Segundo anúncio do BC, Drex será a primeira moeda digital oficial do Brasil

O Banco Central anunciou, nesta segunda-feira (7), o Drex, a primeira moeda digital oficial do Brasil. A palavra é uma abreviação da expressão digital real x. A expectativa é que o Drex esteja liberado ao público até o fim de 2024. Por enquanto, a plataforma está em fase de testes. Segundo informações do BC, o acesso à moeda digital será feito através de carteiras virtuais em bancos e outras instituições financeiras. Ela poderá ser trocada por papel-moeda e vice-versa. A expectativa do BC é que o Drex ajude a baratear custos de operações bancárias e aumente a inclusão dos consumidores no novo mercado financeiro. “O real digital é uma expressão da moeda soberana brasileira, que está sendo desenvolvida para dar suporte a um ambiente seguro onde empreendedores possam inovar e onde os consumidores possam ter acesso às vantagens tecnológicas trazidas por essas novas ferramentas, sem que para isso precisem se expor a um ambiente financeiro não regulado”, informa a nota do Banco Central. Drex e Criptomoedas Segundo o BC, o real digital funcionará em blockchain, sistema usado pelas criptomoedas. Entretanto, não será uma criptomoeda porque será garantido pelo governo. As criptomoedas funcionam como ações na Bolsa de Valores, onde os investidores colocam dinheiro em busca de rentabilidade. O Drex não terá variação de preço, já que será uma representação virtual da moeda física brasileira. Em resumo, a nova moeda (Drex) será emitida pelo próprio BC, como uma extensão da moeda física, com a distribuição ao público intermediada pelos bancos e instituições de pagamento; sua custódia ficará no Banco Central; poderá ser trocada pelo real tradicional (em notas), e vice-versa, mas o foco serão as transações financeiras; a cotação frente a outras moedas também será a mesma; não será permitido que os bancos emprestem esses recursos a terceiros — como acontece atualmente com o real físico — e depois os devolva aos clientes; não haverá remuneração, ou seja, os recursos não terão uma correção automática; haverá uma garantia da segurança jurídica, cibernética e de privacidade nas operações. *Fonte: G1
Lucro do Itaú no segundo trimestre chegou a R$ 8,7 bilhões

O banco Itaú apresentou um balanço, nesta segunda-feira (7), que mostra um lucro de R$ 8,74 bilhões no segundo trimestre deste ano, com alta de 13,9% na comparação anual. O resultado supera o dos concorrentes Bradesco e Santander somados. O Bradesco teve um lucro de R$ 4,518 bilhões no segundo trimestre, com uma queda de 35,8% na comparação anual. Para o Santander, o resultado foi de R$ 2,3 bilhões, com queda anual de 43,5%. O Itaú informou que o resultado reflete o aumento da margem financeira com clientes, que acompanhou o crescimento da carteira de crédito. O banco destacou também a mudança de composição da carteira que abriu espaço para opções com taxas maiores. Ainda segundo o Itaú, a receita da frente de seguros também contribuiu para o resultado final. Em nota, o presidente do banco, Milton Maluhy Filho, informou que vê perspectivas otimistas para a segunda metade do ano. “Nossos resultados no segundo trimestre refletem nossa capacidade de entregar resultados sólidos e sustentáveis ao longo do tempo. Iniciamos a segunda metade do ano otimistas com as perspectivas para o futuro, decorrentes da consolidação da agenda monetária e fiscal que deverá promover uma retomada mais robusta da atividade econômica no País”, ressaltou. Margem O banco registrou ainda uma margem financeira gerencial, no período, de R$ 25,997 bilhões, 14,8% que a registrada um ano antes. Em comparação trimestral, o avanço foi de 5,3%. Do total, a margem financeira com clientes foi de R$ 24,927 bilhões, avanço de 3,7% comparado a um ano antes. A margem com o mercado chegou a R$ 1,070 bilhão, registrando crescimento de 65,9% na base anual. Carteira de crédito A carteira de crédito expandida chegou aos R$ 1,15 trilhão, aumento de 6,2% em 12 meses e leve queda de 0,1% na comparação trimestral. O índice de inadimplência longo da carteira, acima de 90 dias, subiu para 3,0% – alta de 0,3 p.p. em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com o primeiro trimestre, o índice subiu 0,1 p.p. Segundo o balanço, o custo do crédito totalizou R$ 9,4 bilhões no segundo trimestre de 2023, alta de 25,3% quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado. “Esse aumento ocorreu principalmente em razão da maior despesa de provisão para créditos de liquidação duvidosa nos negócios de atacado no Brasil, devido à normalização do fluxo de provisionamento neste segmento”, informou o banco. *Fonte: Exame
Santander incentiva acordos individuais sem movimento sindical e COE faz alerta aos trabalhadores

