Bancários terão reajuste de 10,97%

Os bancários terão reajuste de 10,97% nos salários, vales refeição e alimentação e demais direitos econômicos estabelecidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, com ganho de real de 0,5% acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre setembro de 2020 e agosto de 2021, que ficou em 10,42%. “O reajuste mostra o acerto do acordo de dois anos negociado pelo Comando Nacional dos Bancários com Fenaban em 2020. Para nós, é motivo de comemoração, pois seremos uma das poucas categorias a ter reajuste com aumento real neste ano. No caso dos trabalhadores de bancos públicos, talvez sejam os únicos entre as empresas públicas a conquistarem aumento acima da inflação”, observou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários. “O governo Bolsonaro fez reviver o monstro da inflação e, infelizmente, a grande maioria dos trabalhadores terão perdas salariais. Isso não pode acontecer, ainda mais numa conjuntura de crise e de carestia na qual estamos vivendo”, completou. Segundo dados do Ministério do Trabalho compilados pelo DIEESE, até julho de 2021, apenas 17,5% dos reajustes foram acima do INPC, 32,2% iguais ao INPC e 50,3% abaixo do INPC. Cálculo do reajuste dos bancários O economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), alerta que algumas pessoas podem achar que existe erro na porcentagem de reajuste. “O cálculo não é feito com a simples soma de 10,42% mais 0,5%. Existe uma fórmula de cálculo composto para se calcular o ganho real”, explicou. Para se chegar ao índice de reajuste deve-se somar 10,42%+1 e 0,5%+1 e multiplicar os resultados, depois se subtrair 1 e se multiplicar por 100 para se se chegar à porcentagem. A fórmula é a seguinte: (1+10,42%) x (1+0,5%) -1. Histórico de aumento A categoria vem obtendo aumento real no decorrer da história. Desde 2004, o ganho real acumulado é de 21,94%. Considerando os pisos salariais o ganho real é ainda maior, chegando a 43,56% neste mesmo período. “Isso ocorre porque, em muitos anos, os pisos tiveram reajuste diferenciado, acima do reajuste geral dos salários”, explicou o economista do Dieese. Fonte: Contraf-CUT
Queda da CGPAR 23 resolveu o debate do Saúde Caixa?

Depois da aprovação do PDL 342/2021, que susta os efeitos da resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), seguem as negociações entre a Caixa Econômica Federal e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa sobre o plano de saúde dos empregados, o Saúde Caixa. “Com a queda da CGPAR 23, nossa defesa é da manutenção do modelo de custeio 70/30. A Caixa não tem mais a muleta da resolução para querer fazer com que o nosso plano de assistência à saúde seja igual aos planos de mercado”, disse a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt. Ela lembrou, no entanto, que persiste o entrave com relação ao teto de 6,5% da folha de pagamentos, estabelecido no estatuto da Caixa como limite para os investimentos do banco com a saúde dos funcionários. “O debate em mesa sobre propostas para tornar nosso plano de assistência à saúde sustentável e viável para todos continua. Esta é uma luta que vamos continuar travando”, explicou. Surgimento dos déficits Enquanto se discutia a aplicação, ou não da CGPAR 23, a partir de 2016, com o fim das contratações e as demissões por meio dos Planos de Desligamentos Voluntários (PDVs), o Saúde Caixa passou a apresentar déficits nas contas, uma vez que o valor recolhido de mensalidades não era suficiente para cobrir os 30% que cabem aos empregados (ativos, aposentados e pensionistas). “É um debate difícil, mas tem a ver com a manutenção do nosso plano de saúde. Por isso, mesmo sendo difícil ele deve ser feito. E está relacionado, também com os reajustes das tabelas médicas, que crescem muito acima dos valores de nossos salários”, lamentou o representante do Sindicato dos Bancários do ABC na CEE, Jorge Luiz Furlan. Relatório da assessoria atuarial contratada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) para assessorar a negociação do Saúde Caixa projeta um aumento das despesas assistenciais. Isso ocorre porque, com o aumento do número de pessoas vacinadas, há a retomada do uso do plano de saúde com procedimentos eletivos. “Mas, existem diferenças entre os dados apresentados pela assessoria atuarial da Caixa e pela assessoria atuarial que contratamos. Assim, criou-se um impasse. E após diversas tratativas chegamos numa proposta negocial para ser usada como projeção de mensalidades a serem arrecadadas para 2022, na casa de R$ 710 milhões. A partir disso estamos fazendo as simulações para propor em mesa de negociação,” explicou Fabiana que também é secretária de Cultura da Contraf-CUT. Vitória Com base na CGPAR 23, a Caixa estava impondo a paridade no modelo de custeio (50/50). Mas, com a organização e pressão das entidades de representação e associativas dos trabalhadores, entre elas a Contraf-CUT e a Fenae, o Congresso Nacional aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDC 956/2028), de autoria da deputada Erika Kokay (PT/DF), que, após aprovado na Câmara dos Deputados, tramitou no Senado como PDL 342/2021, a paridade foi derrubada. Permaneceu, no entanto a limitação de custo imposto pelo Estatuto da Caixa, que limita os gastos com planos de saúde dos empregados a 6,5% da folha de pagamentos. “Se não tivéssemos derrubado a CGPAR 23, a paulada seria grande. Com essa mudança os ajustes necessários serão pequenos”, finalizou a coordenadora da CEE/Caixa. Fonte: Contraf-CUT
