Movimento sindical promove tuitaço contra abusos, demissões e fechamento de agências do Bradesco

Organizado nacionalmente, o movimento sindical promoveu um tuitaço, no final da manhã desta quarta-feira (24). O protesto foi pelo fechamento de agências, por segurança nas unidades de negócio, pelo fim das demissões e por mais contratações para melhorar o atendimento dos clientes e usuários do Bradesco. Com a hashtag #AvergonhaContinuaBradesco, o objetivo da mobilização foi expor a irresponsabilidade social do banco, que apesar de lucrar alto corta empregos e atende mal a usuários e correntistas. Foi registrado um forte engajamento e a mobilização ficou em quarto lugar entre os assuntos mais comentados durante a manhã. Além de denúncias de abusos, a mobilização nas redes sociais serviu para conscientizar a população sobre a realidade enfrentada pelos bancários. Vale lembrar que no primeiro trimestre deste ano, o balanço do banco registrou lucro de R$ 4,3 bilhões.
GT vai tratar de diversidade racial no BNDES

Empoderamento Negro para a Transformação da Economia é o nome do grupo de trabalho (GT) criado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para planejar medidas de fortalecimento da equidade racial na entidade. Formalizada nesta terça-feira (23), a medida tem apoio da Open Society Foundations. O evento começou com desagravo ao jogador Vinícius Júnior, que foi vítima de violenta manifestação de racismo em jogo da liga espanhola no último domingo. O GT deverá atuar na elaboração de um novo censo para identificar a composição étnico-racial dos empregados do BNDES, propor medidas para impulsionar a diversidade, a equidade e a inclusão da população negra no banco e desenvolver propostas para adequar sua atuação a legislações como a Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância e o Estatuto da Igualdade Racial. O secretário de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Almir Aguiar, ressaltou que “depois de muitos anos, o BNDES volta a abrir suas portas para discutir racismo e empoderamento negro na transformação da economia, tema fundamental, e o BNDES tem um importante papel para alavancar o empreendedorismo negro”. O BNDES vai disponibilizar R$ 17 milhões, além da captação de mais R$ 10 milhões junto à iniciativa privada, para a construção do Museu e do Distrito Cultural do Cais do Valongo, com inauguração prevista para 2026 na região carioca conhecida como Pequena África. Segundo Almir, “por mais de 40 anos, o Cais do Valongo, que foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Histórico em 2017, recebeu mais de um milhão de escravizados, e por isso nos leva a refletir sobre grandes barbáries cometidas contra a humanidade”. O dirigente afirmou que “o Museu será muito importante para o Rio de Janeiro e para o Brasil, como um marco para fortalecer a luta contra os crimes cometidos contra negros e contra o racismo, que precisam acabar. Basta de racismo!” O colegiado vai ainda sistematizar estudos de ações afirmativas para negras e negros no BNDES e em outros bancos de desenvolvimento, além de mapear e propor ações para o empoderamento da população negra no país, em interlocução com órgãos públicos e instituições da sociedade civil. “Vamos sair daqui com algumas tarefas, e não apenas para o banco. No próximo dia 20 de novembro, data de Zumbi, vamos lançar um documento para incluir nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) a questão do racismo. Queremos colocar essa agenda em discussão na ONU”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. *Fonte: Contraf-CUT
Imposto de Renda: consulta ao primeiro lote de restituição é liberada pela Receita

