Encontro Nacional de Saúde do BB reforça defesa do SUS

O difícil enfrentamento à pandemia da Covid-19, que tirou a vida de mais de 600 mil pessoas no Brasil, expôs a fragilidade dos sistemas de saúde públicos e privados, revelou as desigualdades entre os planos de saúde e reforçou o debate nacional sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) e do investimento em ciência, tecnologia e inovação. Esses foram alguns dos pontos discutidos com profundidade no painel “O SUS na pandemia e os desafios da saúde pública e suplementar pós-pandemia”, do Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do Banco do Brasil, realizado sábado (27). “Este encontro surgiu de um debate muito importante, no Congresso dos Funcionários do Banco do Brasil, que é a necessidade de discutirmos a saúde do trabalhador, não só os nossos planos de saúde, mas a saúde em si dos trabalhadores, discutir políticas, discutir projetos, discutir enfrentamentos com o próprio governo e com o próprio banco, frente à pandemia que vivemos e frente às consequências do pós-covid”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, durante a abertura do evento. O debate aconteceu entre os médicos sanitaristas Gonzalo Vecina Neto, fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e Lígia Bahia, pesquisadora em saúde pública e professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ. Um dos pontos de acordo entre os dois especialistas é o fato de estarmos longe do fim da pandemia: “Sendo muito otimista, poderia dizer que estamos no meio da pandemia. No fim, nem pensar”, disse Gonzalo. “Nós não estamos apenas longe do final, como também estamos numa crise pós-crise econômica, considerando que é recente a crise mundial de 2008. Talvez a gente ainda não tenha distanciamento histórico [suficiente] para entender todas as mudanças que estão ocorrendo neste momento”, ponderou Lígia. SUS e sistema suplementar Para os dois especialistas, não há dúvidas de que a crise sanitária que atingiu o Brasil foi pior por causa de um conjunto de fatores que incluem o desmonte da atenção primária à saúde provocado pelo governo Bolsonaro; a falta de integração entre os sistemas dos Estados e municípios; a drenagem de recursos do setor público para o privado, que também oferece planos de saúde de qualidade duvidosa; além do baixo investimento para a produção de tecnologias próprias na área de saúde. “Temos que revisitar a discussão sobre as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Uma grande parte dessas mais de 600 mil mortes não se deve ao vírus, mas ao tipo de medicina porca que nós praticamos”, criticou Gonzalo. “Em Manaus faltou oxigênio. Aqui no Sul e Sudeste faltou torpedo de oxigênio, porque nós estávamos internando pacientes em UPA, que não foi feita para tratar pacientes que precisam de oxigênio”, destacou. Para a professora Lígia, a terrível marca de mortos no Brasil, em decorrência da Covid-19, comprova que o SUS, do jeito que está “não é bom”. A pesquisadora não é a favor do fim do Sistema Único de Saúde. Muito pelo contrário, ela defendeu que a discussão seja feita com base na realidade para que as manifestações em defesa do SUS sejam, de fato, eficientes, completando: “A ciência também não saiu glorificada dessa pandemia. Esse é outro problema que temos que discutir: a ciência é muito arrogante, o que colaborou para a polarização [nos debates]”. Lígia criticou, principalmente, o grande aporte de recursos públicos para a iniciativa privada enfrentar a pandemia: “Só em 2020, o Ministério da Saúde alocou mais R$ 36 bilhões para a Saúde, entretanto a rede pública não se fortaleceu. Por que isso? Porque se comprou leitos do setor privado, grupos econômicos pegaram parte desse dinheiro”, disse. Na Saúde Suplementar, Lígia denunciou o aumento na desigualdade de tratamento entre os pacientes. “Não temos mais aquela discussão entre ‘quem tem plano e quem não tem plano’. Não! O que temos são diferentes tipos de planos no mercado que disputam recursos entre si, disputam profissionais de saúde”. A professora também expôs uma recente denúncia na Justiça contra a Amil feita por um médico, acusando a operadora de prescrever remédios mais baratos e sem efetividade para o tratamento de câncer dos pacientes de planos de saúde inferiores. O professor Gonzalo ponderou que há espaço para as iniciativas pública e privada atuarem juntas. “Atualmente, 60% da rede hospitalar brasileira é privada. Não é possível funcionar sem esses 60%. Então, essa rede continuará sendo contratada pelo SUS”, completando que há espaço, principalmente, à iniciativa privada nas ações da saúde de alta complexidade. Porém, Gonzalo apontou para a grande diferença entre o custo por paciente entre os dois sistemas: “A assistência médico-suplementar, pelos dados que temos de 2019, gastou R$ 4.000 per capita em um ano, enquanto o SUS gastou R$ 1.200 per capita no ano”. A professora Lígia respondeu que não defende o fim dos planos de saúde, mas sim “uma transição, um movimento que não prejudique ninguém”, e que estabeleça financiamento seguro e progressivo para um sistema de saúde público e universal. Desafio da nova variante Os dois médicos sanitaristas avaliaram com preocupação a descoberta da variante da Covid-19, chamada Ômicron. “Só vamos conseguir atravessar a pandemia se a vacina chegar para as pessoas de todo o mundo”, destacou Gonzalo. Caso as vacinas já em circulação não sejam capazes de criar anticorpos contra a Ômicron, o professor pontuou que a humanidade tem capacidade de produzir novos imunizantes. “Mas lembro que fazer vacina nova não é a mesma coisa que distribuir vacina nova”, explicando em seguida que, caso a variante Ômicron exija nova vacina e o Brasil falhar na continuidade do plano de imunização, “o jogo zera e [a Covid] começará a matar de novo, gerando outros milhares de mortos”. “Quando essa pandemia começou, criamos uma expectativa muito grande, que o mundo se tornaria um lugar mais solidário. Mas, não foi isso que aconteceu”, lamentou Lígia. “Acho que os sindicatos, as centrais sindicais, nós, cidadãos e cidadãs, temos que partir para cima. Não é