“Mais Acesso” é cortina de fumaça para desviar denúncias de má gestão na Cassi

A atual diretoria da Cassi lançou recentemente um novo programa, chamado “Mais Acesso”, com a promessa de ampliar a rede de credenciados. No entanto, com a proposta, o grupo que hoje administra a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil tenta desviar a atenção das denúncias graves de esvaziamento e enfraquecimento da entidade e de participantes que tiveram que entrar na Justiça para prosseguirem com tratamentos médicos. Um dos casos recentes, e mais chocantes, foi de uma mulher de 37 anos que, por uma doença rara, perdeu o estômago e parte do intestino e teve o tratamento negado pela Cassi. Somente após recorrer à Justiça a entidade concedeu o tratamento para a moça, que quase perdeu a vida. Outra denúncia grave foi o caso de um homem com câncer em estado de metástase, onde havia a possibilidade de uma laparoscopia, mas a Cassi optou por fazê-lo sofrer uma cirurgia a céu aberto, por conta da pandemia, e que gerou maior tempo de internação para o paciente. “Os atuais diretores e conselheiros da Cassi apontam uma preocupação exagerada com a contenção de gastos, sob o argumento de gestão dos recursos, como se a entidade dos trabalhadores do BB fosse semelhante aos planos de saúde do mercado”, observou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. “Só que essa visão viola o princípio de solidariedade e isonomia que pautam a todos os colegas de banco e que fez da Cassi o maior plano de autogestão do país”, completou. O que o anúncio sobre o programa “Mais Acesso” não mostra é que, desde 2016, a Cassi descredenciou cerca de 5.400 prestadores de serviço. E, nos últimos anos, cerca de 1.800 medicamentos de uso continuado foram cortados da lista de medicamentos abonáveis (limaca) para os participantes. Um exemplo do esvaziamento das capacidades de atendimento da Cassi ocorreu em Bragança Paulista, interior de São Paulo, onde um importante aparelho do município que se tornou polo de agrupamento das cidades menores do entorno, o Hospital Husf, foi descredenciado, restando para os associados recorrerem à Santa Casa, que já trabalha com sobrecarga nos atendimentos. Outra denúncia, levantada pelas entidades sindicais, é o perigo do Cassi Essencial para a existência de toda a Cassi. Lançado em junho, o plano de mercado não foi criado apenas para atender os parentes por afinidade e consanguinidade dos funcionários, ex-funcionários e aposentados do BB. Pessoas que tiveram ou ainda possuem vínculos de trabalho com o Banco do Brasil poderão trocar o Plano Associados pelo Essencial. “Quanto mais funcionários do BB o novo plano atrair, mais fraco ficará o sistema de solidariedade que sustenta a Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, isso porque o Cassi Essencial viola o princípio de solidariedade e isonomia, onde os mais jovens ajudam a custear os mais velhos e o Banco do Brasil ajuda a arcar com as despesas”, explicou Fukunaga. O trabalhador que aderir ao Cassi Essencial não contará com o patrocínio do banco via contribuições patronais. Além disso, terá que pagar uma franquia de R$ 250 reais toda vez que usar o plano dentro da sua região contratual e de R$ 350 quando precisar dos serviços de saúde fora da sua região contratual, fazendo com que o Cassi Essencial alcance custos semelhantes ou até superiores aos dois planos Família. Fonte: Contraf-CUT
Procurador pede ao TCU afastamento de presidentes do BB e da Caixa

Os presidentes do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, e da Caixa, Pedro Guimarães, podem ser afastados dos seus cargos. Na manhã desta quarta-feira (8), o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, apresentou representação no tribunal em que pede a investigação por suposto uso político das instituições no episódio do manifesto da Febraban. “Entendo que a questão ora em consideração encerra as condições necessárias e suficientes para que, com base no que dispõe o artigo 276, caput, do Regimento Interno do TCU, seja adotada medida cautelar determinando o afastamento tanto do presidente da Caixa Econômica Federal, Sr. Pedro Guimarães, como o do Banco do Brasil, Sr. Fausto de Andrade Ribeiro, uma vez que demonstraram que o motor das decisões tomadas na condução das instituições que dirigem possui forte viés político, em afronta ao esperado zelo pelo interesse público e não do governo de plantão”, diz Furtado. “Estão evidentemente presentes, neste caso, ofumus boni iurise opericulum in mora, amparados na legislação aplicável à matéria, no fundado receio de ocorrer grave lesão ao interesse público e no risco de ineficácia de tardia decisão de mérito”, segue o procurador. Recentemente, Caixa e BB entraram numa disputa com a Febraban ao tomarem conhecimento da articulação de um manifesto em que a entidade dos bancos defenderia a harmonia entre os poderes, em recado aos ataques propagados por apoiadores de Jair Bolsonaro e pelo próprio presidente. Os bancos ameaçaram deixar o sindicato, mas voltaram atrás e permaneceram. Para o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga, é mais uma tentativa de