A Receita Federal liberou, nesta quarta-feira (24), a consulta ao primeiro lote de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física de 2023. Neste lote são contemplados 4,1 milhões contribuintes que estão na fila de prioritários, como idosos acima de 80 anos, pessoas com deficiência, professores e quem fez a declaração pré-preenchida ou optou por receber a restituição pelo Pix. Os valores serão pagos no dia 31 de maio. O contribuinte deve acessar a página da Receita Federal na internet e clicar nos itens “Meu Imposto de Renda” e “Consultar a Restituição” para saber se a restituição está liberada. Este primeiro lote é considerado pelo órgão o maior da história e distribuirá cerca de R$ 7,5 bilhões aos contribuintes. O prazo para entrega da declaração do imposto termina em 31 de maio, às 23h59. *Com informações da Agência Brasil
Caixa comunica contratação de 800 aprovados em concurso de 2014

A Caixa Econômica Federal enviou comunicado à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), informando que vai contratar 800 aprovados no concurso de 2014. O comunicado foi feito na noite desta terça-feira (23). A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, lembrou que a recomposição do quadro é uma reivindicação antiga. “As empregadas e os empregados estão sobrecarregados. Há anos cobramos a recomposição do quadro de pessoal e, na nossa última reunião de negociação, ocorrida na sexta-feira (19), reiteramos a urgência do atendimento de nossa reivindicação, numa tentativa de sanar o problema de sobrecarga e dos costumeiros problemas de saúde que ela causa aos empregados. Além disso, com um quadro de trabalho maior, podemos atender melhor à população”, disse. Segundo o último balanço da Caixa,o banco encerrou o 1º trimestre de 2023 com 86.741 empregados, 109 a menos em um ano. Mas, além da queda no número de trabalhadores, houve aumento de aproximadamente cinco milhões de novos clientes no período, elevando, desta forma, o número de clientes a serem atendidos para 1.744 por empregado. Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, é preciso aumentar o teto de empregados. “Mais do que uma excelente notícia, a contratação de 800 aprovados no concurso é uma conquista do movimento. Com certeza ajuda a aliviar a sobrecarga. Mas é insuficiente para recompor o quadro de pessoal, que vem sendo reduzido no decorrer dos anos. Estas 800 contratações são bem-vindas, mas é preciso aumentar o teto de empregados e contratar mais”, afirmou Takemoto. Em 2014, quando o concurso foi realizado, a Caixa contava com 101.484 empregados. Considerando os números do balanço do primeiro trimestre de 2023, são 14.743 postos de trabalho a menos. *Fonte: Contraf-CUT
Após pressão do movimento sindical, Santander cancela patrocínio ao Campeonato Espanhol 2023/2024

Está confirmado: o banco Santander não será, na temporada 2023/2024, o detentor dos Naming Rights da LaLiga, campeonato espanhol de futebol. A informação foi confirmada nesta terça (23) pelo marketing da instituição. A medida foi tomada após a pressão nacional e internacional contra os atos de racismo cometidos pela torcida do Valencia, clube espanhol, contra o brasileiro Vinícius Junior, que repercutiram mundialmente. De acordo com o diretor de Marketing do Santander Brasil, Igor Pulga, a a falta de medidas concretas da LaLiga a fim de coibir atitudes discriminatórias de torcedores espanhóis também foi preponderante. “Esperamos que essa postura estimule outros patrocinadores a rever também os seus patrocínios à LaLiga. É preciso muita pressão e atingir as fontes de financiamentos de quaisquer instituições que se omitam ou permitam o racismo”, afirma Lucimara Malaquias, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados do Santander. Na última segunda (22), o movimento sindical questionou ao banco espanhol, através de uma carta de repúdio divulgada, qual medida seria adotada pela instituição. Vale lembrar que o Santander era o principal patrocinador do torneio, sendo detentor dos Naming Rights tanto da primeira quanto da segunda divisão do campeonato. “Avaliamos como positiva a decisão de cancelar o patrocínio da LaLiga, mas é importante que o banco siga se posicionando contrariamente a todas as formas de discriminação e de preconceitos, dentro e fora do banco, e intensifique a promoção da responsabilidade social e o seu papel como agente multiplicador nesta luta”, acredita Luciana.
Caixa: empregados pedem o fim da cultura do assédio

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) se reuniu com o novo vice-presidente de Pessoas (Vipes) da Caixa Econômica Federal, Sergio Mendonça, na última sexta-feira (19). Os empregados cobraram o fim da cultura de assédio no banco. O diretor de Pessoas, Daniel de Castro Borges, e dirigentes da Diretoria de Integridade também participaram da reunião. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, lembrou que é preciso respeito. “A Caixa é um banco público e sua principal característica é o atendimento de beneficiários de programas sociais do governo e clientes de baixa e média renda, não tem sentido a cultura organizacional atual, que reconhece apenas quem comercializa produtos e marginaliza quem cumpre o papel social do banco. É preciso tratar o banco, empregados e clientes com respeito. A Caixa é o que é, por causa da atuação de todos os empregados, não só daqueles que se enquadram no perfil mais comercial adotado no último período”, ressaltou Rafael. Eliana Brasil, diretora executiva da Contraf-CUT, observou que o empregado da Caixa está hoje numa rotina de competição interna em um nível que não permite que ele enxergue mais o papel social do banco. “Essa estratégia não tem dado resultado positivo. Os empregados estão em situação precária de saúde, o lucro não aumentou e perdemos mercado, com clientes buscando pela concorrência”, disse Eliana. Perfil de vendas A CEE defendeu que as empregadas e os empregados não podem ser punidos pelo fato de clientes cancelarem produtos da cesta de serviços, sendo que a própria Caixa manda mensagem para estes clientes, orientando a solicitarem o cancelamento quando este não se enquadra em seu perfil, outro exemplo de punição dada pela Caixa é quando o cliente aceita um cartão, mas não o ativa após 90 dias. Nestes casos a Caixa tem impedido a participação dos trabalhadores nos Processos de Seleção Interna (PSI) e feito ameaças para intimidar os bancários da rede de agências. Os representantes dos empregados foram unânimes em condenar o Programa de Qualidade de Vendas (PQV), classificado como inaceitável, por não resolver a questão de uma possível venda malfeita, alegada pela Caixa. “Os empregados não fazem venda forçada pra nenhum cliente por iniciativa própria. O problema que tem que ser resolvido é o que motiva as vendas forçadas: As metas abusivas impostas pelo banco. É preciso acabar com a cultura do assédio, das cobranças pra bater meta a qualquer custo. O que o banco precisa fazer é oferecer condições de trabalho e treinamentos adequados aos empregados, precisa, urgentemente, contratar novos empregados para aliviar a sobrecarga dos colegas”, afirmou a coordenadora da CEE, Fabiana Uehara Proscholdt. Para os representantes dos trabalhadores, os problemas registrados nas agências e outras unidades da Caixa seguem na linha de retrocesso desenfreado da gestão anterior. “Para a reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, a medida de gestão mais emergencial é o respeito e a valorização do corpo funcional do banco. A gestão tem que, de fato, ser humanizada. Precisamos debater sobre assédio moral e sexual em um grupo específico para encontrar soluções para os problemas”, ressaltou a coordenadora da CEE, que cobrou um calendário de negociações, com cronograma de debates para que as reivindicações da categoria avancem. Volta da Vipes A recriação da Vipes, que havia sido extinta no primeiro semestre de 2021, ainda sob a gestão de Pedro Guimarães, foi classificada como um fato de importância simbólica e histórica, uma vez que ocorreu a partir de uma reivindicação dos empregados. “O movimento sindical bancário sempre defendeu a necessidade de uma área específica de gestão de pessoas, considerada imprescindível não só para o processo de reconstrução da Caixa que o Brasil precisa, mas também para o cuidado com os seus trabalhadores”, destacou Fabiana Uehara Proscholdt. A representação dos empregados reivindicou ainda os seguintes itens: fim do teto de gasto do Saúde Caixa, bem como a melhoria do plano; valorização da Universidade Caixa com volta dos cursos presenciais; processos seletivos internos transparentes, democráticos e abertos a todos; home-office com cumprimento efetivo da legislação sendo prioridade aos empregados com deficiência e aos empregados com filhos ou criança sob guarda judicial até 6 anos (art. 75-F CLT); jornada reduzida para os pais de filhos PCDs (analogia a Lei nº 8.112/90); rediscussão do PCS, ESU; retorno das Gipes, bem como áreas de apoio aos empregados (descentralização – com uma por estado); fim das funções por minuto, com efetivação dos empregados que executam hoje essas atividades; fim do banco de horas negativo e dotação orçamentária necessária para as horas extras; reparações aos empregados perseguidos na gestão anterior. Fonte: Contraf-CUT
Contraf-CUT pede retirada de patrocínio do Santander à La Liga devido aos atos racismo contra Vinicius Junior