2º Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do BB discute efeitos da pandemia sobre as trabalhadoras e trabalhadores

Fórum irá abordar as ‘sequelas’ trabalhistas no pós-pandemia e como reverter as ações do governo que impactaram negativamente na segurança econômica de trabalhadores O impacto social da pandemia sobre a classe trabalhadora é tema da mesa 2 do 2º Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do Banco do Brasil, que acontece neste sábado (27), das 9h às 13h, transmitido pelos canais do YouTube e Facebook da TV-Contraf. O debate será sobre as ameaças aos direitos trabalhistas, aprofundadas por decisões do governo Bolsonaro na pandemia. Também será debatido o aumento da violência doméstica no período e a capacidade dos sistemas públicos de Saúde para acolher e tratar as vítimas desse crime. Participam da Mesa 2 Phamela Godoy, coordenadora do projeto ‘Basta! Não iremos nos calar’, que capacita entidades sindicais a prestarem assistência jurídica gratuita a mulheres em situação de violência; e Lúcia Porto Noronha, sócia da Crivelli Advogados e assessora jurídica no Comando Nacional dos Bancários. O impacto da crise no direito trabalhista Em entrevista para o portal Contraf-CUT, a advogada Lúcia Noronha pontuou: “Foram vários os efeitos da pandemia nas relações de trabalho. Ao mesmo tempo que acarretou efeito econômico, também trouxe consequências nas relações de trabalho. O governo brasileiro, sob o pretexto de tentar combater a pandemia, editou normas que rebaixaram ainda mais os direitos dos trabalhadores. Muitos empregadores, inclusive bancos, demitiram trabalhadores em plena pandemia”. Lúcia criticou, principalmente, a Medida Provisória (MP) nº1045/21, que instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e Renda, conhecida como ‘minirreforma trabalhista’. A medida ficou em vigência de abril a setembro. Ela chegou a ser aprovada na Câmera, em agosto, mas foi derrubada no mês seguinte pelo Senado. A MP autorizava a suspensão temporária do contrato de trabalho e a redução proporcional da jornada e do salário, além disso, eliminava o direito a férias, 13º e FGTS. Mais recentemente, em 11 de novembro, Bolsonaro usou outra uma vez sua caneta para assinar uma medida que elimina mais de 1.000 decretos, portarias e instruções normativas trabalhistas, resumidas em apenas 15 dispositivos. “Ao mesmo tempo em que os trabalhadores eram e são demitidos, as metas continuam aumentando. São frequentes os relatos de trabalhadores sobrecarregados”, contou Lúcia. “O ministro [da Economia] Paulo Guedes falou, dia 24 de novembro, que os servidores deram uma contribuição importante por terem ficado sem reajuste salarial durante a pandemia. As medidas deveriam ser outras, considerando dois aspectos: a proteção dos trabalhadores contra o contágio da Covid-19; e ações políticas com o objetivo de fomentar o aumento de emprego e renda, promover demanda de mão de obra”, destacou a advogada. “A mobilização dos trabalhadores é fundamental para impedir a evolução dos desmontes”, concluiu. A pandemia da violência doméstica A coordenadora do projeto ‘Basta! Não iremos nos calar’, Phamela Godoy, também falou sobre outro tema que será destaque na Mesa 2, do 2º Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do BB: o combate à pandemia da violência doméstica. “A gente passa por um processo de pandemia da Covid-19. Mas, segundo a ONU, a violência doméstica no mundo também é uma pandemia. Então, estamos passando por uma pandemia dentro da outra”, destacou Phamela, completando que a junção dessas duas pandemias prejudica mais ainda mulheres a saírem de relacionamentos abusivos. “E, tudo isso, somado às políticas desastrosas do governo federal, que colocaram milhões de pessoas em situação de miséria, que retiraram milhões de empregos e que atuam fortemente para desmontar o SUS”. Phamela explicou que muitas