O Santander, em comunicado enviado recentemente, incentiva a realização de acordos individuais entre trabalhadores e o banco, deixando de fora o movimento sindical. Os acordos são sobre questionamentos de condições de trabalho e contratação. A coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Wanessa de Queiroz, alerta que os trabalhadores devem desconfiar de um acordo proposto por um banco que, na prática, retira direitos, piora as condições de trabalho e quer transformar seus trabalhadores em terceirizados. “Todas as vezes em que não há participação dos sindicatos, o trabalhador está em risco, porque não há condição de igualdade em uma negociação individual entre patrão e empregado. O movimento sindical defende que o trabalhador procure a Justiça do Trabalho para reivindicar os seus direitos em sua totalidade. E, para isso, oferece assistência jurídica gratuita”, explicou a coordenadora. O que o Santander oferece como vantagem nos acordos individuais propostos pelo banco, na verdade, representa um risco enorme. Desde 2017, escorado pelas mudanças promovidas pela reforma trabalhista aprovada depois do golpe de 2016, o Santander abandonou a comissão de acordos voluntários nos sindicatos. Desde então, tem procurado trabalhadores demitidos para oferecer acordos rápidos com valores inferiores. Em muitos deles os sindicatos já identificaram valores equivocados. Wanessa questiona a posição do banco e faz um alerta aos trabalhadores. “Com este histórico, qual segurança o trabalhador terá de que o acordo firmado com o banco está correto? Se o Santander quisesse pagar ao trabalhador todos os seus direitos, já teria pago e não precisaria fazer um acordo sem a participação dos sindicatos e da Justiça. Já teria garantido melhores condições de trabalho no seu dia a dia, teria cumprido as cláusulas e respeitado os direitos da Convenção Coletiva de Trabalho e do Acordo Coletivo de Trabalho em sua totalidade, e não transformado milhares de empregados diretos em terceirizados com salários menores e menos direitos. Já teria tratado seus trabalhadores com respeito e interrompido a prática de assédio moral institucionalizado que causa sequelas muitas vezes irreversíveis”, pontuou Wanessa. Antes da reforma trabalhista, havia também uma mesa composta por representantes do Santander, do movimento sindical e da Justiça do Trabalho para intermediação de conflitos e problemas no ambiente de trabalho, o que também foi abandonado pelo banco após a promulgação da nova legislação que prometia gerar milhões de empregos e “modernizar as relações trabalhistas”. “O Santander tem sido um banco totalmente antissindical, que desrespeita inclusive sentenças judiciais, e que protela as negociações coletivas ao limite. Ou seja, a credibilidade de um acordo individual, como o que vem sendo proposto pelo banco, tem de ser questionada pelo trabalhador. Defenda seus direitos e não assine nada sem antes consultar o seu sindicato. E procure sempre a Justiça do Trabalho, que é o órgão competente com fé pública para intermediar e balancear essa relação extremamente desigual e injusta”, concluiu Wanessa de Queiroz. *Fonte: Contraf-CUT
BB inova e oferece gerenciador financeiro pelo WhatsApp

Primeiro banco a oferecer gerenciador financeiro pelo WhatsApp, o BB proporciona aos seus clientes que administrem os gastos através da ferramenta “Minhas Finanças”, de gerenciamento financeiro pessoal, pelo aplicativo de mensagens. O “Minhas Finanças” ficará disponível no aplicativo de celular e no site do banco terá um diferencial no WhatsApp, ao ser aliado ao chatbot, sistema de diálogo que usa inteligência artificial. O gerenciador é gratuito e permite que o cliente trace o perfil de consumo, programe despesas futuras e acompanhe os investimentos, tudo em um único ambiente. Com o open finance, compartilhamento de dados entre as instituições financeiras, o “Minhas Finanças” unifica a consulta de saldos e aplicações no Banco do Brasil e em outras instituições. Também é possível organizar lançamentos por categorias, estabelecer metas de gastos e receber sugestões de investimentos com base no comportamento financeiro. Acesso Para ter acesso aos serviços do BB no WhatsApp, é preciso salvar o número de telefone (61) 4004-0001 e iniciar uma conversa no aplicativo. Desde 2018, os clientes do banco podem usar o WhatsApp para acessar contas, fazer consultas e algumas transações. Em 2019, o banco passou a oferecer o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em alguns estados. Em novembro de 2020, o banco permitiu operações Pix pelo aplicativo de conversas, no mesmo mês de lançamento do sistema de transferências instantâneas. Em 2021, passou a oferecer a emissão de boletos e de cobranças bancárias. Em outubro do ano passado, tornou-se possível fazer operações Pix com o saldo de outras instituições compartilhado via open finance. O Banco do Brasil também oferece outras ferramentas no WhatsApp, como a contratação de crédito pessoal; consulta, pagamentos, liberação, rastreio e outros serviços de cartões de crédito e débito; compra de vales-presentes e cashback em lojas; consulta a informes de rendimentos; aplicação em investimentos; contratação de seguros e de serviços de assistência técnica; e renegociação de dívidas e segunda via de boletos. *Fonte: Agência Brasil
Reforma tributária: bancários pedem justiça social durante debate na conferência

