Copom ignora críticas e decide manter a Selic em 13,75%

Mesmo com todas as críticas do governo e manifestações das centrais sindicais realizadas em todo o país, na última terça-feira (21), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve em 13,75% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, pelos próximos 42 dias. A decisão foi anunciada no final da tarde desta quarta-feira (22). Foi a quinta manutenção seguida, no patamar mais alto dos seis últimos anos. A próxima reunião será realizada em 2 e 3 de maio. Com a taxa de juros elevada, montadoras como a General Motors, Hyundai, Stellantis (donas das marcas Fiat, Peugeot e Citröen) e Mercedes-Benz decidiram dar férias coletivas em parte de suas linhas de produção. As empresas apontam a baixa atividade do mercado como principal motivo para a medida. A justificativa do Copom, em um comunicado divulgado logo após o encerramento da reunião, é que houve deterioração do ambiente externo. “Os episódios envolvendo bancos nos EUA e na Europa elevaram a incerteza e a volatilidade dos mercados e requerem monitoramento”, diz o colegiado. Ainda segundo o comitê, internamente, a atividade econômica mostra desaceleração, enquanto a inflação segue acima do “intervalo compatível” para cumprimento das metas. Ao apontar cenário de riscos, o Copom fala em “incerteza sobre o arcabouço fiscal e seus impactos sobre as expectativas para a trajetória da dívida pública”. Com isso, sem fazer sinalização, o órgão do BC afirma que seguirá “vigilante”. Quando a Selic foi a 13,75%, em agosto do ano passado, a inflação oficial (IPCA-IBGE) estava em 8,73% em 12 meses. Pelo último dado, referente a janeiro, está em 5,60%. Assim, com a atual taxa básica o juro real (acima da inflação) está acima de 8%. Logo após o anúncio, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, divulgou nota lamentando a decisão. “Tragicamente, também em nosso país estamos reféns dos poderosíssimos interesses dos rentistas”, afirmou. Para ele, a manutenção da Selic em 13,75% é prêmio aos especuladores e extorsão aos brasileiros e ao setor produtivo. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) repudiou a decisão do Banco Central, ressaltando que “política monetária, que impede o Brasil de crescer e gerar emprego, comprova mais uma vez que a instituição está a serviço dos interesses de especuladores.” Em sua página, Contraf-CUT destacou: “Repudiamos veementemente a política monetária praticada hoje pelo BC, que penaliza os mais pobres e o desenvolvimento industrial e não foi capaz de conter os níveis de inflação dentro das metas estipuladas nos últimos dois anos, isso porque a inflação registrada no período não tem relação com o consumo, mas sim com questões externas ao país, como conflito bélico entre Rússia e Ucrânia e as mudanças climáticas globais”. A executiva da CUT também se manifestou em nota de repúdio.  “A decisão também revela o quanto é ruim para o país um Banco Central, que se declara autônomo, mas se encontra nas mãos de rentistas, especialmente quando têm compromissos com forças políticas contrárias ao povo e ao governo federal. A ausência de sintonia do BC com o esforço de retomada do crescimento econômico do governo democrático e popular prejudica o país e seu povo”, afirmou a central. Confira, na íntegra, a nota da CUT: A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considera inaceitável a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A decisão revela uma completa submissão deste Comitê aos interesses dos rentistas e um evidente boicote do presidente do Banco Central ao esforço de todos e todas que trabalham pela retomada das atividades e do crescimento econômico, gerando emprego e distribuição de renda. A decisão também revela o quanto é ruim para o país um Banco Central, que se declara autônomo, mas se encontra nas mãos de rentistas, especialmente quando têm compromissos com forças políticas contrárias ao povo e ao governo federal. A ausência de sintonia do BC com o esforço de retomada do crescimento econômico do governo democrático e popular prejudica o país e seu povo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou por diversas vezes a imperiosa necessidade de reduzir taxa básica de juros; uma das mais altas do mundo, que tem atrapalhado os investimentos produtivos e a retomada do crescimento. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem realçado a importância de uma atuação coordenada do Bacen com o governo Lula, considerando outros fatores relevantes para um desenvolvimento econômico equilibrado, com emprego, crescimento, geração de oportunidades de trabalho, além da inflação. Entretanto, esse esforço por parte do governo federal de nada adiantou. Lamentavelmente, o Copom, do Banco Central, desconheceu os apelos e virou as costas para as necessidades do Brasil, do setor produtivo, dos consumidores, da indústria e do comércio. Revelando seu compromisso com a banca de rentistas, manteve a Selic em 13,75%. Reafirmou, desta forma, sua intenção de boicotar as iniciativas do governo democrático e popular. A redução da taxa básica de juros reduziria as despesas do governo com juros da dívida, o que lhe possibilitaria investir na retomada e na realização de novas obras, gerando emprego, melhoria na logística e melhor qualidade de vida. Ao reduzir o custo do dinheiro, melhoraria a oferta de crédito a juros menores, o que reduziria o endividamento das famílias e propiciaria uma retomada mais forte do consumo e, em decorrência, do crescimento e dos empregos. A Central Única dos Trabalhadores, comprometida com a classe trabalhadora e o povo brasileiro, protesta veementemente contra a decisão do Banco Central do Brasil de manter a inaceitável taxa básica de juros nas alturas. Uma decisão inaceitável e irresponsável que favorece rentistas e agiotas e prejudica aqueles que vivem de seus próprios salários, a classe trabalhadora, os comerciantes, os prestadores de serviços e os governos das três esferas. Pela imediata redução da taxa básica de juros! Pela libertação do Banco Central do controle de banqueiros e especuladores! Executiva Nacional da CUT *Com informações da Rede Brasil Atual e da CUT Nacional

Coletivo Nacional de Saúde define pauta de reivindicações

O Coletivo Nacional de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) se reuniu, nesta quarta-feira (22), para definir as prioridades da pauta de reivindicações de saúde e condições de trabalho, além da organização do coletivo para os debates da Comissão Bipartite de Saúde e Condições de Trabalho junto à Comissão de Negociações da Federação Nacional dos Bancos (CN Fenaban). O encontro foi realizado na sede da entidade, em São Paulo. A retomada da mesa permanente de saúde com a Fenaban é a principal bandeira do coletivo. “É um espaço que conquistamos após muita luta para avançar numa temática tão importante para o dia a dia dos trabalhadores do ramo financeiro”, afirmou Mauro Salles, secretário de Saúde, da Contraf-CUT. Logo no início do encontro, foi feita uma análise de conjuntura pela secretária de Saúde do Trabalhador da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Madalena Margarida da Silva. Ela explicou como foi a reunião, realizada em fevereiro, entre representantes da CUT e outras centrais sindicais e o Secretário Executivo do Ministério, Swedenberger Barbosa, em Brasília. Segundo ela, a reunião colocou fim a um período sombrio em que não se podiam debater questões como saúde e os direitos dos trabalhadores.  “É um momento histórico e valioso porque havia seis anos que nós, as centrais sindicais e o Fórum Nacional de Saúde do Trabalhador, não tínhamos um contato com o ministério para colocarmos nossas pautas”, diz a dirigente. Para Madalena, o resultado do encontro foi positivo, já que mesmo com todas as dificuldades enfrentadas pelo país, a proteção à saúde dos trabalhadores terá destaque no ministério. “Sabemos que na atual conjuntura, pautas como a econômica, da criação e empregos e outras são igualmente fundamentais e acabam se sobrepondo à gestão de políticas de saúde do trabalhador, mas a resposta foi positiva e saímos do encontro com resoluções importantes”, ressaltou. A realização de um diagnóstico sobre questões relacionadas à saúde do trabalho no âmbito do Ministério da Saúde para conhecimento do Fórum Nacional de Saúde do Trabalhador, coordenado por Madalena Silva, está entre as decisões tomadas na reunião. Durante o encontro, os dirigentes sindicais definiram as estratégias de defesa dos principais pontos da pauta de reivindicação, apresentada à Fenaban, com o pedido de agendamento de uma mesa de negociação. Também ficou definido a realização de um Dia Nacional de Lutas contra o adoecimento no local de trabalho no dia 11 de abril. *Com informações da Contraf-CUT

Santander anuncia novas nomenclaturas para seus cargos

O Santander fará uma revisão nas nomenclaturas dos cargos. O anúncio foi feito em duas reuniões, nesta quarta-feira (22), uma entre membros da Comissão de Organização dos Empregados (COE Santander) e o RH do banco; e outra entre funcionários e o presidente do banco, Mario Roberto Opice Leão. Confira as novas nomenclaturas: Especialista – Cargos sem gestão de pessoas. Serão subdivididos em quatro segmentos (1, 2, 3 e 4).Exemplos de cargos atuais que serão inseridos nesta nova nomenclatura: Analistas em geral, gerentes de contas e de relacionamento. Líder – Fazem gestão de equipes e as mobilizam.Exemplo de cargos: gerentes-gerais e gerentes administrativos. Head – Definem e direcionam estratégias, e formam novos líderes.Exemplo: Superintendentes. Sócio – Tomam as decisões.Exemplos: Diretores, vice-presidentes e presidente. O Santander afirmou que não haverá alteração salarial. Segundo o banco, as alterações visam dinamizar e agilizar as decisões, bem como alcançar mais horizontalidade. “Para o movimento sindical, as mudanças de nomenclaturas só resultarão em mais dinâmica e agilidade se forem acompanhadas da revisão de processos internos, e se houver de fato valorização das pessoas. Acompanharemos de perto essas mudanças para que possamos aferir se haverá outros impactos para os trabalhadores”, afirmou Lucimara Malaquias, coordenadora da COE Santander. As mudanças terão início a partir de maio. O banco enviará um comunicado institucional e individual para cada funcionário detalhando as mudanças, nos próximos dias.

Consignado do INSS: juros serão definidos até sexta (24)

Uma definição sobre o novo teto dos juros do crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sairá até sexta-feira (24). A informação é do presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Sidney Oliveira, que esteve reunido com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, na última terça-feira (20). “O patamar fixado pelo Conselho Nacional de Previdência Social, de 1,7% ao mês, não atende a estrutura de custo dos bancos. Tanto não atende que os bancos públicos também interromperam a concessão de consignado, ou seja, Banco do Brasil e Caixa interromperam porque não conseguem suportar com a taxa de 1,70%”, afirmou. Sidney disse ainda que as instituições financeiras estão dispostas a negociar e indicou que uma solução intermediária deverá ser encontrada. “Nós precisamos sair desse impasse. Há toda uma disposição da Febraban, do setor bancário para que nós possamos encontrar o patamar que possa de um lado atender a um anseio do governo e de outro lado permitir a viabilidade econômica de crédito consignado”, acrescentou. Segundo comunicado da Casa Civil da Presidência da República, publicado na última segunda-feira (20), haverá uma nova reunião entre representantes do governo e do sistema financeiro, até o fim desta semana. “Existe possibilidade de elevação do teto de juros, mas é necessário aguardar o resultado dessa reunião. A expectativa é chegar a um acordo sobre a taxa”, informou o comunicado. Ainda segundo o comunicado, “há previsão de que na próxima semana, o ministro da Previdência convoque uma nova reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) para discutir o tema”. O documento foi emitido após reunião entre os ministros da Casa Civil, Rui Costa; da Fazenda, Fernando Haddad; e da Previdência, Carlos Lupi, no Palácio do Planalto, para debater o assunto. Também estiveram presentes no encontro Galípolo, o secretário-executivo do Ministério Trabalho e Emprego, Francisco Macena, além das presidentas da Caixa Econômica Federal, Rita Serrano, e do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros. O Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) reduziu de 2,14% para 1,7% ao mês o teto dos juros sobre o crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS. O órgão também diminuiu de 3,06% para 2,62% ao mês o limite da taxa para o cartão de crédito consignado. A medida foi alvo de críticas e, no fim da semana passada, vários bancos públicos e privados, inclusive a Caixa e o Banco do Brasil, suspenderam a oferta dessa modalidade de crédito. Segundo o Banco Central, apenas quatro instituições financeiras cobravam taxas menores que 1,7% ao mês: Sicoob (1,68%), Cetelem (1,65%), BRB (1,63%) e CCB Brasil (1,31%). *Com informações da Agência Brasil

Trabalhadoras e trabalhadores vão às ruas contra juros altos

Bancárias e bancários tiveram participação massiva nas manifestações de rua realizadas em todo o país, nesta terça-feira (21). O movimento convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) exigiu a redução da taxa básica de juros (Selic). O índice, que é definido pelo Banco Central (BC), está em 13,75% ao ano, o mais alto do mundo. A CUT, demais centrais sindicais e movimentos populares escolheram essa data por coincidir com o primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), para decidir sobre a taxa básica de juros, Selic. A reunião vai até quarta-feira (22), quando será anunciada, após o fechamento do mercado, a decisão do grupo. A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira, falou sobre as manifestações.  “Estamos com atos hoje em nove estados e no Distrito Federal, contra essa política do Banco Central de manter a Selic muito alta. Não existe outro país com taxa tão elevada, porque inibe o investimento produtivo e estimula o rentismo. Como estamos, o Brasil continua perdendo emprego e renda. Para mudar a política econômica, tem que mudar o presidente do Banco Central, que está promovendo a recessão. Nós queremos a economia forte, gerando emprego e renda para todos os trabalhadores. Juros altos é sabotagem”, declarou Juvandia. A democratização do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (CARF), órgão que julga processos administrativos de grandes devedores e, em geral, beneficia as empresas sonegadoras porque a maioria dos conselheiros é empresário, também está entre as reivindicações dos trabalhadores. Segundo o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, os juros altos favorecem apenas os mais ricos, que têm algum dinheiro aplicado no sistema financeiro. “Todo mundo tem um amigo, um parente desempregado, e essa penúria que o trabalhador vem passando tem tudo a ver com os juros altos que impedem as empresas de investir e o próprio governo de promover programas sociais e fazer obras como abrir novas estradas, consertar as que precisam de reparos, entre outras que geram milhares de empregos”, disse Sérgio Nobre. As manifestações não aconteceram apenas nas ruas. Desde as primeiras horas da manhã, várias postagens no Twitter começaram a subir a hashtag #JurosBaixosJá, que alcançou o quarto lugar entre as mais comentadas no Brasil, nesta terça-feira. *Com informações da Contraf-CUT

Reunião do Copom pode decidir sobre alteração da Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, está reunido nesta terça-feira (21) para debater sobre a Selic, taxa básica de juros, que vem sendo duramente criticada pelo governo, pelo setor produtivo e pelas entidades de trabalhadores. A taxa poderá – ou não – ser alterada no segundo e último dia de encontro do colegiado, já na noite de quarta-feira. Mesmo com as críticas, as projeções indicam que a tendência d o Copom é manter os juros em 13,75% ao ano, que vem desde agosto passado e é o maior índice em seis anos. De agosto para cá, a inflação (IPCA) anualizada caiu três pontos percentuais, de 8,73% para 5,60%. Em poucos meses a diferença entre juros e inflação subiu de 4,6% para 7,7%. A autoridade monetária aponta riscos, internos e externos, para a inflação brasileira. Mas o governo não concorda com a argumentação. Sem justificativa Para o vice-presidente e também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Geraldo Alckmin, nada justifica esse índice. “Não há nada que justifique 8% de juros reais acima da inflação quando não há demanda explodindo e quando o mundo inteiro tem praticamente juros negativos”, afirmou nesta segunda-feira (20), durante seminário. Organizado pelo BNDES, o seminário contou ainda com a presença do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, que chamou as taxas de juros de “pornográficas”. Já o professor Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, falou em “pena de morte” ao se referir ao juros praticados no Brasil pelo Copom.  Por conta deste cenário, representantes das centrais sindicais se unem nesta terça-feira (21) em protesto contra os juros altos mantidos pelo Copom. Os atos vão acontecer por todo o país.  “Os protestos são fundamentais para pressionar a direção do BC, comandada por Roberto Campos Neto, a baixar os juros que estão travando o crescimento econômico, impedindo a geração de empregos. Todo mundo tem um amigo, um parente desempregado e essa penúria que o trabalhador vem passando tem tudo a ver com os juros altos que impedem as empresas de investir e o próprio governo de promover programas sociais e fazer obras como abrir novas estradas, consertar as que precisam de reparos, entre outras que geram milhares de empregos”, afirma o presidente da CUT, Sérgio Nobre. *Com informações da Rede Brasil Atual