mulheres que sofrem violência doméstica têm dificuldades de abandonar o parceiro, autor das agressões, por dependência financeira. Logo, além de obrigar as mulheres a ficarem mais tempo em casa com seus agressores, todos os desdobramentos sociais e políticos da pandemia acabaram reduzindo a possibilidade de independência financeira de mulheres vítimas da violência doméstica. “É extremamente importante discutirmos a violência doméstica no âmbito da saúde pública, porque ela, além de afetar a saúde física, quando há uma violência sexual ou uma violência física, também afeta a saúde psicológica, a saúde mental que a gente tem tanta dificuldade de discutir no Brasil”, ponderou. O canal de apoio “Basta! Não irão nos calar” nasceu primeiro no Sindicato dos Bancários de São Paulo, antes da pandemia, em dezembro de 2019. Com o aumento de casos de violência doméstica, em decorrência da pandemia, em agosto de 2021, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) ampliou o projeto, para auxiliar todos os sindicatos parceiros a criarem seus próprios canais. As mulheres que procuram o “Basta!” recebem assessoria jurídica, que inclui desde a orientação para procurar os canais de serviços públicos, até o auxílio para manter o patrimônio e a guarda dos filhos. Segundo dados do governo, a violência contra a mulher cresceu 20% no Brasil durante a pandemia. Já uma pesquisa realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) aponta que, durante a pandemia, 13,4 milhões de mulheres sofreram algum tipo de violência íntima no Brasil, o que significa 25 brasileiras a cada minuto sofrendo violência doméstica. Fonte: Contraf-CUT

BB: sindicatos querem explicação do banco sobre convocação de grupo de risco ao trabalho presencial

“Vamos cobrar a responsabilidade do BB convocar grupo de risco sem, ao menos, fazer um mapeamento sobre quem tomou vacina e quais as condições dos locais de trabalho”, pontuou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, sobre reunião por videoconferência que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 29 de novembro, entre os membros do Comando Nacional dos Bancários e a Comissão Nacional de Negociações da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Nos últimos dias, o Banco do Brasil passou a convocar os funcionários do grupo de risco, com exceção das gestantes, para o retorno ao trabalho presencial. Nos comunicados anteriores, que vinham sendo feitos ao longo do ano, primeiro “convidando” os funcionários a saírem do teletrabalho e, depois, “convocando-os”, o BB não cobrou o ciclo vacinal completo. “Essa tem sido uma exigência constante do movimento sindical. Somente no último comunicado de convocação o banco decidiu cobrar, dos bancários, a vacinação completa. Mas, e as pessoas que já retornaram ao trabalho presencial e não foram cobradas antes e não estão em dia com todas as doses?”, observou o coordenador da CEBB. Atestado Segundo Fukunaga, outra cobrança dos sindicatos na reunião com a Fenaban, em relação ao BB, será que as pessoas do grupo de risco com comorbidades, além de imunizadas, só retornem ao trabalho presencial mediante um atestado de médico assistente. “A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) procurou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, de acordo com a entidade, as pessoas de grupo de risco com comorbidades poderiam voltar ao trabalho presencial somente mediante a orientação de um médico assistente”, explicou. Nos comunicados de convocação, o BB estabelece o retorno gradativo nos meses de novembro e dezembro, observando os percentuais mínimos de 50% (novembro), 75% (primeira quinzena de dezembro) e 100% (até o final de dezembro). As entidades de representação das trabalhadoras e dos trabalhadores do BB pedem que, aqueles que sentirem seus direitos ameaçados, entrem em contato com seus respectivos sindicatos. Fonte: Contraf-CUT