ameaças sem cabimentos, como foi o Sete de Setembro. “Eles não cansam de passar vergonha. Tentam ser autoritários, por questões políticas, reflexos dos desmandos do governo federal, mas percebem que não podem. Apenas demostram o desespero do governo”, disse. “Instituições públicas tão importante para o país não podem ser usadas desta forma. Que bom que o Banco do Brasil, por conta da sua governança corporativa, com ações listadas na bolsa, viu o perigo que seria deixar a Febraban. É bom para a categoria e para a instituição”, finalizou. Para a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt, o caso só reforça o que temos denunciado de uso político do banco. “Pedro Guimarães criou o CaixaTur para viajar pelo país dizendo que está estimulando negócios quando na verdade está em plena campanha eleitoral antecipada, o que é errado. A cada viagem faz declarações favoráveis ao atual governo e depreciativas dos governos anteriores”, afirmou. Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto, é saudável que toda denúncia seja investigada. “A Caixa e o BB são bancos públicos. E tudo o que é público pertence a toda a população. É importante que toda a denúncia seja investigada com transparência e responsabilidade para que tudo fique esclarecido e a população seja informada. Se houver irregularidades, que os culpados sejam punidos”, disse Takemoto. Fonte: Contraf_CUT
Conferência Nacional encerra e categoria fica mobilizada

Terminou na tarde deste sábado (4) a 23ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias que aprovou um plano de lutas para a categoria. Os debates e as resoluções tomadas no evento retratam a necessidade de união da categoria diante de um cenário de crise econômica, política e sanitária que atinge o país. A Conferência combinou um posicionamento de defesa da democracia com as conquistas e direitos da categoria. “Conseguimos reunir cerca de 1.200 pessoas em uma discussão necessária para a categoria bancária e para todo o país. Ficou claro nos debates que sem democracia não há PLR, vale refeição e alimentação ou convenção coletiva. A Conferência mostrou a necessidade do Fora Bolsonaro, porque o Brasil só vai retomar o rumo do desenvolvimento quando colocarmos no governo outra forma de governar, priorizando a distribuição de renda, da geração de empregos e do combate à miséria”, afirmou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, que também é coordenadora do Comando Nacional da categoria. Debates Cerca de 1.200 pessoas participaram da conferência, que contou com mesas que abordaram temas como “O Brasil que queremos”, “Retrato da categoria bancária”, “Qual sistema financeiro o Brasil precisa” e “Brasil sem desigualdades”. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma saudação na abertura da conferência. Lula lembrou que sua relação com a categoria bancária é forte desde 1978. O ex-presidente disse para que a categoria não perdesse a fé na reconquista da dignidade do povo brasileiro. E na conquista da democracia. Plano de lutas Na Conferência, delegadas e delegados avaliaram o plano de lutas, com 110 propostas de resolução aprovadas em bloco. Os destaques foram para as resoluções para manter negociações sobre teletrabalho com todos os bancos, buscando garantir e ampliar direitos; fortalecer as negociações na mesa de saúde; pela regulamentação do sistema financeiro, pela adesão no grito dos excluídos/7 de setembro, pela defesa dos bancos públicos, das empresas públicas e do serviço público, pela tributação dos super-ricos, por uma reforma tributária progressiva e que distribua renda e pelo Fora Bolsonaro. Também foram aprovadas moções em bloco, com destaque para a moção de apoio a Rita Serrano, representantes dos empregados no conselho de administração da Caixa. Fonte: Contraf-CUT
Unidade, projeto e luta para reconstruir o Brasil

A quinta mesa da 23ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada na tarde deste sábado (4), recebeu a presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann; o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e ex-candidato à presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL); e o deputado federal Orlando Silva (PC do B); para debater o tema Brasil sem desigualdades. A tônica das falas na mesa foi a discussão sobre a tarefa de derrotar o bolsonarismo e a formulação de um projeto de reconstrução do país que de fato contemple os direitos e anseios dos trabalhadores e da população brasileira em geral. Um cenário de terra arrasada e a tarefa que se impõe “Estamos vivendo a maior crise dessa geração. Uma crise sanitária, em primeiro lugar. Não foram mortes apenas por doença. Foram mortes por descaso. Por irresponsabilidade criminosa de um governo que negou a vacina, que boicotou as medidas de isolamento, que desprezou e teve indiferença com a vida das pessoas. E vivemos a tragédia da pandemia junto com a tragédia de uma crise econômica sem precedentes. Voltamos ao mapa da fome. Chegamos aos 15 milhões de desempregados. Desmontaram a nossa capacidade de investimento público. O Brasil tem o pior nível de investimento dos últimos 50 anos. Como se não bastasse, temos também um desastre político”, contextualizou Guilherme Boulos. “Em um cenário como esse, temos duas grandes tarefas. A primeira, a mais óbvia, é derrotar Bolsonaro. Não é