Live da CUT com informações sobre os atos desta terça-feira (21) já está no ar

Já está no ar a live da CUT com as informações sobre os protestos da classe trabalhadora contra os juros altos, que acontecem nesta terça-feira (21) em todo o país. A transmissão está sendo feita pelas páginas da CUT no Facebook e no YouTube, e no canal do YouTube da TVT. A Contraf-CUT, federações e sindicatos do ramo financeiro também participam dos atos, que são promovidos pela CUT, Força, CTB, UGT, CSB, NCST, CSP Conlutas, Intersindical e A Pública, além dos movimentos Povo Sem Medo (PSM) e Frente Brasil Popular (FBP). Também nesta terça-feira (21) está sendo realizada a reunião do Copom do Banco Central (BC) para decidir a taxa básica de juros do país, a Selic, pelos próximos dois meses. Atualmente em 13,75% ao ano, a Selic é considerada a mais alta do mundo. *Com informações da Contraf-CUT

Em reunião, movimento sindical pede fim de demissões e de fechamento de agências do Itaú

A reunião entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) e a direção do Itaú, na última quinta-feira (16) teve como foco principal a questão das demissões, fechamento de agências e a cobrança de novas contratações. O encontro aconteceu no Centro Empresarial (Ceic), em São Paulo. O movimento sindical apresentou uma série de denúncias de sindicatos de todo o Brasil de que os bancários afetados nos fechamentos das agências não têm chance de nova oportunidade dentro do banco. Segundo informações do Itaú, no ano passado foram fechadas 239 agências, com 1971 trabalhadores envolvidos. Deste total, somente 74% foram realocados, 8% pediram demissão ou aderiram ao PDV e 18% foram demitidos. Em 2023, já são 106 agências, com 1330 trabalhadores envolvidos. Durante a reunião, os dirigentes sindicais questionaram os números e o processo de realocação, além de solicitarem informação sobre para onde foram estes funcionários. O banco se comprometeu a fazer um levantamento e apresentar, na próxima reunião, os locais de realocação, para que o processo possa ser acompanhado. O coordenador da COE Itaú, Jair Alves, falou ainda sobre assédio e sobrecarga de trabalho. “Nós queremos mais contratações, principalmente, no varejo, pois quem ficou no banco está sempre sobrecarregado. Queremos também o fim do assédio moral, que aumentou muito com este cenário de insegurança gerado pelos fechamentos e demissões”, afirmou Jair. No encontro, foi debatida ainda a questão do adoecimento causado nos bancários quando tomam conhecimento sobre a desativação de algum local de trabalho. O banco solicitou à Contraf-CUT uma agenda para apresentar seu programa de diversidade e também debater sobre saúde e condições de trabalho. *Com informações da Contraf-CUT