Banco do Brasil: trabalhadores protestam contra retorno presencial de grupo de risco

Sem negociar com movimento sindical, BB convoca funcionários do grupo de risco para trabalho presencial; Expectativa é de 100% até final de dezembro Sem nenhuma negociação com o movimento sindical, a direção do Banco do Brasil iniciou a convocação de funcionários do grupo de risco, com exceção das gestantes, para o retorno ao trabalho presencial. A atitude gerou protestos da coordenação do Comando Nacional dos Bancários e da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), durante videoconferência realizada com o vice-presidente corporativo e o diretor de pessoas do BB. “O movimento sindical é contra o retorno presencial desta forma e neste momento, quando ainda pairam incertezas sobre uma eventual nova onda de contaminações, a exemplo do que vem ocorrendo na Europa, e diante da orientação do Ministério da Saúde sobre a necessidade da dose de reforço da vacina contra o coronavírus”, disse o coordenador da CEBB, João Fukunaga. No comunicado sobre retorno presencial, o BB acrescentou a cobrança do ciclo vacinal completo, uma medida defendida há meses pelo movimento sindical, mas que somente agora está sendo cobrada pelo banco. O esquema de retorno implementado pelo BB estabelece o retorno gradativo nos meses de novembro e dezembro, observando os percentuais mínimos de 50% (novembro), 75% (primeira quinzena de dezembro) e 100% (até o final de dezembro). Para respaldar o posicionamento em favor da proteção dos funcionários e funcionárias do BB, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) procurou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com a entidade, as pessoas de grupo de risco poderiam voltar ao trabalho presencial, no atual cenário, mediante a orientação de um médico assistente. Diante dessa informação da Fiocruz, os representantes dos bancários cobraram, durante a reunião, um posicionamento da direção do banco. Descomissionamento por produtividade O Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial (Pandemia Covid-19), aprovado em março de 2020 pelos funcionários em assembleia e negociado entre o movimento sindical e a direção do BB, prevê que não haverá descomissionamentos por desempenho enquanto durar a pandemia, além da anistia de 10% do saldo total de horas negativas a compensar e prazo de compensação de horas negativas de 18 meses. O movimento sindical está atento para que o banco não faça descomissionamento por desempenho, descumprindo o Acordo Coletivo de Trabalho Emergencial. “Nós não vamos aceitar eventuais descomissionamentos por desempenho na esteira desta mudança feita sem negociação e que representa um verdadeiro ataque à saúde e aos direitos dos trabalhadores, e vamos acionar o judiciário em caso de descumprimento do acordo”, destacou Fukunaga. Os representantes dos trabalhadores orientam aos funcionários e funcionárias que sentirem seus direitos ameaçados a procurarem seus sindicatos. Fonte: Contraf-CUT

Vecina Neto e Lígia Bahia confirmam presença no Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do BB

Em entrevista exclusiva ao site Contraf-CUT, médicos sanitaristas avaliam as fragilidades do SUS e os desafios impostos pela pandemia Gonzalo Vecina Neto: O momento pós-pandemia, que nós ainda não estamos vivendo, nós esperamos viver esse momento, ele vai exigir de nós correr atrás do atraso, por um lado. Por outro lado, correr atrás da institucionalização do nosso Sistema Único de Saúde. Precisamos melhor financiar o nosso sistema de saúde, precisamos correr atrás de garantir que nós tenhamos um sistema de saúde realmente universal, integral e financiado por impostos públicos adequados. Então, tem uma luta grande e temos que colocar essa luta na agenda das eleições. Temos que cobrar isso dos candidatos, para que eles se comprometam com a agenda de ter um sistema único de saúde público, universal e integral. Fonte: Contraf-CUT

Presidente do Banco do Brasil visita prédio em São Paulo sem respeitar protocolos contra Covid-19