simplesmente derrotar em 2022. Não podemos esperar, sobretudo, sabendo do nível de instabilidade institucional, que ele anuncia um golpe com um ano e meio de antecedência (…) Vamos precisar de muita unidade política. Nosso campo precisa buscar convergências. Mas, essa tarefa de resistência, de combate, ela não basta. Estamos em um momento que, além de derrotar Bolsonaro, precisamos pautar um projeto para reconstruir o Brasil, que hoje é terra arrasada. Olha os dados em qualquer área. E com um modelo econômico que fracassou. Desde 2016, vendem a panaceia de que precisava de teto de gastos. Fizeram. Precisava de reforma trabalhista. Fizeram. Precisava de reforma da Previdência. Fizeram. E olha como nós estamos. Estamos mais pobres, com mais desemprego e mais endividados”, acrescentou o coordenador nacional do MTST. De acordo com Boulos, para reconstruir o país será necessário combater privilégios e fazer reformas estruturais. “Para avançar vamos ter que colocar o dedo na ferida (…) Vamos ter de tocar em interesses e enfrentar privilégios para ter espaço para avançar nos direitos, para fazer um plano ousado de obras públicas em infraestrutura, moradia, saneamento, transporte, que ao mesmo tempo melhore os serviços públicos e gere empregos. Isso vai exigir uma aliança de um eventual governo do campo progressista com os movimentos sociais, sindical e setores populares (…) E o papel dos bancos públicos, Caixa e BB, para um projeto dessa natureza é enorme (…) Os bancos públicos tem o papel de reduzir os juros na ponta, de fomento e gestão de programas sociais. Vai ser essencial recuperar a capacidade do Estado de ser indutor da economia e do desenvolvimento.” Programa, política e luta Por sua vez, o deputado federal Orlando Silva defendeu que existem três eixos para organizar o debate da superação da desigualdade: a construção de um programa; a construção da política; e a construção da luta. “A construção do programa é o que vai orientar a nossa atuação. É preciso que façamos um pacto político em torno de reformas estruturais (…) Reformas estruturais são, por exemplo, a reforma urbana, para garantir direitos essenciais como moradia, saneamento, água. Estes temas precisam ter centralidade em um programa de mudança do Brasil. A reforma tributária também é necessária. O que o Congresso está votando agora é nada. Temos o desafio de fazer uma reforma tributária que enfrente a desigualdade no nosso país. Chamo a atenção também para uma reforma política. Temos hoje a menor representação dos trabalhadores da história do Brasil. Nós temos que ter uma meta de eleição de representantes dos trabalhadores. A reforma política pode e deve dar instrumentos para avançar nessa representação. E, por fim, uma agenda de reformas estruturais vetorizada por uma estratégia de desenvolvimento econômico e também humano”, enfatizou o deputado. “Construir o caminho político passa por construir uma frente ampla com base no programa, numa agenda determinada, e hoje o foco desta agenda é derrotar Bolsonaro (…) Vai exigir ter paciência, conversar com mais gente, e trazer até gente que não concorda conosco. (…) É por isso que temos de juntar luta política e luta social. Quero concluir dizendo isso. A construção de um caminho político, baseado em um programa, não pode prescindir de luta nas ruas e nas redes”, acrescentou Orlando Silva. Construir a organização popular Por fim, a presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffman, destacou que a formação do Brasil foi feita com base na desigualdade. “Nosso país tem mais de três séculos de escravidão. Um país que foi formado e desenvolvido sobre o sangue, suor e lágrimas do povo negro. Sobre a extração das nossas riquezas. Esse desenvolvimento nunca levou em consideração a maioria do povo brasileiro. A desigualdade sempre foi a marca do nosso desenvolvimento histórico. Por isso é tão difícil combatê-la. Tivemos poucos momentos em que buscamos um projeto de país que fosse diferenciado, em que o Brasil pudesse ter sua soberania. Começamos por Getúlio Vargas, que teve uma visão do desenvolvimento, que fez a CLT. Depois tivemos Juscelino, Jango, mas a maioria da nossa história foi sem democracia e com exclusão do povo. Depois tivermos Lula, o primeiro operário, trabalhador, na presidência. Foi quando o povo foi incluído no orçamento e teve centralidade nas políticas públicas”, pontuou a presidenta do PT. “E nem isso, um governo que trouxe situações para amenizar o sofrimento do povo, foi suportado pelas elites desse país. O golpe contra a Dilma não foi outra coisa que não tentar resgatar o poder sem passar pelo processo eleitoral. E, não satisfeitos, teve toda a perseguição contra o Lula, a criminalização do PT, a criminalização da política como instrumento
Brasil precisa de um sistema financeiro produtivo para voltar a crescer