Movimentos sindicais e populares organizam atos contra juros altos

Atos contra a alta da taxa básica de juros (Selic) praticada pelo Banco Central estão sendo organizados por Centrais sindicais e movimentos populares para esta terça-feira (21) em todo o país. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano. Eles reivindicam também a democratização do Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf). Haverá manifestações nas ruas e nas redes sociais com a hasthag #JurosBaixosJá Segundo os sindicalistas e os representantes dos movimentos populares, a alta taxa de juros paralisa a economia e impede o país de crescer e gerar emprego decente, distribuir renda e facilitar o acesso ao crédito. Além disso, o CARF precisa ser democratizado, ter participação popular para reduzir sonegação de empresas e aplicar os recursos em investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e programas sociais, como o Bolsa Família. O presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, explica que essa luta é prioritária para o país. “Menos juros é mais investimento, mais emprego, mais saúde, mais educação. Menos juros é melhoria na vida dos brasileiros. Participe, pois discutir a economia do nosso país é importante para o trabalhador. manifeste-se também!”, convoca Sérgio Nobre Para Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e também vice-presidenta da CUT Nacional, a adesão aos atos é uma forma de defender o crescimento econômico e a geração de empregos “A necessidade da queda dos juros exorbitantes de 13,75% ao ano do Banco Central é para que a economia do país volte a crescer, já que, quem tem condições de investir em novas empresas e na geração de empregos, na maioria das vezes, prefere deixar o dinheiro aplicado, rendendo 8% ao mês, que é o rendimento após o desconto do índice da inflação do período”, afirma. Segundo o professor da PUC-SP e economista Ladislau Dowbor, a taxa de juros alta só favorece aos mais ricos, que são apenas 1% da população brasileira.  Para os mais ricos é mais lucrativo deixar o dinheiro aplicado no banco do que abrir um negócio. Já quem emprega e precisa de dinheiro para investir e diversificar seus negócios não consegue pagar empréstimos com essa taxa de juros. Democratização do CARF Órgão composto por representantes do governo, empresariado e trabalhadores, o CARF julga os processos administrativos referentes a impostos, tributos e contribuições, inclusive da área aduaneira (importação e exportação) sonegados pelos patrões. Até 2020, em caso de empate em algum julgamento, havia o chamado “voto de qualidade”, proferido por conselheiros representantes da Fazenda Nacional, na qualidade de presidentes das Turmas e das Câmaras de Recursos Fiscais. Mas a lei mudou em 2020 e agora, em caso de empate, ganha o contribuinte, que na maioria dos casos, são empresários devedores. A mudança na lei favoreceu as empresas autuadas pelos órgãos responsáveis porque, ao entrar com recursos no CARF, órgão que decide se elas devem ou não e quanto terão de  pagar, na maioria das vezes, obtêm decisões favoráveis. Entretanto, essa mudança prejudica os interesses da sociedade. As decisões favoráveis deixaram que as empresas sonegassem mais de um trilhão de reais. Com esse dinheiro, o governo poderia construir mais de dez mil hospitais de ponta; ou mais de duzentas mil escolas; ou financiar projetos como o Bolsa Família por mais de 70 anos. Segundo Juvandia, os trabalhadores têm apenas quatro representantes em duas comissões  entre os 160 membros do CARF, composto também por representantes da Receita Federal e empresários. Como os empresários têm maioria dos assentos, eles advogam em causa própria, impedindo a recuperação de um trilhão de reais em dívidas, de apenas 126 empresas. Os nomes desses devedores não são divulgados pelo governo. “Apenas metade deste valor, R$ 600 bilhões, daria para pagar 10 anos de Bolsa Família e construir milhares de escolas e hospitais”, afirma a dirigente da CUT Nacional, acrescentando que “são empresas que têm grandes escritórios de advocacia e recorrem do pagamento dos tributos; não é o povo que deve impostos.” Juvandia explica que se o CARF tivesse mais representatividade de trabalhadores, os grandes devedores de imposto de renda teriam de pagar suas dívidas, cujos valores bilionários seriam investidos no bem-estar da população brasileira. “É por isso que queremos a democratização do CARF, com mais trabalhadores tendo representatividade. Empresários sendo os responsáveis pelo julgamento de ações judiciais sobre tributos é colocar a raposa para cuidar do galinheiro”, afirma Juvandia. Saída de Campos Neto da presidência do BC Atualmente, o Banco Central é independente e o governo federal não tem ingerência sobre as decisões tomadas pela direção do banco. A redução da taxa de juros do BC terá como consequência a saída do presidente do banco, Roberto Campos Neto. “A saída de Campos Neto é necessária porque ele conspira contra o crescimento econômico e contra o povo. Ele está jogando o país na recessão com uma política econômica que saiu derrotada das urnas nas últimas eleições. O certo é ele sair, pois não age de acordo com a vontade do povo brasileiro que disse não a um projeto neoliberal econômico”, finaliza Juvandia. Os atos serão em frente às sedes do Banco Central. Nas cidades onde não há sede do BC, serão realizados atos em locais de grande movimento. Participam da organização dos atos a CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CSB ,NCST, CSP Conlutas, Intersindical, A Pública e os movimentos Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular.   *Com informações da CUT Nacional