Um dos principais temas em discussão no país, a reforma tributária, foi tema da terceira mesa, no segundo dia da 25ª Conferência Nacional d@s Trabalhador@s do Ramo Financeiro. O tema é prioridade do atual governo, mas expõe a disputa entre os movimentos sociais e a classe empresarial e os super-ricos sobre o modelo de sociedade e sistema tributário a ser implementado no país. Rosangela Vieira dos Santos, economista, técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), ressaltou que o sistema tributário serve para financiar as políticas públicas realizadas pelo Estado e pontuou que existem alguns princípios básicos a serem observados, como a capacidade contributiva, a legalidade e tipicidade do sistema. A economista observou que a arrecadação tributária brasileira (30% a 35%, em média), propalada pela mídia e grandes empresários como sendo uma das maiores do mundo, na verdade, é bem inferior à praticada pelos países europeus. Base de incidência Rosângela afirmou que é preciso ampliar o debate sobre a base de incidência, ou seja, de onde devem ser cobrados os impostos e taxas. Ela explicou que existem duas formas de cobrança: direta, que é feita sobre a pessoa, de acordo com sua capacidade contributiva, ou seja, de acordo com seu rendimento e riqueza, como, por exemplo, o imposto de renda, o imposto sobre herança e o imposto sobre lucro e dividendos. E a indireta, que é embutida nos preços de produtos adquiridos pelos consumidores e que é pago pelo empresário, que recolhe o imposto, e pelo consumidor. “Na verdade, quem paga o imposto é o consumidor e, independentemente de ser rico ou pobre, quem compra paga a mesma coisa”. Exemplos de cobrança indireta são o ICMS e o IPI. A economista explicou que a base de incidência também interfere na progressividade, ou regressividade do sistema. “O sistema tributário regressivo é aquele que arrecada proporcionalmente mais daqueles com menor renda. São focados na tributação sobre consumo”, explicou. No Brasil, a principal fonte de arrecadação é baseada no consumo. “O sistema tributário progressivo, respeitando os princípios de legalidade, tributa proporcionalmente as pessoas com maior renda e riqueza. Nestes sistemas há o predomínio da chamada tributação direta, com maior participação de impostos sobre renda, lucros e patrimônio e menos sobre o consumo. Reforma fragmentada A economista do Dieese observou que a reforma no Brasil é feita de forma fragmentada. “Num primeiro momento trata sobre a ‘simplificação’ do sistema, com a fusão de impostos no chamado IVA. Somente posteriormente serão tratadas as mudanças de natureza tributária”, disse, ressaltando que “na verdade, algumas mudanças com foco no debate sobre responsabilidade fiscal no Brasil, já foram realizadas, como a Emenda Constitucional (EC) 95/2016, conhecida como emenda do teto de gastos, a Lei da Terceirização, a reforma Trabalhista e o decreto de terceirização no serviço público, e outras estão em tramitação, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2020, que é a chamada reforma administrativa”, disse. Propostas do movimento sindical Rosângela também apresentou o que, segundo o economista Bernard Appy, secretário extraordinário da reforma tributária, é um bom sistema tributário e quais são os problemas do atual sistema tributário brasileiro. E também os princípios defendidos pelos movimentos sociais para a reforma tributária: garantir financiamento adequado do Estado de bem-estar social brasileiro, com universalização da saúde, educação e seguridade social, condição essencial para a cidadania plena; redução das desigualdades sociais; dessa forma, o eixo fundamental é justiça fiscal com progressividade; que os ricos paguem mais impostos, ao contrário do que ocorre hoje onde, proporcionalmente, os pobres pagam muito mais impostos; aumentar tributação direta e reduzir indireta. O ex-ministro Ricardo Berzoini disse que, devido à excelente apresentação feita pela economista do Dieese, ele poderia se eximir de entrar em questões técnicas e poderia se aprofundar um pouco mais sobre o debate feito no Congresso e as propostas do movimento sindical para a reforma tributária. Para Berzoini, a sociedade brasileira e, por consequência, o povo brasileiro têm duas grandes bolas de ferro presas, uma em cada perna. “Uma é o sistema tributário, pois nós temos o pior sistema tributário do mundo. Outra é o sistema financeiro. Falo com convicção, pois desde os anos 1990 eu venho estudando essas duas questões. Por mais que a gente trave lutas importantes na sociedade, se não enfrentarmos essas duas questões, será difícil o Brasil se tornar um país justo”, afirmou. O ex-ministro disse que este fardo não pode ser colocado sobre o atual governo. Para Berzoini, será necessário o acúmulo de forças da classe trabalhadora para resolver estes problemas, que são gritantes e nos distanciam do sistema tributário de outros países e contribuem para o aumento da desigualdade. “Temos o pior sistema tributário do mundo, em que, desde 1996, quem recebe lucro não paga imposto. FHC fez isso porque precisava ampliar a sua base empresarial e, então, deu essa benesse aos empresários. E ainda existe outra coisa absurda que é a dedução sobre os juros de capital para empresas que fazem sua contabilidade pelo lucro real”, lembrou. Para completar, as heranças são subtributadas. “Nos Estados Unidos, os grandes herdeiros pagam até 40% de imposto. No Brasil, a alíquota máxima é de 8%, por conta de uma resolução aprovada há 31 anos”, destacou o ex-ministro. É preciso mobilização Berzoini, mais uma vez, convocou o movimento sindical para se mobilizar. “Se a gente quer mudar isso, é preciso construir um novo sistema tributário. É muito importante que seja aprovada a primeira parte da reforma tributária, para simplificar, combater a guerra fiscal e dar mais justiça social ao sistema tributário. Mas é apenas uma parte. É preciso que seja aprovada a segunda parte, para avançarmos na tributação sobre riqueza e renda”, disse. “Mas sem mobilização social, sem manifestação de rua, não vai sair. Pois o Congresso Nacional que temos hoje representa os interesses do grande Capital. Nós temos que acumular forças da classe trabalhadora. E é preciso um mote muito objetivo e concreto que dê um horizonte de conquista e vitória. E a vitória que teremos é a de ter uma grande faixa de isenção de imposto