A partir das reflexões da economista e pesquisadora Fernanda de Freitas Feil, do Grupo de Pesquisa sobre Finanças e Desenvolvimento (Finde), e do economista e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Ladislau Dowbor, a terceira mesa de debates da 23ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada neste sábado (4), debateu sobre “Qual sistema financeiro o Brasil precisa?”. Fernanda Feil iniciou suas reflexões destacando que, para responder à pergunta, é preciso saber qual o Brasil a gente quer. Para ela, o Brasil hoje investe pouco no próprio desenvolvimento econômico e social. “As operações de crédito no Brasil são muito pequenas. Já foram de 54% do PIB e hoje se reduziram para 52%. É uma média de investimento muito pequena se comparada à de países do mesmo nível de desenvolvimento e menor ainda em ralação aos países desenvolvidos, onde a média de investimento chega a 150% do PIB”, observou ressaltando que o crédito não é neutro. “Ele direciona a capacidade produtiva e o consumo e o maior instrumento que o capitalismo tem para gerar crescimento”, disse. A economista apresentou um gráfico com o histórico com a porcentagem do crédito em ralação ao PIB. “Vemos que vínhamos em um processo de crescimento, que foi revertido a partir de 2015, com uma mudança muito drástica sobre o que o governo entende como Estado, que foi quando começou a travar uma luta declarada e não declarada contra os bancos públicos”, afirmou a economista. Ela disse que a retomada do investimento somente aconteceu em meados de 2020. “Em um mundo atípico, o BC (Banco Central) começou a tomar medidas para aumentar a liquidez da economia e liberou R$ 1,3 trilhão, que ficou empoçado nas instituições privadas”, lembrou. “Foram os bancos públicos que injetaram recursos na economia a partir do Promampe e de outros programas emergenciais anticíclicos”, completou. “Estou sendo enfática com relação à atuação dos bancos públicos porque são eles que, quando o dinheiro está disponível, oferecem crédito ao setor produtivo e não apenas o retém para gerar recursos aos rentistas”, disse apresentando um gráfico que compara a vocação para o crédito das instituições públicas e das privadas. Mas, para a economista, o maior desafio do século é a continuidade da espécie humana. E para superar o desafio precisamos conseguir mudar rapidamente nosso modo de produção, de modo que a gente consiga apresentar respostas coletivas, não individuais, para a redução da pobreza e da miséria. “Também precisamos responder qual o papel das instituições financeiras nos efeitos climáticos sistêmicos”, disse Fernanda, ao observar que as abordagens utilizadas pelo sistema financeiro até o momento não foram eficientes. “Precisamos de um sistema financeiro que sustente a transição verde, reduza as desigualdades sociais, realize a mudança estrutural da economia e que não atue sozinho”. Veja a íntegra dos slides utilizados pela economista em sua apresentação. Produtivo Para Ladislau Dowbor, economista brasileiro e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), não há solução para a categoria bancária se não tiver uma racionalidade para o sistema financeiro. “O sistema financeiro tem que ser útil para a sociedade. Para mim, a luta do bancário não é de proteger o passado, proteger os direitos, proteger o emprego. Se trata de defender o sistema do qual está inserido. Se o sistema financeiro não for útil para o desenvolvimento do país, ele terá porque existir e não gerará empregos.” O professo acredita que a categoria dos bancários é quem conhece afundo o sistema financeiro. Por isso ele tem de estar na mão da categoria. ““O nosso sistema de crédito foi cooptado e o agente regulador está na mão dos regulados”, reforçou. “O sistema financeiro não é um setor, é uma dimensão de tudo que a gente faz. A gente sabe o que a gente precisa. Nós temos que ter uma sociedade que seja economicamente viável, socialmente justa, mas também sustentável. Os bancários precisam generalizar essa compreensão de que o dinheiro tem de ser produtivo. O dinheiro não é dos bancos, o dinheiro é das pessoas e tem que voltar para elas, não apenas gerar riquezas para as instituições financeiras”, completou o professor. “O problema não é de onde vem o dinheiro, o problema é para onde vai. O que importa é o que você faz com o dinheiro. Essa é a essência do crédito, o crédito pode ser produtivo.” Dowbor alertou para a necessidade de pensar o sistema pelo viés da justiça e da produtividade. “Existe a dimensão da produtividade do dinheiro. No Brasil, o governo repassa o dinheiro para os bancos, que não repassam a verba para saúde ou educação ou a área que for. Com regulação e bancos estatais, podemos ter uma alocação racional de recursos. Por exemplo, está comprovado que para cada dólar que eu gasto com saneamento básico, deixo de gastar quatro com doenças. Tenho aí uma alocação de recursos que geram efeitos multiplicadores”, argumentou. Uma solução seria a reforma financeira, taxando lucros e dividendos e criando uma lei que regulamente a agiotagem, além de uma reforma bancária, “para romper com o oligopólio dos bancos”, descentralizando o sistema e, em alguns casos, promovendo estatizações. “Temos um pedágio improdutivo no nosso sistema financeiro, os bancos, por que depender deles? Podemos pensar em reformas como a que foi feita na Califórnia, que autorizou os municípios a criarem bancos públicos municipais, imitando a Alemanha. Os alemães não guardam dinheiro no banco, eles têm caixas de poupança da comunidade. O que muda? Você tem o dinheiro nas mãos da própria comunidade. Juntando isso ao dinheiro dos impostos que os municípios recebem, cada cidade pode assumir as rédeas do seu próprio desenvolvimento”, exemplificou. Para tanto, “precisamos de um Banco Central”, revogando a questão da autonomia para devolver à entidade a condição de agente regulador. Dowbor foi mais além, dizendo que, ao fortalecer o Banco Central, seria possível eliminar completamente os órgãos intermediários, os grandes bancos. As transações financeiras ocorreriam diretamente entre o BC e a sociedade ou pequenos bancos cooperativos, deixando de financiar intermediários. “Hoje ninguém vai mais à agência, é tudo online,