Banco do Brasil vai incentivar o empreendedorismo feminino

Tarciana Medeiros, primeira mulher a ocupar a presidência do Banco do Brasil em toda a sua história, deu entrevista à Febraban, no mês que se comemora o Dia Internacional da Mulher,  e afirmou: “Depois que uma mulher tem acesso ao crédito, o céu é o limite”. Tarciana fez a afirmação ao falar sobre o objetivo de incentivar ainda mais o empreendedorismo, principalmente o feminino. ”Para as mulheres, nós vamos trabalhar muito forte a inclusão financeira em todas as suas formas, principalmente ensinando como gastar o dinheiro, como investir o dinheiro de uma maneira muito simples”, afirmou a presidenta. Segundo Tarciana, o banco vai seguir a mesma linha do curso da Febraban, “com uma linguagem simples, direta e objetiva”. “Nós pretendemos implementar ações voltadas ao empreendedorismo feminino,  ensinando como se utilizar, como gastar o dinheiro, como investir.  Aí nós habilitamos ao crédito e depois que uma mulher tem acesso ao crédito ela é livre. Aí o céu é o limite”, ressaltou Tarciana. A presidenta do Banco do Brasil fez questão de falar sobre como foi recebida nesse início de gestão. “Eu fui abraçada pelos colegas. O fato de ser de carreira, de ter construído no banco essa trajetória fez toda essa aceitação. Sou uma de 85 mil. Tem sido uma experiência espetacular, eu nunca imaginei viver esse momento na vida. Tenho muito orgulho de estar representando esses 85 mil colegas”, afirmou. Ainda falando sobre empreendedorismo, Tarciana explicou a linha de trabalho à frente do banco. “O brasileiro é um povo empreendedor. O Banco do Brasil acredita nos brasileiros e dar crédito é acreditar nas pessoas. Nós vamos intensificar as ações de crédito. Vamos trabalhar forte no empreendedorismo. Vamos intensificar a Liga PJ, que é uma plataforma implementada há mais ou menos um ano e algumas ações direcionadas ao de empreendedorismo para que todas as etapas de fomento ao negócio aconteçam. Se alguém precisar abrir um novo negócio, expandir um negócio ou implementar alguma alteração naquele empreendimento, nós estaremos preparados para apoiar, especialmente para as mulheres”, garantiu. Outra questão levantada durante a entrevista foi a inadimplência. Tarciana afirmou que a equipe tem trabalhado bastante o embarque de inteligência analítica na concessão de crédito. “Eu venho da diretoria de clientes e eu trabalhava com ciclos de relacionamento com clientes. Vamos trabalhar forte nessa área, desenvolver modelo de conhecimento do cliente, onde seja possível entregar um banco para cada cliente, isto é, entregar um Banco do Brasil adequado à necessidade de cada cliente”, disse. Ela explicou que um dos modelos analíticos que vem desenvolvendo é o modelo de pressupor cliente, ou seja, entregar ao cliente a linha de crédito adequada à sua necessidade. “Hoje, nós já temos tecnologia que no momento que o cliente vai buscar o crédito eu já conheço ele. Eu já entrego a linha de crédito com o melhor preço. Se é um cliente que está buscando para uma necessidade imediata, ele acessou o app do BB, simulou a operação de crédito, ele já recebe a melhor linha de crédito disponível. Nós pretendemos evoluir para ter não só uma melhor linha de crédito em preço, mas a melhor linha de crédito, a mais adequada a esse cliente. Nós entendemos que, dessa forma, a gente educa, protege e garante os menores índices de inadimplência”, concluiu Tarciana. *Com informações da entrevista concedida à Febraban