O atual presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, visitou nesta quinta-feira (18) um dos blocos do complexo de prédios do Centro Empresarial de São Paulo (Cenesp), na zona Sul da capital paulista. Mas além de não conversar com os funcionários do complexo a respeito das condições de trabalho, ainda promoveu aglomeração e incentivou a dispensa de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no momento que se pede ainda cuidados em relação à pandemia de covid-19. “A demonstração de coragem em não usar máscara e enfrentar o vírus, atitude peculiar dos negacionistas do governo Bolsonaro, na verdade, pode ser caracterizada como descumprimento de norma sanitária vigente em São Paulo”, afirmou Diego Pereira, o Peppe, dirigente sindical do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Enquanto o presidente do banco esbanjava atitude negacionista a respeito da pandemia, cipeiros, delegados sindicais e dirigentes sindicais procuram fiscalizar e acompanhar, nos locais de trabalho, o cumprimento por parte do banco das medidas e protocolos de segurança em favor dos funcionários, a fim de evitar contaminação e adoecimento daqueles que realmente fazem o resultado da empresa. “É inacreditável! Seria de boa monta encaminhar o manual de trabalho presencial emitido pela empresa ao próprio presidente, e grifar a parte onde os bancários devem usar máscaras, evitar o contato físico e aglomeração, no sentido de não proliferar o vírus. Muitos colegas do Banco do Brasil faleceram nessa pandemia, e muitos também perderam familiares para o coronavírus, ou seja, deve-se respeitar as medidas de segurança, se não por cautela, ao menos por respeito às vítimas”, criticou Getúlio Maciel, dirigente sindical da Fetec-CUT/SP e representante da Comissão de Empresa dos funcionários do BB. Sindicalistas do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, juntamente com delegados sindicais que trabalham no complexo, já aguardavam a presença do presidente do BB, a fim de poder entregar demandas sensíveis à implementação do trabalho remoto, uma vez que o banco já havia sido notificado sobre a manutenção dos trabalhadores em home office. Existe um acordo assinado com o movimento sindical, considerando que a empresa já possui tecnologia e processos para implantação do trabalho remoto, houve redução de custos para empresa, e a produtividade foi considerada muito boa. “O banco ainda não encaminhou nenhuma resposta satisfatória quanto à implementação do trabalho remoto definitivo, reivindicação que reduziria muito os riscos de contágio e a preservação da saúde, e ainda possibilitaria um melhor bem-estar e planejamento do cotidiano dos funcionários, uma vez que há muita reclamação também a respeito da distância do prédio do Cenesp em relação ao lar e região onde vivem a maioria dos funcionários”, disse Ana Beatriz Garbelini, dirigente sindical do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Texto original do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Encontro Nacional de Saúde dos Funcionários do BB acontece no dia 27 de novembro

Fórum contará com a participação de especialistas em saúde pública e na gestão primária a saúde Os funcionários do Banco do Brasil realizam no sábado da próxima semana, dia 27 de novembro, um encontro nacional de saúde. O objetivo é discutir a saúde do trabalhador bancário frente aos desafios impostos pela pandemia, como o tratamento às pessoas que contraíra a Covid-19 e ficaram com sequelas. O encontro, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), será realizado via plataforma Zoom e transmitido, ao vivo, na TV-Contraf, no YouTube. “A pandemia da Covid-19 impôs, em todo o mundo, desafios nos sistemas públicos de saúde. No Brasil não foi diferente. O papel do Sistema Único de Saúde, o SUS, nesse momento, foi fundamental, tanto para atender a demanda de pacientes infectados quanto para colocar em ação os planos de imunização em todo o país. Mas os desafios não acabaram e precisamos discutir, agora, como será o atendimento às pessoas que ficaram com sequelas”, explicou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. O encontro será aberto, não restrito apenas aos dirigentes sindicais. Todos os trabalhadores do banco são convidados. Entretanto, as inscrições para participar via plataforma Zoom serão limitadas a 500 pessoas. Quem não puder entrar mais na sala, devido ao teto no número de inscritos, poderá acompanhar o debate ao vivo, na TV-Contraf (YouTube). “Como representantes dos trabalhadores, no movimento sindical, estamos atentos a toda e qualquer situação que possa colocar em risco a vida e a saúde de todos nós. Esse encontro aberto acontecerá também para fazer um balanço da Cassi e o desafio de manter nosso matrimônio a luz do cenário político atual”, completou Fukunaga. A programação completa do encontro será divulgada ao longo da próxima semana, junto à divulgação do e-mail para as inscrições. Fonte: Contraf-CUT

O que o lucro elevado do BB no 3º trimestre revela sobre a reestruturação?

