Movimento sindical mostra lucratividade dos bancos e cobra aumento real

O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários apresentou, nesta quinta-feira (30), as reivindicações relacionadas às cláusulas econômicas, na mesa de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

Aumento real nos salários, Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vales refeição e alimentação, entre outros itens relativos à remuneração marcaram os debates.

Na apresentação das cláusulas econômicas, o Comando Nacional mostrou dados do Dieese, que comprovam a capacidade dos bancos de atendas às reivindicações dos bancários.

Os dados do Dieese mostram que os vales alimentação e refeiçãovem acumulando perdas nos últimos anos, sendo -13% no VA, entre 2019 e 2025, e -3,7% no VR, entre 2023 e 2025.

Segundo a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, para que o vale alimentação retome o mesmo poder de compra que tinha em setembro de 2019, em relação à cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40% no valor atual, o que elevaria o valor mensal de R$ 924,47 para R$ 1.293,73.

Sobre a distribuição da PLR, os dados mostram que apesar de a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria determinar que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025, somente a Caixa alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%.

O Comando reivindicou a adoção de um piso para os trabalhadores em TI e, para as funções de entrada na categoria em geral, o “Salário Mínimo Necessário do Dieese” (R$ 7.999,44).

Depois da apresentação dos trabalhadores, a Fenaban disse que as propostas serão analisadas e que, na próxima reunião, vai apresentar um retorno.

Sobre a mesa de saúde e condições de trabalho, a Fenaban sinalizou disposição para debater, periodicamente, o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas COEs e na mesa única. 

Entretanto, apresentou argumentos de que o alto índice de afastamento de bancários estaria ligado a multifatores, principalmente à facilidade de se obter atestados médicos.

Os bancos também atacaram diretamente a Cláusula 29, da CCT, que trata da complementação salarial para os afastados, com duração de até dois anos, com possibilidade de renovação.

A proposta da Fenaban é pela redução desse período para apenas 45 dias. E, após esse período, os médicos do trabalho do banco é que iriam decidir se o trabalhador continuaria ou não afastado.

O Comando Nacional reafirmou que não aceita a retirada dos direitos e reforçou que, para melhorar as condições de trabalho e qualidade de vida da categoria, são necessárias medidas mitigação dos riscos que reduzam a sobrecarga, incluindo mudanças no modelo de gestão, discussão de metas e a implantação da jornada semanal de quatro dias de trabalho e três de descanso (4×3), sem redução de salários e de direitos.

No final do encontro o Comando Nacional defendeu a manutenção da mesa única de negociações.

Para a próxima terça-feira, 4 de agosto, está prevista mais uma rodada de negociações sobre remuneração e cláusulas econômicas.

*Fonte: Contraf-CUT

Está gostando do conteúdo? Compartilhe!