Nova pesquisa sobre teletrabalho mostra avanços e desafios para a categoria

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) divulgou neste sábado (4), durante a 23ª Conferência Nacional dos Bancários, os resultados da 2ª Pesquisa de Teletrabalho da Categoria Bancária. A pesquisa avaliou as condições para a categoria realizar o teletrabalho, após mais de um ano de duração dessa modalidade. Os bancos ainda não cumprem totalmente o negociado para o serviço remoto, mas o teletrabalho se revelou uma forma fundamental para reduzir os riscos de contágio da Covid-19 pela categoria. A pesquisa coletou respostas de 12.979 bancários e bancárias de todo o país. Na primeira pesquisa, realizada no ano passado, foram ouvidos 10.939 bancários e bancárias. A categoria tinha sido pioneira e boa parte foi deslocada para o teletrabalho assim que começou a pandemia. O teletrabalho foi negociado pelo Comando Nacional dos Bancários junto à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). “Essa segunda pesquisa foi fundamental para conseguir avaliar as condições de trabalho dos bancários em home office com mais de um ano de duração dessa modalidade de trabalho, ao contrário da pesquisa passada que era ainda tudo muito recente”, avaliou o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que participou da Mesa 2 da conferência neste sábado. Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, a pesquisa teve a importância de detectar o que precisa ser melhorado nessa modalidade de trabalho. “A pesquisa mostrou que os itens mais problemáticos são justamente aqueles que as entidades sindicais estão buscando regular nos acordos: aumentos dos custos para o trabalhador, aumento e descontrole da jornada e problemas de saúde. Então a tarefa é conseguir fazer os acordos serem efetivamente praticados para que a gente possa ver uma melhora nos indicadores em pesquisas futuras, além de fazer novos acordos regulando essas questões com os bancos”, afirmou. Menos contágio Independentemente do que precisa e deve ser melhorado, o teletrabalho se revelou uma forma eficaz de enfrentamento da pandemia na categoria. Entre bancários e bancárias que ficaram em teletrabalho, 77% não apresentaram diagnóstico positivo de Covid-19, 23% foram contagiados. No entanto, entre os que não estiveram em teletrabalho, o percentual de contaminados foi de 38%. “Esse dado mostra o acerto das entidades sindicais em reivindicar o teletrabalho logo no início da pandemia e em rejeitar o retorno sem critérios ao trabalho presencial, assim como cobrar procedimentos de segurança para os locais de trabalho, nas agências e departamentos”, destacou a presidenta da Contraf-CUT. Mas a pesquisa do teletrabalho aponta quais pontos devem ser aperfeiçoados nessa modalidade. Apesar de ter aumentado o percentual de pessoas que tem um escritório em casa em relação a primeira pesquisa, a maior parte ainda trabalha em ambientes adaptados como sala e quartos. Os equipamentos de ergonomia, cadeiras e acústica foram os itens mais mal avaliados pelos bancários na infraestrutura disponível para o teletrabalho. Em relação a primeira pesquisa, aumentou o percentual de bancários que dizem que o banco não se responsabilizou pela melhoria ou fornecimento de nenhum item. Auxílio É de se destacar também o crescimento dos que citaram o pagamento do auxílio financeiro para o teletrabalho, o que reflete o acordo assinado pelas entidades sindicais banco a banco. A comunicação com a empresa segue sendo um problema para a categoria, principalmente em casos apoio ou de manutenção. Aumentou o percentual daqueles que dizem que o banco não tem (16,5%) ou não sabem se o banco tem um canal de comunicação próprio para teletrabalho (37,8%). Maior jornada Mais bancários e bancárias estão percebendo um aumento nas horas trabalhadas em comparação ao trabalho presencial. Para 19,4% dos entrevistados, a jornada aumentou muito (em 2020, era de 13,6%). Para outros 24,2%, a jornada aumentou um pouco (em 2020, esse percentual era de 22%). Outro reflexo das discussões em mesa de negociação com os bancos e acordos assinados foi que a maioria dos entrevistados (67,9%) diz que os bancos têm respeitados os períodos de desconexão (fora do expediente, finais de semana, folgas, feriados e intervalos de almoço). “Ainda há uma minoria que ainda sente que o banco não tem respeitado seus períodos de desconexão, mas o Comando vai cobrar o cumprimento do acordo nessa questão”, destacou Juvandia. Saúde, medos e afazeres Na saúde dos bancários e bancárias, os sintomas mais sentidos após o home office são o medo de ser esquecido/perder oportunidades/ser dispensado; dores musculares e dificuldade de concentração. Além disso quase 60% dos bancários afirma que se sentem isolados em alguma medida por conta do teletrabalho. Mais bancários e bancárias estão percebendo aumentos consideráveis em suas contas de consumo enquanto os bancos têm economizado despesas administrativas. Entre os entrevistados, 86,5% apontaram aumento em sua conta de luz e 73,4% no supermercado. Por outro lado, os 5 maiores bancos do país economizaram R$ 300 milhões no 1º semestre de 2021 com algumas despesas administrativas como água, luz, gás, vigilância, transporte, viagens, conservação de bens, etc. Mulheres com filhos são as mais afetadas pelo teletrabalho e têm dificuldades em conciliar o trabalho com as relações na casa e afazeres domésticos. Enquanto 47,2% das mulheres com filhos apontaram dificuldade em conciliar os afazeres domésticos com o trabalho, entre homens sem filhos o percentual foi de 24,6%. Movimento sindical e direitos A pesquisa registrou um aumento na importância que os bancários atribuem para a atuação do movimento sindical em itens que dizem respeito a compensações econômicas como auxilio do teletrabalho, auxilio alimentação adicional, reembolsos e pagamentos de hora extra. Fonte: Contraf-CUT
Negociações sobre custeio e gestão do Saúde Caixa avançaram

Sem as implicações da resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), revogada com a aprovação do PDL 342/2021, o modelo de custeio e gestão do Saúde Caixa a ser implementado a partir de 2022 voltou a ser discutido em mesa de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa Econômica Federal e o banco, ocorrida nesta sexta-feira (3). O PDL 342/2021 é originário do Projeto de Decreto Legislativo da Câmara (PDC) 956/2018, deputada Érika Kokay (PT/DF). “A mobilização das entidades associativas e sindicais em conjunto com os trabalhadores garantiu a aprovação do PDL 342. Assim, começamos as discussões com o banco afastando de vez a paridade contributiva, a cobrança por faixa etária e todos os dispositivos da resolução que prejudicavam os beneficiários”, avaliou a coordenadora da CEE/Caixa, Fabiana Uehara Proscholdt. Com a revogação da CGPAR 23, a Caixa informou que a participação do banco no custeio do plano passaria a ser limitada não pela paridade contributiva e sim pelo teto estatutário, de 6,5% da folha de pagamentos e proventos. “É importante ressaltar que, afastando a aplicação da paridade contributiva, temos condições de avançar na proposta que sempre defendemos, de manter a divisão dos custos do plano em 70% pela Caixa e 30% pelos empregados, mantendo a solidariedade e o pacto intergeracional. Ainda temos as restrições previstas no estatuto da empresa, e agora temos um patamar muito melhor para realizar as discussões com a Caixa até a renovação do ACT”, explicou Leonardo Quadros, integrante da CEE/Caixa e diretor-presidente da Apcef/SP. Durante a reunião, a CEE e a Caixa buscaram uma alternativa negocial para definir a projeção de despesas do plano para 2022, já que existe diferenças entre os números apresentados pela consultoria contratada pela representação dos empregados, que assessorou o GT, e a contratada pela Caixa. Este valor deve ser a base de cálculo para as propostas que serão apresentadas aos trabalhadores. A mesa de negociação discutiu uma proposta de cronograma para conclusão das etapas que faltam para apresentar as propostas aos empregados. A Comissão ressaltou que, antes de realizar a definição do modelo pelas assembleias, é necessário que haja tempo suficiente para apresentar as propostas para os trabalhadores. Portanto, na próxima mesa de negociação, que será no dia 8 de setembro, devem ser consolidadas as propostas de modelo de custeio e gestão a serem apresentadas aos empregados. O período de votação será do dia 20 a 23 de setembro. Estas datas podem sofrer alterações. Outros assuntos A coordenadora da CEE/Caixa, iniciou a reunião reforçando a reivindicação de outra mesa de negociação para tratar de assuntos, como a Gestão de Desempenho (GDP), Promoção por Mérito, Funcef, sistemas e home office na pandemia. Uma nova mesa deve ser marcada na próxima reunião. Outra questão discutida foi a antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). O banco respondeu que há processos internos a serem seguidos e que o pagamento deve ser realizado até o dia 30 de setembro, mas não fixou uma data. A Comissão também questionou a orientação de algumas unidades para o retorno ao trabalho presencial dos empregados que estão em home office e já foram vacinados com as duas doses. A Caixa informou que entrou em contato com a unidade e o gestor foi reorientado. Na oportunidade, falou-se da importância de realizar uma discussão sobre condições para o retorno ao trabalho presencial. Fonte: Fenae, com edições da Contraf-CUT
Abertura da Conferência Nacional reúne mais de 1.200 Bancários online

A 23ª Conferência Nacional dos Bancários começou na noite desta sexta-feira (3) com um número recorde de delegados e delegadas representantes da categoria em todo o país. Foram 1.175 delegados e 131 convidados inscritos. Um vídeo apresentou uma retrospectiva das negociações e das conquistas obtidas pela categoria em meio a uma conjuntura de ataques aos direitos dos trabalhadores e de crise sanitária que já matou mais de 580 mil pessoas e deixará sequelas em milhões de outras. Na abertura solene, a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, o responsável pela realização da Conferência, ressaltou a dura conjuntura que vivemos no país. “Desde o ano passado, vivemos numa pandemia que ceifou milhões de vidas. No Brasil, foram quase 600 mil vidas por conta da gestão da pandemia que foi feita pelo governo Bolsonaro. Temos um governo genocida, porque teve oportunidade de comprar vacina e não comprou. Não comprou porque foi buscar intermediários para comprar vacina. Vamos homenagear todos os bancários e bancárias que perderam suas vidas, homenagear os dirigentes sindicais que lutando para defender a vida dos bancários perderam a suas vidas. Por causa desse desgoverno. Vamos continuar lutando firme e forte”, disse. “Não tem como lutar contra as desigualdades, por emprego e pela democracia se não lutarmos pelo Fora Bolsonaro. Esse governo representa as desigualdades, o entreguismo e o fascismo que vivemos nesse momento. Mas tirar apenas Bolsonaro não resolve o problema. Tem que tirar também o Mourão, o Paulo Guedes. Precisamos ter um Brasil com justiça social. Espero que a conferência pense nesse Brasil, que podemos retomar esse Brasil de volta e devemos fazer isso”, afirmou Juvandia. A presidenta da Contraf-CUT lembrou que a vida de vários companheiros bancários e bancárias, vítimas da Covid-19 poderia ter sido salva não fosse o governo genocida. “Lembro das primeiras mortes, o quanto doeu fundo na gente, o quanto a gente se enchia mais de vontade de lutar para salvar vidas de nossos colegas, para colocar mais gente em teletrabalho. O trabalho do Comando Nacional foi intenso. Não paramos de lutar. Os sindicatos não pararam de lutar e se mostraram instrumentos fundamentais”, ressaltou a presidenta da Contraf-CUT. A situação de crise no país foi destacada por Juvandia como resultado de um golpe articulado “por uma elite entreguista, uma elite do atraso e descomprometida, que não tem empatia com a população”. A presidenta da Contraf-CUT afirmou que não existe possibilidade de os trabalhadores conquistarem direitos sem a democracia. “A democracia precisa ser defendida a todo custo. Sem democracia, não temos direitos, não temos convenção coletiva, PLR, vale refeição e alimentação”, afirmou. Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, iniciou sua fala pendido mais gentileza entre as pessoas. “Nós precisamos usar mais palavras carinhosas. O mundo está tão duro, o mundo está tão difícil que as vezes a gente esquece os momentos de carinhos. Mas, temos também que lamentar todos os brasileiros que perdemos porque o Brasil, quando tinha muitas opções, por uma imprudência da nossa sociedade, optou por colocar o Bolsonaro na presidência. E, na pandemia, descobrimos que ele também é genocida. Além de tudo que já sabíamos. E também temos de lembrar muito bem que só estamos neste caos, com a gasolina cara, a comida cara, com a carne impossível de comprar por causa de um movimento que começou lá traz. Nesta semana fez cinco anos do golpe que tirou uma presidenta eleita. E, desde 2016, todos os brasileiros e brasileiras têm amargado tudo o que aconteceu. Agora, no Brasil estamos com milhões de desempregados, muita miséria e fome, coisa que não víamos há muitos anos. Mas, nós vivemos um período que nos permite ver como é possível mudar o país. Como é possível governar para todos. Por isso, também é importante a defesa da democracia, que tem sido tão atacada. E na defesa da democracia também é importante os defender os sindicatos. Então, nossa grande luta hoje também tem de ser pela manutenção das instituições, manter os sindicatos, para defender a democracia e, em 2022, podermos mudar esse estado. Por isso, essa conferência vai debater o país que queremos e como construí-lo”.https://www.youtube.com/embed/PgL6KL9XW24?feature=oembed O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que falaria sobre “O Brasil que queremos”, não pôde participar da Conferência por ter que comparecer ao velório de Sergio Mamberti, que faleceu na madrugada desta sexta-feira. Mas, Lula enviou um vídeo com uma saudação à conferência e lembrou da relação que tem com a categoria. “Minha relação com os bancários é muito forte. Vem desse 1978, com o companheiro Augusto (Campos), que todo mundo deve conhecer, depois o (Luiz) Gushiken, depois o Ricardo Berzoini, depois o (João) Vacari, depois a Juvandia, agora a Ivone. A gente não teria conseguido tudo que a gente conseguiu, não teria se transformado no protagonista que nos transformamos neste país se não fosse uma categoria como a dos bancários. Eu devo muito a vocês e, sobretudo, eu devo muito à solidariedade que vocês tiveram comigo quando eu fiquei 580 dias na polícia federal. Eu não seria o que eu sou se não tivesse vocês como companheiros”, disse. Lula lamentou o desmonte que está sendo realizado nos bancos públicos. “Fico triste por muitas agências que incentivamos que fossem abertas pela Caixa Econômica Federal, pelo Banco do Brasil, pelo BNB, pelo Basa, e pela quantidade de coisas que a gente fez para que o BNDES criasse para gerar oportunidades de crédito e de emprego estarem acabando. Inclusive, a diminuição da categoria bancária”, lamentou o ex-presidente. Mas, Lula deu um alento à categoria. “Não percam a fé, não percam a disposição de luta e não percam nunca a certeza de que a gente vai ter de lutar muito para reconquistar a dignidade que o povo brasileiro está perdendo, a dignidade que a categoria dos bancários tem, porque essa categoria representa muito na luta pelas conquistas dos trabalhadores e