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) está pedindo a retirada do patrocínio do Santander à La Liga espanhola. A entidade repudia os atos de racismo sofridos pelo jogador brasileiro Vinícius Júnior durante o campeonato. Funcionária do Santander e secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa enfatizou que é inaceitável o nome do banco estar associado a atos tão absurdos. “Embora o banco já tenha emitido uma nota repudiando qualquer ato de racismo, deveria retirar imediatamente seu patrocínio da liga. No Brasil, o racismo é considerado crime, e o fato de o Santander patrocinar uma liga envolvida em atos racistas é extremamente preocupante”, declarou. O secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar também se manifestou, afirmando que o racismo no futebol espanhol tem se tornado uma mancha no esporte internacional. “Enquanto a beleza do futebol de Vinícius Júnior encanta uma parcela dos torcedores, outra parte expõe seus sentimentos perversos através de agressões racistas”, afirmou. O posicionamento da Contraf-CUT reflete a indignação em relação aos atos racistas ocorridos na La Liga, destacando a necessidade de medidas mais enérgicas e efetivas para combater o racismo no futebol internacional. A entidade sindical conclama o Santander a reconsiderar seu patrocínio à liga espanhola, visando enviar uma mensagem clara de rejeição a quaisquer manifestações discriminatórias. *Fonte: Contraf-CUT
Impactos da digitalização sobre trabalhadores do sistema financeiro é tema de encontro de sindicalistas

Encontro promovido pela Uni Américas Finanças, em Buenos Aires, na Argentina, reuniu dirigentes de sindicatos de trabalhadores do ramo financeiro da Argentina, Uruguai e Brasil. Durante o evento, foram debatidas questões sobre os impactos da digitalização no sistema financeiro sobre a classe trabalhadora. O encontro ocorreu nos dias 15 e 16 de maio. O vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), Vinícius Assumpção, falou sobre a importância do debate internacional em torno dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do ramo financeiro. “Estamos observando um movimento acelerado, a partir da digitalização do sistema financeiro, de pulverização desses trabalhadores em diversas categorias, sem os direitos conquistados. Então, mais do que nunca, precisamos buscar, coletivamente, ações para combater os impactos negativos sobre o mercado de trabalho. Afinal, o que afeta os trabalhadores do setor no Brasil, também afeta na Argentina, Uruguai e demais países. A velocidade é grande nas transformações e o sistema age globalmente. Por isso, a importância de agirmos da mesma forma, globalmente”, analisou. Durante explanação sobre Digitalização, Uber Financeiro e Plataformização, a economista Catia Uehara, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), fez um alerta sobre como as tecnologias atuais podem afetar os empregos. “Ao contrário das revoluções industriais anteriores, que tiveram impacto muito notadamente em empregos de baixa qualificação, as tecnologias do momento atual têm capacidade potencial para afetar também empregos de alta qualificação, como advogados, médicos e bancários, por exemplo”, ressaltou a economista. Para o secretário de Formação da Contraf-CUT, Rafael Zanon, que participou da mesma mesa de debates, o grau de difusão setorial das novas tecnologias também consiste em elemento novo a ser considerado. “Se antes o trabalhador que atuava em determinado setor específico impactado pela inovação tecnológica tinha a possibilidade de buscar emprego em outro setor de atividade econômica, hoje esse caminho parece mais difícil na medida em que muitos setores estão passando por processos de transformação intensa”, disse. Também foram realizadas palestras sobre o que foi discutido na primeira reunião tripartite na Organização Mundial do Trabalho (OIT) a respeito do impacto da digitalização do sistema financeiro; os desafios dos sindicatos na reestruturação financeira; e caminhos para lidar com a disruptura financeira. Esses temas foram apresentados por representantes da Asociación de Bancarios del Uruguay (AEBU) e da La Bancária – Sociedad de Empregados de Banco da Argentina. “É importante parabenizar a Uni Américas Finanças por promover um debate tão importante para a classe trabalhadora, notadamente do setor financeiro, que tem sido extremamente impactada por esses processos de digitalização. Estamos assistindo, nestes últimos anos, o fechamento de postos de trabalho e de agências, num movimento acelerado. Então, é cada vez mais importante fazer debates para encontrarmos soluções para essas novas faces da empregabilidade, para reduzir o impacto da digitalização no setor de finanças”, observou a presidenta da UNI Finanças Mundial, Rita Berlofa, que também é secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT. Só no Brasil, foram mais de 77 mil postos de trabalho cortados pelos bancos, entre 2013 e 2023. Num período um pouco mais longo, entre 1994 e 2021, o peso da categoria bancária