-lo sistematicamente.