O Banco do Brasil registrou, no terceiro trimestre do ano, lucro líquido recorrente de R$ 5,13 bilhões. O número representa alta de 47,6% ante o mesmo período do ano anterior e de 2,0% em relação ao segundo trimestre deste ano. No acumulado do ano, o banco alcançou lucro de R$ 15,1 bilhões, representando um crescimento de 48,1%. O BB ainda revisou suas projeções corporativas para 2021, de R$ 17 bilhões a R$ 20 bilhões para R$ 19 bilhões a R$ 21 bilhões. Ao divulgar os resultados, na última segunda-feira (8), o Banco do Brasil comunicou que o “bom desempenho” se deve às “menores despesas com provisões de crédito, maiores receitas, com crescimento da margem bruta e das rendas com prestação de serviços, e sólido controle das despesas administrativas”. Os números impressionaram o mercado que considerou o desempenho do BB superior ao dos três maiores bancos privados do país. Acompanhando o forte crescimento da carteira de crédito, o Banco do Brasil subiu índice de cobertura para 323%, percentual bem maior aos dos bancos Santander (250%), Bradesco (297%) e Itaú (234%). No material de análise dos resultados do BB, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) ressalta que, ao final de setembro de 2021, o Banco do Brasil contava com 85.069 funcionários, 7.037 postos de trabalho a menos que em setembro de 2020, em função de sucessivos programas de restruturação. “Esses números são reveladores. A notícia parece boa, mas o lucro astronômico está custando a saúde dos bancários, que trabalham em número reduzido nas agências e sob a pressão de metas cada vez mais difíceis de alcançar”, observou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. Ainda segundo o DIEESE, em 12 meses, o BB fechou 393 agências e 66 postos de atendimento bancário. Durante o mesmo período, houve um crescimento de 3,4 milhões no número de clientes, superando 76,8 milhões. Em outubro, alguns gerentes de serviço conseguiram realizar uma reunião com a administração do Banco do Brasil, a respeito do acúmulo de funções que vem causando o adoecimento entre os funcionários. Representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) participaram do encontro como convidados. “Na reunião, os bancários deram um relato daquilo que estão vivenciando. Os planos de reestruturação são recorrentes desde 2017. De lá para cá observamos um aumento na sobrecarga e, consequentemente, no adoecimento dos funcionários que ficam”, destacou o coordenador da CEBB. Fonte: Contraf-CUT

