COE debate com Itaú sobre fechamento de agências, metas e plano de saúde

Nesta terça-feira (29), a Comissão de Organização dos Empregados (COE) Itaú se reuniu com a direção do banco, visando prosseguir com as negociações da pauta entregue em 1º de julho, construída a partir das deliberações do Encontro Nacional dos Funcionários do Banco. Os principais temas debatidos foram o fechamento de agências e a realocação de trabalhadores, a reestruturação do Segmento Empresas, a cobrança de metas, o plano de saúde, as certificações ANBIMA, a Fundação Itaú/Franprev e a renovação do Acordo Macro. A coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai, explicou que o processo de transformação pelo qual passa o banco reforça a necessidade de garantir proteção aos trabalhadores, transparência nos processos e participação humana nas decisões que impactam a vida profissional dos bancários. Fechamento de agências A COE reivindicou o fim das demissões decorrentes do encerramento das unidades e a realocação de todos os trabalhadores envolvidos. O banco informou que atualmente 11 trabalhadores estão incluídos no Programa de Requalificação e Indenização previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2026/2028 para bancários oriundos de agências que encerraram suas atividades. De acordo com o banco, os demais trabalhadores foram realocados. Reestruturação do Segmento Empresas e cobrança de metas A COE mostrou as preocupações dos trabalhadores com a reestruturação do Segmento Empresas, principalmente em relação às regras de remuneração variável, à definição e cobrança de metas e aos critérios de avaliação. Dados do turnover A representação dos trabalhadores cobrou os dados de turnover, que haviam sido solicitados para esta reunião. Informações deveriam apresentar números de trabalhadores admitidos e demitidos, além dos desligamentos relacionados aos processos de encerramento de agências. O banco não apresentou esses dados. Renovação do Acordo Macro e monitoramento do trabalho A COE solicitou ao Itaú um quadro atualizado do Banco de Horas, com informações necessárias para o acompanhamento do tema. Entidade também questionou as ferramentas utilizadas pelo banco para monitorar e medir a atividade dos funcionários e reivindicou maior transparência sobre os mecanismos empregados. Banco dos Aposentados, Banco Agro e PABs Informações sobre a expansão do chamado Banco dos Aposentados foram apresentadas pelo Itaú. No momento são 19 agências, mas a expectativa é de chegar a 500 unidades. Também foi apresentado o modelo do Banco Agro, que atualmente conta com 72 espaços, seguindo o formato de escritório. Em relação ao Banco do Servidor, formado pelos Postos de Atendimento Bancário (PABs) instalados em repartições públicas, o banco disse que passarão a combinar atendimento físico e digital, em um modelo híbrido. Os PABs Empresas também seguirão o formato phygital. Certificações ANBIMA Houve questionamentos sobre a renovação e atualização das certificações da ANBIMA, principalmente sobre os custos necessários para a conclusão dos processos e às dúvidas sobre a nova certificação CPRO-R, inclusive para trabalhadores licenciados. De acordo com o banco, será apresentado aos sindicatos um passo a passo atualizado para renovação e obtenção das certificações e também produzirá um comunicado para orientar os bancários sobre os procedimentos. Plano de saúde A COE pediu a reabertura das discussões para ativos e aposentados. Porém, o banco informou que não há espaço para negociação relativa aos aposentados. Fundação Itaú/Franprev Os representantes dos trabalhadores querem a abertura de uma discussão específica sobre o Plano da Fundação Itaú/Franprev. Na próxima reunião, vão apresentar uma pauta específica sobre o assunto. A próxima rodada de negociação entre a COE Itaú e a direção do banco está marcada para 7 de outubro de 2026. *Fonte: Contraf-CUT
TST decide acabar com a greve na Caixa

O julgamento do dissídio coletivo da Caixa Econômica Federal ocorreu nesta terça-feira (29). A greve foi considerada não abusiva pelo TST. Apesar disso, o Tribunal determinou o fim da greve e a volta imediata dos empregados ao trabalho, nesta quarta-feira (30). O TST também definiu as regras que vão reger as relações de trabalho até 31 de agosto de 2028. Durante o período, os empregados terão uma sentença normativa resultante do dissídio coletivo ajuizado pela Caixa, deixando de contar com um novo Acordo Coletivo de Trabalho construído e assinado pelas partes. O ministro Maurício Godinho Delgado ressaltou que grande parte das condições existentes puderam ser preservadas por terem sido conquistadas antes, através da negociação coletiva. Porém, ele advertiu que, quando a sentença normativa chegar ao fim, não haverá um novo ACT negociado que garanta direitos preexistentes, como aumento real e PLR, e a categoria ficará sujeita às jurisprudências do TST, que não concede reajustes acima do INPC e nem PLR. A atuação da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) foi importante para reduzir perdas. A sentença preservou as cláusulas dos ACTs anteriores e da CCT dos bancários, incluindo o reajuste com INPC mais 0,6% de aumento real, a PLR e demais direitos econômicos. O desconto de todos os dias parados também tinha sido determinado pelo relator. Mas, por solicitação da Contraf-CUT, o TST decidiu consultar a Caixa, que concordou com a compensação em até 180 dias. Em relação ao Saúde Caixa, uma das principais reivindicações, houve perdas. O teto da participação da Caixa, que subiria para 9% da folha, permaneceu em 6,5%. Com a manutenção do teto de 6,5% da folha, ao invés dos 9%, a Caixa deixará de pagar cerca de R$ 2 bilhões durante a vigência da sentença. Na proposta rejeitada, a Caixa assumiria o déficit de 2026. Já pela regra preservada pelo TST, depois da utilização das reservas, o déficit será rateado entre os titulares do Saúde Caixa. Com base no artigo 114 da Constituição Federal e na jurisprudência do próprio Tribunal, o relator decidiu aproveitar na sentença normativa as cláusulas anteriormente negociadas na CCT da categoria bancária e nos ACTs específicos da Caixa. Esse entendimento ajudou a preservar, entre outros pontos, o reajuste salarial pelo INPC mais 0,6% de aumento real. Caso o reajuste fosse apenas do INPC, a redução seria de R$ 112,5 milhões/ano na massa salarial da Caixa. O Tribunal também manteve o ganho real previsto para 2027, graças à negociação no CCT. A força de negociação da categoria ao longo dos anos também foi decisiva para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A proposta apresentada pela Caixa ao TST continha mudanças que poderiam reduzir a parcela, alterar limites de distribuição e modificar as regras existentes. O relator considerou que essas alterações dependeriam de negociação coletiva e determinou a aplicação das regras preexistentes. O déficit de 2026 não ficou sob responsabilidade exclusiva da Caixa. “Este é o principal impacto para os usuários do Saúde Caixa. Na negociação, tínhamos conseguido que a empresa elevasse seu teto de participação para 9% e assumisse o déficit de 2026. No dissídio, o teto voltou para 6,5% e existe o risco de o déficit remanescente acabar no bolso de empregados, aposentados e pensionistas”, ressaltou Luiza Hansen, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa). Veja a tabela publicada pela Contraf-CUT com mudanças em relação à terceira proposta: *Fonte: Contraf-CUT