no emprego formal no ramo financeiro do país caiu de 80% para 44%. E, entre 2022 e 2019, a sindicalização no ramo financeiro brasileiro sofreu queda de 45,5% para 19,5%. Esses foram alguns dados apresentados no encontro. “A digitalização, ou seja, as inovações tecnológicas todas não podem acontecer somente para impactar a classe trabalhadora, rendendo lucros para os acionistas. Por isso temos cobrado a responsabilidade dos bancos na manutenção dos empregos. Para isso, nada melhor do que a redução da jornada de trabalho, não apenas para garantir os atuais empregos, mas também para que os bancos e as empresas do ramo financeiro cumpram seu papel social”, destacou Rita. Uberização A “uberização”, modelo de trabalho onde as plataformas digitais obtêm o máximo de lucro com a mão de obra sem que haja qualquer vínculo empregatício, também foi abordada na mesa de debates sobre Digitalização, Uber Financeiro e Plataformização. “Nós mostramos que, apesar de se apresentarem como mais flexíveis e darem mais liberdade aos trabalhadores, as empresas detentoras dos aplicativos devem ser responsabilizadas em termos de relações de trabalho no campo do direito trabalhista”, destacou Zanon. Os palestrantes observaram, ainda, que a relação de subordinação empregado-empregador se dá por meio da gestão dos algoritmos, justamente definida pela empresa-plataforma. “A gestão algorítmica estabelece uma relação de subordinação dos trabalhadores e trabalhadoras: regras e ritmo de trabalhos, jornadas, bonificação etc. A falta de regulação da atuação dessas empresas tem produzido relações de trabalho precarizadas, tem resultado em subtributação [tributação reduzida] dessas empresas-plataforma, com destaque para a seguridade social, com custos que são financiados pela sociedade/Estado sem a contrapartida da empresa”, ressaltou Cátia Uehara. Os expositores brasileiros destacaram que, no Brasil, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) criou um grupo de trabalho, tendo como premissa inicial as Convenções Internacionais do Trabalho, para debater propostas de regulamentação dos serviços das plataformas e garantia de direitos aos trabalhadores. Também lembraram que o Ministério do Trabalho e Emprego do governo Lula criou um grupo de trabalho tripartite, com prazo máximo de 300 dias, para discutir o assunto. “A premissa inicial da proposta da CUT é que as empresas-plataforma precisam de uma regulação adequada, de acordo com a atividade econômica que de fato realizam. Essa regulação adequada permite, além da cobrança da tributação pertinente ao risco da atividade e às demais externalidades sociais e econômicas por ela causadas, o cumprimento do arcabouço trabalhista já definido para determinada atividade”, concluiu a economista do Dieese. *Fonte: Contraf-CUT
Sindicato realiza conscientização e pesquisa sobre Doença Mental no Trabalho Bancário

O Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense está percorrendo as agências de diversas cidades distribuindo um panfleto explicativo sobre “Doença Mental no Trabalho Bancário” e conscientizando os profissionais para os riscos do adoecimento. Ao mesmo tempo, a equipe do sindicato está entregando um questionário para coleta de informações básicas sobre a rotina de trabalho. Na semana seguinte, a equipe volta para recolher os envelopes devidamente lacrados. É muito importante que os bancários respondam ao questionário. Não é necessário se identificar. Basta preencher e colocar no envelope lacrado. Todo o material será encaminhado ao Projeto de Saúde Mental no Trabalho Bancário, que é uma parceria entre o sindicato e Universidade Federal Fluminense/Volta Redonda, onde os dados serão devidamente tabulados. Vale lembrar que o Sindicato não tem acesso às respostas dos bancários. As informações serão tratadas com metodologia científica. Ao final desse trabalho será feita uma fotografia de todo o grupo para traçar um plano de trabalho efetivo. Estão previstas as etapas de extensão, estudo e pesquisa acadêmica, cujo objetivo é o trabalho bancário e suas repercussões na saúde dos trabalhadores. A pesquisa já foi entregue nos municípios de Barra Mansa, Volta Redonda, Itatiaia, Porto Real, Quatis e Pinheiral. Na próxima semana, serão entregues nas cidades de Resende, Rio Claro, Piraí, Paracambi, Paulo de Frontin, Mendes, Vassouras, Barra do Piraí, Valença e Rio das Flores. Vale ressaltar que, atualmente, cerca de 15% dos associados do Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense estão afastados pelo INSS para tratamento de saúde. Quase toda a sua totalidade está associada à Síndrome de Burnout, que é caracterizada pelo esgotamento emocional e, consequentemente, físico. Na sequência do trabalho será formado um procedimento chamado clínicas de trabalho, que serão espaços coletivos de escuta para que os bancários possam expor e exprimir seus sentimentos. O objetivo é diminuir a culpabilização das vítimas que ainda se martirizam por terem adoecido sem perceber que era o trabalho o agente causador.