Cassi e BB terceirizam atendimento à saúde mental

Contrato com plataforma de atendimento psicológico on-line não teve consulta do movimento sindical e abre discussão sobre sigilo de dados A parceria entre o Banco do Brasil, Cassi e a Vittude, desenvolvedora de ferramentas de inteligência artificial e atendimento psicológico on-line, preocupa as entidades sindicais e de defesa das trabalhadoras e trabalhadores do BB. “Sempre defendemos a ampliação da oferta de atendimento psicológico na Cassi, mas essa decisão de terceirizar o atendimento, de modo on-line e, ainda, sem dialogar com o movimento sindical, nos deixou em alerta”, pontuou João Fukunaga, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB). “A parceria sequer foi apresentada ou discutida com as equipes técnicas da Cassi, o que representa risco para a evolução do modelo baseado na Atenção Integral. Foi uma iniciativa do Banco do Brasil que, depois, envolveu a Cassi. Os dirigentes da Cassi acabaram se submetendo, mais uma vez, às decisões do BB, aceitando a contratação sem uma discussão ampla com os próprios associados”, observou Fernanda Carisio, ex-presidenta do conselho deliberativo da Cassi. “Mais uma vez a Cassi está vendendo os associados, principalmente, os da ativa, ao permitir acesso aos dados de pacientes adoecidos. É muito triste ver a diretoria eleita da Cassi fazendo esse papel escuso”, lamentou ainda João Fukunaga. Na divulgação da parceria, o BB e a Cassi afirmaram que o acordo com a Vittude faz parte do pilar Apoio Psicológico do Programa Saúde Mental, “que está sendo bem recebido por todos os funcionários”. Entretanto, Fukunaga contestou essa informação, uma vez que a contratação da Vittude foi realizada por debaixo dos panos, colocando em risco a proposta original do Programa Saúde Mental: “Essa decisão de terceirizar um serviço que já existe na Cassi não foi dialogada com os associados. Sempre cobramos a ampliação do atendimento psicológico nas mesas de negociação, mas com a interveniência da Cassi neste processo. Agora, quais são os riscos de arquivamento e compartilhamento de informações pessoais das trabalhadoras e dos trabalhadores, em se tratando de uma empresa terceirizada e que tem um contrato 100% pago pelo banco?”, questionou o coordenador da CEBB. “A questão dos dados é séria, ainda mais se considerarmos que não houve discussão com as equipes técnicas da própria Cassi. É provável que exista um termo de confidencialidade assinado pelas partes, isso é, pelo BB e a terceirizada, mas isso, por si só, não garante a preservação das informações de saúde dos associados”, analisou Fernanda. Programa Saúde Mental O Programa Saúde Mental (PSM) da Cassi tem mais de 20 anos. “Começou com a criação de portas de entrada para a saúde mental, a partir de estruturas locais montadas nas unidades Cassi. Esse modelo está evoluindo para trabalhar com Linhas de Cuidado, organizadas para atender aos problemas mais prevalentes entre os funcionários do Banco”, conta Fernanda Carisio, questionando em seguida: Por que não investir num programa maduro e consistente, operado pelos profissionais da própria CASSI?.” O PSM não nasceu por acaso, mas de uma necessidade cada vez maior de atender a demanda de trabalhadores e trabalhadoras do BB. Um estudo recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), abordado no texto “Suicídios na categoria reforçam necessidade de medidas protetivas”, revelou que, entre 2012 e 2017, os bancos foram responsáveis por 15% dos afastamentos por causas mentais entre todos os setores de atividade econômica. Quando se trata de depressão, a proporção no período aumentou para 16%. O levantamento apontou ainda que, de 2009 a 2013, houve uma elevação de 70,5% dos casos de Transtorno Mental entre os bancários, contra 19,4% nas demais categorias. Fernanda explicou que as CliniCassi estão equipadas com profissionais preparados para a condução das ações em Saúde, incluindo psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais, além de psiquiatras nas CliniCassi de maior porte. “As ações de Saúde das CliniCassi são baseadas na Atenção Primária e contam com o suporte de parceiros especializados na rede de prestadores de serviços que atuam dando prosseguimento aos tratamentos do paciente”, completou. Atualmente, no Plano Associados da Cassi existe a cobrança de coparticipação equivalente a 40% no valor das consultas. “Nas mesas de negociação temos pedido, reiteradamente, que o banco arque integralmente com os custos dos atendimentos psicológicos em caso de adoecimento mental decorrente do trabalho”, destacou Fukunaga. “É curioso que o banco que oferece, agora, atendimento psicológico gratuito, on-line, por uma terceirizada, é o mesmo que prejudica a saúde dos trabalhadores impondo metas diárias, mesmo diante da pandemia, em uma situação na qual várias agências estão desfalcadas”, observou. Outro dado abordado no artigo “Suicídios na categoria reforçam necessidade de medidas protetivas”, publicado aqui no site da Contraf-CUT, e que reforça a crítica de Fukunaga contra o BB, é que as condições precárias de trabalho, somadas ao baixo poder de decisão sobre as tarefas, aumentam em 77% a possibilidade de o trabalhador cair em depressão. A conclusão é da pesquisadora Llorens Serrano, da Universidade Autônoma de Barcelona e do Instituto Sindical de Trabalho, Ambiente e Saúde (ISTAS), após metarrevisão de 72 estudos mundiais, produzidos nos últimos dez anos.

BB “reestrutura a reestruturação” para manter salários rebaixados e responsabilidades altas

Banco do Brasil anunciou transformação da PAA’s em “Lojas”, alçando gerentes de relacionamento a gerentes gerais Imaginem a seguinte situação: Agenor, responsável por administrar a tradicional Tratoria e Risttorante, decide submeter a empresa a uma reformulação, reduz o número de funcionários em algumas unidades, que passam a se chamar Lancherias. As Lancherias não possuem cozinheiros, por isso, os funcionários responsáveis pelo preparo da comida serão chapistas, com salários reduzidos. Seis meses depois, Agenor resolve re-reestruturar a empresa e torna as Lancherias em Cantinas, elevando os chapeiros a cozinheiros, mas mantém o mesmo salário do cargo anterior. Detalhe: durante todo esse processo o menu sempre foi o mesmo. Essa história, em tom cômico, foi descrita por um funcionário do BB sobre a nova reestruturação anunciada pelo banco, nesta semana. A administração da empresa informou que irá transformar os postos de autoatendimento (PAAs) em “Lojas”, que voltarão a ter o status de agência. Voltando um pouco no tempo, em janeiro deste ano, o BB anunciou um plano de reestruturação que vem resultando no fechamento de unidades e enxugamento do número de funcionárias e funcionários e sobrecarregando os que ficam. Nesse processo, algumas agências foram transformadas em PAAs, com gerentes de relacionamento subordinados a gerentes-gerais de agências maiores. Os funcionários pagam a conta Agora, nesta semana, o banco anunciou que os PAAs serão elevados ao status de “Lojas”, os gerentes de relacionamento serão “promovidos” a gerentes gerais, com mais responsabilidades e riscos inerentes ao cargo, entretanto, sem aumento salarial efetivo. “Com toda essa manobra, que vem ocorrendo desde janeiro, o banco conseguiu fazer uma ampla redução salarial, aumentando a responsabilidade do funcionário, com a possibilidade de ele ser descomissionado por ato de gestão”, alertou o representante da Federação dos Bancários da CUT do Estado de São Paulo (Fetec-CUT/SP) na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB (CEBB), Getúlio Maciel. “O gerente de relacionamento que hoje fica nesses postos [de autoatendimento], vai ser promovido, entre aspas, para ter muito mais responsabilidade, assinar pelo banco, ter procuração pelo banco e não ter ponto eletrônico e ganhar 170 reais a mais. Sendo que, em alguns casos, os gerentes vão ganhar menos. Com a criação do Performa, de outra reestruturação que o banco rebaixou os salários, todas as comissões tiveram o valor reduzido, mas, em muitos casos, os gerentes mantiveram o mesmo valor através de uma complementação da verba. Agora, no momento em que eles forem, entre aspas, promovidos, vão perder a complementação dessa verba”, explicou a representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi/MG) na CEBB, Luciana Bagno. Em resumo, em alguns casos, gerentes de relacionamento que forem promovidos para gerente geral acabarão com os salários mais baixos. “Vale destacar ainda que, durante todo esse processo de reestruturação, os gerentes de relacionamento das PAAs sempre tiveram as mesmas responsabilidades, mas só poderiam ser descomissionados se tivessem três avaliações negativas, uma a cada semestre, por desempenho. Agora, eles poderão ser descomissionados por ato de gestão”, observou Getúlio Maciel. “A cada nova reestruturação os funcionários do BB se sentem mais desvalorizados. Sempre com aumento da carga de trabalho e das responsabilidades e redução do salário. As reestruturações vão se sobrepondo, somando anomalias e, inevitavelmente, aumentando o passivo trabalhista do banco”, ponderou Luciana Bagno. Banco de mercado “No lançamento do balanço do último semestre, o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores, José Ricardo Fagonde Forni, disse que uma das finalidades futuras da reestruturação seria a redução de despesas, principalmente no que tange às despesas administrativas e de pessoal. Então, essas reestruturações visam diminuir salários para apresentar um balanço melhor à custa dos funcionários, numa ótica que privilegia os acionistas em detrimento da qualidade de atendimento e responsabilidade social”, destacou o coordenador da CEBB, João Fukunaga. A CEBB procurou o banco para mais esclarecimentos sobre a nova reestruturação. “Estamos preocupados com o impacto dessas alterações, em tão pouco tempo e da forma como estão acontecendo, na vida dos funcionários. Se o banco quer fazer mudanças que correspondam às necessidades do mercado, precisa considerar que tanto o mercado como a empresa são formados por pessoas reais que não podem ser simplesmente movimentadas, como se fossem peças de um tabuleiro”, concluiu Fukunaga. Fonte: Contraf-CUT