Após três dias de debates, bancários aprovam resoluções de luta pela democracia

A 25ª Conferência Nacional d@s Bancári@s foi encerrada neste domingo (6), com bancárias e bancários apontando a necessidade de maior organização dos trabalhadores do ramo financeiro, com organização dos comitês de luta e brigadas digitais, para ampliar mobilização da luta por reforma tributária com distribuição de renda, regulamentação das plataformas digitais, melhorar as condições de trabalho e saúde dos trabalhadores, defender os bancos públicos e consolidar a democracia. As plenárias contaram com 636 delegados representantes da categoria de todo o país e 98 convidados. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, falou sobre o trabalho realizado nestes três dias. “Tivemos excelentes debates nestes três dias de conferência e tiramos resoluções sobre os principais temas de ação dos trabalhadores do ramo financeiro. Elas vão orientar o posicionamento do Comando Nacional e das entidades sindicais do nosso campo na luta pela manutenção de nossos direitos e novas conquistas”, destacou. Além da Conferência Nacional, Juvandia ressaltou o processo de debate realizado. “É um dos processos mais democráticos e bem organizados do Brasil, que acontece desde as bases, passa pelas conferências locais e regionais, até chegar ao âmbito nacional. É um debate muito rico, mas também fazemos uma consulta à base, para que a categoria bancária possa opinar sobre os temas mais importantes para nossa luta. E esse processo é valorizado pelo Comando, como parte de formação e mobilização”, ressaltou. Resoluções Durante o evento, foram aprovadas seis resoluções para orientar a luta pela reforma tributária com tributação progressiva, que promova a distribuição de renda, onere os mais ricos e promova isenção maior para os mais pobres, tributação sobre os latifúndios e grandes fortunas e isenção da PLR. Além disso, foi aprovada resolução sobre a organização do ramo financeiro, com a continuidade de identificação de todos os trabalhadores nas regiões do país e suas entidades representativas e mobilização, para que a reforma sindical seja um instrumento formal para o reconhecimento da representação por ramo de atividade econômica. Outra resolução foi pela regulamentação das plataformas digitais, para que haja a garantia da proteção dos direitos e privacidade dos usuários, com ambiente mais seguro contra abusos, assédio, discurso de ódio e outros conteúdos prejudiciais à vida em sociedade. Mas, também para que as plataformas sejam tributadas de acordo com a atividade econômica que realizam, evitando evasão fiscal e garantindo a arrecadação de recursos para o Estado. A quarta resolução, relacionada ao tema da Conferência e a tudo o que foi debatido, direciona a luta pela busca de “democracia sempre”, por um país democrático, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Uma democracia sólida, que garanta direitos e liberdades individuais, assim como a participação ativa dos cidadãos na tomada de decisões. Uma democracia com políticas públicas orientadas para a redução das desigualdades sociais e que proporcionem igualdade de oportunidades para todos, independentemente da origem social, raça, gênero ou religião. Uma democracia que adote políticas de conservação dos recursos naturais, com redução das emissões de gases que causam efeito estufa, promova o uso das energias renováveis, a preservação da biodiversidade e a promoção do desenvolvimento sustentável em todas as áreas e promova a transição para uma economia verde, com estímulo à pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas e renováveis para gerar empregos e criar uma economia. A quinta resolução foi pelo fortalecimento dos Comitês de Luta e das Brigadas Digitais da Classe Trabalhadora, para que o movimento sindical aumente sua participação e sua influência questões sociais, políticas e econômicas em debate na sociedade. A sexta e última resolução é pelo fortalecimento da campanha “Menos metas, mais saúde”, pela luta contra a gestão e práticas de assédio moral em decorrência dos programas de resultados vinculados a metas abusivas praticadas pelos bancos, que causam adoecimento dos bancários no ambiente de trabalho. Moções e propostas As propostas encaminhadas pelas conferências regionais como orientações para a ação do Comando Nacional e da categoria também foram aprovadas. Assim como nove moções em apoio às deputadas vítimas de violência política e assédio de gênero; de repúdio ao Banco do Amazonas (Basa) pela demissão em massa do Quadro de Apoio; em defesa da Caixa Econômica Federal; em repúdio ao genocídio da população negra e a violência seletiva da Polícia Militar; em repúdio ao “Agiliza” nas salas de