COE Itaú apresenta reivindicações ao banco e cobra transparência em processo de reestruturação

Em reunião com representantes do Itaú, a Comissão de Organização dos Empregados (COE) voltou a solicitar mais transparência nos processos de reestruturação, que têm impactos diretos na remuneração, nas metas, nas condições de trabalho e nas perspectivas de carreira dos empregados. A falta de diálogo com a representação dos trabalhadores e de critérios claros sobre as decisões adotadas também mereceram críticas durante o encontro. Uma das principais preocupações dos trabalhadores é a redução da remuneração variável semestral (VB). Depois da ressegmentação das carteiras da Plataforma PJ, diversas carteiras classificadas como Porte A passaram a ser enquadradas como Porte B, principalmente devido à migração de clientes de maior porte para outros segmentos ou para o atendimento digital. O valor da remuneração variável é calculado de acordo com o porte da carteira. Desta forma, muitos trabalhadores podem sofrer redução de até 50% nesse pagamento, apesar de as mudanças terem sido promovidas exclusivamente pelo banco. Outra reclamação é a unificação dos segmentos Pro Smart e Pro também fez parte do debate. Com o fim do Pro Smart, os gerentes passaram a atuar em um único segmento, submetidos às mesmas metas e aos mesmos indicadores de desempenho, embora continuem atendendo carteiras com perfis distintos e recebendo salários diferentes. Neste ponto, o Itaú respondeu que não haverá equiparação salarial, já que as modalidades atendem clientes de portes diferentes e enfrentam desafios distintos. Os trabalhadores afirmaram que mesmo com a redução das carteiras decorrente da migração de clientes para o atendimento digital e outros segmentos, as metas foram ampliadas neste trimestre, tornando o alcance dos resultados cada vez mais difícil. Durante o encontro, também foram relatadas denúncias sobre o reembolso para visitas a clientes. Os valores pagos estão defasados e, quando o empregado utiliza veículo próprio, o sistema impede, em determinadas situações, a opção pelo uso de aplicativos de transporte, fazendo com que o trabalhador arque com despesas que deveriam ser assumidas pelo banco. O Itaú ainda não respondeu sobre as questões relacionadas à redução da remuneração variável, ao aumento das metas, ao fim da premiação para gerentes, ao retorno às agências e à revisão da política de reembolso. *Fonte: Contraf-CUT
Sindicato participa de ação para conscientizar a categoria

O Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense percorreu as agências da região, nesta quinta-feira (16), data em que acontece a terceira rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários 2026, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A ação objetiva chamar a atenção dos bancários e das bancárias para a importância da luta da categoria por melhores condições de trabalho. A pauta da reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) é sobre igualdade de oportunidades de acesso, ascensão e remuneração para mulheres, negros e negras, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência (PCDs). Dados do Dieese mostram que desde 2020 até abril de 2026, dos 31,1 mil postos de trabalho fechados no setor, 80% são vagas antes ocupadas por mulheres. As diferenças são evidentes também em relação à remuneração entre homens e mulheres e grupos raciais na categoria bancária. O relatório mostra que as mulheres bancárias recebem, em média, 18,4% menos que os homens brancos que atuam na mesma função. No caso das mulheres negras, a situação é ainda mais grave. Elas têm remuneração média 34,2% inferior aos dos colegas homens brancos. As desigualdades aumentam nos cargos de liderança. Considerando o recorte racial, apenas 25,2% das pessoas negras (homens e mulheres) estão nos cargos de liderança dos bancos. Apesar das mulheres ocuparem 47,7% dos cargos de liderança, a remuneração média feminina nessas funções é 26% inferior à dos homens que ocupam a mesma função. Além de conversar sobre a campanha com os bancários e bancárias, a equipe do sindicato distribuiu o informativo “Jornal do Cliente”, que mostra as reivindicações da categoria nesta campanha e os problemas enfrentados pelos profissionais em sua rotina de trabalho.
Saúde Caixa: movimento sindical questiona e Caixa suspende cobranças indevidas

As cobranças destinadas ao Saúde Caixa que estavam sendo feitas sobre verbas remuneratórias recebidas em processos judiciais trabalhistas antes de 1º de janeiro de 2026 foram suspensas. A medida é resultado da solicitação feita à Caixa Econômica Federal pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). Depois que a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Luiza Hansen, questionou o banco sobre a cobrança, a Caixa reconheceu o erro e informou que a cobrança será suspensa por alguns dias para revisão dos procedimentos, antes de retomar as cobranças. Importante lembrar que o questionamento da Contraf-CUT não significa que as verbas remuneratórias reconhecidas judicialmente estejam livres das contribuições ao Saúde Caixa. Segundo matéria publicada pela Contraf-CUT, desde a criação do plano, as mensalidades são calculadas com base na remuneração dos titulares. Quando uma decisão judicial reconhece diferenças salariais (como gratificações, adicionais ou outras parcelas de natureza remuneratória), esses valores passam a integrar a base utilizada para a contribuição ao plano. Entretanto, a obrigação não é apenas do empregado. O banco também precisa recolher a contribuição patronal correspondente, conforme as regras de custeio do Saúde Caixa. As cobranças só podem alcançar parcelas de natureza remuneratória. Valores indenizatórios reconhecidos nos processos trabalhistas não integram essa base. A cláusula 2ª, parágrafo 5º, do ACT determina que, a partir da vigência do acordo, sejam destinadas ao Saúde Caixa as contribuições pessoal e patronal incidentes sobre valores a serem pagos a empregados e ex-empregados em processos individuais, coletivos ou acordos judiciais que envolvam parcelas remuneratórias. A regra inserida no último ACT foi negociada justamente para estabelecer um marco temporal e impedir que a Caixa promovesse cobranças retroativas sobre valores recebidos em anos anteriores. Quando as cobranças forem retomadas, deverão observar o marco estabelecido pelo ACT: somente poderão incidir sobre valores efetivamente pagos a partir de 1º de janeiro de 2026, data de início da vigência do acordo específico do Saúde Caixa. A Caixa também ampliará de dez para 90 dias o prazo para que o empregado ou ex-empregado analise a memória de cálculo e autorize o desconto em folha por meio do Portal Integramais. De acordo com a Contraf-CUT, só cabem cobranças sobre valores decorrentes de decisões judiciais que reconheçam verbas de natureza remuneratória e que tenham sido efetivamente recebidos a partir de 1º de janeiro de 2026. A Contraf-CUT e a CEE afirmam que vão continuar acompanhando a revisão das cobranças. Se houver qualquer dúvida em relação aos cálculos, a orientação é para que o empregado conteste a cobrança e procure o seu sindicato. *Fonte: Contraf-CUT