Fim da função por minuto ainda é alvo de análise na Caixa

Representantes da Caixa Econômica Federal e dos empregados se reuniram para debater as questões específicas dos trabalhadores que exercem as funções de caixas, tesoureiros e avaliadores de penhor. Um dos pontos fundamentais do debate foi o fato de o banco estar analisando o fim da designação das funções por minuto. A reunião aconteceu na tarde desta quinta-feira (18). A coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, avaliou a reunião positivamente. “A reunião foi boa. O banco tem se mostrado mais aberto ao debate e já atendeu algumas das demandas que colocamos, como o acesso direto das estações financeiras à intranet e o ajuste dos gaveteiros de numerários. Além disso, o banco está analisando o fim da função por minuto, mas disse que depende de uma reorganização da gestão, pois a medida gera impactos financeiros”, afirmou a coordenadora. Já o empregado da Caixa e dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Rafael de Castro, falou da importância de manter a mobilização. “Apesar de maior abertura no debate, ainda não há solução. Então, precisamos nos manter mobilizados. Enquanto não for decidido, precisamos manter a pressão”, ressaltou Rafael. Gaveta de numerários O problema das gavetas de numerários, que “engole” cédulas e causa diferença de caixa, que foi um dos pontos cobrados em reuniões anteriores, será resolvido. O banco definiu que será feito ajuste em unidades-piloto e que os representantes dos empregados poderão participar indicando quais serão estas unidades. Outra reclamação, que diz respeito aos caixas, foi sobre aos scanners que substituíram os leitores de código de barras. “Eles simplesmente não funcionam. Os caixas não o utilizam e acabam digitando o código de barras, o que torna o atendimento mais trabalhoso e lento”, disse o caixa Lucas Fonseca da Cunha, representante da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Rio Grande do Sul (Fetrafi/RS). O caixa e representante da Federação dos Bancários do Estado do Rio de Janeiro (Federa/RJ), Léo Lima, também criticou a substituição dos leitores de código de barras.. “Não sei por qual motivo tiraram os leitores de código de barras. Não existe necessidade de scanner no caixa. Colocaram uma carreta para fazer uma coisa que é melhor de ser feita com um carro popular”, comparou Léo. Segundo representantes do banco, a substituição foi feita atendendo demanda de gestores e os equipamentos foram instalados há menos de dois anos. “Já estamos falando faz algum tempo para que, antes de serem comprados novos equipamentos, que os usuários sejam ouvidos e que sejam feitos testes para aprovação das máquinas. São os empregados que podem falar melhor sobre as ferramentas que utilizam no seu dia a dia de trabalho”, disse a coordenadora da CEE. Tesoureiros Outro questionamento feito ao banco foi sobre uma possível redução da jornada de tesoureiros, de oito para seis horas, com orientação para que não sejam autorizadas horas-extras para estes profissionais. Segundo o banco, não existe nenhuma orientação neste sentido e que é preciso analisar casos específicos. Avaliadores de penhor O banco já implementou algumas das demandas dos avaliadores de penhor, como a habilitação, nos próximos dias, do SISAG para autenticar guias de penhor de valores superiores a 10 mil reais. A demanda foi apresentada na reunião passada. Também serão debatidas, em reunião técnica específica, problemas de sistemas utilizados pelos empregados que desempenham a função. Os trabalhadores vão indicar seus representantes para participar da reunião do grupo, que é parte deste mesmo GT de funções específicas. Mudança de mobiliário A adaptação de agências para pessoas com deficiência (PCDs) também foi debatida na reunião. O banco informou que serão aplicados R$ 115 milhões para mudança de mobiliário de 500 a 600 agências e que a adaptação para PCDs levará em conta a exigência de legislações municipais. Serão mesas e cadeiras autorreguláveis, para que o próprio colega regule da forma como ficar melhor para ele. Não foram considerados apoio para os pés. “É importante esta mudança de mobiliário, já considerando as especificidades de cada colega, mas, num momento em que estamos buscando trabalhar com uma gestão mais humanizada, seria interessante que, independentemente da legislação municipal, a Caixa tivesse um olhar atento para estes colegas que já sofrem em seu dia a dia na sociedade”, ponderou Rafael de Castro. Outras demandas Os trabalhadores também pediram para que a Caixa aprimore a ata das reuniões, de modo que facilite o cumprimento das reivindicações atendidas e permita o acompanhamento do que está sendo realizado. Outra reivindicação foi para que as reuniões do GT sejam realizadas em menor período de tempo, sem que haja intervalo de um mês entre os encontros. Também pediram para que a Caixa resgate as atribuições previstas no RH183 e compare com o que os empregados vêm fazendo na prática, para que eles não executem tarefas que não sejam de suas responsabilidades, com a intenção acabar com os desvios de funções. *Fonte: Contraf-CUT