autoatendimento da Caixa; em apoio à proposta de retorno do Vale-Cultura; em repúdio contra as ações e práticas antissidincais do banco Santander; em apoio à campanha “Por uma Caixa Sem Retrocessos e 100% Pública”; e em apoio de pela isenção da mensalidade sindical no IR. Correntes políticas As correntes políticas que compõem o Comando Nacional dos Bancários também se posicionaram no encerramento da 25ª Conferência Nacional d@s Trabalhador@s do Ramo Financeiro. Manoel Elídio Rosa, o Mané Gabeira, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de São Paulo, Osasco e Região, da Contraf-CUT e representante da Intersindical, iniciou sua intervenção parabenizando todos os delgados e delegadas da Conferência e exaltando a participação e a oportunidade de aprender também com a juventude. Em seguida, o dirigente apontou o principal desafio atual: “Nós vencemos uma eleição muito difícil! Vencemos pela unidade da esquerda e pela unidade democrática. Mais que isso, vencemos pelo voto do pobre, dos nordestinos e das mulheres. E, agora, precisamos mudar a realidade econômica do País, pois 60% dos trabalhadores estão no mercado informal e nós precisamos dialogar com esses trabalhadores. Nossa tarefa é resgatar a justiça social, a solidariedade e a organização coletiva”, afirmou. *Fonte: Contraf-CUT
Resultado da Consulta Nacional mostra impacto de metas abusivas na saúde dos trabalhadores

O resultado da Consulta Nacional às Bancárias e Bancários 2023 foi apresentado neste domingo (6), último dia da 25ª Conferência Nacional d@s Bancári@s, que acontece na capital paulista. O levantamento foi realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e teve as respostas compiladas e analisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Quase 20 mil bancários de todo o país, sindicalizados ou não, participaram da pesquisa sobre temas relacionados ao dia a dia de trabalho e de repercussão nacional, . “A consulta é fundamental, porque torna-se um instrumento para a percepção dos anseios dos trabalhadores e das trabalhadoras em diversas questões, como como saúde, condições de trabalho e ações sindicais. Também recolhemos informações referentes a reforma tributária, a política praticada pelo Banco Central, igualdade salarial entre homens e mulheres e combate a fake news“, explicou a economista pela PUC de São Paulo e técnica do Dieese, que fez a apresentação dos resultados. Perfil A consulta ocorreu entre 7 de julho e 2 de agosto, reunindo 19.967 respostas. Desse total, 54,9% se identificaram como do sexo masculino e 43% do sexo feminino. Em relação a raça/cor, 68,7% se apresentaram como brancos; 23,1% como pardos; 5,7% como pretos; 2,3% amarelos e 0,2% indígenas. Sobre a idade dos entrevistados, a maior parcela (24,6%) das respostas foi de trabalhadores acima dos 50 anos. A segunda faixa etária que mais respondeu foi a entre 36 e 40 anos (20,8); seguida pelos grupos entre 41 e 45 anos (17,0%); entre 46 e 50 anos (14,2%); 31 a 35 anos (10,5%); 26 a 30 anos (9,7%); 21 a 25 anos (2,1%); e até 20 anos (0,7%). Em relação ao tempo de banco, 42,7% afirmaram mais de 16 anos; 26,2% entre 11 e 15 anos; 15,1% entre 6 e 10 anos e 14,5% até 5 anos. Bancos e locais de trabalho Em relação ao local de trabalho, 74,6% dos pesquisados trabalham em agências, contra 24,8% em departamentos. A maior parte dos consultados é dos cinco maiores bancos do país: 27,8% do Banco do Brasil; 23,0% da Caixa Econômica Federal; 18,7% do Bradesco; 12,9% do Itaú/Unibanco; e 9,3% do Santander. Home office A pesquisa observou um leve recuo no volume de bancários em home office (teletrabalho). Na Consulta anterior, 69,9% diziam não exercer trabalho remoto em nenhum dia da semana. Neste ano, o percentual aumentou para 72,2%. Entre os que atuam em home office, 16,7% o fazem em três ou mais dias da semana; 5,6% durante dois dias na semana; e 2,1% um dia na semana. O teletrabalho é uma conquista da categoria, que se tornou a primeira a incluir a modalidade em cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), obtida durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2022. Saúde “A categoria bancária representa cerca de 1% do emprego formal no Brasil e 25% dos afastamentos acidentários pelo INSS por doenças mentais e comportamentais. Esse cenário pode estar vinculado à forma como estão estabelecidas e cobradas as metas dentro dos bancos”, destacou Catia Uehara na leitura da apresentação. Houve um aumento de bancários e bancárias que tomam medicamentos controlados nos últimos 12 meses. O índice passou de 35,5%, na consulta feita em 2022, para 41,9% na deste ano. Quando questionados se a cobrança excessiva para o cumprimento de metas impacta na saúde, as respostas também foram preocupantes: 68% têm preocupação constante com o trabalho; 61% apresentam cansaço e fadiga constante; 52% disseram estar desmotivados e sem vontade de ir ao trabalho; 46% apresentam crises de ansiedade/pânico; 42% têm dificuldade em dormir, até mesmo nos fins de semana. E ainda: 29% apresentam crises constantes de dor de cabeça; 28% dor ou formigamento nos ombros, braços ou mãos; 28% dores de estômago/gastrite nervosa; 26% vontade de chorar sem motivo aparente; 21% omitem dor ou doença para não se prejudicar; 21% episódios de pressão alta. Propostas para ambiente saudável Ao serem perguntados