Itaú: lucro de R$ 37,305 bilhões não impede banco de demitir e fechar postos de trabalho

O lucro líquido recorrente gerencial do Itaú nos primeiros nove meses de 2026 chegou a R$ 37,305 bilhões, apontando um crescimento de 8,1% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar do resultado positivo, o banco eliminou 3.259 postos de trabalho e fechou 334 agências físicas no Brasil em apenas 12 meses. Os dados constam do levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre o balanço do terceiro trimestre. Entre julho e setembro, o banco registrou lucro de R$ 12,617 bilhões, alta de 1,7% em relação ao trimestre anterior. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) no Brasil alcançou o índice de 25,4% no acumulado de janeiro a setembro. O movimento sindical ressalta que, enquanto o banco amplia seus resultados e se beneficia dos avanços tecnológicos, continua reduzindo empregos e estruturas de atendimento, o que prejudica trabalhadores e a população com os impactos de sua política de redução de custos. Os dados do Dieese apontam a capacidade do banco para preservar empregos e valorizar os funcionários. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias, nos primeiros nove meses do ano, somaram R$ 37,8 bilhões, crescimento de 5,3%. As despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), totalizaram R$ 26,7 bilhões. Assim, apenas as receitas com tarifas e serviços foram suficientes para cobrir 141,1% das despesas com pessoal e PLR, com uma diferença de aproximadamente R$ 11 bilhões, sem considerar os ganhos provenientes das operações de crédito, seguros e outras atividades financeiras. Já o crescimento da carteira de crédito foi de 10,2% em 12 meses, alcançando R$ 1,544 trilhão. O banco chegou ao final de setembro com 80.350 empregados no Brasil, uma redução de 3.259 trabalhadores em relação ao mesmo período do ano passado. Só no terceiro trimestre foram fechados 307 postos de trabalho. De acordo com o movimento sindical, a diminuição do quadro, associada às reestruturações e à cobrança crescente por metas, aumenta a sobrecarga dos funcionários que permanecem no banco, aumentando os riscos de adoecimento físico e mental. O movimento sindical reivindica maior transparência na implementação de ferramentas de inteligência artificial, respeito à saúde dos bancários e participação dos representantes dos trabalhadores nas decisões sobre reestruturações e mudanças nos processos de trabalho. Além disso, os sindicalistas defendem a manutenção de uma rede de atendimento presencial capaz de atender às necessidades da população, especialmente das pessoas idosas, com deficiência ou dificuldades de acesso aos serviços digitais. Abaixo, a tabela com resumo do balanço do banco: *Fonte: Contraf-CUT
Copom mantém Selic em 13,75% ao ano

Rompendo o ciclo curto de redução, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, na reunião desta quarta-feira (4). Desde março passado, a taxa vem sendo reduzida em 0,25% consecutivamente. Foram cinco cortes até chegar aos atuais 13,75%. De acordo com Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), “51,6% da dívida pública federal está vinculada à Selic, ou seja, quanto mais a alta a Selic maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança.” Juvandia reforça que, se o Banco Central reduzisse a Selic, o déficit nominal do governo despencaria quase imediatamente, aliviando as contas públicas sem a necessidade de cortar verbas da saúde, educação ou de outros investimentos. Segundo o Copom, a manutenção da Selic elevada é para trazer a inflação para a meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) de 3%, com tolerância de 1,5%, para cima ou para baixo. Portanto, não podendo ultrapassar 4,5%. Porém, desde 2023 o Brasil vem registrando as menores taxas de inflação desde o Plano Real, implementado há três décadas. *Fonte: Contraf-CUT*Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil