
A cartilha “Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho no Setor Financeiro — Identificação, Intervenção e Monitoramento” foi lançada, nesta quinta-feira (23), no segundo dia do Encontro Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Bancário(a).
O trabalho aborda as mudanças previstas nas normas de segurança e saúde do trabalho que tornam obrigatória, a partir de 2026, a gestão dos riscos psicossociais pelas empresas brasileiras dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).
O texto parte do reconhecimento de que as transformações recentes no mundo do trabalho – impulsionadas pela digitalização, automação e pressão permanente por resultados – ampliaram fatores de adoecimento mental entre trabalhadores e trabalhadoras.
Os riscos psicossociais estão ligados à forma como o trabalho é organizado e gerido. Eles envolvem aspectos como conteúdo das tarefas; demandas emocionais; modelo de gestão; relações interpessoais no ambiente laboral; e pressão por desempenho e metas.
As consequências são ansiedade, depressão, doenças cardiovasculares, problemas osteomusculares e a Síndrome de Burnout, reconhecida em 2019 pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional.
Segundo a cartilha, o setor financeiro é um dos mais impactados pelos riscos sociais. Os principais fatores são:
- Gestão por metas e desempenho, muitas vezes acompanhadas por monitoramento em tempo real;
- Vigilância digital, com uso de softwares de produtividade, rastreamento de atividades e geolocalização;
- Sobrecarga e intensificação do trabalho, ampliadas pela conectividade permanente do ambiente digital.
A cartilha defende que a prevenção passa por mudanças na organização do trabalho, que incluem revisão dos modelos de gestão; participação ativa dos trabalhadores nas decisões; além de transparência nos sistemas de avaliação de desempenho, inclusive aqueles baseados em inteligência artificial.
Segundo especialistas, para uma gestão eficaz há necessidade de uma triangulação de evidências, que reúne três frentes de análise:
- Indicadores epidemiológicos e organizacionais, como absenteísmo e rotatividade;
- Estudo das atividades reais de trabalho;
- Comparação com indicadores epidemiológicos do setor econômico.
O objetivo é ampliar a compreensão sobre a relação entre indivíduo, organização e ambiente laboral, buscando preservar a dignidade dos trabalhadores e a sustentabilidade das instituições.
*Fonte: Contraf-CUT