sobre quais medidas seriam prioritárias para criar um ambiente de trabalho mais saudável, ético, cooperativo e respeitoso no banco, com direito a assinalar mais de três opções, as principais respostas foram: 53,5% – Definição de metas, levando em consideração o porte da unidade, a região, o número de empregados, a carteira de clientes, o perfil econômico; 46,7% – As metas devem ser proporcionalmente readequadas em períodos de redução do quadro de trabalhadores nas unidades, como acontece nos casos de férias, afastamentos ou licenças; 38,9% – Maior participação dos bancários na definição das metas e mecanismos de aferição; 27,6% – Treinamento para gestores que envolvam valorização dos trabalhadores, respeito à diversidade, cooperação, trabalho em equipe e combate ao assédio moral/sexual. Covid-19 O levantamento realizado neste ano mostra que 46% das bancárias e bancários que tiveram covid-19 apresentam alguma sequela relacionada à doença. Do total pesquisado, 24% não contraíram a doença. Enquanto entre os que a contraíram, 30% afirmaram não ter nenhuma sequela. Entre os que apresentam sequelas, as principais são: perda de memória (26%); cansaço (22%); dificuldade de atenção (19%); perda de cabelo (14%); fraqueza muscular (11%) e dor de cabeça (10%). Sindicalização Grande parte dos pesquisados (75%) afirmou ser sindicalizada, contra 24% não sindicalizada. Quando perguntados como se mantêm informados sobre as atividades sindicais e sobre a Campanha Nacional dos Bancários, com direito a assinalar até três opções como respostas, 51,9% disseram que pelos sites das entidades sindicais; 43,4% via WhatsApp; 39,3% pelo jornal do sindicato; e 22,7% pelo dirigente sindical. Em relação às redes sociais, 21,0% disseram se informar pelo Instagram; 7,4% pelo Facebook e 2,8% pelo Twitter – plataforma que ficou atrás, até mesmo, do e-mail (5,9%). Os que participaram da consulta também foram chamados a opinar sobre a forma de financiamento do movimento sindical. Para 93,7%, a responsabilidade é de todos os bancários, uma vez que todos se beneficiam das conquistas resultantes da negociação sindical, que garante diversos direitos para a categoria. Outros 5,6% acreditam que a responsabilidade pelo financiamento deve ser apenas dos sócios do sindicato. Debates de relevância nacional O movimento sindical bancário também tem atuado em debates de repercussão nacional e que,
Transformações do mercado de trabalho e organização do ramo financeiro são temas de debate na Conferência dos Bancários

A mesa de encerramento dos debates deste sábado (5) na 25ª Conferência Nacional d@s Trabalhador@s do Ramo Financeiro teve como tema a “Transformações no mercado de trabalho e organização do ramo financeiro”. As apresentações ficaram a cargo dos economistas da subseção da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Vivian Machado e Gustavo Machado Cavarzan. Vivian abordou as novas tecnologias bancárias, como inteligência artificial (IA), e como isso afeta a segurança no sistema financeiro. De acordo com a economista, o mundo está passando pela quarta revolução industrial, com a fusão de tecnologias que está combinando as esferas física, digital e biológica. A popularidade do ChatGPT gerou todo tipo de discussões e especulações sobre o impacto que a inteligência artificial generativa já está tendo e terá em nosso futuro próximo. Por isso, o mundo todo está correndo para regulamentar essa novidade. Em junho, a União Europeia (EU) deu um grande passo para estabelecer regras – as primeiras do mundo – sobre como as empresas podem usar a inteligência artificial. No Brasil, o Congresso Nacional está trabalhando na construção do Marco Regulatório da Inteligência Artificial. O projeto prevê avaliação de riscos, responsabilização dos agentes envolvidos e direitos de pessoas eventualmente afetadas pela IA. “É importante acompanharmos todo esse debate, pois o setor bancário é líder em investimento privado em tecnologia no Brasil e no mundo”, explicou Vivian, lembrando que, em 2022, os gastos em tecnologia dos bancos chegaram a R$ 34,9 bilhões, com crescimento de 18% em relação a 2021. A economista apresentou alguns pontos da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2023 para mostrar como a agenda 2023 nos bancos será baseada no uso da IA como tecnologia essencial para automação e eficácia. Novos modelos de negócios Vivian Machado também falou sobre a expansão dos bancos digitais. Só em 2022, 28 novas fintechs surgiram. Fintech é uma empresa que tem como objetivo otimizar serviços relacionados às finanças das pessoas ou de empresas, utilizando inovação e tecnologia. O termo surgiu a partir da junção das palavras em inglês financial (financeiro) e technology (tecnologia). Com esse crescimento, quase 80% da população brasileira têm conta em banco tradicional e digital. Por isso, o Banco Central (BC) criou o Open Finance ou sistema financeiro aberto, que é a possibilidade de clientes de produtos e serviços financeiros permitirem o compartilhamento de suas informações entre diferentes instituições autorizadas pelo BC e a movimentação de suas contas bancárias a partir de diferentes plataformas, e não apenas pelo aplicativo ou site do banco, de forma segura, ágil e conveniente. “Atualmente, uma instituição ‘não enxerga’ o relacionamento que os clientes possuem com outras instituições, o que – teoricamente – prejudica a competição entre elas. Com o Open Finance, as instituições se conectam diretamente às plataformas de outras instituições participantes e acessam, exatamente, os dados autorizados pelos (as) clientes. Todo o processo é feito em ambiente seguro e a permissão poderá ser cancelada pela pessoa quando ela quiser”, explicou Vivian. A implantação do Open Finance no Brasil tem o potencial de injetar R$ 760 bilhões (US$ 157 bi) na concessão de crédito, sendo R$ 460,7 bi para pessoas físicas – considerando o potencial total de adesão dos consumidores à modalidade. Mas, a julgar por uma nova pesquisa realizada pela consultoria Capgemini, esse potencial pode levar tempo para se materializar. Real digital O BC estuda a emissão do real digital, iniciativa que criará a versão com tecnologia cripto da moeda brasileira. Uma Moeda Digital de Banco Central (CBDC, na sigla em inglês) é uma criptomoeda, que como qualquer moeda digital, apoia-se em uma tecnologia blockchain para existir, mas que é emitida e controlada pela autoridade monetária do país, com valor exatamente igual ao da contraparte física. Ou seja, um real digital deve sempre valer R$ 1,00. A ideia de emitir versões tokenizadas das divisas soberanas veio do setor privado, que criou as chamadas stablecoins, que são criptomoedas atreladas ao valor de uma moeda tradicional soberana como dólar, euro e real. A maior de todas as stablecoins, o tether (USDT), cresceu mantendo a paridade de um para um (1:1) com o dólar estadunidense. Evolução e tendências Gustavo traçou um cenário do emprego no ramo financeiro. Segundo ele, o setor financeiro brasileiro passou por uma verdadeira reestruturação, com mudanças nas tecnologias, na legislação trabalhista, na regulamentação do BC e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na política econômica do país e no papel dos bancos públicos, o que alterou drasticamente o modelo de negócios. O principal impacto foi no emprego. Conforme o diagnóstico apresentado, desde a reforma trabalhista feita logo após o golpe de 2016, contra a presidenta Dilma Rousseff, os bancários foram fortemente atingidos após. Em 2019, pela primeira vez na história, a categoria passou a representar menos da metade do emprego formal no ramo financeiro. Em 1994, eram 80%; em 2012, 59%; em 2019, 47%; e em 2021, caiu para 44% do ramo financeiro formal, enquanto as demais categorias passaram a 56%. “Isso é muito preocupante, porque a categoria bancária representa o núcleo central do ramo financeiro, com sindicalismo forte e capaz de exigir acordo coletivo consistente, inclusive com cláusulas sociais. A fragmentação do emprego no ramo financeiro nos indica que a estrutura sindical atual brasileira dificilmente dará conta de responder aos desafios colocados”, observou Cavarzan.” De acordo com o Relatório do Fórum Econômico Mundial 2023 sobre o Futuro do Trabalho, as funções que mais crescem estão sendo impulsionadas pela tecnologia e pela digitalização. Big data, por exemplo, está no topo da lista de tecnologias que devem criar empregos. A previsão é comprovada na comparação de trabalhadores em ocupações nas áreas de Tecnologia da Informação (TI) nos bancos privados entre 2012 e 2021. Em 10 anos, o número de trabalhadores em ocupações relacionadas à TI passou de 14,4 mil para 24,6 mil, crescimento de 70,4%. Entretanto, a proporção das mulheres nestas ocupações diminuiu. Enquanto a categoria bancária perdeu mais de 70 mil postos de trabalho, outros segmentos tiveram forte expansão. A proporção de trabalhadores em cooperativas de crédito em relação à categoria bancária saiu de 8% para 21%; e a de securitários, de
Sindicatos do Rio e Federa-RJ marcam presença 25ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro

O segundo dia de trabalho na 25ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, neste sábado (5), começou com debates sobre temas que abordam desde a conjuntura nacional até as fakenews. A presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso, e os presidentes dos sindicatos da sua base (Campos, Niterói, Petrópolis, Rio de Janeiro, Sul Fluminense e Teresópolis) acompanharam atentamente os debates. Adriana destacou as conquistas da categoria. Segundo ela, a Conferência está sendo importante para traçar estratégias e avançar diante dos desafios da sociedade. Conjuntura nacional e internacional, taxa de Juros, inflação, reforma tributária e a necessidade de reconstruir o Brasil para voltar a ser uma grande potência foram os temas marcantes da primeira mesa de trabalho. A segunda mesa falou sobre a regulamentação das plataformas digitais e inteligência artificial. Orlando Silva, deputado federal, convidado especial, falou da importância de combate às Fakenews. Átila Iamarino, pesquisador brasileiro, falou sobre o impacto da inteligência artificial no dia a dia. *Com informações da Federa-RJ
Inteligência artificial: falta de regulamentação pode gerar problemas graves para a sociedade

O debate sobre a regulamentação das plataformas digitais e inteligência artificial foi realizado, na manhã deste sábado (5), na 25ª Conferência Nacional d@s Trabalhador@s do Ramo Financeiro. O deputado federal do PCdoB Orlando Silva, relator do projeto de lei de combate às fake news, e o biólogo Atila Iamarino, doutor em microbiologia e pesquisador brasileiro, foram os convidados do encontro. O deputado explicou que não é tão simples falar sobre temas relativos ao direito digital e à regulamentação de plataforma digital. “Porém, é um tema em debate no mundo, não só no Brasil. O presidente Lula já falou diversas vezes sobre a necessidade de cooperação internacional do campo da regulação das plataformas digitais, pois hoje, com o modo como é feita a coleta e tratamento de dados, e na escala que é feita, não só não protege nenhum usuário como coloca em risco a soberania do país”, afirmou. Segundo ele, isso se dá por pouquíssimas e poderosas empresas deterem os dados de boa parte da sociedade, podendo utilizar esses dados para mover e encaminhar temas de acordo com seus interesses. “As pessoas, ao baixarem um aplicativo e aceitarem os termos de uso – muitas das vezes sem ler –, autorizam a coleta dos dados, o tratamento dos dados e, o mais grave, o compartilhamento dos dados. Esse é um dos pontos dentro da regulamentação das plataformas digitais”, observou. O deputado afirmou que, apesar da imensidão de temas que estão no guarda-chuva do direito digital, o texto debatido no Congresso Nacional com o PL 2630/2020 está focado em discutir um aspecto fundamental da comunicação: “O texto fala sobre redes sociais, como Facebook e Instagram; serviços de mensagens, como Whatsapp e Telegram; e buscadores, como o Google. Evidentemente, esses temas têm ligação direta com os processos que temos vivido nos últimos anos, pois todos lembram da pandemia e de como as redes sociais foram utilizadas para descredibilizar as vacinas. Isso pra não falar na tentativa do golpe em 8 de janeiro e pra não falar na eleição do inominável em 2018, em um processo eleitoral totalmente baseado em fake news”, explicou o deputado. Orlando pontuou que a urgência em debater o projeto se dá, também, por, cada vez mais, estar diminuindo a distância entre o mundo real e o mundo digital, e isso ser utilizado pela extrema direita para disseminar ódio e desinformação com liberdade e sem responsabilidade. “A extrema direita montou uma estratégia que funciona bem. É a lógica deles, eles fazem e falam coisas que o campo da esquerda não é capaz de falar e fazer por um problema ético e de responsabilidade. O que engaja na rede é discurso de ódio, ataque e desinformação. Nosso campo vai pela informação mais precisa possível, pelo que está provado pela ciência, e isso tem menos apelo”, disse. O deputado pediu ajuda para promover o debate e torná-lo o mais amplo possível, sendo esta uma tarefa democrática e geracional. “Esse problema não estava posto há 20 anos, mas está posto hoje e a diferença entre o mundo real e o virtual vai ser cada vez menor. É por isso que pedimos que as pessoas conheçam, acessem o PL, divulguem e conversem. Estamos disponíveis para enviar pessoas capacitadas e especializadas para instruir sobre os principais pontos e o quanto a regulamentação é urgente para a democracia e soberania do país. Este é um desafio da nossa geração, é pelo futuro, pelo presente e pela democracia a regulação das plataformas digitais”, destacou. Iamarino, cujo trabalho como divulgador científico teve grande impacto no esclarecimento da população e no combate à desinformação, durante a pandemia de Covid-19 no Brasil, atendeu o chamado de Orlando Silva. “Ter uma lei que regula as tecnologias é construir uma barragem porque a água está subindo e o que vem pela frente é um dilúvio”, observou, acrescentando que nada do que foi falado sobre este tema é definitivo, pois a tecnologia está em constante evolução. Inteligência artificial Iamarino traçou um histórico para apontar o que mudou na inteligência artificial, desde o seu início, com robôs que jogavam xadrez até o atual ChatGPT, que não para de evoluir. “Se antes a inteligência artificial tinha 50 áreas diferentes que avançavam por conta própria, hoje tem um único sistema que avança mais de 50 vezes mais rápidas, por todos os pesquisadores estarem trabalhando no mesmo sistema, unificando todas as áreas”, explicou o doutor. Com tantos dados assim, a inteligência artificial começa a relacionar as coisas, melhor do que o ser humano. “Não necessariamente melhor em qualidade, mas muito melhor em quantidade e em velocidade. A disputa do futuro é exatamente essa, o quanto a gente vai aceitar o medíocre rápido, ao invés do mais demorado com qualidade”, afirmou Iamarino. Para o pesquisador, o que não mudou na inteligência artificial desde o começo é a continuidade de fruto de mão de obra barata, conteúdo autoral sendo plagiado, privacidade sendo violada, dados enviesados geram sistemas enviesados, opacidade do sistema e propriedade emergentes. “É muito fácil criar conteúdo, de texto e até imagens, entramos na fase de criar voz parecida das pessoas e vamos entrar na fase de criação dos vídeos”, apontou. Para ele, a nossa realidade vai mudar completamente nos próximos anos, mas ela não vai ser tão real. “Com isso, a solidão vira uma vulnerabilidade. Nossa atenção já foi capturada, daqui a pouco serão as emoções”. Atila Iamarino elegeu o alinhamento como o grande problema desta tecnologia. “Por isso temos de ter menos foco na inteligência e mais foco nos humanos que estão decidindo isso”, finalizou. *Fonte: Contraf-CUT